Peço desculpas aos que me leram ou lerão pelos erros. Escrevi em um dia de total silêncio.
É tão óbvio. Lulu Santos já dizia: “A vida é mesmo assim.” Por que razão estou cansando os que me leem com algo tão corriqueiro. Estranho. Ao acordar e começar a limpar o apartamento tão grande para mim e dois cachorros, fiquei pensando no paradoxo que Deus nos reserva.
31.7.25
E a estrada se abre em artérias sanguíneas negras interligando mundos. E pontinhos seguem percorrendo distâncias em várias direções....
E a estrada se abre em artérias sanguíneas negras interligando mundos. E pontinhos seguem percorrendo distâncias em várias direções. Enquanto uns vão, outros voltam... Talvez seja o contrário: uns voltam enquanto outros vão. Muitos, ficam parados, inertes, observando filosoficamente o vai-e-vem.
31.7.25
Aproximadamente até os anos 70, os cardiologistas do mundo inteiro acreditavam que as mulheres tinham baixo risco de desenvolver doença...
Aproximadamente até os anos 70, os cardiologistas do mundo inteiro acreditavam que as mulheres tinham baixo risco de desenvolver doenças cardiovasculares e, quando apresentavam essas condições, acreditava-se que, em sua maioria, eram simples de resolver — ou seja, de fácil controle clínico. Tal conclusão era fruto da má interpretação das queixas femininas nos consultórios médicos e da falta de pesquisas envolvendo o seu coração.
31.7.25
O respeito é, sem dúvida, uma das pedras angulares sobre as quais se edificam as relações humanas. Em um mundo repleto de diversidade,...
O respeito é, sem dúvida, uma das pedras angulares sobre as quais se edificam as relações humanas. Em um mundo repleto de diversidade, onde cada indivíduo traz consigo uma bagagem única de experiências, crenças e sentimentos, a capacidade de respeitar o outro é um verdadeiro ato de amor. É um reconhecimento de que, apesar das diferenças, todos nós buscamos a mesma coisa: compreensão, aceitação e conexão.
30.7.25
A miséria humana não se restringe à carência de recursos financeiros ou bens materiais; trata-se, sobretudo, da negação da dignidade, d...
A miséria humana não se restringe à carência de recursos financeiros ou bens materiais; trata-se, sobretudo, da negação da dignidade, da escuta, do cuidado e do sentimento de pertencimento. Embora tenha raízes estruturais na injustiça social, a miséria se aprofunda por meio do silêncio, da indiferença e da naturalização do sofrimento. As chamadas "dores sociais" emergem de ambientes marcados
Vitor Nogueira
pela exploração e pela desigualdade, e se manifestam no corpo e na psique por meio de sintomas como a depressão, os transtornos neuróticos ou de personalidade — caracterizados pela forma como o indivíduo interpreta a si mesmo e estabelece relações com os outros.
30.7.25
*Ou uma pequena tragédia hortifrutigranjeira Quando a conversa gira em torno das preferências, no que diz respeito às frutas, já vou...
Quando a conversa gira em torno das preferências, no que diz respeito às frutas, já vou esclarecendo que para mim só existem duas: a pitanga e as outras. Hão de estranhar. Por que pitanga? Bem, meus amigos e minhas amigas, já diziam que nariz e gosto cada um tem o seu (no original era outra parte do corpo e não nariz, mas vamos considerar assim). Pois bem, gosto de pitanga e pronto!
30.7.25
Com o título traduzido como "Uma bela vida", em cartaz nos cinemas, o filme Le dernier souffle aborda, com leveza, a finitu...
Com o título traduzido como "Uma bela vida", em cartaz nos cinemas, o filme Le dernier souffle aborda, com leveza, a finitude, o medo do fim, os cuidados paliativos, e aponta para o importante aumento da população idosa na França.
30.7.25
Hiperativos, imperativos. Comecei a semana dizendo “não” para poder dizer “sim” a um outro “eu”, que não se manifesta e que está cansad...
Hiperativos, imperativos. Comecei a semana dizendo “não” para poder dizer “sim” a um outro “eu”, que não se manifesta e que está cansado de ser demandado – e sufocado – pela vontade alheia. Cancelei compromissos que me impus para atender o outro, retirei cursos da lista, me desinscrevi de canais de Youtube, risquei livros da lista, doei alguns, suspendi a assinatura de algumas plataformas de “streaming”, organizei computador, pastas digitais, documentos, tudo isso na tentativa de organizar minha mente.
29.7.25
Desde a infância tenho comigo a imagem das colunas de sustentação existentes na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, de...
Desde a infância tenho comigo a imagem das colunas de sustentação existentes na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, de Serraria, como a lembrança mais constante de monumentos históricos de minha cidade. Imagens que se misturam com velhas moradias perdidas no meio do mato e nos canaviais.
29.7.25
Dizem que no início dos tempos não havia distância entre as palavras e as coisas....
Dizem que no início dos tempos não havia distância entre as palavras e as coisas. Cada objeto ou ser era o que significava e, reciprocamente, significava o que era. A palavra “fogo” queimava, a palavra “medo” tremia, e um vocábulo como “dor” parecia gemer.
28.7.25
Muitas passagens de nossas vidas ficam no tempo, não deixam rastro marcado no sentimento se não buscarmos o fio que nos une a elas. L...
Muitas passagens de nossas vidas ficam no tempo, não deixam rastro marcado no sentimento se não buscarmos o fio que nos une a elas. Livros, cadeiras, fotos, roupas, objetos que despertem o abrir de emoções, guardadas em algum espaço especial de nossa memória. O próprio vento pode despertar histórias e momentos somente seus,
28.7.25
Resenha do inesquecível Foi à boquinha da noite, Em solo paraibano, Que a Academia de Letras Celebrou nosso Ariano....
Resenha do inesquecível
Foi à boquinha da noite,
Em solo paraibano,
Que a Academia de Letras
Celebrou nosso Ariano.
Ângela, Gustavo e Carlos,
Cada um com seu talento,
Partilharam seus acervos
Com enorme desprendimento.
28.7.25
A primeira coisa que se experimenta ao dirigir em uma cidade com trânsito disciplinado é o surpreendente nível de solidariedade e educa...
A primeira coisa que se experimenta ao dirigir em uma cidade com trânsito disciplinado é o surpreendente nível de solidariedade e educação reinante nas ruas e rodovias. Em nenhuma situação passa-se na frente do outro e, em todas, dá-se preferência a quem precisa ultrapassar. Ao pedestre, então: todo o respeito imaginável!
28.7.25
Ainda alcancei os bondes em João Pessoa. Mas, diga-se, já em seu finzinho, pois nasci em 1955 e eles foram extintos nos anos 1960. Tenh...
Ainda alcancei os bondes em João Pessoa. Mas, diga-se, já em seu finzinho, pois nasci em 1955 e eles foram extintos nos anos 1960. Tenho uma vaga lembrança de um certo bonde no Ponto de Cem Réis, uma de minhas mais remotas recordações da infância. Não lembro com quem eu estava naquele momento; certamente com papai, imagino, mas não consigo vê-lo naquela cena já esmaecida na memória. Se não me engano, foi no governo de Pedro Gondim que eles desapareceram da paisagem aldeã. Pela equivocada mentalidade da época, não eram compatíveis com a modernidade urbana que começava a se instalar entre nós. Lisboa e outras cidades europeias provam o engano dos nossos dirigentes, tão influenciados, lamentavelmente, pela cultura norte-americana de irrestrito culto aos automóveis. Tivessem sido preservados, hoje seriam uma charmosa atração turística.
27.7.25
Durante a pandemia, virei plateia de podcasts. Muitos. Maravilhosos. E os de psicanálise então... Christian Dunker, meu travesseiro em...
Durante a pandemia, virei plateia de podcasts. Muitos. Maravilhosos. E os de psicanálise então... Christian Dunker, meu travesseiro em noites longas. Os de literatura também. Recentemente ouvi Marcelo Rubens Paiva e Martha Nowill (atriz que conheci há algum tempo nas Séries, Felizes para Sempre (TV Globo) e Pedaço de Mim (Globoplay), e no podcast da psicanalista Vera Iaconelli, “O Estranho Familiar”, dos meus favoritos), no podcast 451MHz, Feira do Livro 2025. Os dois falando dos seus livros sobre parto e filhos pequenos.
Martha Nowill e Marcelo Rubens Paiva Apple Podcaasts
Marcelo do ponto de vista do pai, claro, e Martha, mãe de gêmeos. Esses dois escreveram livros sobre o tema e participaram da última Bienal do Livro, São Paulo. Martha, a partir de trechos de seu diário, publicado antes na Revista “Piauí”, e depois no livro: Coisas importantes depois serão esquecidas, 2025, e Marcelo, no seu livro O novo agora, 2025, completando a trilogia com, Feliz Ano Velho, Ainda Estou aqui.
27.7.25
Em setembro de 1922, sete meses depois da Semana de Arte Moderna de São Paulo, Analice Caldas , professora e militante da imprensa e...
Em setembro de 1922, sete meses depois da Semana de Arte Moderna de São Paulo, Analice Caldas, professora e militante da imprensa entre nós, organiza um álbum, tipo enquete, com perguntas como “Qual a sua divisa? O que desejaria ser? Que pensa do feminismo?”. E entre uma dezena de outras, as duas seguintes, que dão motivo a estas linhas: “Quais seus escritores prediletos? Quais os poetas de sua preferência?”
27.7.25
“Malditos sejam aqueles que perturbarem o descanso do Faraó. Aqueles que quebrarem o selo deste túmulo encontrarão a morte por uma d...
Mitos e lendas sobre os túmulos egípcios: profanação e romantismo
“Malditos sejam aqueles que perturbarem o descanso do Faraó. Aqueles que quebrarem o selo deste túmulo encontrarão a morte por uma doença que nenhum médico pode diagnosticar.”
Inscrição encontrada num túmulo real egípcio encontrado no Vale dos Reis, em Luxor
26.7.25
Não quero pintar o óbvio: lua sobre o mar e seu rastro de luz. O sol poente e um céu laranja com eventuais pássaros, em preto, a flutua...
Não quero pintar o óbvio: lua sobre o mar e seu rastro de luz. O sol poente e um céu laranja com eventuais pássaros, em preto, a flutuar sobre a paisagem.
26.7.25
Nos estudos etimológicos, é frequente encontrar-se o folclore ou a imaginação dos mais afoitos. Fernão de Oliveira, no séc. XVI, aler...
Nos estudos etimológicos, é frequente encontrar-se o folclore ou a imaginação dos mais afoitos. Fernão de Oliveira, no séc. XVI, alertava contra as adivinhações que tentassem explicar as dicções portuguesas, como: homem, porque está no
26.7.25
Em meados dos anos 70 do século passado, Wamberto foi fazer doutorado na Universidade Paris II, de Paris, e por lá viveu durante quat...
Em meados dos anos 70 do século passado, Wamberto foi fazer doutorado na Universidade Paris II, de Paris, e por lá viveu durante quatro anos. Enquanto estudava, desfrutava o quanto podia da Cidade Luz, dentro do que lhe permitiam as suas possibilidades econômicas.
26.7.25
Sempre afirmo que a crônica, quando sai das páginas dos jornais e se transforma em livro, modifica a percepção que se tinha de sua leit...
Sempre afirmo que a crônica, quando sai das páginas dos jornais e se transforma em livro, modifica a percepção que se tinha de sua leitura anterior. No jornal, a crônica, por mais que não o deseje o cronista, está colada à efemeridade das folhas, que noticiam os acontecimentos diários. Ao passar para o livro, a crônica ganha um perfil de perenidade. O jornal, passada a
25.7.25
Consta que os chineses escrevem a palavra crise com dois caracteres; um representa perigo e o outro representa oportunidade. Não me im...
Consta que os chineses escrevem a palavra crise com dois caracteres; um representa perigo e o outro representa oportunidade. Não me importa se é verdade, mas sou testemunha disso. Já contei aqui que quando Collor jogou o Brasil em uma de suas maiores crises ao congelar depósitos bancários, pôs em perigo não somente a economia nacional, mas principalmente a subsistência de milhões de famílias brasileiras. No entanto eu e muitos outros Advogados ganhamos uma boa grana desbloqueando esses valores. Deu certo porque enxergamos ali uma oportunidade e agimos no momento certo.
25.7.25
Um dos mais longevos, em escala planetária. É o que se pode dizer do noticioso que começou, em 1935, com o título de “Programa Nacional...
Um dos mais longevos, em escala planetária. É o que se pode dizer do noticioso que começou, em 1935, com o título de “Programa Nacional”, ganhou, três anos depois, o nome de “Hora do Brasil” para hoje se manter no ar como “A Voz do Brasil”. Desde Getúlio Vargas até agora, as transmissões somam 90 anos e dão-se, ininterruptamente, das segundas às sextas-feiras. Minto, houve uma breve interrupção: aquela ocasionada pela tomada das nossas ruas
24.7.25
GALOPE À BEIRA-MAR I * HILDEBERTO BARBOSA FILHO POETA HILDEBERTO, POETA MADURO, A SUA POESIA É MOTE PRA MIM, SO...
GALOPE À BEIRA-MAR I*HILDEBERTO BARBOSA FILHO
POETA HILDEBERTO, POETA MADURO,
A SUA POESIA É MOTE PRA MIM,
SOU UM PASSARINHO, NUM TERNO JARDIM,
E CANTO TRILANDO, CONTENTE NO MURO.
EU LEIO UM POEMA MARCANTE E SEGURO,
E FICO PENSANDO SE VOU DECLAMAR,
O SEU ‘ESTAÇÕES’, NUMA MESA DE BAR,
CERCADO DE AMIGOS, DE VATES QUERIDOS,
24.7.25
O estudo da Doutrina Espírita possibilita-nos conhecer gradativamente aqueles que foram grandes colaboradores no processo de revelaçã...
O estudo da Doutrina Espírita possibilita-nos conhecer gradativamente aqueles que foram grandes colaboradores no processo de revelação do conhecimento a toda a Humanidade.
24.7.25
O tema do conhecimento sem experiência é amplamente discutido na filosofia, especialmente na epistemologia. Essa discussão envolve tant...
O tema do conhecimento sem experiência é amplamente discutido na filosofia, especialmente na epistemologia. Essa discussão envolve tanto pensadores clássicos quanto contemporâneos que investigam as origens e a essência do conhecimento.
23.7.25
Paternidade/maternidade presente, por mais ausente que precise ser, faz toda diferença. Paternidade/maternidade, ausente por nec...
Paternidade/maternidade presente, por mais ausente que precise ser, faz toda diferença.
Paternidade/maternidade, ausente por necessidade, procura uma maneira de estar presente, uma vez que acredita que por menor fração de hora que esteja, faz a diferença.
23.7.25
Meus amigos, minhas amigas, devem estar lembrados daqueles anos quando a coqueluche da hora chamava-se vídeo cassete. Creio que esses ...
Meus amigos, minhas amigas, devem estar lembrados daqueles anos quando a coqueluche da hora chamava-se vídeo cassete. Creio que esses anos passados devem estar em suas memórias, afinal não faz tanto tempo assim. Desses idos é que vem nossa história.
23.7.25
Na antiguidade, a amizade estava entre uma das mais altas, senão a mais alta das virtudes. Será assim hoje? Segundo Aristóteles, há trê...
Na antiguidade, a amizade estava entre uma das mais altas, senão a mais alta das virtudes. Será assim hoje? Segundo Aristóteles, há três tipos de amizade: amizade de prazer, amizade de utilidade, amizade na virtude. Sendo todas elas essenciais à vida plena. Os melhores amigos (raros) serão aqueles que unirão essas três relações.
22.7.25
A alteridade cultural constitui um elemento essencial na formação das identidades individuais e coletivas, uma vez que se configura a ...
A alteridade cultural constitui um elemento essencial na formação das identidades individuais e coletivas, uma vez que se configura a partir da relação dialógica do sujeito com sistemas simbólicos e expressões culturais que lhe conferem sentido de pertencimento, tanto em relação ao grupo social ao qual integra quanto à sua historicidade e à construção de uma percepção de mundo. Nesse contexto, a música erudita, quando difundida por meio de perspectivas democráticas e inclusivas, pode desempenhar uma função relevante nos processos de integração sociocultural, ao mobilizar narrativas vinculadas à ancestralidade e à memória coletiva, promovendo, assim, políticas afirmativas para a consolidação da dignidade humana.
22.7.25
Sinto necessidade de escrever uma crônica sobre os netos. Tomo emprestado o título de crônica de Carlos Drummond de Andrade, publicad...
Sinto necessidade de escrever uma crônica sobre os netos. Tomo emprestado o título de crônica de Carlos Drummond de Andrade, publicada na primeira edição da revista Manchete, edição de 26 de abril de 1952: “Cultive o seu neto”. O poeta mineiro fala da sensação de contemplar ao berço o neto recém-nascido, aconselhando-nos a cultivar os pequenos, porque “é a maneira mais discreta de envelhecer com ternura e dignidade”.
22.7.25
Ao chegar em casa, ele notou que alguma coisa estava errada. A mulher ...
Ao chegar em casa, ele notou que alguma coisa estava errada. A mulher e um dos filhos, em pé na sala, empunhavam cartazes. O do rapaz dizia: “Agora é tudo ou nada! Aumento na mesada!”. A esposa não fizera por menos: “Basta de ladainha. Homem também cozinha!”. Tudo rimado, para soar mais forte.
21.7.25
O sol bate na janela, e eu me pego pensando na vida. Não na vida que se mede em batimentos cardíacos ou em anos no calendário, mas na...
O sol bate na janela, e eu me pego pensando na vida. Não na vida que se mede em batimentos cardíacos ou em anos no calendário, mas naquela força que nos empurra para frente, a potência. Essa energia misteriosa que faz uma semente rachar o concreto, uma criança aprender a andar, ou um velho sábio acender os olhos ao falar de amor.
21.7.25
Como sempre, iluminado pelo Espírito Santo, estava em meu gabinete de trabalho logo cedo, pela manhã. Como de costume, predominavam o r...
Como sempre, iluminado pelo Espírito Santo, estava em meu gabinete de trabalho logo cedo, pela manhã. Como de costume, predominavam o reflexivo e o contemplativo, e me vieram à mente algumas divagações filosóficas sobre a valorização do nosso ser e do nosso agir ao longo de nossa existência.
Sendo assim, meus caríssimos leitores, cheguei à conclusão de que a fonte inesgotável da filosofia está em responder aos apelos da alma. É procurar compreender o sentido de nossas dores, medos e, assim, nos libertar de sua influência.
21.7.25
Entre o Tempo e o Afeto: uma ode realista ao envelhecer O livro Velhice Sinistra nasce de uma encruzilhada íntima e coletiva: atrav...
Dica de leitura: ''Velhice Sinistra'', de Gil Camargo
Entre o Tempo e o Afeto: uma ode realista ao envelhecer
O livro Velhice Sinistra nasce de uma encruzilhada íntima e coletiva: atravessar um dos períodos mais sombrios da história recente do Brasil, marcado por instabilidades políticas, perdas em massa e isolamento e, nesse percurso, sofrer a dor irremediável da perda do pai, figura de afeto e orientação. A partir dessa dor fundadora, o autor nos entrega uma obra que vai além do relato pessoal:
21.7.25
Eles passam praticamente todo dia. Devem morar na vizinhança, pois andam a pé e já não são jovens. Vão de mãos vazias e retornam com s...
Eles passam praticamente todo dia. Devem morar na vizinhança, pois andam a pé e já não são jovens. Vão de mãos vazias e retornam com sacolas de supermercado. É quase um ritual. Imagino que essa caminhada é a ginástica que praticam, se é que essa palavra, ginástica, ainda existe, já que vem dos meus tempos de adolescente no Colégio Estadual do Roger, de saudosa memória (desculpem o clichê). De minha varanda, eu os observo com curiosidade científica, por conta de um detalhe que me chamou a atenção: andam sempre separados, ele na frente e ela atrás, nunca lado a lado. Como interpretar?
20.7.25
Já não é segredo nas minhas crônicas de viagem que London London ocupa um primeiro lugar especial. Sou louca pela cidade, que conheci ...
Já não é segredo nas minhas crônicas de viagem que London London ocupa um primeiro lugar especial. Sou louca pela cidade, que conheci nos longínquos 1975, e nesse momento, me esbaldei nos pontos turísticos, nas artes, no mundo das feiras (Notting Hill), e nas túnicas indianas de espelhinho.
20.7.25
O título é recurso que me ocorre, tirado de uma página de Severino Ramos dedicada à solidão povoada vivida por José Américo quando se ...
O título é recurso que me ocorre, tirado de uma página de Severino Ramos dedicada à solidão povoada vivida por José Américo quando se recolhe àquela Tambaú do tempo e do livro de Walfredo Rodriguez.
20.7.25
“Ó crentes na unidade de Deus, pessoas de fé e boas obras, que agem com justiça uns para com os outros e que, na causa da verdade, nã...
A identidade Drusa: entre a tradição e a modernidade
“Ó crentes na unidade de Deus, pessoas de fé e boas obras, que agem com justiça uns para com os outros e que, na causa da verdade, não temem as reprovações dos homens nem a tirania dos déspotas: saibam que a luz que o seu Senhor colocou em seus corações é a verdade guia em sua pureza, e é misericórdia e compaixão em toda a sua ternura, e nessa pureza e naquela ternura há força e resolução.”
19.7.25
Entre o riso e a amargura Eu escolhi a amargura, Você preferiu o riso largo. Então, enquanto me martirizo, Você apenas gargal...
Entre o riso e a amargura
Eu escolhi a amargura,
Você preferiu o riso largo.
Então, enquanto me martirizo,
Você apenas gargalha.
Enquanto me devasto,
Você se reconstroi,
Antes meus olhos
19.7.25
Há algum tempo, uma aluna de um curso de letras, ao comentar num artigo a “Carta pras Icamiabas”, cap. IX do Macunaíma , de Mário d...
Há algum tempo, uma aluna de um curso de letras, ao comentar num artigo a “Carta pras Icamiabas”, cap. IX do Macunaíma, de Mário de Andrade, se insurgiu contra a gramática, na presunção de que a língua ou a comunicação linguística possa existir sem ela, ou na ignorância do fato de que o próprio Mário de Andrade escreveu uma Gramatiquinha, que
19.7.25
Conheci Nevinha Carvalho no final da década de 1960. Era madrinha de batismo de meu avô Romualdo de Medeiros Rolim e cerca de oito ano...
Conheci Nevinha Carvalho no final da década de 1960. Era madrinha de batismo de meu avô Romualdo de Medeiros Rolim e cerca de oito anos mais velha que ele. Nevinha era irmã de Maria Arminda Carvalho Ribeiro, casada com Mateus Gomes Ribeiro, ex-Secretário das Finanças da Paraíba e tia avó do escritor e poeta paraibano Clemente Rosas.
19.7.25
Victor Hugo é um dos maiores escritores da humanidade. Além de romancista, poeta, dramaturgo, crítico, homem político – fazendo Polític...
Victor Hugo é um dos maiores escritores da humanidade. Além de romancista, poeta, dramaturgo, crítico, homem político – fazendo Política, com “P” maiúsculo – ele era um pensador, construindo, ao longo de sua obra, frases que são verdadeiras sentenças, incluídas, sem a menor hesitação, na categoria dos aforismos.
18.7.25
De: creusapires@nocéu Para: joaoazevedo@gov.pb Senhor Governador, me permita tratá-lo por João...
Senhor Governador, me permita tratá-lo por João. Começo agradecendo seu nobre gesto de sancionar a iniciativa da Assembleia Legislativa da Paraíba que deu meu nome para o Hospital da Mulher. Preciso ainda agradecer com muita força a iniciativa do Deputado Branco Mendes que contou com o apoio decisivo do Presidente Adriano Galdino. Sobre a ideia, pensei que era coisa daquele meu filho meio acelerado, que faz caminhadas nas madrugadas com o Deputado Branco. Mas não foi.
18.7.25
No que diz respeito à essência do cão e à comunicação primária, John Locke (1690) afirmou que “a essência é composta pelas coisas inte...
No que diz respeito à essência do cão e à comunicação primária, John Locke (1690) afirmou que “a essência é composta pelas coisas internas e geralmente desconhecidas que podem ser descobertas e são responsáveis pelas qualidades de um ser".
18.7.25
Que bom! Johnny Mathis está vivo. E ainda canta “Misty”. Consegue fazer isso no mesmo tom e com a voz suave dos inícios de 1960. Eu ...
Que bom! Johnny Mathis está vivo. E ainda canta “Misty”. Consegue fazer isso no mesmo tom e com a voz suave dos inícios de 1960. Eu o reencontrei por acaso durante o mais recente dos meus costumeiros passeios pela Internet. Estava lá, à frente de um fundo escuro, o homem agora calvo e enrugado, o ser alquebrado e irreconhecível, não fora pelo talento espantoso, pela canção que eternizou
e pela maciez do timbre imaculado, espantosamente, no transcurso das décadas.
Johnny vai para os 90 anos, a serem completados em setembro. Acreditem: aquela garganta de menino ainda sustenta os agudos de outrora com a naturalidade do primeiro choro, aquele dos recém-nascidos incomodados com a aspereza da existência fora do ventre materno. O bom e velho Johnny canta sem esforço e sem que as veias engrossem no pescoço, ao que observei da interpretação a mim chegada por acaso, via YouTube, sem que eu a buscasse. Anotei a postagem: 18 de janeiro de 2025. Eu soube que ele anunciou a aposentadoria em março passado. Mas está vivo e ainda consegue cantar, maravilhosamente, ao menos no banheiro.
Como eu estava precisado de “Misty”. Não em suas diversificadas versões, algumas com o carimbo de monstros sagrados do cancioneiro internacional, mas com a voz de veludo de Johnny, a voz da minha juventude, a das minhas aspirações, a dos meus sonhos.
Minha precisão tinha e tem as dores do tempo. Por um momento, ouvindo aquilo, escapei das aflições dos povos e das que, somente minhas, hoje carrego. Fui às nuvens naqueles acordes. Ali, não me alcançavam os males que a idade me trouxe nem as desavenças e confusões do planeta à beira, mais uma vez, da catástrofe em larga escala.
A nuvem em que me dependurei me levou ao passado e me fez pousar numa estradinha emoldurada por coqueiros. Ao sabor do vento, segurei a mão daquela que me daria três filhos. Estávamos jovens. Ela mais segura de si.
GD'Art
Eu, desamparado e confuso feito filhote de gato numa árvore, tal como descrito no primeiro verso da bela canção.
Mergulhos no passado dão nisso: na confusão de imagens, na mistura de memórias. “Misty” também põe diante de mim amores adolescentes, alguns com vozes de violinos, novamente, como nos versos compostos por Johnny Burke para a melodia do pianista Erroll Garner, criada em 1954. Eu estava, então, longe da idade para as mãos dadas com aquelas que por mim iriam passar e com a que me reteria, por um golpe de sorte, para a satisfação e a quietude da alma. Nosso Johnny gravou essa música em 1959 e dela se fez o melhor intérprete, ao que entende meu coração bobo.
O octogenário de agora ainda alimenta dúvidas juvenis. Uma delas diz respeito aos que se dedicam a agravar a agonia da raça humana, a fazer deste mundão de Deus um lugar de padecimento e expiação, como o fazem os promotores das discórdias e das guerras. Os tiranos ouvem música? Sabem cantar? É o que ainda me pergunto.
Quero crer em que divido com muitos dos meus semelhantes esses mesmos incômodos. Ora têm dimensão planetária ora decorrem dos aperreios cotidianos feitos de desesperanças, enfermidades, desconfortos. Se assim for, recomendo-lhes um cantinho numa nuvem para o sossego do espírito. Escolha cada um o meio de transporte para a fuga momentânea e indispensável dos problemas individuais,
GD'Art
ou coletivos. Nem precisa ser “Misty”. Basta a música de cada agrado desde que contenha poema e notas suficientes para o deleite e a elevação.
Não custa insistir na necessidade dos voos para recantos onde more a paz, ou a saudade. Dorothy Gale queria voos de passarinho. Desejava pairar bem acima das chaminés, além do arco-íris. Por falar nisso, a canção “Over the Rainbow” somente não foi excluída da trilha de “O Mágico de Oz”, porque Arthur Freed, o produtor associado, fincou pé no studio da MGM, nos idos de 1939: “A música fica, ou eu vou embora”, ameaçou. Ganhou a briga para sorte dos compositores Harold Arlen e Yip Harburg, o letrista. Quem diria que o número de assinatura da jovem atriz Judy Garland se tornaria, em 2021, “a música do Século 20”, assim escolhida em pesquisa conjunta do National Endowment for the Arts e da Recording Industry Association of America?
É como digo. Cada um pode escolher a forma de escape dos problemas diários. “O desejo infantil de escapar, ou fugir, é uma universalidade”, leio isso em texto assinado por Gary Shapiro para boletim da Universidade de Columbia. A sentença é por ele atribuída ao professor de música Walter Frisch, autor do livro “Arlen and Harburg’s Over the Rainbow”.
Burt Howard quis ir acima do ponto desejado pela pequena Dorothy. Johnny Mathis, em meio à profusão de intérpretes consagrados, também cantou seus versos. Frank Sinatra, em 1964, os associou (sem a menor graça, digo eu) às missões Apollo à Lua. Refiro-me a “Fly me to the moon”, outra peça icônica.
Desta vez, a mão da pessoa amada serviria à fuga para as estrelas e para ver como a Primavera se mostra aos apaixonados, em Jupiter e Marte. Prefere você ver um filme, ler um livro? Tudo bem, que assim seja. Quanto a mim, neste exato momento, valho-me de Johnny Mathis, há pouco reencontrado. Felizmente, ele ainda está vivo. E canta “Misty” em palcos que podemos reprisar quando voar for preciso.