Moral e Sociedade, publicada em 1973, é uma obra de coautoria do filósofo e escritor francês Roger Garaudy (1913 - 2012), que exemplifica sua abordagem crítica e seu interesse pelas falhas das sociedades contemporâneas, especialmente em questões relacionadas à ética, justiça e solidariedade. O livro aborda temas centrais como a crise moral e a alienação social, a crítica ao materialismo e ao consumismo, a moral como um projeto coletivo, a solidariedade e a responsabilidade, a visão humanista e o papel do cristianismo, bem como uma reflexão crítica sobre a modernidade.
Astor Pantaleón Piazzolla (1921 – 1992) foi um compositor e bandoneonista argentino que revolucionou o tango tradicional, criando um gênero híbrido que ficou conhecido como "tango nuevo" (tango novo), fundindo-o com elementos da música erudita, do minimalismo do jazz e do dodecafonismo. Sua contribuição para a arte de compor foi bem diversificada.
A arte, em suas diversas formas, desempenha função determinante para o desenvolvimento do senso crítico e a valorização da diversidade cultural. A música erudita, por exemplo, como a obra do compositor, regente e pianista russo ÍGOR FIÓDOROVITCH STRAVINSKY (1882-1971) denunciou o autoritarismo político e suas consequências, como as injustiças geradas por governos antidemocráticos, incluindo o extermínio de cidadãos sob o regime totalitário de Josef Stalin (1878-1953).
Ígor Stravinsky foi um dos principais responsáveis pela transição da música do final do século 19 para a modernidade do início do século 20. Sua obra, marcada pela constante busca por inovação, reflete as convulsões sociais da época e revela a crise dos métodos tradicionais nas artes e nas ciências. Ele desenvolveu suas composições em três fases distintas: o período russo, o neoclássico e o serialismo.
É impossível existir sem beleza." Essa frase do filósofo, escritor e jornalista russo Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski (1821-1881) expõe a sua visão estética sobre a existência humana. Segundo ele, "a beleza tem uma dimensão ética e espiritual". Nesta tese, o pensador defende que existe algo no agir humano que transcende a materialidade e a racionalidade. Por meio de seus textos, pode-se chamar de “belo” o objeto dessa experiência transcendental, sendo uma dimensão estética acessível a todos por uma necessidade inata à própria constituição existencial - seja por meio da cultura, dos valores morais ou das virtudes individuais.
A arte na sociedade une as pessoas e inspira movimentos revolucionários para garantir a dignidade humana. Em tempos de opressão, as obras artísticas podem se tornar uma forma de resistência contra a perversidade humana. Ela dá voz às vozes silenciadas, fortalece o ímpeto de luta e inspira a esperança, assim como reflete a evolução cultural e tecnológica ao longo dos séculos e a forma como os cidadãos se relacionam entre si e com a própria sociedade.
O ser humano, em algum momento, se frustra por não alcançar um objetivo ou por cometer um erro. Consequentemente, o fracasso é uma parte inevitável da existência. É nessa situação que a autocompaixão surge para aliviar o sofrimento. A autocompreensão deve ser uma prática para o bem-estar emocional e psicológico. Autoempatia é a prática de tratar a si com a mesma compaixão, cuidado e compreensão que a pessoa oferece aos outros em momentos de sofrimento.
Heinz Kohut (1913–1981), psicanalista austríaco, analisou como défices emocionais no ambiente empático durante a infância podem resultar em comportamentos disfuncionais na vida adulta. A atitude disfuncional refere-se a padrões de ações irregulares, pensamentos ou reações que prejudicam a saúde mental e física tanto do indivíduo quanto o bem-estar das pessoas em seu relacionamento social. Esse tipo de comportamento caracteriza-se, frequentemente, pela dificuldade em gerenciar as próprias emoções ou lidar com seus desafios de maneira produtiva e respeitosa.
A tradição da Teoria Crítica, desenvolvida pelo Instituto de Pesquisa Social da Universidade de Frankfurt (Escola de Frankfurt), busca compreender o funcionamento da sociedade a partir de uma perspectiva de emancipação. Contudo, essa emancipação pode, simultaneamente, ser limitada pela própria lógica da organização social estabelecida. Nesse contexto, o primeiro princípio da Teoria Crítica é a orientação para a emancipação, que exige que a teoria assuma uma postura crítica em relação ao conhecimento produzido sob as condições sociais do capitalismo, bem como à própria realidade social que esse conhecimento busca compreender. Esse compromisso crítico constitui o segundo princípio fundamental da Teoria Crítica.
O pensamento do filósofo coreano Byung-Chul Han, nascido em 1959, tem contribuído para uma análise crítica sobre as crises da sociedade contemporânea. Han analisa o isolamento social, o consumismo compulsivo, o excesso de informação inútil, a vulnerabilidade dos produtos causada pelo avanço tecnológico e a pressão por alto desempenho profissional, como fenômenos que constituem a vida moderna. Entre suas obras mais lidas está Sociedade do Cansaço, publicada em 2010. O livro aborda, em sete capítulos, a exaustão física e mental da modernidade,
A mitologia grega é um conjunto de mitos, crenças, lendas e histórias que os gregos antigos utilizavam para explicar os fenômenos da natureza e do Universo. Os mitos gregos estão divididos em três períodos principais. O primeiro é a teogonia, que aborda a origem dos deuses, do planeta e do ser humano. O segundo período refere-se à era em que deuses, semideuses e mortais interagiam diretamente. Por fim, o terceiro é conhecido como a fase dos heróis, em que a atividade divina tornou-se mais limitada, e as maiores lendas heroicas, como as relacionadas à Guerra de Troia, influenciaram a origem de nação e Estado.
Enrico Fubini, musicólogo italiano nascido em 1935, em seu livro Estética da Música, publicado em 2019, sustenta a tese: “O modo de sentir e fazer música se modifica ao longo da história” (2015, p. 16-17). Para o autor, a atividade do músico exige anos de aperfeiçoamento com o objetivo de adquirir a técnica precisa de interpretação, capaz de impactar o senso crítico e estimular a sensibilidade no comportamento humano.
A psicanálise, desenvolvida pelo neurologista austríaco Sigmund Freud (1856–1939), é um método de investigação e tratamento para alterações psíquicas, estruturado nas pulsões da sexualidade. Essa teoria foi elaborada entre o final do século XIX e o ano de 1939. Fundamenta-se na tese de que o inconsciente é o mais determinante dos processos mentais, os quais influenciam diretamente o comportamento humano. A terapia psicanalítica ocorre por meio de uma relação de diálogo entre o paciente e o analista, cujo objetivo é identificar as causas dos sofrimentos psíquicos e das confusões de personalidade. Além disso, busca-se aliviar tensões emocionais e melhorar as relações interpessoais do indivíduo.
A psicopatia, o ódio e o poder constituem três conceitos que, quando inter-relacionados, geram uma preocupação vital para compreender algumas das brutalidades das relações humanas, tanto no nível individual quanto no coletivo. Cada um deles representa forças que moldam comportamentos, estruturam sistemas sociais e causam consequências que vão desde o domínio político até tragédias pessoais e históricas.
A violência é um fenômeno que é analisado sob conceitos individuais, sociais, culturais e biológicos. Ela é frequentemente entendida como uma agressão física ou verbal direcionada a uma pessoa, a si mesmo ou ao ambiente, e se manifesta de forma estrutural ou simbólica. A estrutural está nos sistemas que perpetuam desigualdades e exclusões.
O narcisismo doentio, muitas vezes associado ao Transtorno de Personalidade Narcisista (TPN), caracteriza-se por um padrão de grandiosidade, pela necessidade de admiração excessiva e a falta de empatia, que impacta negativamente as relações interpessoais e o bem-estar emocional do próprio indivíduo. O narcisista patológico possui uma autoestima vulnerável, que necessita constantemente de validação externa para se sentir acolhido e valorizado. Essa doença se manifesta em comportamentos e crenças que expõem uma visão distorcida de
Dirck van Baburen
si e dos outros. A pessoa com TPN que apresenta a voracidade pela grandiosidade exprime um sintoma compulsivo de sentir-se especial e única, de forma a se colocar acima dos outros e esperar uma evidência diferenciada. A necessidade de admiração constante depende da validação externa, a qual busca ser o centro das atenções a fim de receber elogios e reconhecimento. Um dos seus sintomas é acreditar na certeza de merecer tratamento especial, e - em muitos casos – manifestar uma agressividade quando suas expectativas não são atendidas. A exploração interpessoal utiliza as pessoas na sua convivência social como meio para alcançar seus interesses egoístas e suas metas profissionais sem respeitar os próprios sentimentos. A falta de empatia gera dificuldade em se relacionar com as emoções alheias, a qual impossibilita a construção de relacionamentos saudáveis. O narcisista doentio acredita que os outros o invejam ou sente-se ameaçado pelo sucesso de outras pessoas.
A desigualdade se manifesta nas desumanas relações de sistemas econômicos que estruturam a vida em sociedade e são sustentadas tanto por mecanismos materiais quanto por ideias e valores culturais para intensificar o acúmulo de mais privilégios para algumas pessoas. Consequentemente, a cruel distribuição de recursos e as faltas de oportunidades de desenvolvimento pessoal geram a violência entre todos.
A política, por definição, é o espaço onde se articulam e se organizam os interesses de grupos e indivíduos em busca do bem comum. No entanto, quando a perversidade humana se infiltra no processo de construção do bem-estar social, os princípios básicos de justiça, igualdade e transparência são subvertidos por interesses egoístas, muitas vezes impulsionados por distúrbios psíquicos.
Charles-Louis de Secondat (1689–1755), mais conhecido por Montesquieu, foi um filósofo, escritor e teórico político iluminista. Ele contribuiu para criar a ideia de tripartição dos poderes do Estado. Em 1748, o pensador publicou o seu livro Do Espírito das Leis. Neste trabalho, uma de suas teses é o liberalismo político.
“De todos os homens maus, os homens maus religiosos são os piores”, afirmava Clive Staples Lewis (1898 - 1963). Em seu livro Cristianismo Puro e Simples (1952), nos cinco primeiros capítulos, ele apresenta a ideia de que alguns indivíduos têm um padrão de comportamento ao qual esperam que os outros o sigam. No caso da esquizofrenia religiosa, alucinações, delírios, pensamento e fala desorganizados, comportamento bizarro e/ou inapropriado, redução das demonstrações de emoções, problemas de memória e concentração fazem com que os indivíduos acreditem estar em comunicação direta com Deus ou entidades divinas, recebendo missões especiais relacionadas à vida de outras pessoas. A esquizofrenia é um transtorno mental grave que afeta o modo como a pessoa pensa, sente e se comporta, geralmente a pessoa esquizofrênica apresenta dificuldade em distinguir a realidade do imaginário.
As crenças religiosas oferecem conforto físico e mental, e frequentemente estruturam o comportamento e a sensação de propósito de salvação. Em pessoas com esquizofrenia, essas crenças podem ser intensificadas por meio de delírios e alucinações auditivas e/ou visuais. Um exemplo disso são indivíduos que acreditam receber mensagens de Deus, considerando-se profetas destinados a se purificarem de uma maldade ou a adquirir mérito pessoal. Para atingir esses objetivos, é comum que pratiquem atos como o jejum, buscando aliviar o mal-estar físico e mental e, de certa forma, transferir para os outros as causas de seus próprios conflitos existenciais e psíquicos.
Martin Mordechai Buber (1878 – 1965) foi um filósofo, teólogo, escritor e pedagogo austríaco. Sua obra filosófica Eu e Tu, publicada em 1923, versa sobre o diálogo e a relação humana. O pensador desenvolveu uma teoria centrada na ideia de que o sentido da existência humana está no honesto relacionamento dialogal, o qual prioriza o respeito para construir a dignidade entre os seres humanos, e que os objetos e o mundo necessitam de interações para existirem. As palavras-princípio, “Eu-Tu” (relação), “Eu-Isso” (experiência), demonstram as dimensões da filosofia do diálogo que, segundo Buber, dizem respeito à própria vida. O diálogo em Buber está relacionado ao conceito de encontro.