17.11.21
FECHADA PARA O MUNDO Havia esse ritual De pôr a mesa Na esperança de Congregarmos o pão. Mas a mãe não Sentava à mesa ...
FECHADA PARA O MUNDO
Havia esse ritual
De pôr a mesa
Na esperança de
Congregarmos o pão.
Mas a mãe não
Sentava à mesa
Porque não sabia
Segurar os talheres
Comia com a boca
17.11.21
7.10.21
NENHUM OLHAR Nem um olhar Nenhum olhar Que ninguém veja. Há apenas o silêncio Em conserva, Preservando nosso Sopro de vida, Esse ...

NENHUM OLHAR
Nem um olhar
Nenhum olhar
Que ninguém veja.
Há apenas o silêncio
Em conserva,
Preservando nosso
Sopro de vida,
Esse vento de morte
Essa boca atada,
Calada sobre tudo,
Prostrada sobre o mundo.
E eis que sou convocado
A acordar o mundo
Depois que o imundo
Interceptou o sexo,
Tomou-me sem nexo,
Depois que o verbo
Foi adjetivado.
Descobri que não sei
A gramática dos afetos.
A sintaxe do tempo
Virou somente ausência,
Semântica sem morfologia,
Afônico amor,
A nos sugerir
A preposição do (per)verso
Na conjunção da carne.
Todo silêncio é refletido
Quando a voz é passiva.
Todo silêncio é reflexo
Da voz ativa.
Sinto falta da voz recíproca.
Eu quero um “a gente”
Paciente.
Eu quero um nós
Que possa ser
Conjugado em todo
Tempo, modo, pessoa.
Quero um sujeito plural
Que seja singular.
TEMPORAL
Tempo (in)vestido nos teus olhos.
Tenho revertido em meus olhos
o íntimo que já não se intimida,
ao revelar uma eternidade que
já se mostra utópica.
Nostalgia talvez seja o ressentimento
de todas as expectativas frustradas
pelo eu e as circunstâncias às quais
nos rendemos e de que somos reféns
Se ao menos eu pudesse ser mais pai
de mim quanto Deus é do nada,
mas eu sinto que há um Tudo
que se emerge nos delicados sinais:
Ele está no aparente desconexo,
no surpreendente sexo,
suspenso num abraço infantil.
7.10.21
12.9.21
“Você gosta de ler?” “Não!”. A resposta para essa indagação vem marcada por uma contundente negativa. Engana-se por desconhecer o quanto s...
“Você gosta de ler?” “Não!”. A resposta para essa indagação vem marcada por uma contundente negativa. Engana-se por desconhecer o quanto sua cognição se prepara assiduamente para o exercício da leitura. Sim, você lê muito, seja o texto verbal ou não verbal. Estamos em um momento bastante imagético, em que muitas fotos, vídeos, memes circulam nas redes. Entretemo-nos. Horas a fio nos abastecemos de uma imensa gama de informações. Muito tempo quotidianamente dedicado ao acesso à vida alheia. O que sobra de nós? Quem se (re)conhece nessa multidão fantasiosa,
12.9.21
5.9.21
“O que alguém não teria conseguido executar justo com essa força que é necessária para desatar os fortes e potentes laços da vida”. O poet...
“O que alguém não teria conseguido executar justo com essa força que é necessária para desatar os fortes e potentes laços da vida”. O poeta alemão Rainer Maria Rilke, indignado com um suicídio que presenciou, questiona-nos em uma de suas cartas o poder de quem retira a própria vida, o que para muitos soa como uma afronta, visto que a maioria das pessoas acredita que o autocídio é um ato de covardia. Porém, a potência que cada um traz em si é efêmera e isso deve ser entendido, exemplificando-se com mortes como a
5.9.21