Mostrando postagens com marcador Jorge Elias Neto. Mostrar todas as postagens

Não existe a favela idílica de Antonio Conselheiro. O Rio Vasa Barris, imortalizado por Euclides da Cunha, transbordou suas sobras de home...

transgressao protesto sem teto pobreza sociedade pos moderna
Não existe a favela idílica de Antonio Conselheiro. O Rio Vasa Barris, imortalizado por Euclides da Cunha, transbordou suas sobras de homens da Canudos sobre os morros do Brasil, e elas escorreram das encostas aos manguezais e sarjetas. E não poderiam poupar a ilha do Mel.

O Espírito Santo sempre foi um Estado sui generis. Visto como Estado de “passagem” para o Nordeste e de parada para abastecimento para os ...

ambiente leitura carlos romero ensaio jorge elias neto escritores autores musicos espirito santo literatura capixaba academia espirito-santense letras berredo menezes
O Espírito Santo sempre foi um Estado sui generis. Visto como Estado de “passagem” para o Nordeste e de parada para abastecimento para os turistas oriundos dos grandes Estados da região Sudeste, em viagem para o litoral baiano. Um Estado quase sem sotaque, um misto de mineiro desconfiado com a malemolência baiana.

Como é curto o tempo da inocência. E ficará cada vez mais difícil ser surpreendido por uma criança em um momento de lampejo poético, alg...

ambiente de leitura carlos romero cronica conto poesia narrativa pauta cultural literatura paraibana jorge elias neto olhar crianca observacao infantil filhos encanto
Como é curto o tempo da inocência. E ficará cada vez mais difícil ser surpreendido por uma criança em um momento de lampejo poético, algo apenas possível aos que começam a descobrir a linguagem. São tantas informações, imagens, mídias, que cada vez mais precocemente o vocabulário da criança é enriquecido, e isso ocorre na mesma velocidade em que se embota a espontaneidade – a inocência.

Há que se entender ou não o "ornitorrinco do pau oco"? Eu, por exemplo, vivo em busca de algum autoentendimento.  Só recentem...

ambiente de leitura carlos romero resenha jorge elias neto livro ornitorrinco pau oco poesias poemas pessimismo
Há que se entender ou não o "ornitorrinco do pau oco"?

Eu, por exemplo, vivo em busca de algum autoentendimento.  Só recentemente, relendo uma definição do Breviário da decomposição, de Emil Cioran, é que me descobri um pessimista entusiasmado.

Mas, antes de uma definição psicológica, quem ler esta coletânea de meus três primeiros livros já publicados, em que incluí poemas inéditos, terá primeiro uma impressão de estranhamento e de curiosidade: o porquê de meu nome.

Estilo é o que tem ponta. Estilete que corta com um lado e acerta, quando se excede com o outro. Na cera do tempo que endurece para ganha...

ambiente de leitura carlos romero ensaio jorge elias neto poesia vanguarda modernismo concretismo parnasianismo romantismo tradicao metrica rimas edgar allan poe corvo
Estilo é o que tem ponta. Estilete que corta com um lado e acerta, quando se excede com o outro. Na cera do tempo que endurece para ganhar a pedra definida, o papel definitivo, passa por variações de intenção e temperatura até chegar à luz dos olhos de quem não sabe ao certo, através dos séculos, quem firmou primeiro aquilo, que nos desconcerta.

NORDESTE O controle das pedras e ampulhetas cabem nas bordas do vento nordeste Vento e agreste, guias dos pés no sem fundo

ambiente de leitura carlos romero cronica conto poesia narrativa pauta cultural literatura paraibana jorge elias neto nordeste sertao agreste caatinga
NORDESTE
O controle das pedras e ampulhetas cabem nas bordas do vento nordeste Vento e agreste, guias dos pés no sem fundo

Para vivir un año es necesario morirse muchas veces mucho. Ángel González Alguns poetas são atletas do abismo. Espreitam, com seu...

ambiente de leitura carlos romero ensaio jorge elias neto academia letras espirito santo literatura espanha angel gonzalez asturias poesia ditadura franco guerra civil tuberculose antonio machado
Para vivir un año es necesario morirse muchas veces mucho.

Ángel González

Alguns poetas são atletas do abismo. Espreitam, com seu olhar irrequieto e sensível, o entardecer por detrás da História. Debulham o seu passado – o nosso passado – e nos ofertam um ladrilho de palavras. Esses mesmos poetas se especializam, tornam-se alpinistas do nada e penduram-se no portal do tempo. Sabem-se clandestinos, insignificantes e fadados ao esquecimento.

Não basta ao homem a informação. Ele — o conhecimento — não se instala como “verdade” na vida de quem o procura. Na maioria dos casos,...

ambiente leitura carlos romero jorge elias neto ensaio augusto dos anjos literatura brasileira paraibana pre-modernismo belle epoque eu poesia vanguarda crítica biologia medicina morte
Não basta ao homem a informação. Ele — o conhecimento — não se instala como “verdade” na vida de quem o procura. Na maioria dos casos, ele remenda o que a vida e as circunstâncias históricas trataram de esgaçar e ferir.

O aforismo constitui uma das maiores pretensões da inteligência, a de reger a vida. Carlos Drummond de Andrade Origem: do Verbo ao a...

ambiente de leitura carlos romero literatura aforismos ensaio jorge elias neto academia espirito-santense filosofia socrates nietzsche nelson rodrigues bertrand russell carlos drummond antonio porchia linguagem franz kafka

O aforismo constitui uma das maiores pretensões da inteligência, a de reger a vida.

Carlos Drummond de Andrade




Origem: do Verbo ao aforismo

Eis que "no princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Tudo foi feito por ele; e nada do que tem sido feito, foi feito sem ele. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens" (João 1:1-4). Partimos também da palavra, agora oriunda do homem (pretensioso?), para iniciar uma discussão sobre esta polêmica forma literária denominada aforismo.

ambiente de leitura carlos romero literatura aforismos ensaio jorge elias neto academia espirito-santense filosofia socrates nietzsche nelson rodrigues bertrand russell carlos drummond antonio porchia linguagem franz kafka
Hipócrates (460—370 a.C.)
Seu surgimento remonta a Hipócrates — "pai da medicina" — na Grécia antiga. Em seu livro intitulado Aforismo (αφορισμός) o autor escreveu uma coleção de orientações para doenças e medicamentos [1-2]. Obviamente, Hipócrates não estava ciente de que este "manual" de aconselhamento médico, viria a nomear uma nova forma literária. Na verdade, a frase hipocrática que serve de introdução ao livro, "A vida é curta, a arte é longa" (ars longa, vita brevis), embora construída com um propósito diferente, traz em si a definição de um aforismo: uma frase concisa, precisa e carregada de grande força.

Quando tinha 10 anos (era o ano de 1974), meu pai me deu dinheiro para que comprasse meu presente de Natal. Desci correndo e fui ao Jairo Ma...

Quando tinha 10 anos (era o ano de 1974), meu pai me deu dinheiro para que comprasse meu presente de Natal. Desci correndo e fui ao Jairo Maia Discos comprar o novo LP de Chico Buarque.

Por que digo isso? Ao lembrar dos ataques dirigidos a Chico Buarque de Hollanda nos últimos anos. Gregório Duvivier, em crônica publicada na Folha, chegou a dizer que, para ele, os eventos contra o compositor e escritor causavam indignação de tal monta que era “como se chutassem uma santa ou rasgassem a Torá”.

A visão usurpou o direito e o espaço dos demais sentidos. Para uma pessoa que tem no olhar a fonte de sonhos e de vida, é difícil aceitar,...

A visão usurpou o direito e o espaço dos demais sentidos.

Para uma pessoa que tem no olhar a fonte de sonhos e de vida, é difícil aceitar, é difícil até mesmo formular essa afirmativa. Mas, como existe uma diferença entre ouvir e escutar, a visão também difere do olhar – ela carece de sensibilidade e é mais passível de manipulação.