Incapaz de tomar o leme de sua existência, aquele menino andava e andava pela larga avenida da grande cidade. O movimento de seus pés, descalços, parecia o ruir silencioso da estrutura social. O seu rosto, sem sonhos, sem descendências, acentuava o fio tênue que o prendia à vida.
7.8.26
Você não consegue dormir nem viver sem os remédios prescritos pelos médicos do sono? Dizem que estes dependuram em seus consultórios o...
Você não consegue dormir nem viver sem os remédios prescritos pelos médicos do sono? Dizem que estes dependuram em seus consultórios os diplomas da Neurologia, da Psiquiatria, da Otorrinolaringologia, ou da Pneumologia. O propósito é não deixar sem combate todos os males conhecidos da insônia. Se neurologistas, eles focarão na investigação da atividade cerebral, nos neurotransmissores e no relógio biológico da distinta clientela.
6.8.26
A intencionalidade artística refere-se ao conjunto de propósitos que orientam o processo criativo do artista na elaboração de uma o...
A intencionalidade artística refere-se ao conjunto de propósitos que orientam o processo criativo do artista na elaboração de uma obra. Essa intenção manifesta-se na comunicação de ideias, na expressão de emoções, na elaboração simbólica da experiência humana e na provocação de reflexões acerca da realidade. Nesse sentido, a arte constitui uma forma privilegiada de produção de sentidos, por meio da qual o sujeito interpreta o mundo, questiona valores estabelecidos e compartilha visões de existência. Mais do que um objeto estético, a obra de arte configura-se como uma linguagem capaz de mobilizar processos cognitivos, afetivos, éticos e políticos.
6.8.26
O provérbio indiano que afirma que "a árvore não come seus frutos" oferece uma reflexão profunda sobre a generosidade e o...
O provérbio indiano que afirma que "a árvore não come seus frutos" oferece uma reflexão profunda sobre a generosidade e o papel do altruísmo em nossas vidas. Ele sugere que, assim como a árvore produz frutos para o bem dos outros, muitas vezes damos sem esperar nada em troca, alimentando aqueles ao nosso redor e contribuindo para o bem comum.
5.8.26
“Os sonhos dos poetas, as visões dos místicos, as criações do gênio, as realizações mais perfeitas da Arte são apenas ecos e percepçõe...
“Os sonhos dos poetas, as visões dos místicos, as criações do gênio, as realizações mais perfeitas da Arte são apenas ecos e percepções débeis que os homens, com melhores dotes, captam como em um relâmpago quando a matéria, dominada por poucos instantes, permite que a alma possa entrever alguns pálidos reflexos do mundo divino”.
Léon Denis
Nesse profundo ensinamento, o filósofo e parapsicólogo francês, Léon Denis, demonstra a importância da produção intelectual na evolução da humanidade. A propósito, Kardec obteve resposta dos guias que os auxiliaram em sua grandiosa obra afirmando que os espíritos se sentem sempre felizes ao serem lembrados através dos legados que aqui deixam. E que é o nosso pensamento em sua direção que os atrai para nós e não os objetos materiais que deles guardamos.
5.8.26
Pequenas embarcações pesqueiras ficam fundeadas nas águas onde a praia de Manaíra faz divisa com a de Tambaú. Algumas, avariadas, que ...
Pequenas embarcações pesqueiras ficam fundeadas nas águas onde a praia de Manaíra faz divisa com a de Tambaú. Algumas, avariadas, que ainda resistem, são deixadas sobre as areias, à sombra de uma gameleira.
5.8.26
A leitura do livro O dilema do porco espinho - como encarar a solidão , de Leandro Karnal , me fez refletir e começar escrever esse ...
A leitura do livroO dilema do porco espinho - como encarar a solidão, de Leandro Karnal, me fez refletir e começar escrever esse texto com o pensamento nos casais que com o tempo começam a sentir a solidão a dois. O "poetinha" Vinícius de Moraes cantava "que é melhor se sofrer junto, que viver feliz sozinho”. Eu me pergunto e também à leitora ou ao leitor, será?
5.8.26
Dominar a crase é como aprender as regras de um jogo: depois que você entende a lógica, não precisa mais adivinhar a jogada. Enquanto ...
Dominar a crase é como aprender as regras de um jogo: depois que você entende a lógica, não precisa mais adivinhar a jogada. Enquanto o texto anterior focou na "regra de ouro" da fusão entre a preposição e o artigo, neste vamos nos ater aos casos em que a crase é obrigatória, facultativa (opcional) ou terminantemente proibida.
4.8.26
Ela trabalhou desde os treze anos como doméstica. Dedicada. Trabalhou com competência e amor em tudo o que fez. Família humilde. Mui...
Ela trabalhou desde os treze anos como doméstica. Dedicada. Trabalhou com competência e amor em tudo o que fez. Família humilde. Muitas irmãs, dificuldades, luta. Perdeu uma irmã assassinada pelo marido. Com uma doze. Tiro no rosto. Sabemos bem o que isso significa, a simbologia de uma desfiguração para o feminicídio. Naquela época, nem essa definição existia.
4.8.26
A madrugada silenciosa, sem estrelas, de 31 de julho de 2017 carregou Goretti Zenaide para a eternidade, deixando vazias as manhãs...
A madrugada silenciosa, sem estrelas, de 31 de julho de 2017 carregou Goretti Zenaide para a eternidade, deixando vazias as manhãs que eram preenchidas quando líamos a sua página no jornal, onde colocava a história de nossa gente. Uma página que continua sendo escrita por outros, porque é a história de todos os seus amigos e admiradores.
4.8.26
Os dois vão de carro pela estrada e, de repente, sentem um solavanco. — Ai, Manduca! Parece que o pneu estourou. — Como sabes, Se...
Há certas leituras que não nos chegam como mero dever intelectual, mas como um sobressalto da existência. Aconteceu comigo nos anos 90, quando abri O Primo Basílio pela primeira vez. O livro constava na lista de leituras obrigatórias para o vestibular da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), uma daquelas imposições acadêmicas que costumam afugentar os espíritos mais jovens. Mas o que parecia um fardo escolar revelou-se, no virar das primeiras páginas, uma fulgurante paixão à primeira vista. Não apenas por aquele romance em si, mas pela arquitetura literária de Eça de Queiroz como um todo.
3.8.26
Há quem diga que a mente humana tem um estranho costume de encontrar formas onde elas não existem. Enxergamos rostos nas nuvens, fig...
Há quem diga que a mente humana tem um estranho costume de encontrar formas onde elas não existem. Enxergamos rostos nas nuvens, figuras nas montanhas, silhuetas nas sombras. A ciência chama isso de pareidolia. Talvez não seja apenas um mecanismo do cérebro, mas um gesto desesperado da alma que deseja preencher vazios.
3.8.26
Dos seus contemporâneos , é provável que reste apenas entre nós Gonzaga Rodrigues, contumaz frequentador do “senadinho”, como alguns c...
Dos seus contemporâneos, é provável que reste apenas entre nós Gonzaga Rodrigues, contumaz frequentador do “senadinho”, como alguns chamavam seu gabinete na Praça 1817, sempre ou quase sempre cheio de políticos, jornalistas e amigos, que ali compareciam para o cafezinho e a conversa sobre os acontecimentos do Brasil e do mundo. Uma conversa que, a depender do tempo lá fora, podia ser mais ou menos cautelosa, pois a dura experiência ensinara que até as paredes tinham ouvidos. Não que ali se conspirasse a favor ou
Praça 1817 (Centro Histórico de João Pessoa ▪️ Facebook: João Pessoa Ontem e Hoje
contra nada; ali apenas se jogava conversa fora, sem intenções nem finalidades, salvo ajudar o tempo a passar e construir a impressão ou a fantasia de que, mesmo passivamente, exerciam algum tipo de cidadania, aquela que lhes restara depois do vendaval.
2.8.26
Houve um tempo em que o bem era um segredo. Não porque Deus o escondesse, mas porque os homens ainda não sabiam enxergá-lo. A verdade...
Houve um tempo em que o bem era um segredo. Não porque Deus o escondesse, mas porque os homens ainda não sabiam enxergá-lo. A verdade existia, é claro. Filósofos a perseguiam, sábios a intuíam, iniciados a guardavam como quem protege uma chama frágil do vento. Mas era uma verdade cercada por labirintos, exigindo preparo, linguagem, símbolos e abstrações. A maior parte da humanidade, ainda esmagada pela luta diária para sobreviver, simplesmente não conseguia alcançá-la. Era um conhecimento iniciático.
2.8.26
“Faraó guerreiro, consciente e determinado, Ostentavas todas as insígnias reais do teu nobre Império. E trazias impresso no rosto o...
Sarcófago de Tutankhamun: o túmulo perdido que despertou o mundo
“Faraó guerreiro, consciente e determinado,
Ostentavas todas as insígnias reais do teu nobre Império.
E trazias impresso no rosto o selo da sorte e do mistério,
Mas guardavas no peito cruel saudade de um rosto amado...
(...) Tutankhamun, Que tão prematuramente partiste.” Arádia Raymon, jornalista, poetisa, cronista e escritora
2.8.26
Uma biografia por Anna Funder Ed. Companhia das Letras Tradução: Denise Bottmann O livro abre com 3 epígrafes: “O amor sexual ou...
Uma biografia por Anna Funder
Ed. Companhia das Letras
Tradução: Denise Bottmann
O livro abre com 3 epígrafes:
“O amor sexual ou não é muito trabalhoso”
(Georges Orwell)
“Todos nós inventamos as pessoas que amamos”
(Phyllis Rose)
“Homens e mulheres leem livros para amar mais a vida”
(Vivian Gornick)
Tudo começa quando Anna Funder encontra em um Sebo uma coleção de ensaios e cartas de Orwell de 1968 e diz que gostava muito do autor por sua visão clara do poder e seu humor auto depressivo. Orwell é um dos maiores escritores do século XX seus livros mais conhecidos são A fazenda dos animais e o maravilhoso 1984.
2.8.26
No Dicionário de Aurélio , tratando com eufemismo, conga “é prêmio a que tem direito o proprietário da casa de farinha pelo produto de...
No Dicionário de Aurélio, tratando com eufemismo, conga “é prêmio a que tem direito o proprietário da casa de farinha pelo produto de outrem ali fabricado”. Coisa que deve ter ido buscar no Dicionário do velho Moraes, em paz com o latifúndio e a escravidão.
1.8.26
Uma crônica sobre o tempo, a riqueza e o saber Dessa vez éramos sete, reunidos à mesa, amigos, apenas amigos, verdadeiramente algun...
Dessa vez éramos sete, reunidos à mesa, amigos, apenas amigos, verdadeiramente alguns se chamam irmãos, pois os laços firmes de uma fé fraternal os unem por uma vida. Confesso aqui meu desenfreado interesse nessa reunião mensal, oportunidade única de uma conversa frutífera e onde sempre posso testar algum preparo da gastronomia com irmãos sinceros.
1.8.26
Feliz mês de julho a todos/as! Vou recorrer a um ditado delicioso que aprendi com minha amiga Nina, de João Pessoa: "Meiou, findo...
Feliz mês de julho a todos/as! Vou recorrer a um ditado delicioso que aprendi com minha amiga Nina, de João Pessoa: "Meiou, findou!" Traduzindo: metade do ano já foi embora. Agora, sem percebermos, começaremos a ouvir falar em Natal, amigo secreto e panetone. O tempo não anda; ele corre uma maratona. Mas deixemos o calendário descansar um pouco.
1.8.26
A farra do meu cadáver , romance histórico que trata da morte de João Pessoa e da Revolução de 1930 constitui uma obra de grande relevâ...
A farra do meu cadáver, romance histórico que trata da morte de João Pessoa e da Revolução de 1930 constitui uma obra de grande relevância para a compreensão de um dos episódios mais decisivos da história política brasileira. Ao reconstruir os acontecimentos que cercaram o assassinato de João Pessoa e seus desdobramentos na Revolução de 1930, o autor ultrapassa a narrativa
Cena da Revolução de 1930, que se deu a partir do esgotamento da política do café-com-leite e da vontade de setores do Exército de instaurar um sistema eleitoral sem corrupção nem favorecimento político ▪️ YouTube: Natureza Brasileira
factual para revelar a complexa engrenagem de interesses políticos, paixões humanas, disputas oligárquicas e estratégias de construção da memória.
1.8.26
Da Série: Deixemos Homero falar (Parte II) O argumento de que não se pode comparar uma adaptação cinematográfica com uma obra literá...
O argumento de que não se pode comparar uma adaptação cinematográfica com uma obra literária adaptada não se sustenta. Podemos e devemos. Confunde-se, geralmente, comparar o modo de narrar com a comparação com o fato narrado. Sabemos perfeitamente que a literatura narra por palavras e o cinema por imagens, havendo soluções muito boas, em ambas, para se contar um fato. Vejamos alguns exemplos. No Canto VIIII da Odisseia, Odisseus
31.7.26
Muito provavelmente, você está na fila dos incautos que serão vítimas do golpe do pagamento dos precatórios. A EXPLICAÇÃO Precatório ...
Muito provavelmente, você está na fila dos incautos que serão vítimas do golpe do pagamento dos precatórios.
A EXPLICAÇÃO
Precatório é a maneira infame e perversa usada pelos governos (municipais, estaduais e federal) para pagarem o que devem a você, que não pode atrasar o recolhimento dos impostos devidos a eles, sob pena de multas pesadíssimas. Já os governos podem e usam os precatórios para pagar, mais de dez anos depois, um prejuízo que causaram a você, quase sempre conscientemente.
31.7.26
Até 1993, eu me julgava ateu. Como documentarista, trabalhando para o Centro Peixe-Boi, do Ibama, durante uma gravação na Reserva Bi...
Até 1993, eu me julgava ateu. Como documentarista, trabalhando para o Centro Peixe-Boi, do Ibama, durante uma gravação na Reserva Biológica dos Lagos Piratuba, no Amapá, tive uma epifania, ao amanhecer.
31.7.26
Eu sempre achei que os primeiros a bater palmas quando conseguíssemos algo seriam justamente aqueles que dividem a mesa, o teto, a no...
Eu sempre achei que os primeiros a bater palmas quando conseguíssemos algo seriam justamente aqueles que dividem a mesa, o teto, a nossa história. Demorou um tempo para entender que não é bem assim. Muitas vezes, quem mais conhece os nossos medos acaba usando eles para nos parar. Dizem que é cuidado, na verdade, acaba apagando o brilho dos nossos sonhos.
31.7.26
Apenas quatro cadeiras rodeavam o tampo de fórmica reluzente mesmo sem a limpeza com flanelas. Era o móvel mais importante da pequena ...
Apenas quatro cadeiras rodeavam o tampo de fórmica reluzente mesmo sem a limpeza com flanelas. Era o móvel mais importante da pequena sala ainda sem os sofás para os amigos e os parentes. Os que nos chegassem, se passassem de quatro, serviam-se de vários almofadões dispostos em ambiente único a serviço das refeições e das visitas.
30.7.26
Em Apareci quando te vi , Fernanda D’Angelo constrói uma narrativa que se move entre a delicadeza da memória e a brutalidade silenciosa ...
Em Apareci quando te vi, Fernanda D’Angelo constrói uma narrativa que se move entre a delicadeza da memória e a brutalidade silenciosa do tempo. A obra se apresenta como uma autoficção profundamente íntima, mas é justamente na coragem de expor as próprias fragilidades que encontra sua dimensão universal. Não se trata apenas de um livro sobre mãe e filha, sobre doença ou ausência; trata-se, sobretudo, da tentativa humana de reorganizar afetos enquanto tudo parece escapar pelas mãos.
30.7.26
"... se hoje me puderes ouvir recomeça, medita numa viagem longa ou num amor talvez o mais belo." (José Tolentino ⏤ Se m...
"... se hoje me puderes ouvir
recomeça, medita numa viagem longa
ou num amor
talvez o mais belo."
(José Tolentino ⏤ Se me puderes ouvir)
Não fui à Festa Literária Internacional de Paraty (Flip 2026), mas tive o prazer de assistir a algumas palestras pelo YouTube e pelo canal de TV Arte 1. Cito as palestras da ministra Cármen Lúcia e do cardeal poeta José Tolentino. Cármen Lúcia deu uma verdadeira aula de democracia, valorizou as bibliotecas, as alfabetizadoras e deu destaque ao papel das mulheres na sociedade atual. José Tolentino, o cardeal, poeta e teólogo português, superou as minhas expectativas.
30.7.26
Exílio de mim Contemplo o extremo de mim. Infinitos mundos mudos, Tudo arrefecido, Repentino pretexto, Mãos estendidas, Que o cor...
Exílio de mim
Contemplo o extremo de mim.
Infinitos mundos mudos,
Tudo arrefecido,
Repentino pretexto,
Mãos estendidas,
Que o coração expia,
Gestos passados,
Uma espécie de véu de seda,
Que nunca se desdobra,
Cósmicas formas humanas,
No estardalhaço dos pardais,
Que desafiavam minha imaginação.
Sublevação,
30.7.26
A relação entre o escritor e o leitor é um elo fundamental na construção do conhecimento e da cultura. Neste contexto, é essencial r...
A relação entre o escritor e o leitor é um elo fundamental na construção do conhecimento e da cultura. Neste contexto, é essencial refletir sobre a importância do respeito mútuo e da ética que permeiam essa interação.
29.7.26
Reflexões à Luz do Evangelho, da Psicologia Profunda e da Arte Nas engrenagens aceleradas da vida contemporânea, o ser humano vê-s...
Reflexões à Luz do Evangelho, da Psicologia Profunda e da Arte
Nas engrenagens aceleradas da vida contemporânea, o ser humano vê-se frequentemente enredado em uma teia invisível de urgências, sobressaltos e cobranças desmedidas. Vivemos em uma época em que o corpo transita em velocidade vertiginosa, enquanto a alma, sobrecarregada, clama por um instante de pausa e ar puro. É na encruzilhada dessa rotina ansiogênica que desponta uma verdade ancestral e urgente:
29.7.26
Aconteceu comigo. Novembro de 1977. Havíamos terminado uma manhã de aulas em Presidente Prudente, interior de São Paulo. Eu e Claudemi...
Aconteceu comigo. Novembro de 1977. Havíamos terminado uma manhã de aulas em Presidente Prudente, interior de São Paulo. Eu e Claudemir. Ele na Física e eu na Matemática. Aulas de cursinho para o primeiro vestibular sob a égide da FUVEST.
29.7.26
Prolegômenos (Da Série: Deixemos Homero falar ) A Ilíada e a Odisseia são poemas milenares, produzidos numa época distante (sécul...
A Ilíada e a Odisseia são poemas milenares, produzidos numa época distante (século VIII a. C.), enfocando uma época bem anterior à sua criação. Estima-se que o assunto desses épicos recue para um mundo pré-helênico do século XII a. C., quando existiam, no Mediterrâneo oriental, duas civilizações pujantes: a micênica, no Peloponeso, e a cretense, no meio do mar Egeu.
29.7.26
Dominar o uso da crase pode parecer um desafio, mas, na verdade, é um processo lógico e tranquilo quando entendemos que ela nada mais ...
Dominar o uso da crase pode parecer um desafio, mas, na verdade, é um processo lógico e tranquilo quando entendemos que ela nada mais é do que uma fusão. Imagine o encontro de dois elementos: a preposição "a" (exigida por uma palavra anterior) e o artigo "a" (que acompanha uma palavra feminina seguinte). Quando esses dois se juntam, usamos o acento grave (`) para marcar essa união.
29.7.26
Lendo a crônica da jornalista Rosa Aguiar, “O Grande Portinari”, em A União de 18 de julho, eis que comecei a passear pelos assuntos ...
Lendo a crônica da jornalista Rosa Aguiar, “O Grande Portinari”, em A União de 18 de julho, eis que comecei a passear pelos assuntos de Rosa. Qual o seu pintor favorito? Rosa inicia o seu passeio. E fala de Renoir, de Archidy Picado e de Portinari e do seu lugar de nascimento, Brodowski (SP). Pronto, foi o meu ponto de partida! E lá vou eu para 1972, para uma viagem de carro até Ribeirão Preto, onde moravam os meus cunhados, Lela Melquíades e Zezinho Tavares (Dr. José Arnaldo Tavares de Melo, in memoriam). Viajamos eu, o namorado Flávio Tavares, meu cunhado Sérgio Tavares (*in memoriam) e a minha sogra, D. Otaviana.
28.7.26
Na crônica desta semana , no *Ambiente de Leitura*, para lembrar o sanfoneiro Sivuca, Gonzaga Rodrigues recordou os encontros dos sá...
Na crônica desta semana, no *Ambiente de Leitura*, para lembrar o sanfoneiro Sivuca, Gonzaga Rodrigues recordou os encontros dos sábados à noite no terraço da casa de Nathanael Alves, em Tambauzinho, entre amigos revelados e alimentados pela arte da leitura e pelo gosto de escrever.
28.7.26
Li há algum tempo, num dos números de “Veja”, que os bons alunos brasileiros não querem seguir o magistério. Quem deseja abraçar essa ...
Li há algum tempo, num dos números de “Veja”, que os bons alunos brasileiros não querem seguir o magistério. Quem deseja abraçar essa carreira são os estudantes medíocres. Segundo pesquisa apresentada na reportagem, ser professor é o horizonte do “grupo dos 30% com as piores notas no boletim”. Parece que a sala de aula não atrai os que se acham preparados para conquistar coisa melhor.
27.7.26
Existe uma estranha ironia na condição humana, que nos exige aprender desde cedo a habitar o mundo, mas quase nunca aprendemos a h...
Existe uma estranha ironia na condição humana, que nos exige aprender desde cedo a habitar o mundo, mas quase nunca aprendemos a habitar a nós mesmos. Aprendemos a ler mapas, a construir carreiras, a adquirir bens, a interpretar o comportamento dos outros e até a esconder aquilo que sentimos. Tornamo-nos especialistas em ocupar espaços externos,
27.7.26
Tristeza não é sobre o fim das coisas, mas sobre a beleza de elas terem existido. Existe um tipo muito específico de silêncio...
Dançar entre as folhas que caem: A arte de aceitar o fim para abraçar o agora
Tristeza não é sobre o fim das coisas, mas sobre a beleza de elas terem existido.
Existe um tipo muito específico de silêncio que só a perda consegue instaurar. É um silêncio denso, quase palpável, que não preenche apenas a sala ou o quarto de hospital, mas reverbera nas dobras mais escondidas de quem fica. Nesses momentos, quando o mundo ao redor parece perder temporariamente a gravidade e o chão sob nossos pés vacila, a reação quase instintiva do ser humano moderno é o espanto, o protesto, a recusa. Fomos educados para conquistar, acumular, estender e vencer e, por isso, encaramos a morte como uma derrota pessoal, uma falha na engrenagem, um ladrão que surge sem avisar.
27.7.26
O jurista, professor e escritor Joaquim Falcão, carioca de fundas raízes pernambucanas, acaba de publicar o mais lúcido, cristali...
O jurista, professor e escritor Joaquim Falcão, carioca de fundas raízes pernambucanas, acaba de publicar o mais lúcido, cristalino e corajoso diagnóstico do Brasil de nossos dias. Trata-se de A Oligarquia dos Poderes e a Crise da Democracia, Editora História Real, Rio de Janeiro. É um livro precioso e indispensável para quem deseje ver em letra de forma aquilo que se percebe no ar, como um odor infecto, ou seja: o sentimento de que o país mergulha cada vez mais no poço fundo da corrupção e de que não há reais perspectivas de salvação à vista.
Mas não pense o precavido leitor que é uma leitura difícil e exigente. Ao contrário. Temos aqui mais um legítimo produto Joaquim Falcão, no seu estilo inconfundível, objetivo, até mesmo didático, em que a seriedade do assunto perde seu peso intrínseco para tornar-se acessível ao leitor leigo qual uma crônica. Entre outros, é este um mérito da obra e do autor que merece ser exaltado.
26.7.26
“A Somália é um paradoxo político: é um país unido à superfície e mortalmente dividido em profundidade. Trata-se do Estado-Nação mai...
“A Somália é um paradoxo político: é um país unido à superfície e mortalmente dividido em profundidade. Trata-se do Estado-Nação mais homogéneo do planeta. Tem nove a dez milhões de habitantes, que falam quase todos a mesma língua e têm a mesma origem étnica. Mas tudo está dividido em clãs.”
Jeffrey Gettlemanin “O País mais perigoso do Mundo”; Courrier Internacional, edição Nº 160 de Junho de 2009
26.7.26
Há rios que jamais se encontram na geografia, mas que se reconhecem na eternidade de um povo.
Vim ver quem era Sivuca na casa de Nathanael Alves. Ele voltara dos Estados Unidos, onde havia experimentado a fama internacional, e viera matar a saudade de sua Itabaiana na casa de Félix Galdino, vizinhos de sítio. Félix era vizinho de Nathanael, aqui em Tambauzinho, e, como era lá que nos reuníamos
Sivuca ▪️ Fonte: Sounds of David
todos os sábados à noite, arrastamos Sivuca para o nosso papo. Um papo que não se repetirá mais neste mundo. Como se vê, éramos Nathanael, Ednaldo do Egito, José Souto, Solha, às vezes Durval Leal, e o Félix já citado.
25.7.26
Dia desses , comentei com uma amiga que gosto do número 7. E de 8, 6 e 3. Ela gosta do número 4, por exemplo. Ou seja: gostamos de num...
Dia desses, comentei com uma amiga que gosto do número 7. E de 8, 6 e 3. Ela gosta do número 4, por exemplo. Ou seja: gostamos de numerologia. Há quem diga que é crendice. Mas, afinal, como não ter um pouco disso no Brasil? O sincretismo, aqui, é cultural.
25.7.26
O romance Sertão com nome de mulher, de Andrea Mariano, nasce de uma intenção legítima: revisitar o sertão nordestino pela ótica fem...
O romance Sertão com nome de mulher, de Andrea Mariano, nasce de uma intenção legítima: revisitar o sertão nordestino pela ótica feminina, deslocando o eixo tradicionalmente masculino das narrativas agrestes. Há, no projeto do livro, um desejo evidente de discutir pertencimento, violência simbólica, memória afetiva e resistência das mulheres em um espaço historicamente marcado pelo patriarcado. Contudo, entre a intenção estética e a realização literária, abre-se um deserto de fragilidades narrativas que impede a obra de alcançar maior densidade artística.
25.7.26
Em conversa com meu neto Arthur, ele, falando de animais, a sua mais recente paixão, referiu-se à jaguatirica como “o jaguatirico”. Pa...
Em conversa com meu neto Arthur, ele, falando de animais, a sua mais recente paixão, referiu-se à jaguatirica como “o jaguatirico”. Para que ele pudesse, futuramente, fazer uso do normativo, disse-lhe que ele deveria dizer “a jaguatirica macho”, pois não existe o par opositor jaguatirico/jaguatirica. É importante frisar que não mencionei se era certo ou errado, mas o que era mais adequado, de acordo com a norma vigente.