XX Implacável: explodo. Incorpórea: impolodo. Acolho irrupções cíclicas ao ventre, a cada novo evento: subverto centros gravitacio...

Poeta é ave de rapina

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XX


Implacável: explodo.
Incorpórea: impolodo.
Acolho irrupções cíclicas
ao ventre,
a cada novo evento:
subverto
centros gravitacionais,
saliva volátil
pólvora negra
molotov lírico
língua estopim.


XXVI


Um corvo cantará
no dia do nosso
casamento.
Uniremos corpo e vida
ao grito prometeico
de quem diz estar
para sempre atado.
Fígado exposto,
feridas abertas
vertendo o rubro
amor
de quem se dá
cru
à presa.


XXVII



um pássaro negro
empoleirado
em minha
garganta.


XXXVIII


Armo o banquete
pele rasa,
inicia-se a degustação
as vísceras
forrarão o estômago
de entrada
meu coração será
consumido ao final
o êxtase da inanição.


XLII


As moiras vêm à noite
montando frísios,
carregam víboras,
alvitres,
anéis de prata,
um olho e três destinos.
Coloquem as chaves
nas fechaduras.


XLVI


Vim de outras eras
erva-daninha-brava,
urtiga-vermelha,
saliva sumo de
comigo-ninguém-pode.


LVIII


Poeta é
ave de rapina,
caça a alma
das palavras
faz de si viveiro,
gaiola aberta.



Os poemas desta publicação fazem parte do livro “Harpia“, com prefácio do poeta Sérgio de Castro Pinto


Aline Cardoso é professora e poeta
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