28.3.26
Voltei à leitura de Menino de engenho (1932), romance de José Lins do Rego, motivado pela projeção do filme homônimo, dirigido por W...
Voltei à leitura de
Menino de engenho (1932), romance de José Lins do Rego, motivado pela projeção do filme homônimo, dirigido por Walter Lima Júnior (1965). Por ocasião da morte de Sávio Rolim, que, no filme, interpretou o menino Carlinhos,
Mirabeau Dias, atendendo a uma sugestão de João Medeiros, projetou, no último sábado (20/03/2026) a película, cuja
28.3.26
21.3.26
Quando se fala de influência, o termo é, em geral, mal-recebido, sobretudo, quando associado à escrita literária, especialidade que gra...
Quando se fala de influência, o termo é, em geral, mal-recebido, sobretudo, quando associado à escrita literária, especialidade que grande parte dos escritores acredita ser a mais nobre de todas. Muitos se enganam achando-se originais, como se a originalidade existisse, confundindo ser criativo com ser original. Para ser mais exato, de acordo com os estudos literários mais modernos, diremos que não se coloca em dúvida o autor, coloca-se em dúvida a autoria,
21.3.26
14.3.26
Nada tenho contra quem lê um texto literário apenas pelo prazer de ler e expresse a sua opinião ou faz um comentário que, embora se qu...
Nada tenho contra quem lê um texto literário apenas pelo prazer de ler e expresse a sua opinião ou faz um comentário que, embora se queira crítico, não é. Em geral, a regra é esta: o prazer de ler, ainda que a arte não tenha como finalidade precípua proporcionar prazer, mas a de mexer com as nossas sensações. Arte é, tout court, estesia. Resulta daí a necessidade de se ler cada vez mais, pois sempre é melhor ter lido do que não ter lido. Se as leituras suscitam uma escrita, ótimo,
14.3.26
7.3.26
O poeta Gregório de Matos desenvolve os seus pendores poéticos na sua permanência de 8 anos, em Coimbra, com leituras de Camões, Sá de...
O poeta Gregório de Matos desenvolve os seus pendores poéticos na sua permanência de 8 anos, em Coimbra, com leituras de Camões, Sá de Miranda, Cervantes, Quevedo e Gôngora. É no, Brasil, no entanto, que ele dá livre curso à sua “lira maldizente” (“Aos Vícios”, CAC, vol. 3, p. 29), quando se vê livre para a criação poética, quebrando as peias e cabrestos dos cargos eclesiásticos que aqui ocupava, como diz Segismundo Spina (A poesia de Gregório de Matos, São Paulo, EDUSP, 1995, p. 31):
7.3.26
28.2.26
Ao poeta Antônio Aurélio Cassiano, pelo diálogo sobre Gregório de Matos. Ao crítico João Adolfo Hansen (in memoriam), pela grande c...
Ao poeta Antônio Aurélio Cassiano, pelo diálogo sobre Gregório de Matos.
Ao crítico João Adolfo Hansen (in memoriam), pela grande contribuição dada à obra do nosso primeiro poeta brasileiro.
28.2.26
21.2.26
No primeiro dos textos , abordando dois capítulos em Os Miseráveis , tratei da maneira como o autor induz o leitor ao erro, em nome da ...
No primeiro dos textos, abordando dois capítulos em
Os Miseráveis, tratei da maneira como o autor induz o leitor ao erro, em nome da técnica da narrativa e apelando à
catarsis (
leia aqui). Neste segundo texto, a minha intenção é tratar de alguns aspectos da tradução do romance de Victor Hugo, para a língua portuguesa. Antes de passar, contudo, ao capítulo específico,
21.2.26
14.2.26
Durante nove noites , Zeus se uniu à deusa Mnemosyne e dessa união surgiram as nove Musas – Calíope, Polímnia, Érato, Thalia, Terpsícor...
Durante nove noites, Zeus se uniu à deusa Mnemosyne e dessa união surgiram as nove Musas – Calíope, Polímnia, Érato, Thalia, Terpsícore, Melpômene, Euterpe, Urânia e Clio –, divindades que, a um só tempo, guardam a memória, as artes, as festas e o conhecimento. Encargos daquelas que são filhas da deusa da memória e do deus mais sábio (μnτίετα) e que tem a visão mais ampla (εὐρὐοπα).
14.2.26
7.2.26
Passados quase quarenta anos , voltei a assistir ao filme Cinema Paradiso ( Nuovo Cinema Paradiso , Giuseppe Tornatore, 1988). Assum...
Passados quase quarenta anos, voltei a assistir ao filme Cinema Paradiso (Nuovo Cinema Paradiso, Giuseppe Tornatore, 1988). Assumindo a minha total ignorância com relação às artes cinematográficas, esclareço que escrevo na qualidade de cinemaníaco, não de cinéfilo; como o espectador que se deixa levar pela beleza, que não precisa de efeitos mirabolantes para se expressar. Escrevo, enfim, motivado pelo impacto da redescoberta dessa bela película, que considero uma celebração ao cinema, à literatura, à poesia e, sobretudo, à sensibilidade.
7.2.26
31.1.26
O final de A revolução dos bichos ou, como já vi em nova tradução, A fazenda dos animais ( Animal Farm ), de Orwell, é emblemático. S...
O final de A revolução dos bichos ou, como já vi em nova tradução, A fazenda dos animais (Animal Farm), de Orwell, é emblemático. Sabemos todos que Orwell escreveu um romance, 1984, e essa fábula moderna, envolvendo porcos e homens, com a intenção de fazer uma crítica pesada ao totalitarismo comunista, mais especificamente ao stalinismo. A revolução dos bichos é de 1945, quando o stalinismo e o
31.1.26
24.1.26
O ambicioso e cínico presidente do Partido dos Trabalhistas não se importa com os métodos que pode utilizar para chegar ao poder. Ai...
O ambicioso e cínico presidente do Partido dos Trabalhistas não se importa com os métodos que pode utilizar para chegar ao poder. Ainda que expurgado pelo seu partido, ele encontra meios de manipular antigos companheiros e se associa à imprensa para desacreditar o novo governante, na tentativa de forçar uma renúncia que lhe permita voltar ao governo, pois acredita ser o único que poderá consertar o país. O país, por sua vez, acompanha um crescimento da direita, pelo fato de que a população, passa a perceber que a diferença entre direita e esquerda está apenas no discurso.
24.1.26
17.1.26
“Nada me atrai mais do que a palavra/ e toda palavra me trai;/nada me ocupa mais que a palavra/ e toda palavra me culpa.” É o que diz...
“Nada me atrai mais do que a palavra/ e toda palavra me trai;/nada me ocupa mais que a palavra/ e toda palavra me culpa.” É o que diz o meu amigo, o poeta José Antônio Assunção, em um dos seus poemas. Essa luta do poeta na sua busca da palavra, constatando a sua intangibilidade é
17.1.26
10.1.26
São dois capítulos , ambos da Parte V de Os Miseráveis – Jean Valjean . Um, no Livro I, La guerre entre quatre murs (A guerra entre qu...
São dois capítulos, ambos da Parte V de Os Miseráveis – Jean Valjean. Um, no Livro I, La guerre entre quatre murs (A guerra entre quatro paredes), o capítulo XIX, “Jean Valjean se venge” (“Jean Valjean se vinga”); outro, no Livro IV, Javert déraillé (Javert descarrilhado), capítulo único, com o mesmo nome. No primeiro, por intermédio de uma técnica da narrativa, induz-se o leitor ao erro, gerando uma expectativa e uma tensão, quebradas com o desenlace. No segundo, acentua-se um deslize da tradução em língua portuguesa, já existente no primeiro, apontando para a necessidade de estarmos sempre atentos à
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3.1.26
Os grandes homens parecem não ter descanso. Depois que morrem, ficam à mercê do que decidirão fazer com o seu corpo. O poeta latino Pu...
Os grandes homens parecem não ter descanso. Depois que morrem, ficam à mercê do que decidirão fazer com o seu corpo. O poeta latino Publio Virgílio Maro, autor da Eneida, morreu em Brundisium, atual Bríndisi, na Itália, em 19 a. C., e teve, a pedido de Augusto, seu corpo trasladado para Nápoles, longe de Mântua, onde nasceu, e de Roma, onde viveu.
3.1.26
27.12.25
Este é um texto sobre o natal, natal no seu sentido primeiro de nascimento e, sobretudo, de nascimentos, por necessitarmos nascer vária...
Este é um texto sobre o natal, natal no seu sentido primeiro de nascimento e, sobretudo, de nascimentos, por necessitarmos nascer várias vezes e, várias vezes, refazer a nossa rota.
27.12.25
20.12.25
Tout travaille à tout – Tudo trabalha para tudo – é o que afirma Victor Hugo, em Os miseráveis (Parte IV, Livro 3, Capítulo 3, p. 70...
Tout travaille à tout – Tudo trabalha para tudo – é o que afirma Victor Hugo, em Os miseráveis (Parte IV, Livro 3, Capítulo 3, p. 701), em um capítulo, cujo título em latim, “Foliis ac frondibus”, recupera um verso de Lucrécio, do Livro V, verso 971, do poema De rerum natura.
20.12.25
13.12.25
A construção da narrativa em Os Miseráveis merece um estudo à parte. Um alentado estudo, diga-se de passagem, em que se contemple tamb...
A construção da narrativa em Os Miseráveis merece um estudo à parte. Um alentado estudo, diga-se de passagem, em que se contemple também o estilo de Victor Hugo, com as suas frases reiterativas e gradativas. Hugo sabe se deter em detalhes, quando lhe convém, para compor um ambiente ou para compor um perfil, e, ao mesmo tempo,
13.12.25
6.12.25
É incontestável, entre outras coisas, a cultura literária de Victor Hugo. Quem quer que leia as suas obras notará que as referências l...
É incontestável, entre outras coisas, a cultura literária de Victor Hugo. Quem quer que leia as suas obras notará que as referências literárias são sólidas, não são simples alusões. O Inferno de Dante, assunto a que, oportunamente, retornaremos, é refletido em Os miseráveis de uma maneira que só poderia ter sido feita por quem conhece com profundidade a Commedia. Fazemos essas considerações com a intenção de
6.12.25
29.11.25
“Os historiadores dos corações e das almas têm deveres menores que os historiadores dos fatos exteriores? Alguém acredita que Alighi...
“Os historiadores dos corações e das almas têm deveres menores que os historiadores dos fatos exteriores? Alguém acredita que Alighieri tenha menos coisas a dizer que Maquiavel? O sopé da civilização, por ser mais profundo e mais sombrio, é menos importante que o cume? Conhece-se bem a montanha quando não se conhece a caverna?”
29.11.25
22.11.25
De repente, durante o curso sobre Os Miseráveis , surge a pergunta: Victor Hugo é um grande escritor, criador de sentenças e máximas, o...
De repente, durante o curso sobre Os Miseráveis, surge a pergunta: Victor Hugo é um grande escritor, criador de sentenças e máximas, ou é um mestre que influenciou outros grandes escritores? Respondi que ele foi as duas coisas. Mas foi, sobretudo, mais do que isso. Ele foi um gênio. Cada página de Victor Hugo exige grande reflexão
22.11.25
15.11.25
Aurora ( Aurore ) é o título do capítulo X do Livro I , La guerre entre quatre murs ( A guerra entre quatro muros ), da Quinta parte ...
Aurora (Aurore) é o título do capítulo X do Livro I, La guerre entre quatre murs (A guerra entre quatro muros), da Quinta parte de Os miseráveis, Jean Valjean. Não há nada de excepcional, nesse curto capítulo (p. 950-952), do ponto de vista da sua compreensão linear: com a aurora, Cosette se levanta, faz a sua toilette de moça, enquanto pensa num possível reencontro com Marius, escapando, assim, de seguir o pai a Londres, e criando, a partir
15.11.25