O poeta reverbera seu canto como uma melodia que volta da montanha num ricochetear de palavras, numa linguagem polifônica de vozes entrec...

Blues e Minotauros, cantares

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O poeta reverbera seu canto como uma melodia que volta da montanha num ricochetear de palavras, numa linguagem polifônica de vozes entrecortadas do seu interior. É o sujeito e seu significado presente nos cantos/poemas em suas várias falas. A expectativa de um canto triste, melancólico, seus blues, tocados em seu interior e o disfarce de humano e mito, contemplam a vida.

Bruno Gaudêncio, o conheci tecendo-se poeta e acendendo em sua evolução, uma áurea de signos como uma ponte dialogando em diversos
estágios da cultura, da arte e da literatura.

Fez-se poeta e somou-se ao assombro do seu labirinto ecoando em blues e minotauros, sofisticados dizeres.

A poesia é elástica e não se rompe, ela passou por mudanças, inovações, crescendo em tradições e tatos contemporâneos, criando representações em suas imagens, uma poética em desenvolvimento.

O poeta campinense imprime em sua poética uma experiência do seu próprio fazer, arrumando no branco do papel, o desenho e o efeito dos poemas cunhados na dispersão do espaço que lhe é oferecido.

Lembrando Mallarmé, em sua linguagem moderna sobre poesia, quando diz que um poema não se escreve com ideias, mas com palavras. 

Tal ensejo remete-se ao poeta Bruno Gaudêncio, expressões de palavras e metáforas, poemas carregados de significados, então convoquemos sua poeticidade, neste fragmento do poema:

Uma noite de guerra
Viver significa deixar ruínas cacos guardados na memória um projeto de luz nos escombros de uma noite de guerra o futuro é o recomeço que os olhos encerram [...]

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Eis o poeta, Bruno Gaudêncio, que segue um ritmo formando em seus versos um caso particular de formas e ritmos, entre conceitos e translações, cria um caminho imagético e sonoro com destreza, cuja sensibilidade plástica mergulha em conteúdos favoráveis à beleza da criação dos poemas. Como um amante que se encanta pela magia de sê-lo e se dedica ao ato. E nessa efígie, diz bem Frederico Garcia Lorca: A poesia não quer adeptos, quer amantes.

O tempo diz de sua sucessiva criação, criatura intrínseca que põe voz em palavras que se revelam literárias, passagens para estações de uma poética dos dias de agora.

Sempre
O tempo reparte a dor do eternotempo no relógio um corte incompleto som e fúria no dizer do sempre


Texto apresentado por ocasião da apresentação do livro Blues e Minotauros, na Biblioteca Municipal Félix Araújo, Campina Grande, no dia 11 de agosto de 2021.


Livro disponível em:
Plural Editoral
▪ WhatsApp: (83) 9 88 44 91 31

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