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Em uma das suas palestras, Ariano Suassuna, em tom de chiste, disse que a Grécia não inventou a tragédia. No máximo, continuou ele, a Grécia inventou a tragédia grega. Claro que um homem com a erudição de Ariano, que foi professor de estética, disse isto para fazer uma das tantas provocações, o que era peculiar nas suas conversas. De minha parte, prefiro afirmar que foi uma blague, porque se ele tiver dito a sério, é um caso único de alguém estar certo e errado, ao mesmo tempo.

O bom escritor é aquele que sugere mais do que diz. O que esconde suas ideias nas entrelinhas e deixa o leitor mergulhar para ir buscar os ...

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O bom escritor é aquele que sugere mais do que diz. O que esconde suas ideias nas entrelinhas e deixa o leitor mergulhar para ir buscar os sentidos escondidos pela estrutura aparente. Na poesia, pelas suas qualidades intrínsecas, como a concisão e a elipse, a sugestão é mais recorrente do que na prosa, o que não significa que o prosador – contista, novelista ou romancista – se exima de sua utilização. Constato um dos belos exemplos de sugestão em poesia, justamente, em uma estrofe do poema “Tristezas de um Quarto Minguante”, de Augusto dos Anjos, cujos elementos descritivos e narrativos o aproximam da prosa.

Existe uma diferença entre foco narrativo e ponto de vista que não é fácil de ser observada. Essa diferença se torna mais palpável quando o...

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Existe uma diferença entre foco narrativo e ponto de vista que não é fácil de ser observada. Essa diferença se torna mais palpável quando o narrador claramente guia a visão do personagem sobre um determinado fato, intrometendo-se nos seus pensamentos, passando-lhe a palavra num discurso direto, falando por ele num discurso indireto ou mesclando seu discurso ao do personagem, através do discurso indireto-livre. É mais difícil distinguir esses dois elementos da narrativa, quando o narrador faz essa mudança de modo sutil, sem abandonar a narração. Aproveitamos para lembrar que a narração é apenas um dos elementos estruturais da narrativa.

Num rompante, ou mesmo por questões de mágoas profundas de quem vive ruminando ressentimentos, desejar a morte de alguém pode parecer um se...

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Num rompante, ou mesmo por questões de mágoas profundas de quem vive ruminando ressentimentos, desejar a morte de alguém pode parecer um sentimento compreensível, é do humano, do humano infeliz, mas humano. O que não me parece compreensível e nem natural é alguém sentar, pensar, calcular, elaborar um raciocínio e sob a falsa alegação de “raciocínio filosófico”, desejar a morte de alguém, tornar isso público e oficial, através de artigo na grande imprensa. É assim que as ideias perigosas tomam corpo.

Jesus, segundo João (Katà Iōannēn): Jesus é o Bom Pastor. Ele não pula o cercado do aprisco, ele entra pela porta. Ele é a porta das ov...

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Jesus, segundo João (Katà Iōannēn):

Jesus é o Bom Pastor.
Ele não pula o cercado do aprisco, ele entra pela porta.
Ele é a porta das ovelhas.
Suas ovelhas o conhecem pela voz, afinal ele é o verbo
como luz verdadeira.

Sempre que vejo a placa de sinalização do trânsito que indica animal na pista, cujo ícone é uma vaca, eu faço uma brincadeira, dizendo que ...

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Sempre que vejo a placa de sinalização do trânsito que indica animal na pista, cujo ícone é uma vaca, eu faço uma brincadeira, dizendo que o Bósforo é aqui. Refiro-me, claro, ao estreito de Bósforo, que separa a Europa da Ásia Menor, como os antigos chamavam a atual Turquia.

Narrei, há poucos dias, as conversas dos galos da minha vizinhança, cheias de ritmo e me dizendo coisas interessantes. Para a minha satisfa...

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Narrei, há poucos dias, as conversas dos galos da minha vizinhança, cheias de ritmo e me dizendo coisas interessantes. Para a minha satisfação, o Dr. Adhailton Lacet Porto, Juiz de Direito, leu o meu texto e me informou que havia julgado um processo em que uma moça se queixava da vizinha, cujo galo cantava cedinho.

Tenho em minhas mãos um exemplar de Les cinq livres des faits et des dits de Gargantua et Pantagruel (Os cinco livros dos feitos e ditos d...

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Tenho em minhas mãos um exemplar de Les cinq livres des faits et des dits de Gargantua et Pantagruel (Os cinco livros dos feitos e ditos de Gargântua e Pantagruel), publicados originalmente entre 1532 e 1564, da autoria de François Rabelais (1494-1553), escritor renascentista, de grande importância para o reconhecimento do francês como uma língua de cultura.

O Sermão da Sexagésima é uma grande obra, em vários sentidos. Além de ser uma teoria da arte da parenética, por quem entende do assunto, v...

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O Sermão da Sexagésima é uma grande obra, em vários sentidos. Além de ser uma teoria da arte da parenética, por quem entende do assunto, vem de alguém que conhece a matéria por dentro, sabendo como fazer o que teoriza. Esta peça do padre Antônio Vieira nos atrai pela bela imagem que constrói de um sermão, mostrando de maneira inequívoca o seu objetivo: a repreensão dos vícios para a frutificação do bem. Trata-se, portanto, de peça doutrinária.

O estudo contínuo da obra de Augusto dos Anjos dá-me a certeza para dizer que, contrariamente ao que muitos pensam e apregoam, o autor de E...

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O estudo contínuo da obra de Augusto dos Anjos dá-me a certeza para dizer que, contrariamente ao que muitos pensam e apregoam, o autor de Eu não é o poeta da morte, mas do renascimento. A morte – “a alfândega, onde toda a vida orgânica/há de pagar um dia o último imposto” (Os Doentes) – é apenas um processo de transição a que matéria se submete e, tendo passado pelas agruras da degradação
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e do sofrimento, liberta o espírito para, enfim, buscar o renascimento, através de uma nova vida, em que os erros da anterior devem ser deixados para trás.

Nhô Augusto Matraga, depois de levar uma surra de largar o choco, apanhando mais do que mala velha para tirar o mofo, tendo sido ferrado, p...


Nhô Augusto Matraga, depois de levar uma surra de largar o choco, apanhando mais do que mala velha para tirar o mofo, tendo sido ferrado, pulado de um barranco, dado como morto e cuidado por um casal estranho, recobra a consciência e decide que deve mudar de vida. O seu intuito com a mudança? Entrar no céu, nem que seja a porrete.

Manifestações e protestos, desde que ordeiros e pacíficos, são uma demonstração inequívoca da liberdade de expressão. Embora muitos desejem...

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Manifestações e protestos, desde que ordeiros e pacíficos, são uma demonstração inequívoca da liberdade de expressão. Embora muitos desejem limitá-la, a liberdade de expressão deve ser garantida e quem se sentir incomodado com ela deve buscar a justiça. O que não dá é para o estado se intrometer e cerceá-la, em nome do que quer que seja.

Há quanto tempo o homem olha o céu e se guia pelos astros? A julgar pelo que diz o poeta latino Ovídio (século I a. C. - I d. C.), nas Meta...

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Há quanto tempo o homem olha o céu e se guia pelos astros? A julgar pelo que diz o poeta latino Ovídio (século I a. C. - I d. C.), nas Metamorfoses (Livro I, versos 77-89), desde o momento em que Prometeu moldou os primeiros homens, misturando o sêmen divino com a terra e com as águas da chuva, fazendo-os à imagem dos deuses que governam todas as coisas. Prometeu deu-lhes um rosto voltado para o alto e ordenou-lhes ver o céu e dirigir o olhar para os astros. O homem, assim, a um só tempo, diferenciava-se dos animais, que olham para baixo, e reverenciavam os deuses, cuja morada é o céu, e os astros, criações divinas. Zeus, compadecido da desgraça em que caiu um mortal ou querendo exaltar algum por ele amado, transformou-os em constelações com que semeou a abóbada celeste, que no dizer de outro poeta, Hesíodo (Teogonia, século VIII a. C.), já teria nascido constelada.

Um grande escritor nos dá muitas lições. Não importa quando e onde ele escreveu, pois a atemporalidade e a absoluta ausência de limitações ...

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Um grande escritor nos dá muitas lições. Não importa quando e onde ele escreveu, pois a atemporalidade e a absoluta ausência de limitações geográficas são a característica dos eternos. Os três primeiros trechos Guerra e Paz, de Tosltói, que apresentamos abaixo, são ensinamentos que podem e devem ser seguidos hoje, sem tirar nem pôr, tal a sua atualidade e a sua necessidade. Lições que entram em concordância com o que encontramos em Os Miseráveis, de Victor Hugo, outra obra monumental de outro gigante da literatura:

Após a reforma no calendário romano, realizada por Júlio César, com a ajuda do astrônomo grego Sosígenes , em 46 a. C., o mês de fevereiro,...

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Após a reforma no calendário romano, realizada por Júlio César, com a ajuda do astrônomo grego Sosígenes, em 46 a. C., o mês de fevereiro, a cada 4 anos, passou a ter 29 dias, de modo a completar com perfeição a órbita da terra ao redor do sol (na época pensava-se o contrário, óbvio). No entanto, mesmo depois do calendário juliano e enquanto permaneceu a contagem tradicional dos dias pelos romanos, nunca existiu o dia 29 de fevereiro.

Natacha Rostóva, na sua ingenuidade de criança, aliada a uma vida fátua de aristocrata, embora em franca decadência, apaixonava-se com faci...

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Natacha Rostóva, na sua ingenuidade de criança, aliada a uma vida fátua de aristocrata, embora em franca decadência, apaixonava-se com facilidade. Uma de suas paixões foi pelo príncipe Andrei Bolkónski, com quem chega a ter um compromisso de noivado. Instado pelo pai, Andrei propõe que eles esperem um ano, dando total liberdade a Natacha, durante esse período, até de ela se apaixonar por outro. Se, passado um ano, Natacha mantiver firme a sua decisão, eles se casarão. Por mais que seja duro para ela, Natacha aceita a situação, não sem lamentos.

Pierre Bezúkhov é o conde; Andrei Bolkónski é o príncipe. Oriundos de duas famílias ricas, importantes e respeitáveis, são dois amigos com ...

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Pierre Bezúkhov é o conde; Andrei Bolkónski é o príncipe. Oriundos de duas famílias ricas, importantes e respeitáveis, são dois amigos com trajetórias de vida diferentes, mas que, em um determinado momento, se encontram e se afinam de maneira admirável.

A batalha de Borodinó foi um duro golpe no império Napoleônico. Ferido de morte, naquele dia 26 de agosto de 1812, Napoleão viu desmoronar ...

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A batalha de Borodinó foi um duro golpe no império Napoleônico. Ferido de morte, naquele dia 26 de agosto de 1812, Napoleão viu desmoronar com a campanha da Rússia o seu poderoso exército e suas pretensões de ter a Europa sob o seu comando. É Tolstói quem nos conta isso em Guerra e Paz, analisando os fatos de modo contrário ao método histórico utilizado posteriormente para construir uma genialidade de Bonaparte, que o escritor nega, e para explicar as razões da guerra. O romancista defende a tese de que a guerra não se faz por causa da vontade de governantes que se veem como inimigos, mas por milhares de fatos miúdos que se congregam para aquele resultado. Diz ainda que os historiadores jamais entenderão esse fenômeno e qualquer outro, enquanto se debruçarem sobre fatos descontínuos e sobre as ações de imperadores, reis, governantes, ministros, generais, deixando de lado o continuum das ações e dos movimentos das massas – “a unidade histórica escolhida é sempre arbitrária” (Tomo III, Terceira Parte, Capítulo I).

Cultura é uma palavra interessante. Já pararam para pensar no que ela diz e no que ela representa? Sabiam que “colono” e “inquilino” provêm...


Cultura é uma palavra interessante. Já pararam para pensar no que ela diz e no que ela representa? Sabiam que “colono” e “inquilino” provêm da mesma raiz? Conhecem aquele bairro de Roma, onde se encontra a estação Termini e em que morou o poeta Marcial, o Esquilino, situado na colina do mesmo nome, a mais alta das sete que compõem o traçado da Cidade Eterna? Pois é, essa denominação também possui a mesma origem.

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O termo cultura é oriundo do mundo rural, proveniente do verbo latino “Colo”, “Colĕre”. Quando essa forma verbal surge, ela tem o sentido de cultivar a terra e também os deuses que protegem aquele lugar, agora escolhido como morada. Daí que colĕre tanto pode ser cultivar, quanto habitar. Eis a sua relação com “colono”, o que habita e cultiva uma determinada terra, e com “inquilino”, aquele que habita em algum lugar, sem que necessariamente venha a cultivá-lo.

No que diz respeito ao bairro romano, no traçado original da cidade, feito por Rômulo, o Esquilino se situava na parte externa do reino, vindo a ser incorporado bem mais tarde. Hoje, integra-se perfeitamente ao perfil de Roma, abrigando a Basílica de Santa Maria Maior, uma das suas sete maiores igrejas.

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Basílica Sta Mª Maggiore
Com o passar do tempo, o verbo amplia o seu sentido de cultivar a terra e os deuses que a protegem, e de habitá-la, para o sentido de cultuar a memória e a tradição, de modo a repassá-la às gerações seguintes. Assim, o substantivo “culto”, forma deverbal proveniente do supino “cultum”, tem o significado de “ação de cultivar”, passando a designar também um cuidado com as coisas do espírito, que devem ser preservadas. Embora possa parecer que os termos são muito diferentes – cultivar, colono, inquilino –, eles guardam em comum uma mesma raiz primitiva, em que constam os fonemas “kl”.

Cultura é, portanto, o que se cultiva ou cultua, materialmente ou no espírito; numa relação com a divindade ou por necessidades pessoais e do intelecto. Responder à questão que dá título a este texto é fácil. Todos temos cultura. Qualquer intervenção do homem feita na natureza, modificando-a, é um ato de cultura. Questão mais complexa é, como ouvi num debate na televisão, se há pessoas com mais cultura do que outras. Eu diria que, quanto maior o desenvolvimento tecnológico e humanístico, mais a cultura se expande. Há pessoas com mais cultura do que outras, então? Não tenho certeza, pois todos, particularmente, possuímos saberes que outros não têm. Mas posso afirmar que, decididamente, há mais pessoas com acesso aos bens culturais do que outras. Incluindo aí tanto o saneamento, quanto as bibliotecas...


Milton Marques Júnior é doutor em letras, professor e escritor

Admiro-me com a reação exacerbada das pessoas diante da morte, como se ela não fosse parte da vida. Não deveríamos nos surpreender com a “I...

preparacao para morte

Admiro-me com a reação exacerbada das pessoas diante da morte, como se ela não fosse parte da vida. Não deveríamos nos surpreender com a “Indesejada das Gentes” ou a “Iniludível”, como a chamou Manuel Bandeira, fazendo jus a sua característica maior.

Para quem acredita que só há uma vida, a da materialidade, o normal seria que a pessoa se preparasse para morrer, gozando o máximo possível da sua efêmera existência e fazendo de tudo para estendê-la até o seu limite. Para os que acreditam na imortalidade do espírito, há pelo menos duas possibilidades de lidar com a morte. A primeira é que só morremos uma vez e teremos uma vida depois de consumada a nossa pequena permanência na terra. A segunda é a de que morreremos muitas vezes, porque viveremos tantas vidas quantas forem necessárias para aprendermos o caminho para a espiritualidade maior, que consiste na iluminação. Em suma, devemos nos preparar para a morte, não importa qual seja a nossa concepção de vida.

O suicida não tem a mínima ideia das dores que vai encontrar
Em qualquer das possibilidades apresentadas, a morte será sempre uma passagem: para o aniquilamento, para uma vida posterior ou para novas vidas de aprendizagem. Nesse último caso, uma aprendizagem que terá como Mestre, no mais das vezes, a dor, que deverá nos preparar para as outras vidas que teremos. Se formos bons alunos, aprenderemos depressa e diminuiremos a nossa frequência de vidas e de mortes. Se formos maus alunos, nos atrasaremos e aumentaremos os nossos encargos, cujas responsabilidades negligenciaremos, além de acusarmos os outros por escolhas que são nossas.

Não é que não possamos nos lamentar diante da morte, principalmente, de um ente querido, mas devemos ter a consciência de que ela é apenas um estágio para o nada, e não há o que temer ou lamentar, se a vida tiver sido bem aproveitada; para a espiritualidade, o que significa, no mínimo, uma nova chance de aprender, de mudar e de seguir adiante, em direção à iluminação.

Lamento mesmo, deveríamos expressar não por alguém que morreu, mas por alguém que se matou. Se em nada acreditava, o suicida trouxe dor para a família, crendo libertar-se do sofrimento de viver; se acreditava em uma vida espiritual, ele não tem a mínima ideia das dores que vai encontrar até que lhe seja dada a oportunidade de viver nova existência material. 

De qualquer forma, a julgar pelo que venho acompanhando nas redes sociais, quando morre alguém, constato que não é que as pessoas não estejam se preparando para a morte, elas não estão preparadas é para a vida.


Milton Marques Júnior é doutor em letras, professor e escritor