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"O menos é mais". Você já deve ter ouvido essa expressão em algum lugar. Ela é um espécie de mantra para aqueles que seguem a fi...
E aconteceu que Jesus afastou-se um pouco dos discípulos, e foi orar. Deveria ser lindo, Jesus orando. O olhar em direção ao céu, em plena ...
Pai nosso, pão nosso
E aconteceu que Jesus afastou-se um pouco dos discípulos, e foi orar. Deveria ser lindo, Jesus orando. O olhar em direção ao céu, em plena sintonia com Deus, o Pai Nosso. Os discípulos, certamente, tiveram inveja do Mestre. A boa inveja, diga-se de passagem.
Saindo da sintonia com Deus, Jesus voltou, pronto para a caminhada da Evangelização. Mas aí um dos discípulos, humildemente pediu: “Mestre, ensina-nos a orar”. Aí, Jesus lhes ditou a oração do Pai Nosso, uma maravilha de síntese.
Nessa oração, a pessoa pede para que Deus a livre das tentações, que são muitas: tentação do orgulho, da vaidade, da inveja, do dinheiro, do sexo, da ambição. Afinal, ninguém está livre de uma tentação. Todavia, como se livrar da tentação, esta inclinação para o mal? Disse Tomé que há tentação porque há concupiscência. E como se livrar da tentação? Pela oração.
Adverte, portanto, o Pai Nosso que stejamos sempre vigilantes, atentos. Vigilantes com os nossos pensamentos. Daí o “orai e vigiai”.
A oração do Pai Nosso é de uma síntese admirável. A oração que Jesus ensinou aos discípulos. E oração deve ser simples, curta e atenta. Jamais fazer como uma certa senhora do interior que, no meio da oração, enxotou uma galinha que entrara na sala. Minha irmã Ivone, quando pequena, toda vez que orava o Pai Nosso dizia: “Ah, mamãe, quero pão”.
Nada, portanto, de orações longas, como faziam os fariseus. E nada de pedir dinheiro, um bom casamento e assim por diante.
“Ensina-nos a orar”, pediram os discípulos. E Jesus deu-lhes um modelo perfeito de oração: o Pai Nosso.
Há duas coisas importantíssimas para a nossa paz interior: a oração e a meditação. Para orar, Jesus aconselhou-nos a entrar no quarto para o silencioso diálogo com a Divindade. Não esquecer que a nossa consciência é um rigoroso tribunal interior.
Orar e vigiar para livrar das tentações. Tentação é teste. Ninguém está livre dela.
E o mundo atual, com o consumismo, já viu. Estejamos, pois, atentos, vigilantes, usando sempre o bom senso em todas as nossas escolhas.
O momento enseja uma reflexão. Foi-se um ano, e daí? O que fizeste do ano que passou? Foram muitas manhãs, muitas tardes, muitas noites. Qu...
Mais um ano, e daí?
O momento enseja uma reflexão. Foi-se um ano, e daí? O que fizeste do ano que passou? Foram muitas manhãs, muitas tardes, muitas noites. Que fizeste do tempo que não volta mais? Trabalhaste mais, estudaste mais, cuidaste melhor do teu corpo, este templo sagrado? E a alimentação? Abusaste dela? Muito álcool na barriga? Muito fumo nos pulmões? Fizeste mais amigos ou, pelo contrário, mais inimigos? Fizeste atos de caridade? De tua boca, saíram palavras de ânimo ou de desânimo? E quanto à maledicência, falaste mal dos outros, ou, pelo contrário, só tiveste palavras de ânimo? Muito otimismo ou muito pessimismo na tua vida?
Afinal, o que é mais importante, a reflexão ou a distração? Como foi o teu relacionamento com o próximo? Disse um filósofo que o tempo é como a terra. Se não plantamos nada nela, o que devemos esperar?
Vem aí a passagem do ano velho e a chegada do ano novo. Vão soltar muitos foguetões, vão beber muito, comer muito, e nada de uma reflexãozinha. Não esquecer que o homem é um animal que pensa. Dizem que Santo Agostinho não dormia antes de conversar com ele mesmo
Espero que estejas esteja com a consciência tranqüila. Nada de remorsos e arrependimentos. E, aqui para nós, uma consciência em paz é um paraíso.
365 dias! Passados em vão? Que diga a consciência de cada um. E tome nota: a nossa maior responsabilidade é com a vida. A vida nossa de cada dia. Viver é o maior ato de fé.
E não esqueçamos jamais de, todo dia, prestar conta à nossa consciência. Santo Agostinho, dizem, antes de fechar os olhos para o mundo, mantinha uma conversa consigo mesmo. Relatava, mentalmente, tudo que fez durante o dia.
Viva a responsabilidade de viver. De viver e de conviver. E terminamos lembrando a grande interrogação: o que é que estamos fazendo de nossa vida?...
U m dos colóquios mais bonitos do Evangelho é, sem dúvida, pelo menos para mim, aquele entre Jesus e a samaritana. Não esquecer que os samar...
Água morta, água viva
Um dos colóquios mais bonitos do Evangelho é, sem dúvida, pelo menos para mim, aquele entre Jesus e a samaritana. Não esquecer que os samaritanos, que habitavam a Samaria, não se comunicavam com os judeus. Ah, gente cheia de ódio... Mas, vamos ao encontro do Mestre com a samaritana, que, decerto, era muito bonita. Ela vinha, com um cântaro na cabeça, buscar água na Fonte de Jacob. Vinha de longe, provavelmente, cansada.Os apóstolos tinham ido à cidade buscar alimento. A samaritana estava sozinha, com Jesus, e não sabia quem era aquele homem bonito que chegou a lhe pedir água. E quem era aquela mulher? Na conversa que manteve com ela, Jesus fez revelações que a assustaram. Ela por sua vez também lhe revelou coisas, e, uma delas, era de que já tinha tido cinco maridos...
Jesus lhe pediu água. Será que estava com sede? Evidente que não. Ele apenas metaforizou, dizendo que a água que daria mataria a sede para sempre. Ela não entendeu, chegando a pedir: “Dá-me desta água, senhor”.
A água a que ele se referia era a água de sua Doutrina. A água que mata a sede para sempre. A água viva...
A mulher samaritana estava assustada, surpresa, sem querer acreditar no que ouvia. Daí, depois, ter saído correndo para avisar a todo mundo que vira o Messias, aquele que estava sendo esperado.
Aí chegaram os discípulos. E ficaram assustados, sem querer acreditar: Jesus conversando com uma mulher, além do mais samaritana...
O Evangelho, onde está a Doutrina de Jesus, é a água viva, a água que não morre, água que mata a sede para sempre. Não esquecer que tudo é passageiro, neste mundo. Mas, Jesus disse: “Tudo passa, menos a minha palavra”, que é a água viva. A verdade é que o Mestre não perdia oportunidade para ensinar. Ensinar e curar.
O mundo está aí comemorando o Natal de Jesus. De Jesus ou de Papai Noel? Estou na dúvida.
A samaritana, coitada, não compreendeu o que Jesus queria dizer com esta história de água viva e água morta. Bela, a metáfora do Mestre
A Doutrina Espírita, com o seu slogan, “Fora da Caridade não há salvação”, mostra ser uma doutrina de água viva.
Caridade! E o que é caridade? Eis uma definição completa: “Caridade é benevolência para com todos, indulgência para com as faltas alheias, e perdão das ofensas”.
E xistem muitos meios de punição. Mas, talvez, o mais duro, mais cruel, seja o apedrejamento, muito usado nos tempos de Jesus, e, segundo se...
Jesus, a adúltera e o apedrejamento
Existem muitos meios de punição. Mas, talvez, o mais duro, mais cruel, seja o apedrejamento, muito usado nos tempos de Jesus, e, segundo se informa na Internet, continua em vigor e países árabes. A pessoa acusada é apedrejada em praça pública até cair no chão, toda ensanguentada. Punição severa, hein? Punição que confirma o que diz o ditado. “A lei é dura, mas é lei”. Pois bem, a lei que permite o apedrejamento estava em pleno vigor no tempo de Moisés. E quais os crimes punidos por essa lei? Um deles é o adultério. A adúltera tinha os cabelos cortados. E cortar os cabelos de uma mulher, naquela época, já era uma punição. Contaram-me que há um vídeo na Internet que mostra o apedrejamento de uma mulher, nos tempos atuais, em que ela é enterrada na praça pública, só com a cabeça de fora, sendo apedrejada pelos homens...
Ora, ora, quem conhece os Evangelhos, já está sacando que há o episódio da mulher adúltera, que foi levada à presença de Jesus para ser punida, cumprindo, assim, a lei de Moisés.
Eis um dos quadros mais comoventes do Evangelho, uma mulher é levada ao Mestre para que ela fosse punida pelo crime do adultério. Com o adúltero, silêncio total. Só a mulher é levada à presença de Jesus. Disseram eles: “Mestre, esta mulher foi flagrada em pleno adultério e a lei de Moisés pune quem comete tal crime com o apedrejamento. E agora, surge a pergunta: por que o adúltero ficou livre?
Qual foi a atitude do Mestre? Calado, apenas escreveu no chão: “aquele que se julgar sem pecado que lhe atire a primeira pedra”. Silêncio total. E todos foram saindo em silêncio, a começar pelos mais velhos.
A mulher ficou sozinha, certamente, chorando. Jesus a contempla com muita compaixão e compreensão, e pergunta: “Onde estão os teus acusadores?” Ela, de cabeça baixa, responde: “Foram embora, senhor”. “Não te condenaram?” - Insiste Jesus. “Não, senhor”. Por fim, arremata o mestre: "Eu também não te condeno. Vai e não peques mais”.
Para condenar o próximo é preciso estar com a consciência limpa. Mesmo, assim, nada de condenação e, sim, compreensão.
Os acusadores da adúltera, cheios de pecado, não tiveram força para apanhar uma pedra e jogar naquela infeliz. E continua a pergunta: E o adúltero? Não foi acusado?
E Moisés faria como Jesus? Evidente que não. Este encontro de Jesus com a mulher adúltera é um dos episódios mais emocionantes do Evangelho, que significa Boa Nova.
É preciso compreender as fraquezas humanas. É preciso, sempre, se colocar no lugar do outro.
E viva a caridade dos atos e dos pensamentos. Lembrando que o Espiritismo tem como slogan principal a frase: “Fora da caridade não há salvação”...
S erá que existe vida sem amor? Impossível! O amor, já disse um pensador espiritualista, é o reflexo de Deus em nós. Sim, porque Deus é amor...
O amor e o sentido da vida
Será que existe vida sem amor? Impossível! O amor, já disse um pensador espiritualista, é o reflexo de Deus em nós. Sim, porque Deus é amor. A vida sem amor seria um deserto. Ora, estas palavras me vieram à cabeça com a leitura do livro “O sentido da vida quando o amor procura”, no qual a escritora Clemilde Pereira homenageia o seu marido, professor Afonso Pereira, um dos nossos paraibanos ilustres. E lembrar que ele chegou até a me dar aulas de Latim. Fundou o Conservatório de Música, a Fundação Padre Ibiapina e a nossa Orquestra Sinfônica, de cuja iniciativa me orgulho de ter feito parte. Além de ser um dos fundadores do Unipê.
Afonso foi um eterno sonhador. Um sonhador realista. O que ele tinha de bonito eram os olhos. Olhos profundos, serenos, olhos que falavam. Fomos amigos e com ele muito aprendi.
Clemilde, sua companheira e inspiradora, foi um presente que Deus lhe deu e vice-versa. Sabia juntar o senso prático ao sonho. Soube eternizar o seu amor incondicional. Daí o livro ter sido escrito com lágrimas e muita emoção.
Clemilde continua jovem. Não envelhece quem muito ama. Clemilde amou e continuará amando. O arquivo pessoal de Afonso, com seus livros e raros objetos, ela transformou num verdadeiro santuário. Afonso, decerto, está ali, inspirando-a, consolando-a, abençoando-a.
E eu, que sou espírita, sei muito bem que Afonso Pereira continua vivo, por que Deus não é Deus dos mortos. Horrível se só tivéssemos uma existência.
Clemilde Torres Pereira da Silva, este o seu nome do registro. Mas para Afonso, ela é apenas Clemilde, a esposa companheira, conselheira, o seu anjo da guarda. E, quem duvidar do que aqui diz cronista, abra o livro “O sentido da vida quando o amor procura”. Ou faça uma visita ao Arquivo Afonso Pereira. E nunca se esqueça da frase: O amor é o reflexo de Deus dentro de nós!
O homem, de pé e de braços abertos, é uma cruz de carne. No caso de Jesus, houve o encontro de duas cruzes: a de madeira e a de carne. E eu...
A lição da cruz
O homem, de pé e de braços abertos, é uma cruz de carne. No caso de Jesus, houve o encontro de duas cruzes: a de madeira e a de carne. E eu fico imaginando Jesus sendo carregado até à cruz que o esperava no chão. Que humilhação! Deitado naquele instrumento de suplício, começou a pregação dos cravos, os enormes pregos que perfuravam suas mãos e pés. Uma pregação não da palavra, mas dos pregos. Muita dor, mas a maior dor não foi a dor física, porquanto o Mestre saberia como evitá-la, mas a de ordem moral.
Decerto, naquele momento doloroso, Ele pôs-se a pensar, a refletir. “Afinal, que mal eu fiz para merecer castigo tão violento? O que foi que eu fiz de tão execrável? Não me lembro de haver um mal algum. Limpei leprosos, levantei paralíticos, curei doentes e endemoniados, dei vista aos cegos, ensinei a lição do perdão, do amor ao próximo. E, certa vez, multipliquei pães e peixes para os famintos. Por que estão, agora, me pregando nesta cruz? Se eu tivesse feito o mal, muito bem, até que se compreendia. Mas não me lembro de ter ofendido ninguém. E essa cruz, qual o marceneiro que a teria feito? Meu pai, José, jamais faria esse instrumento de tortura”...
Cessadas as batidas, vieram os homens para erguer a pesada cruz para fixá-la no monte, entre dois ladrões. Muito sangue, muita dor. Mas Ele suportou tudo, calado. E, ao invés de ódio à multidão que assistia, indiferente, ao seu suplício, Ele só fez uma prece ao Pai para que perdoasse os seus algozes, pois eles não sabiam o que faziam.
Agora, pelo Natal, não esqueçamos a cruz. A lição da cruz. Lembremos de que a lição da humildade foi dada naquela manjedoura, onde jamais alguém gostaria de nascer. Todavia, foi na cruz, que Ele deu a grande lição. A lição do perdão, do amor. Esta não devemos esquecer, mesmo neste Natal de Papai Noel, o Natal do consumismo.
P ode cair para trás, mas o fato aconteceu e é narrado por três evangelistas. Jesus, depois de uma caminhada, debaixo de muito sol, resolveu...
Jesus numa sessão mediúnica?
Pode cair para trás, mas o fato aconteceu e é narrado por três evangelistas. Jesus, depois de uma caminhada, debaixo de muito sol, resolveu parar. Mas não foi para pregar, nem orar, nem fazer uma cura e muito menos descansar. O fato é que ele parou de caminhar e subiu o Monte Tabor, onde realizou uma verdadeira sessão mediúnica, onde conversou com dois espíritos: o de Moisés e o de Elias.
Mais ainda: o Mestre, de repente, ficou todo iluminado. Os apóstolos não quiseram acreditar no que viam. Fazia um profundo silêncio. Soprava uma brisa agradável. Ocorria, naquele momento, uma magnífica transcendência, deixando os apóstolos surpresos e maravilhados.
E tal foi o regozijo dos apóstolos que Pedro chegou a pedir a Jesus que ficassem, ali, usufruindo aquela paz. Pediu ainda que construíssem, ali, três tendas: uma para Jesus e outras para Moisés e Elias.
A verdade é que os discípulos estavam maravilhados, em estado de êxtase. Então os mortos voltam a conversar com os vivos? Pois é, estava, ali, uma prova insofismável de que os vivos podem se comunicar com os, erroneamente, chamados mortos.
Reinava uma profunda paz. Os apóstolos continuavam maravilhados. Eles tinham acabado de ver Moisés e Elias, considerados mortos, conversando com Jesus.
Mas o que é bom dura pouco. Jesus teve que descer para prosseguir na caminhada da evangelização. Mas valeu aquele momento de transcendência.
Todavia, ocorreu uma coisa curiosa. Jesus, a medida que ia descendo do Monte Tabor, avisou aos dois apóstolos que não contassem lá fora nada do que aconteceu, nada do que viram. É que muita gente não iria entender o fato ocorrido
Será que os que leem sobre tal fato no Evangelho ainda duvidam da mediunidade, da comunicação entre mortos e vivos? Diz o ditado que o pior cego é o que não quer ver.
A verdade é que o Espiritismo está no mundo para explicar esses fatos. Dir-se-a até que o Espiritismo matou a morte. E que dizer do fenômeno Chico Xavier, que tinha cultura primária, doente, e apenas com o lápis, de olhos fechados, conseguiu psicografar centenas de obras ditadas pelo espíritos? Coisa que nenhum PHDeus faria...
S im, nada de se isolar, que ninguém vive sozinho. Portanto: o negócio é compartilhar. Que não exista barreira entre mim e o outro. Sartre n...
Caminhar e compartilhar
Sim, nada de se isolar, que ninguém vive sozinho. Portanto: o negócio é compartilhar. Que não exista barreira entre mim e o outro. Sartre não quis compartilhar e foi o homem mais infeliz do mundo, a ponto de dizer: o outro é o inferno. Ele, porventura, era o paraíso? Minha Lau, já anoitecendo, me chama para fazer uma caminhada na praia. Já está toda pronta para o cooper. E eu, com uma preguiça danada, fiquei na dúvida se deveria movimentar as pernas ou não. Mas termino botando meu traje esportivo. E sinto que todo o meu corpo vibra de alegria. Caminhar é bom, faz a gente respirar melhor. E vai, aqui, um aviso aos barrigudos: movimentem as pernas, enquanto podem….
O gosto do caminhar é o fervilhar do sangue em nossas veias. Depois, o caminhar socializa a pessoa. Não se esqueça de que, de um hora para outra, você pode ficar impedido de movimentar as pernas. Não brinque com a vida. O negócio é estar atento, vigilante.
O negócio é compartilhar. Tudo está compartilhando. Nada está se isolando. Viva a moderna tecnologia que está fazendo, o que a religião não está conseguindo: conectar as pessoas.
Que bom é a vida! Que bom é caminhar, que bom é esquecer mágoas. Mágoa tem sabor de ferrugem.
Novo ano se aproxima. Drumond disse que um ano passa, mas outros virão. Um grande consolo!
Mas não esqueça da caminhada, todos os dias, com a mesma pontualidade do nosso Sol. E viva as nossas pernas que nos movimentam, o nosso coração que continua batendo, os pulmões respirando, o sangue correndo que nem um rio.
Quantos gostariam de ter pernas para andar. Ah, os paralíticos! Quando Jesus os curava, que alegria! E você que tem boas pernas por que não caminha? O castigo é o buchão.
Faço minhas caminhadas, há muito tempo. E devo este exercício diário aos pés e às mãos. E termino a crônica dizendo: o negócio é caminhar e compartilhar!
Q ue história é esta, cronista, de enxugar os pés de Jesus? E com quê se enxuga os pés molhados? Ora, ora, com uma toalha. Errou. Os cabelos...
Enxugar os pés de Jesus
Que história é esta, cronista, de enxugar os pés de Jesus? E com quê se enxuga os pés molhados? Ora, ora, com uma toalha. Errou. Os cabelos também enxugam. Não os cabelos do homem, mas os da mulher. Da mulher de outrora. Cabelos que iam quase até os pés. Antigamente, muito antigamente, só as prostitutaa usavam cabelos curtos. Foi o que me disseram. Há uma curiosidade no cabelo feminino, uma grande preocupação e cuidado da mulher. Você olha para uma mulher, e se ela se sentir olhada, a primeira coisa que faz é passar a mão nos no cabelos.
Mas, continuemos a história, contada pelo evangelista Lucas: Jesus, convidado por um fariseu, foi almoçar na sua casa. E, mal começou a refeição, surgiu uma mulher, que tinha fama de pecadora, trazendo na mão um vaso contendo perfume. Não contou duas vezes. Aproximou-se do Mestre e molhou-lhe os pés com o perfume. Depois disso, enxugou-os com os cabelos. Que beleza, hein? As mulheres de hoje, com seus cabelos curtos, não fariam isso. Aliás, disse o filósofo Schopenhauer, que a mulher era “um bicho de cabelos longos e idéias curtas. Certamente, pra dizer isso, sofria muitas frustrações, já que ele era muito feio.
Voltando à mulher que perfumou os pés de Jesus e os enxugou com os seus cabelos, ela deu uma grande prova de amor ao meigo nazareno, enquanto o fariseu, dono da casa, só fez censurar o mestre. Mas, Jesus respondeu que ela assim fez porque muito amou. E fez a seguinte admoestação a Jesus: “Vês esta mulher? Entrei em tua casa, e não me deste água para os pés. Ela, porém, enxugou meus pés com os seus cabelos. Desde que chegou não se cansa de beijar meus pés e os enxugou com seus cabelos. Perdoados são seus pecados porque muito amou”.
Eis aí um dos episódios do Evangelho mais emocionantes e poéticos. Lembrar que, por falta de melhor transporte, as pessoas andavam a pé. Tanto é assim que os comerciantes eram chamados de “pés poeirentos;”
Toda a evangelização era feita a pé. E naquele tempo não havia toalha, que era substituída pelos longos cabelos das mulheres.
E viva a mulher, que tanto contribuiu para a evangelização. A mulher que tem sido tão discriminada, até hoje.
Concluindo, repito: este episódio da mulher que lavou o pés de Jesus e os enxugou com a toalha de seus cabelos, é um dos
mais poéticos do Evangelho, também chamado de Boa Nova.
Viva o amor. O amor ao próximo, que anda muito distante das pessoas. O homem ainda não aprendeu a amar ao próximo, que continua distante. Mas não se esqueçam que graças à moderna tecnologia, as pessoas cada vez mais se aproximam. Não digam que se amem, mas se aproximam. Já é alguma coisa.
É isto, tudo vai muito bem quando não se indaga. A pergunta mexe com a gente. Jesus, certa vez, parou a multidão que o seguia, com a seguin...
Que buscas?
É isto, tudo vai muito bem quando não se indaga. A pergunta mexe com a gente. Jesus, certa vez, parou a multidão que o seguia, com a seguinte indagação: “Que buscas? ”O silêncio foi a resposta. E quer ver uma coisa? Muita gente não sabe por que vive? Daí a importância da fé. Uma palavra tão pequena, mas de significação tão grande. O Mestre chegou a comparar a fé a um grão de mostarda, que é tão minúsculo e faz brotar uma árvore tão grande. Não há necessidade, portanto, de uma grande fé. E, aqui para nós, que o Mestre não ouça, Ele foi muito exigente, quando, naquela manhã, ao sair pisando na água do rio, disse para Pedro o seguir, fazendo o mesmo. Pedro ainda deu os primeiros passos, levitando na água, mas teve medo, e caiu. Daí quando Jesus lhe dizer: “Ah, homem de pouca fé”...
E o Evangelho insiste: Haverá melhor receita do que esta? Ora, se você não pede, não busca e não bate na porta, nada conseguirá na vida.
Primeiro é preciso pedir, e saber pedir. Aí vai um pouco de humildade. Primeiro a boca, isto é, primeiro a palavra. Em seguida, vem o mais difícil: buscar, andar, suar. Agora não mais a boca, mas os pés, e por fim, temos o bater à porta.
O desanimado não faz nada disso. O desanimado não pede, não busca e não bate a porta. É um acomodado, um indiferente. Como, portanto, conseguir as coisas sem “correr atrás”, como se costuma dizer atualmente?
A multidão caminhava. Mas não sabia por que caminhava. Havia muitos movidos apenas pelo “espírito de ovelha”, o “maria-vai-com-as-outras”. Muita gente vive sem saber por que vive. Não, questiona, não indaga sobre o sentido da vida. E faz tudo para esquecê-lo. E haja bebida, haja trabalho excessivo.
É preciso estar atento à indagação do Mestre, que foi muito significativa: “Que buscas?”...
A final, o que foi que Jesus disse a Pedro: “Tu és pedra e sobre esta pedra edificarei minha igreja. “Pedra aí como expressão de dureza, de ...
Dureza e beleza da pedra
Afinal, o que foi que Jesus disse a Pedro: “Tu és pedra e sobre esta pedra edificarei minha igreja. “Pedra aí como expressão de dureza, de força, de solidez, de perseverança. A pedra só se sente humilhada com aquele ditado: “Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”. E viva a água, cuja escassez está se tornando um problema mundial. Vamos adiante. O poeta Carlos Drummond de Andrade escreveu um poema que aborreceu e intrigou muita gente. Afinal o que desejava o poeta com aquele poema, que diz o seguinte: “No meio do caminho tinha uma pedra. Tinha uma pedra no meio do caminho. No meio do caminho tinha uma pedra. Nunca me esquecerei desse acontecimento na vida de minhas retinas tão fatigadas. Nunca me esquecerei que no meio do caminho tinha uma pedra”.
O poema teve a repercussão de uma bomba. Meu professor, Aníbal Moura, do Liceu Paraibano, se insurgiu contra o poema, chegando a dizer: “Pena que não haja uma pessoa que apanhe essa pedra e sacuda no poeta”.
Vamos à pedra. Não há melhor símbolo de dureza, embora, seja humilhada pela água. Se abrirmos o Evangelho, veremos que nele há muitas pedras, a começar com aquelas que seriam jogadas na pobre mulher adúltera. É que lei só punia a mulher. Mas, segundo os videos divulgados na Internet, ainda hoje, nos países muçulmanos, se pratica o apedrejamento de mulheres em praça pública. Tanto rigor com a adúltera e tanta moleza para com o adúltero. A pedra, portanto, foi e continua sendo um instrumento de castigo.
E vamos adiante, lembrando que Jesus, certa vez, lamentou dizendo que não tinha uma pedra para repousar a cabeça. Que duro travesseiro!
A verdade é que a pedra pode ser encontrada até em nosso próprio corpo, isto é, nos rins. Quando se alude a um desastre, costumamos dizer: “Não ficou pedra sobre pedra.
Mas Jesus disse que Pedro era a pedra, símbolo de força, embora o apóstolo amado, dominado pelo medo, o negaria, mais tarde, o que não deixa de ser muito humano.
Apedrejamento... Que estúpido castigo! Por pouco, a mulher adúltera escapou do castigo, só porque Jesus disse: “Aquele que se julgar sem pecados, atire a primeira pedra”. Nenhum dos acusadores teve força para apanhar uma pedra e jogar na pobre mulher. E Jesus apenas os levou a uma reflexão. Tudo uma questão de interiorização. Os acusadores olharam para dentro de si e calaram-se. Como diz o ditado popular, o sujo não deve falar do mal lavado
Pedra é símbolo de fé e a água, símbolo de perseverança. Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura.
Para terminar, lembremos que Ele, no alto da cruz, banhado de sangue, pediu água e lhe deram vinagre. E o mais extraordinário é que o Mestre perdoou seus algozes quando disse que eles não sabiam o que faziam...
O Sol veio, lindo, iluminar o mundo. É sua missão. Chegou em silêncio. Já imaginou se ele chegasse fazendo barulho? O Sol é como o mar. O m...
Jesus, a luz e cruz
O Sol veio, lindo, iluminar o mundo. É sua missão. Chegou em silêncio. Já imaginou se ele chegasse fazendo barulho? O Sol é como o mar. O mar não faz barulho. O mar faz marulho, o que é bem diferente. O barulho é do homem. Que alegria na Natureza, com a chegada do Sol! O beija-flor vai logo beijar as flores do jardim. A lagartixa resolve tomar
banho de Sol e, vez por outra, mexe com a cabeça, como a dizer: “Bom dia, Sol. ”
Agora chegou a vez da borboleta. Sai saltitando sobre as flores. O hálito da borboleta deve ser perfumado. E eu, que não sou besta, aproveito a oportunidade para tomar um banho de Sol. Banho de luz, banho de saúde,
Feliz daquele que traz a luz ao invés das trevas. Jesus veio trazer luz ao mundo. Os homens não gostaram e lhe deram uma cruz. Uma cruz pesada, que doía nos seus ombros. Mas ele não protestou. Sofreu em silêncio. Jesus veio trazer a luz e os homens lhe deram a cruz...
Quando ele nasceu, na manjedoura humilde, uma estrela, como uma seta, veio iluminar o seu berço de palha. Jesus veio trazer a luz e os homens lhe deram a cruz.
O Sol já está alto. E eu estou molhado de luz do Sol.
Viva aquele que traz a luz. E lembremos que o sorriso é luz. Quem não sabe sorrir, não ilumina. Como é triste um rosto sem sorriso... Jesus sorriu quando nos convidou a olhar os lírios do campo, quando abriu os braços para bendizer as crianCinhas.
Jesus só não sorriu quando se viu pregado numa cruz. Ele trouxe a luz para o mundo e os homens lhe deram uma cruz. E humilharam-no dando-lhe como companhia dois ladrões.
O Sol já domina a Natureza. Derrama luz por toda a parte. E eu vou sair do banho solar, todo molhado de luz. Jesus rima com luz. E, se não me engano (me ajude o pastor Estevam) ele disse: eu sou a luz do mundo.
Termino a crônica lembrando que o sorriso é luz. Não deixe seu rosto sem sorriso.
É o que, vez por outra, ouço. Refiro-me aos meus ex-alunos, com quem, vez por outra, estou me reencontrando. Muitos deles não me lembro mai...
“Professor!” “Professor!”
É o que, vez por outra, ouço. Refiro-me aos meus ex-alunos, com quem, vez por outra, estou me reencontrando. Muitos deles não me lembro mais da fisionomia. Claro, o tempo está sempre mudando a gente. Mas, o grito me emociona: Uma verdadeira terapia. Daí uma das grandes tristezas da minha vida foi quando recebi o aviso da aposentadoria compulsória. Professor!" Professor!" Gostava de dar aula. Gostava de ver aqueles rostos olhando para mim. E eu nunca dava a aula sentado, nem parado. Preferia andar pela sala, olhando aquelas fisionomias atentas ao que eu dizia. O jurisconsulto Miguel Reale também dava aula de forma peripatética, isto é, andando pra lá e pra cá;
O tempo passou, a aposentadoria veio, o professor já não dá mais aula. Mas os alunos, muitos deles já envelhecidos, continuam me saudando quando me encontram: “Professor!” Professor!" E um deles chegou a dizer, meio ressentido: “Não se lembra mais de mim, não professor?” Difícil guardar, de memória, tantos rostos… Já para os alunos, é mais fácil lembrar do professor.
E, aqui para nós, nada melhor do que escrever, nada melhor do que ensinar, nada melhor do que o relacionamento com as pessoas. Triste de quem não se dá com ninguém.
Professor!" Professor!" Eis aí uma grande profissão. E estou me lembrando agora de Sócrates, que levou a vida ensinando, transmitindo conhecimento.
Não há melhor catarse do que ensinar. E nunca me esqueço daquele dia, quando entrei na sala de aula e vi, escrito em letras bem graúdas, no quadro-negro, esta frase: “Palmas para o nosso querido aniversariante”. Mal entrei na sala, e haja palmas. Não foi minha ex-aluna Yvone Cyrillo Soares?
Professor!" Professor!" Meu primogênito, Carlos Romero Filho, Físico e Pós-Doutor em Cosmologia, adora ser professor e seu maior medo também é a aposentadoria compulsória...
J esus, quando não estava ensinando e curando, gostava de visitar os amigos. Visitar e ensinar. E uma dessas visitas era ao seu querido amig...
A lição da transcendência
Jesus, quando não estava ensinando e curando, gostava de visitar os amigos. Visitar e ensinar. E uma dessas visitas era ao seu querido amigo Lázaro. Bem-aventurado aquele que o recebia em casa. Aconteceu que Jesus, numa certa manhã, resolveu matar as saudades do amigo Lázaro e de suas irmãs. E eu fico pensando: como você se comportaria com o Mestre em sua casa? Sem dúvida, com muita emoção.
Pois bem, Jesus passou a manhã na casa do seu grande amigo, cujas irmãs, Maria e Marta, estavam presentes. Maria foi a primeira a abrir a porta e saudar o ilustre visitante. E ficou permanentemente ao seu lado, morrendo de alegria. Não era possível: Jesus em sua casa? Já a irmã, Marta, correu para a cozinha. E haja a arrumar a casa, esquecida da presença do iluminado visitante. Espanador, aqui, vassoura acolá, pois Jesus talvez notasse algum desleixo na sua casa, pensava ela. E Maria, o que foi que fez? Desde que o Mestre chegou que não saiu mais de perto dele.
Jesus aproveitou o momento e começou a falar da vida eterna. Sempre aproveitava a oportunidade para ensinar, alertar, divulgar sua consoladora doutrina. E Marta na cozinha, arrumando, limpando, passando pano no chão, indiferente aos ensinos de Jesus.
Maria não cabia em si de contente. Estar com Jesus frente a frente, ouvir-lhe a voz mansa, a palavra que liberta. Ela junto do Mestre e Marta às voltas com as caçarolas, preocupada com o almoço. Marta suada de trabalhar e Maria encantada com a palavra do Mestre.
Aí deu-se o que não se esperava. Marta saiu da cozinha e ainda limpando as mãos no avental, dirigiu-se ao Mestre e fez uma reclamação, dizendo que Maria, ao invés de estar lhe ajudando, ficava ouvindo o que Jesus ensinava. Pediu para que ele mandasse a irmã lhe ajudar na cozinha.
O Mestre sorriu e disse: “Marta, Marta! Tu te preocupas com muita coisa, no entanto, uma só é necessária, e esta Maria escolheu”.
O que foi que Marta aprendeu, arrumando a cozinha? Deixar passar a oportunidade de ouvir a palavra iluminada de Jesus, trocando pelo barulho das caçarolas e da vassoura? E se houvesse TV, naquela época, decerto ela preferiria assistir a uma novela. Cuidado, há muita gente como Marta...
Eis aí uma lição para todos nós. Jamais devemos ficar indiferente à verdade que consola e liberta. Maria soube escolher. E neste mundo, quantas pessoas ainda estão indiferentes aos ensinamentos do Mestre! Mesmo os que se dizem cristãos. Preocupam-se com o sexo, com o dinheiro, com o poder, com a aparência, com as coisas materiais, menos com “os tesouros que a traça não rói”.
Marta na cozinha e Maria junto de Jesus. Que diferença... O Evangelho tem muitas histórias dessas. E se você nunca leu o Evangelho, a lição de Jesus, que é o caminho, a verdade e a vida, está fazendo como Marta.
E viva a lição da transcendência!
D ia de eleição na Academia Paraibana de Letras é muito gostoso. Uma oportunidade para a confraternização, e confraternização é reunião de a...
As lágrimas da imortalidade
Dia de eleição na Academia Paraibana de Letras é muito gostoso. Uma oportunidade para a confraternização, e confraternização é reunião de amigos. Andamos cada vez mais distantes, portanto, viva a oportunidade dos reencontros. Fui com meu filho Germano, que também é cronista, e gosta muito da Academia.E vamos á eleição: Dois candidatos fortes para ocupar a cadeira deixada pelo nosso Wellington Aguiar: o erudito Evandro da Nóbrega e o jornalista Abelardo Jurema. O desfecho foi a vitória de Abelardo que, quando ouviu o resultado do pleito, dando-lhe maioria, chorou, copiosamente, comovendo a todos. E disse mais Abelardo: estou feliz por que mais uma vez estou perto do meu pai, pois, como se sabe, o Ministro Abelardo Jurema, há muito que se imortalizou.
Aquelas lágrimas que molhavam o rosto do nosso escritor e colunista-mor, podemos classificar de “lágrimas da imortalidade. E bonito foi o abraço que Evandro deu no candidato vitorioso.
Repito: foi uma beleza a eleição. De parabéns a comissão julgadora, dirigida por Ramalho Leite, e de parabéns a bela administração que Damião está realizando, na Academia.
O nosso arquiteto Germano, encantado com o clima de confraternização, elogiou os ambientes da Academia, e foi convidado por Gonzaga Rodrigues para ver de perto o Memorial Augusto dos Anjos, criado na sua gestão como presidente daquela casa de cultura.
Valeu a presença de José Mário Silva, que veio de sua Campina Grande para cumprir o dever previsto pelo Estatuto.
Lembremos de que o importante numa eleição é a oportunidade de uma confraternização entre os imortais. E não faltou a mesa cheia de deliciosas guloseimas.
Mas, o comovente mesmo foram as lágrimas de Abelardo, comprovando sua reconhecida sensibilidade. Lágrimas da imortalidade.
O ntem, foi Dia dos Mortos, em homenagem aos que, para muita gente, se encontram em posição horizontal, até que tudo vire pó. Há, ainda, que...
Por falar em cemitério...
Ontem, foi Dia dos Mortos, em homenagem aos que, para muita gente, se encontram em posição horizontal, até que tudo vire pó. Há, ainda, quem ache que somos apenas restos mortais, para gáudio dos vermes. E, assim mesmo, vão, com suas velinhas, seu choro e suas orações, prestar homenagem aos que se foram desta vida... Se foram não, pois, para a maioria dos vivos, os mortos continuam vivos, embaixo da terra.O grande compositor francês, Saint-Saëns, compôs uma curiosa e genial composição a que ele deu o nome de Dança Macabra. Segundo a música, quando dá meia-noite, os mortos saem de suas catacumbas e vão dançar, até que surge a madrugada, os mortos saem, espavoridos, correndo de volta às suas covas. A composição do compositor francês é uma maravilha de criatividade. “Dança Macabra”, não esqueça de ouvi-la.
No Hamlet, do nosso Shakespeare, um personagem pergunta: “Cadê Polônio?” Sabe qual foi a resposta que lhe deram? Ele está num banquete, onde não come, mas é comido. “Ele referia-se ao cemitério”.
Nós não vamos a cemitério porque sabemos que os nossos, erroneamente, chamados mortos, não estão mais ali.
O filósofo tibetano, Milarepa, construiu sua casa vizinha ao cemitério para não perder de vista a fugacidade e a precariedade da vida.
E vale um lembrete: Os nossos entes queridos não estão debaixo da terra, e sim, cada vez mais vivos. Oremos para eles sempre, e não apenas no chamado Dia de Finados.
Mas, visitar um cemitério para reflexões, não é mau. Houve tempo em que eu, toda vez que ia a Paris, fazia uma visitinha turística ao famoso cemitério Père Lachaise, onde estão sepultados mortos ilustres, inclusive Chopin. E não esquecer Allan Kardec, o Codificador do Espiritismo, em cujo túmulo se lê este belo epitáfio: “Nascer, morrer, renascer ainda, progredir sempre, tal é a lei”.
Acontece que, numa dessas visitas, demoramos mais. Aí começamos a ouvir o grito dos corvos. Escurecia, e nós, com um certo medo, fomos saindo. Mas, nos perdemos. Mais à frente, encontramos o vigia do cemitério, a quem indagamos sobre a saída, e ele, com muito humor, disse: “Ici, celui qui entre ne peut pas sortir”. (Aqui, aquele que entra não pode mais sair).
Aqui para nós, o túmulo de Kardec, no Père Lachaise, é uma lição de vida. Veja o que está, ali, escrito: “Nascer, viver, renascer ainda, progredir sempre, tal é a lei”. Um resumo de nossa viva.
Mas, o importante não é apenas viver, mas conviver. Conviver com o próximo. Lembre-se que o outro é o nosso teste. Daí grande máxima da Doutrina Espirita: “Fora da caridade não há salvação”.
Agora me lembro, no Cemitério da Boa Sentença, quando fiz uma oração junto ao túmulo de meu pai e terminei dizendo: Adeus, papai, até breve”, O governador Pedro Gondim, presente, não se conteve: “Mas que religião é esta que lhe dá tanto conforto?”...
Dia de finados... Dia dos Mortos... Isto já era. Fica a pergunta: você já imaginou o que sente um espírito querido vendo você chorando no seu túmulo? Acho que o desejo dele é dizer: “Sai daí, seu bobo, estou mais vivo do que você”
J á entro na crônica com sede. E há coisa melhor do que ter sede para poder matá-la? Sem ela, para que serviria a água? Antigamente, os desc...
Água, água, água!
Já entro na crônica com sede. E há coisa melhor do que ter sede para poder matá-la? Sem ela, para que serviria a água? Antigamente, os descobridores de terra gritavam: “Terra! Terra!” Mas o nosso sertanejo, vez por outra, está gritando: “Água, água, água”. Alaurinda, mal eu me levanto do leito, manhã cedo, ela chega com um copo d'água para eu beber. Diz que isso dá muita saúde. O organismo precisa de uma lavagem, vez por outra. Lembrei agora de um ditado inglês que diz “An apple, each day, keeps the doctor away”, que significa “uma maçã todo dia mantém o médico distante”. Decerto, um copo d'água em jejum, também.
Agora uma reflexão filosófica: que seria do mundo, da vida, sem a água. Quando descobrem um novo planeta, a primeira preocupação é se tem água.
Existe a água que mata a sede, a água do trabalho, que é o suor, a água da dor, que é a lágrima. E o que dizer do sangue? Dizem que setenta por cento do nosso corpo é feito d'água.
E você já fez hidroginástica, numa piscina? É uma maravilha! A gente, dentro d'água, se sente mais leve. Eu e o meu filho Germano não perdemos essa oportunidade de ganhar mais saúde e mais amigos.
Voltemos à água. Já imaginaram o mundo sem ela? Não existiria.
Aqui prá nós, mas há pessoas que gostam mais é da aguardente. Dessas que o sujeito fecha os olhos e estala o dedo. Mas, se a aguardente é boa por que faz careta? Meu pai tinha um amigo que quando o visitava pedia aguardente com sal...
Já imaginaram a revolta do nosso organismo quando a aguardente lhe entra pela boca?
Chamam bebedor de aguardente de cachaceiro. Meu pai tinha um empregado, de nome Vitorino, que só vivia bêbado.
Mas louvemos a água que não arde. A água que passarinho bebe.
Antes de sair para surfar, velejar ou, simplesmente, para pegar aquela brisa na praia, dê uma olhadinha nesse site . Ele mostra os ventos ...
Confira a velocidade e a direção dos ventos, em tempo real
Antes de sair para surfar, velejar ou, simplesmente, para pegar aquela brisa na praia, dê uma olhadinha nesse site. Ele mostra os ventos que sopram nos diversos quadrantes da Terra, trazendo ondas, chuvas, polinizando, renovando, produzindo energia e, muitas vezes, devastando...
E le chegou tão rápido, saiu tão rápido, como se viesse a negócios... ou fugindo. E me lembrei dele, outrora... No tempo em que dizia deseja...
Ah, Roberto Carlos...
Ele chegou tão rápido, saiu tão rápido, como se viesse a negócios... ou fugindo. E me lembrei dele, outrora... No tempo em que dizia desejar ter um milhão de amigos. Roberto Carlos chegou correndo, saiu correndo, como que se escondendo. Nada de vê-lo na TV ou publicamente, junto do busto de Tamandaré. Em uma de suas músicas, está, sim, aquela em que ele diz que deseja ter muitos amigos. Não vi Roberto Carlos, pois para vê-lo e ouvi-lo a gente tinha que ir a um lugar privado, onde tinha de se pagar ingresso, 250 reais sentado, e 80 em pé. Mas, aqui para nós, tanto faz ouvir o cantor sentado ou em pé. De qualquer maneira eu não me arriscaria a tanto.
A verdade é que Roberto Carlos veio diferente. Quase não se deixou ver. Lembro-me que o cantor de outrora era mais simples. Ele tinha qualquer coisa de sagrado. Era mais romântico. Tinha um toque religioso. Mas lembrar que isso era, antigamente.
Hoje o negócio é faturar. Os milhões de amigos que ele desejava, para vê-lo e ouvi-lo, tinham de pagar ingresso caro. E foi um sucesso.
Roberto Carlos veio e saiu, certamente, muito eufórico. Cantou bem, faturou bem e os milhões de amigos que ele desejava não faltaram. Estou certo de que o nosso Roberto deve ajudar muitas instituições de caridade.
Não gostei de não ter visto e ouvido o cantor dos amigos. O Roberto que tinha qualquer coisa, repito, de religioso, de romântico, de sonhador.
Mas, o importante, hoje, é faturar. Roberto faturou bem, graças aos seus milhões de amigos. E não tenho dúvida de que ele cantará, da próxima vez, gratuitamente, para os garotos com câncer, para os que não podem ver, mas podem ouvir.
Roberto, não sei se é religioso e se sabe daquela advertência evangélica: a quem muito foi dado, muito será exigido.
É isto, a Federação Espírita Paraibana, instituição máxima do movimento espírita paraibano, está completando 100 anos. 100 anos ensinando e...
100 anos de Espiritismo
É isto, a Federação Espírita Paraibana, instituição máxima do movimento espírita paraibano, está completando 100 anos. 100 anos ensinando e divulgando a Doutrina codificada por Allan Kardec. Doutrina que tem como slogan: “Fora da caridade não há salvação”.A casa Mater do Espiritismo na Paraíba começou a funcionar na rua 13 de maio, num prédio espaçoso, que, no fundo, lia-se a máxima, a que já referimos. Uma máxima que define o ecumenismo de uma Doutrina. Seja católico, seja protestante, a caridade é, sem favor, uma virtude essencialmente cristã.
O prédio da Federação funcionou por muitos anos na Treze de Maio e muito concorreu para a expansão do movimento espírita. Grandes oradores, principalmente, do sul do país, ocuparam sua tribuna. As reuniões, quer doutrinárias, quer mediúnicas funcionaram muito bem.
A Casa Mater já tinha como presidente José Augusto Romero, que muito contribuiu para o desenvolvimento da Doutrina, em nosso estado.
Lembrar José Pereira da Silva, alto funcionário da Alfândega, que, com muita dedicação, organizou o serviço de homeopatia. Logo à entrada do prédio uma longa mesa cheia de jornais e revistas espíritas. E a Federação promovia, todos os anos, o Natal dos Pobres.
A Federação ainda instituiu o Catecismo Espírita, com a participação de muitas crianças, e o livro adotado era o Catecismo de Leon Denis.
O tempo foi passando e houve a necessidade de se procurar um melhor lugar para a instituição. E foi um paraibano, que morava no Paraná, onde negociava com madeiras, Artur Lins de Vasconcelos, que comprou um terreno no Parque Sólon de Lucena, onde construiu o novo prédio da Federação, por sinal moderno e espaçoso.
Mas, os anos foram passando e a Federação cada vez mais contribuía para a expansão da Doutrina, codificada por Allan Kardec.
Chegou o tempo de a Federação sair do Parque para ocupar um prédio ainda maior, onde funcionava o Lar da Criança, dirigido pelo confrade Laurindo Cavalcante, e que ocupou a presidência por muito tempo, assim como José Raimundo de Lima, a quem se deve a ida da Casa Mater para este outro espaço. . E não esquecer a administração serena do atual presidente da Federação, Marco Lima, que, a exemplo de como o célebre astrônomo Camille Flammarion descreveu Kardec, é “o bom senso encarnado”.
A verdade é que a instituição, que hoje comemora os seus cem anos, merece todo nosso respeito. Grandes oradores, a começar por Divaldo Franco, Pietro Ubaldi, Raul Teixeira, ocuparam seu microfone. E lembrar que o arcebispo Dom Aldo Pagotto e o pastor Estevam Fernandes, vez por outra, estão visitando a Federação, dando, assim, uma eloquente prova de ecumenismo.
José Augusto Romero presidiu a Federação durante 44 anos consecutivos. A Federação era a sua segunda casa. Com sua cultura, sua mansidão, seu amor à Doutrina, ele saiu deste mundo com a consciência tranquila. Como deve se sentir todo aquele que pratica a verdadeira caridade.
É com grande emoção, que, vez por outra, assisto à caminhada deles em busca do mar, que fica um pouco longe de suas moradas. E o que mais m...
A busca do prazer
É com grande emoção, que, vez por outra, assisto à caminhada deles em busca do mar, que fica um pouco longe de suas moradas. E o que mais me comove é a alegria das crianças que os pais levam, muitas delas no braço. A avenida é a Monsenhor Odilon Coutinho, final da Beira Rio. Fica defronte de nossa residência. E é por ela que os buscadores passam, numa alegria que emociona. Quase todos vão sorrindo. Sorrindo, sim, pois buscam o mar. De suas casas até o mar, bem que é longe, mas pouco importa. Devagar, vai-se ao longe, como diz o ditado. Ninguém está triste. Com suas chinelinhas japonesas, lá se vão, que a vida não é só sofrimento. E a caminhada ocorre sempre nos dias feriados e domingos.
À medida que andam, cresce a alegria. A alegria de ver o mar bem perto. O mar que nada lhe cobra pelo banho, pela corrida na areia. Caminharam muito, suaram muito, mas valeu o esforço. Nas águas esquecem tudo. Esquecem até que são pobres. Ainda bem que o mar não é comprado. Ainda bem que o mar é de todos.
E assim, eles passam horas e horas esquecidos de seus problemas. Mas, o tempo passa rápido, o dia já vai escurecendo e acabou-se o que era doce. Daí a grande tristeza da volta. Vêm cansados, mal humorados, as crianças chorando.
Comparo esta caminhada em busca do mar a uma imagem da vida. Pois o que é a vida, senão uma incessante busca do prazer?
A avenida agora está escura, o mar, certamente, dorme. Mas amanhã é outro dia... Viva a busca do prazer. Sem ele, que seria da vida?
O prazer de amar, o prazer de se alegrar com a vida, o prazer de perdoar, o prazer de viajar, o prazer de ler, o prazer...
Mas o prazer dos meus caminhantes da avenida é ver o mar, é mergulhar no mar, brincar no mar, esquecer a vida carente que andam levando.
O mar da Córsega, essa ilha do Mediterrâneo que meus pés pisaram recentemente, mostra-se logo ao visitante. De cima dos penhascos todos pod...
Viva o mar!
O mar da Córsega, essa ilha do Mediterrâneo que meus pés pisaram recentemente, mostra-se logo ao visitante. De cima dos penhascos todos podem contemplá-lo. Uma beleza de paisagem. Dá impressão que, sendo mais visível, está mais perto da gente. E olhar o mar provoca uma sensação de paz. Aliás, Deus fez o mar para embelezar o mundo e alegrar as pessoas.E como valeu a pena parar, vez por outra, nos mirantes e acostamentos e ficar com os olhos passeando pelas ondas que se desmanchavam em espumas, nas rochas claras da bonita ilha. Espumas que valem por um sorriso. Sim, as espumas são sorrisos do mar.
E não esquecer que tudo na vida ensina. As ondas se desmancham em espumas, mas depois elas voltam a ser ondas. Já repararam? Pois é, a vida também é assim. Não se extingue na morte, como muitos pensam. Se fosse assim, que sentido teria a vida? Onde estaria a nossa responsabilidade de viver? Que adianta a moral se não prestamos conta dos nossos atos? Morre o corpo físico, mas fica a consciência. Esta, sim, nos acompanhará eternamente.
Mas, voltemos ao mar Mediterrâneo, visto da Córsega. Que maravilha! E saber que muita gente já não se espanta mais diante da Natureza, diante de uma imensidão azul como essa, que os homens jamais construirão. Os homens constroem piscinas. Mas que diferença entre uma piscina e o mar! A piscina não tem ondas, ondas que se diluem em espumas. A piscina precisa de cloro, senão sua água apodrece. A piscina não recebe a visita diária dos rios. A piscina é limitada, é humana. O mar é divino – repito. A piscina não tem peixes. E não tem peixes porque sua água é morta. O mar é todo vida. E há quem o contemple sem entusiasmo, sem admiração, sem espanto.
Ora, o mar pede olhos de criança para vê-lo, olhos de poeta. Há pessoas que passam por ele sem nenhuma emoção. Passam como máquinas. Não escutam o seu marulho. Falei em marulho, não confundir com barulho.
Fazia tempo que eu não via um mar assim, sem barracas, sem espigões, que nos impedem avistá-lo de longe. E aqui, as praias são, sobretudo, locais de contemplação. Sem aquelas barracas que vendem espetinho, cachorro quente, cerveja, cigarro e as pessoas ficam de costas para a imensidão oceânica...
Nas nossas praias de Tambaú, Cabo Branco, Jacumã, Seixas, grande parte é tomada pelas barracas. Uma verdadeira muralha tapando a visão do mar. Que pena! Dir-se-ia que o barraquismo é uma espécie de moléstia. Talvez um câncer em estado de metástase. A praia de Manaíra, felizmente, livrou-se dessa enfermidade. E a visão límpida de seu mar vale por uma autêntica terapia. Faz bem ao espírito passar por lá e ficar olhando o mar se desmanchando em espumas. Dá gosto contemplar a linha do horizonte, lá longe nos dando adeus... E viva o mar!
S ó há pouco tempo, vim a saber o significado da palavra “entusiasmo”. E o contrário da palavra entusiasmo é o desânimo. Que o leitor se liv...
Entusiasmo
Só há pouco tempo, vim a saber o significado da palavra “entusiasmo”. E o contrário da palavra entusiasmo é o desânimo. Que o leitor se livre dele, pois nunca criou nada. Goethe, já perto de fechar os olhos para o mundo, gritou, entusiasmado: “Luz! Mais luz!”Recuando no tempo, lembremos de que o físico Arquimedes, quando tomava banho numa banheira, sentiu que seu corpo, mergulhado no líquido, baixava de peso. E gritou entusiasmado: “Achei, achei!” Sim, ele descobrira a lei da hidrostática. E dizem que saiu correndo nu pela rua, dada a força do entusiasmo.
E o que vem a ser entusiasmo? Significa “Deus em nós”. E como ter entusiasmo? Procure a Música, procure a boa leitura, as boas amizades, o bom trabalho, uma religião saudável, procure a Natureza. Veja o mar sorrindo, através das ondas e espumas, veja as crianças brincando, cheias de entusiasmo, e Jesus abraçando-as, dizendo: “Vinde a mim as criançinhas por que delas é o Reino dos Céus. Entusiasmo é luz. Goethe tinha razão.
A Natureza é a maior fonte de entusiasmo. Você sai dela renovado. E se você quiser se entusiasmar com a Música, ouça a Nona Sinfonia.
Visitei, recentemente, paisagens estrangeiras, que me deram lições de entusiasmo, a começar por aquela cachoeira, descendo a montanha, sem medo de cair.
Entusiasmo e nada de desânimo, que é Deus fora de si.
Um famoso psicoterapeuta disse que três coisas fazem o homem alegre: a boa música, uma boa notícia e uma religião saudável. E diz o ditado popular que tristeza não paga dívida. Vamos, diga como o mestre Rabelais: Ria, ria, só o homem é o animal que ri.
Desejo concluir com um exemplo de entusiasmo. Trata-se de um animal, um pássaro. É só se levantar, manhã cedinho, e ei-lo saudando a vida, o nosso querido bem-te-vi. Mas, muita gente prefere ser urubu... Vestido de preto e procurando a carniça.
D esculpem-me o truísmo, mas nós não somos nada sem outros. Os outros são que dão vida à nossa vida. Quer ver uma prova? Suponhamos que você...
Somos os outros
Desculpem-me o truísmo, mas nós não somos nada sem outros. Os outros são que dão vida à nossa vida. Quer ver uma prova? Suponhamos que você vá visitar algumas cidades do primeiro mundo, com todas as suas belezas turísticas, a exemplo das que visitamos recentemente como Lugano, Bonifácio, Olbia, Menaggio, e não encontre ninguém nas ruas, nos cafés, nos bares, nas praças... Um verdadeiro cemitério. Será que você continuaria sua viagem? Evidente que não. Mesmo com o sol desfilando nas avenidas, mesmo com os bosques, os lagos, as ruas e monumentos históricos, os museus... você, imediatamente, sairia correndo desses centros urbanos. E mesmo que fosse ao teatro, completamente vazio, evidente que seria grande a sua frustração. Como foi lindo, há poucos dias, quando depois de visitar cidades da fronteira da Suíça com a Itália fui chegando em Lisboa ensolarada, com aquela sua simpatia, com toda aquela gente na Rua Augusta, pra lá e pra cá, confesso que fiquei emocionado. Gente sorrindo, conversando, passeando, dando “bom dia”. É que o outono se aproximava e com o outono, as cidades se renovam.
Mas já imaginou se eu chegasse em Lisboa e não visse ninguém nas suas belas avenidas? Ninguém no Chiado, no Bairro Alto? Seria um inferno. Daí a grande verdade: A presença humana em nossa vida é tudo. Somos os outros, repitamos. Até os cemitérios se animam com a presença das pessoas. Por que os cemitérios são tão tristes? Porque são desertos. Sem ninguém, mesmo que seus mausoléus sejam belos, mesmos que os túmulos estejam cheios de flores, a sensação que temos é uma sensação de morte.
A vida só é bela por causa da presença dos outros. E estupidamente esquecemos esta verdade: os outros somos nós. É neles que nos refletimos, que nos identificamos. É verdade que, vez por outra, precisamos de ficar sozinhos. É bom ficarmos numa praia deserta, a exemplo de nossa Tabatinga, a contemplar suas pedras sendo beijadas pelas ondas... É gratificante esse momento de solidão, mas que ele não demore muito. Sem a presença humana as coisas perdem significação.
Mas se sabemos disso, por que não somos mais solidários, mais fraternais, mais amigos? Por que não procuramos conhecer melhor as pessoas e, conhecendo-as, compreendê-las? Aliás, este é o maior problema de todos os tempos. Daí a recomendação do mestre dos mestres: “Ama ao próximo como a ti mesmo”. Ele achou pouco e ainda veio com aquela outra recomendação: que amássemos os nossos próximos inimigos. E o que fazem as religiões que se dizem cristãs? Só sabem matar os que discordaram delas. Daí as cruzadas, as inquisições, a guerra dos 100 anos e agora essa fuga triste dos imigrantes assombrados com as misérias das guerras “santas”, que não têm nada de santas, entre os próprios cristãos.
Acho que o pior dos infernos é você sozinho no mundo. Não há coisa mais bela do que a multidão nas ruas. Ah, Lisboa, como estavas bela naquela manhã ensolarada com gente por todos os lugares!...
É isto aí. Cigarro fede e mata. Eu fui um inveterado fumante. Fumei até tomando banho de mar e debaixo de um chuveiro. Minha mãe e minha av...
Cigarro fede e mata
É isto aí. Cigarro fede e mata. Eu fui um inveterado fumante. Fumei até tomando banho de mar e debaixo de um chuveiro.Minha mãe e minha avó eram viciadas em engolir fumaça. Meu pai morreu com o pulmão limpinho. Ah, o pulmão!... Um dos órgãos mais importantes do nosso organismo. Vai aqui um aviso ao consumidor de nicotina: quem fuma está se suicidando.
Cheguei, agora mesmo, de mais uma viagem ao exterior. Vi no aeroporto de Lisboa uma sala de vidro fechada e os fumantes soprando seus cigarros. Tive uma pena de doer. Muitos deles ficavam de costas com vergonha de estarem fumando.
Chupar a fumaça de cigarro e soprá-la. Que divertimento estúpido. Fui fumante inveterado, repito, até que, numa certa manhã, na praia, senti o coração disparar. Uma taquicardia de morrer. Consequência do fumo. Pensei, joguei o veneno fora e tive a dignidade e a coragem de nunca mais fumar.
Lembro de que no tempo em que eu chupava fumaça, fumar era um vício elegante. E o artista Humphrey Bogart era o que mais fumava.
Minha primeira esposa, Carmen, gostava de me ver o marido fumar, a ponto de dizer: “Você fuma com muita elegância”. A ciência ainda não descobrira seus grandes malefícios. Fui na onda e se não fosse aquela taquicardia, na praia...
Fumei durante muitos anos, e, por incrível que pareça, depois de ter parado, há 40 anos, na radiografia de meus pulmões ainda há resquícios do venenoso cigarro.
Curioso, é que o animal não fuma. Quer ver? Faça uma experiência. Nem o cachorro que tem tanta semelhança com o animal racional.
Na minha família, o filho mais velho, Mário, morreu de fumo. Visitei-o no hospItal, arquejante.
Cigarro só rima com catarro. E nunca esqueci de que, depois de tanto tempo sem fumar, o médico examinou os meus pulmões e estavam lá, no raio-x, os resquícios do fumo.
A voz descia de um edifício de apartamentos, aqui perto. Uma voz suave. Voz de quem está de bem com a vida. E quem está de bem com a vida, ...
Quem canta, encanta
A voz descia de um edifício de apartamentos, aqui perto. Uma voz suave. Voz de quem está de bem com a vida. E quem está de bem com a vida, canta. Ninguém canta com raiva. Não era a dona do apartamento. Acho que não. Talvez até tenha acordado mal humorada. E estou receando que ela mande a sua funcionária se calar. Mas há um ditado que diz: “quem canta, seus males espanta”. A moça cantava, os automóveis passavam, o Sol brilhava lá no alto, as árvores sorriam com as cócegas que o vento lhe provocava, os pássaros cantavam, era mais um dia para a gente viver.
A moça cantava. Mas nem todo mundo pode cantar no trabalho. O coveiro, por exemplo, não deve cantar, enquanto está levando o caixão para a cova. Mas, tenho certeza, de que os bem-te-vis jamais se calarão diante de um dia amanhecendo. Pelo menos é que ouço, todos os dias, com a chegada da madrugada.
Acontece que a voz da moça era de uma suavidade encantadora. E ouvindo-a, disse com os meus botões, eis aí uma pessoa feliz. Vá ver que a moça tem muitos problemas, mas, quem não os tem? Vá ver que o salário é pequeno, que algum filho, ou o marido, são motivos para o choro e não para o sorriso. Muita coisa há para a gente chorar.
A verdade é que nem todo mundo pode trabalhar cantando, seja o desembargador Marcos Cavalcanti, seja o governador Ricardo Coutinho. Cantar é um privilégio. Conheci um general que não cantava, mais assobiava.
Voltemos à moça. Que brandura de voz, tão suave que motivou esta crônica. Abelardo Jurema Filho canta que é uma beleza. Nisso não puxou ao pai, que preferia o bom discurso, ao canto.
É saudável cantar, é saudável sorrir, é saudável dar um cumprimento amistoso. Canta Abelardo, mesmo que não seja eleito para a Academia!
F oram muitas, repito. Repito e continuo, pois o assunto foi de coluna recente, aqui neste espaço. Continuo referindo-me aos nossos desembar...
Togas que muito admirei (2)
Foram muitas, repito. Repito e continuo, pois o assunto foi de coluna recente, aqui neste espaço. Continuo referindo-me aos nossos desembargadores, sobretudo aqueles com quem privei de certa intimidade. E este que trago agora ao texto não podia ficar esquecido. Ele teve uma grande influência em minha vida. Teve muito de pai, pois mirei-me muito no seu exemplo. Com ele muito aprendi. Refiro-me a Osias Nacre Gomes. Fiquemos apenas, com o Osias, com quem trabalhei por muito tempo, ele como Secretário do Interior do governo de José Américo e eu como seu assessor direto.Osias era um dínamo. Escrevia quase correndo. Daí ser frequente ver o suor escorrendo na testa, quando estava concentrado, redigindo. Ele confiava muito em mim. Pois não é que me escolheu para substituir o juiz de Santa Rita, Dr. Carlos Coutinho?
Sei não. Só sei que me de dei bem com a nova experiência.
Osias me ensinou demais. Um homem alegre, culto, de uma honestidade admirável, hoje cada vez mais rara...
Chegou a desembargador. Escreveu um livro, cujo título não me lembro agora, em que conta muita coisa de sua vida. Muita justa a homenagem do nosso Tribunal de Justiça de colocar o nome de Osias na sua Biblioteca.
Esse homem simples, que muito me estimulou, lia e dizia que gostava de minhas crônicas. Religioso, cristão convicto, conhecia a Bíblia a fundo.
Tinha um neto, muito amigo nosso, que o admirava demais, que também é dado às letras e escreve muito bem: Cleanto Gomes Pereira. Que, aliás, vai lançar mais um livro no próximo mês de novembro. Se Deus quiser, estarei lá, para os abraços e autógrafos.
Osias Gomes, um exemplo de homem. Muitas vezes, escrevia assobiando. Ele só errou numa coisa. Quando me convidou para representá-lo numa ação penal. E o advogado opositor era Renato Bastos, que me deixou o tempo todo como se estivesse na Groenlândia, com as mãos geladas.
Para mim o nosso Osias nunca morreu. Continua e continuará vivo na minha memória e no meu coração.
Não posso esquecer do nosso desembargador Francisco Espínola, um homem de constante bom humor, de uma simplicidade que comovia. Sua filha, nossa amiga Ana Cândida, que foi minha vizinha por muito tempo, é um exemplo de bondade e inteligência. Seus pontos de vista sempre se coincidiam com os meus. Por exemplo,e la é uma grande admiradora de Fernando Henrique, como escritor. Concordo com ela em gênero e número.
Desembargadores... A verdade é que há muitos que admirei. É o caso do meu amigo Onildo Farias, que com os olhos de seu anjo de guarda, Terezinha vê tudo bem na vida.
U ma catedral de livros começou a ser construída no dia 18 de abril de 1857 e já está bastante avançada. Que coisa extraordinária! Mas, só n...
Uma catedral de livros
Uma catedral de livros começou a ser construída no dia 18 de abril de 1857 e já está bastante avançada. Que coisa extraordinária! Mas, só no final, é que vou dizer que catedral é esta.Voltemos um pouco na História. Jesus nunca construiu templos de pedra. Ele sabia da fragilidade das construções materiais feitas pelos homens. Tanto é assim que nunca edificou um templo. Falava nas igrejas dos outros. Para ele, a verdadeira catedral é a de sua doutrina consoladora, o Evangelho, que significa Boa Nova.
Foi tão humilde que nasceu numa manjedoura, entre animais domésticos. Ele sempre dizia que era humilde de coração e que não tinha uma pedra onde repousar a cabeça. O importante para ele era o conhecimento a Verdade que liberta. Não possuía igrejas. Tanto é assim que pregava ar livre, sentindo no rosto o beijo da brisa matinal. Assim foi quando proferiu o seu primeiro sermão, o Sermão da Montanha, onde está resumida toda a sua Doutrina de luz.
Jesus também disse aos discípulos que seu precursor, João Batista era um homem simples, que não usava vestidos finos, nem morava em palácios... Isso ficava para os reis...
Portanto, sua catedral é o Evangelho, que não é feita de cimento, pedra, cal e ferro. Uma catedral da sabedoria, que liberta o homem da ignorância.
E a catedral que me mencionei no início é a catedral de livros espíritas, que se iniciou no dia 18 de abril de 1857, em Paris, com o lançamento de “O Livro dos Espíritos”, por Allan Kardec, há 158 anos. De lá para cá, quantos livros estão sendo publicados, formando uma impressionante literatura, escrita pelos homens e pelos espíritos! Duvida? É só ir às nossas livrarias, onde os livros espíritas estão entre os mais vendidos. Esta é a verdadeira catedral que consola e liberta.
A ndei pensando nos dias da semana e me veio a pergunta: “Qual o seu dia da semana predileto?” E eu, com meus botões, respondi sem pestaneja...
Os dias da semana
Andei pensando nos dias da semana e me veio a pergunta: “Qual o seu dia da semana predileto?” E eu, com meus botões, respondi sem pestanejar: Quinta-feira. Mas, depois me veio um ligeiro remorso. Por que me esqueci do domingo, o dia em que eu cheguei ao mundo, numa fria tarde em Alagoa Nova? Não, curioso, nem pense que vou dar aqui o ano do meu nascimento. E deixe de estar espiando a idade dos outros, que isso é muito feio. É negócio para velho que não tem o que fazer. Vê lá se uma criança ou um jovem se preocupa com a idade de ninguém... Esqueça, portanto, a sua idade, a idade dos outros, lembrando que a gente não sente a idade que tem, a gente tem a idade que sente.Mas, voltando ao meu dia predileto, não é o domingo, é a quinta. Também namoro um pouco com a segunda, que para muitos é um dia muito amargo. Acho o sábado muito simpático, e tenho certeza de que se houvesse um plebiscito, o sábado seria eleito pela grande maioria. O sábado é o dia em que você aproveita para viajar, fazer compras, fazer o que não pode fazer nos outros dias. O sábado é tão forte que já está contaminando a sexta. Muita gente só está trabalhando na sexta de manhã. Até mesmo em certas repartições. A tarde é para a viagem, o lazer, o descanso, embora muitos assim não pensam. Aproveitam a folga para o trabalho. São os chamados “workaholics”, os viciados em negócios e nada de ócios.
Voltando ao assunto que vínhamos tratando, o espaço de tempo rigorosamente dedicado ao lazer, hoje, são: metade da sexta, sábado e domingo. E como eles interferem no nosso humor, na nossa disposição de viver! A alegria do brasileiro começa na sexta, cuja tarde é para arrumar as malas, que, como disse o poeta, ninguém é de ferro. Você já procurou um médico da sexta para o domingo? Difícil encontrá-lo. Deus me livre de adoecer nos fins de semana. A maioria dos nossos esculápios está nas chácaras e fazendas.
Agora chegou a vez da segunda. Poucos sorrisos no rosto, muita ressaca na alma e muitos telefonemas mal humorados! Mas, sabe qual é o motivo disso? É que pouca gente se prepara para a segunda-feira. Abusa do sábado e do domingo, come demais, bebe demais, e nada de se preparar para a luta que se inicia na segunda. Nada de um pouco de meditação, de reflexão, de leitura, de boa música, de boas caminhadas, de um contato mais íntimo com a Natureza.
Houve tempo em que a semana tinha seis dias úteis. Será, então, que o domingo é inútil? Inútil, sim, para quem não sabe utilizá-lo... A verdade é que a semana está reduzida a quatro dias e meio. Começa na segunda de manhã e termina na sexta no final da manhã...
Ah, os dias da semana! Como eles se parecem com as pessoas! E como as pessoas lhes sofrem a influência! E você, qual o seu dia predileto? Diga, e eu lhe direi quem é você.
N a coluna passada recordei as togas, isto é, os magistrados que admirei e com os quais convivi mais de perto. Voltarei ao assunto em breve,...
Meus grandes mestres
Na coluna passada recordei as togas, isto é, os magistrados que admirei e com os quais convivi mais de perto. Voltarei ao assunto em breve, pois há mais para falar sobre essas togas. Mas agora me deu vontade de recordar os professores que mais influíram na minha vida.E lá vou eu mexer no passado, novamente, coisa que nem gosto muito de fazer, pois adoro o presente. Mas, como diz o ditado, recordar é viver, e vamos trazer à lembrança aqueles mestres que me fascinaram, não só com a palavra, mas sobretudo com o comportamento. A sabedoria sempre ao lado da ética. Foram professores que jamais diriam, ao se encaminharem para a sala de aula: “vou vender meu peixe”. Que prosaísmo!
Não sei por onde começar nessa gostosa evocação de meus tempos de estudante. Que tal o antigo Lyceu Paraibano? Foram tantos os mestres que me encantaram naquele antigo educandário...
E eis que me chega à lembrança o nosso Otacílio de Albuquerque: sempre muito bem vestido, muito asseado, a voz mansa e o giz escrevendo equações no quadro-negro. Como a Matemática se tornava fácil em sua boca! Com que dignidade ele se impunha durante a aula. Um silêncio de se ouvir a batida do próprio coração.
E vamos a outro professor. Que tal evocar o mestre Mauro Coelho, professor de História da Civilização, matéria que ele enfeitava com a sua imaginação, o seu bom humor e um profundo senso crítico. Sabia encobrir a verdade histórica com aquele manto da fantasia a que aludiu o velho Eça. Nas suas lúcidas preleções, duvido que alguém cochilasse ou bocejasse. Nada de retórica, nada de pedantismo erudito. O riso não faltava nos seus lábios, um riso que ele, discretamente, aparava com um lenço. Com aquela anedota, segundo a qual o impetuoso Pedro I teria sido acometido de uma forte cólica, antes de gritar o “Independência ou Morte”, fazia a turma sorrir. Lembrar que o sorriso faz parte de uma boa didática. Mauro Coelho foi fundador do jornal católico “A Imprensa”, exerceu o jornalismo e a advocacia para chegar a desembargador, no Rio de Janeiro.
Continuando nas lembranças, que tal falar do professor Manuel Viana, que me ensinou Metafísica, na Faculdade de Filosofia? Que talento para ensinar!... Entrava na sala vestido de paletó e gravata, mas com o seu entusiasmo didático, terminava tirando o paletó e a gravata, num meio strip-tease.
Quero terminar com o jurista Miguel Reale, no curso de especialização de Filosofia de Direito, na nossa Universidade. Pequeno de estatura, mas gigante na oratória. Ensinava andando pra lá e pra cá, numa desenvoltura que comovia.
E os outros mestres? Ah, foram tão admiráveis... Mas, ficam para outra oportunidade.
A h, de muita coisa. Tenho pena das pessoas frias, incapazes de um cumprimento cordial. Que parecem cegas para os outros. Tenho pena das pes...
De quem tenho pena
Ah, de muita coisa. Tenho pena das pessoas frias, incapazes de um cumprimento cordial. Que parecem cegas para os outros. Tenho pena das pessoas frias, inabordáveis, que parecem trazer atrás das nádegas: o seguinte aviso: “Mantenham a distância”. Tenho pena dos vaidosos, que se consideram melhores do que os outros. Que vivem com os olhos nos carros alheios, para ver se são do ano ou de melhor marca.
Tenho pena das pessoas sem paciência, que vivem reclamando tudo da vida. Reclamam do trânsito, da chuva, do sol, da falta de dinheiro, da falta de saúde, da falta de tudo, enfim.
Posso ter, e tenho, muitos defeitos, menos o da impaciência. Aqui para nós, eu sei esperar. A paciência é tudo. E há casos em que você é obrigada a esperar mesmo. Quando está interno num hospital, no caso da mulher grávida... E como ela sabe esperar o grito que vai sair de seu ventre. E não tenha paciência para ver.
Olhe bem, fale bem, e sua vida será outra coisa. E cuidado, muito cuidado mesmo, com uma moléstia chamada maledicência. A mania de falar mal dos outros.
A vida é bela. Nós é que a tornamos feia. Vou recomendar uma coisa que venho fazendo há muito tempo. Procure olhar bem. Olhe bem e tudo se iluminará. Muita gente não gosta do barulho das crianças, daquele corre-corre, dos gritos, daquela inquietação. Pois bem, olhando-as, Jesus disse: “Vinde a mim as criancinhas, porque dela é o Reino dos Céus”.
Tudo é uma questão de saber olhar a vida. Vamos, minha gente, vamos saber olhar. Lembrem do ditado: “O pior cego é o que não quer ver”. E da grande e poética frase que Jesus nos deixou quando nos convidou a “olhar os lírios do campo”. É o mesmo que dizer: olhai o amanhecer, a floração das árvores, o sorriso de um recém-nascido. Repito: Viver bem é olhar bem!
E eis que, mais uma vez, me hospedo num hospital, que não é outro senão o Memorial São Francisco, um modelo de hospital onde o tratamento c...
Cronista no hospital
E eis que, mais uma vez, me hospedo num hospital, que não é outro senão o Memorial São Francisco, um modelo de hospital onde o tratamento cordial e humanizado é uma prioridade, graças à dedicação de seu diretor, Dr. Ítalo Kumamoto. Lembrar que a palavra hospital vem de hospedagem, se não me engano. E hospedagem é coisa boa. Leio, ao sair de um supermercado, o seguinte lembrete: “Volte sempre”. Será que poderíamos dizer isto de um hospital? Evidente que sim. E feliz daquele que encontrar um hospital. Dizia o tribuno Alcides Carneiro: “Infeliz de quem procura um hospital e feliz de quem o encontra”.
Mas a beleza de um hospital está no silêncio. E silêncio é a melhor coisa da vida. É graças a ele que a gente pensa, que a gente reflete, já dizia um filósofo. E não há melhor adjetivo para qualificar o hóspede de um hospital do que “paciente”. O termo é exatamente este, para aquele que está enfermo e internado. E não seja paciente para ver... Pacientes os enfermos, pacientes as enfermeiras, pacientes os médicos.
Mas não é de hoje que sofro da coluna. Por causa dela já andei até numa cadeira de rodas, guiada pelo meu filho Germano, em plena Londres. E como passeamos!
Hospital vem de hospedagem, logo não pode ser coisa má. E como é bom ouvir a voz do silêncio, dentro de um hospital... Silêncio é, sem dúvida, a coisa mais bela da vida, e que anda cada vez mais rara.
Não esquecer o médico que cuida de mim, Dr. Ronald Farias, a quem confio minha coluna, com aquela fé que transporta montanhas, segundo o dizer evangélico. De coluna, ninguém entende mais do que ele.
Saí do hospital, como entrei: sorrindo. Mas, não vi nenhuma placa dizendo: “Volte sempre!”
E já ia me esquecendo do livro. Hospital também é bom pra ler. O chato mesmo é aquela mangueirinha do soro pregada no nosso braço...
Q ue togas são estas, cronista? Ah, os desembargadores que me deixaram inesquecível impressão, com quem convivi mais de perto. Disse toga, p...
Togas que muito admirei
Que togas são estas, cronista? Ah, os desembargadores que me deixaram inesquecível impressão, com quem convivi mais de perto. Disse toga, pois toga é a vestimenta de trabalho do desembargador, assim como a farda é do soldado, a bata é do médico, a batina do sacerdote, e assim por diante. E como gosto de escavacar a memória, relembro aqui alguns desembargadores que me deram ótima impressão. Cada qual com o seu temperamento. E já estou vendo, sorrindo e falando alto, o desembargador Júlio Rique, que foi Juiz de Menores por muito tempo. Um homem alegre, cuja presença fazia bem. Nunca o vi zangado. Teve uma filha adorável, inteligentíssima, chamada Sílvia, que deixou uma série de crônicas sob o título: “Sabe da última?” Ah, como gostaria de vê-las publicadas... Sílvia adorava o pai.
Tragamos agora à memória um príncipe, que muito me encantou: Mário Moacir Porto, que foi juiz de Bananeiras e só usava roupa branca. Elegante, fino, culto, sempre bem-humorado, Mário Moacir jamais sairá de minha memória. Lia minhas crônicas e dizia que eu tinha uma grande admiração pelas mulheres. A verdade é que Mário Moacir teve grande importância na minha vida.
Publicou um excelente livro de iniciação ao Direito, de uma didática admirável. Chegou a ser meu ídolo. Convidei-o para apresentar o lançamento do meu livro “O Papa e a Mulher nua”, e ele aceitou. Com muito humor, perguntou se eu desejava indispô-lo com a Igreja. E fez uma apresentação muito bem humorada.
E quem está chegando à imaginação é o desembargador Paulo Bezerril. Um admirador da música clássica. Tocava flauta e chegou a integrar a nossa Sinfônica. Foi um grande amigo meu, e também era cheio de humor. Dizia que as três coisas boas da vida começam pela letra M: Mar, Mulher e Música.
A consciência me pede citar o desembargador Flodoardo da Silveira, homem íntegro, que não cheguei a privar de sua intimidade. Certa vez, ele me presenteou com o livro clássico “O Ateneu”, de Raul Pompéia. Flodoardo falava pouco e ouvia muito. Se alguém lhe fizesse qualquer consulta jurídica, ele respondia: “O que diz a lei? Legalista cem por cento.
Outro que muito admirei foi o desembargador Severino Montenegro, que chegou a administrar o nosso Estado, durante a Ditadura. E outro grande mestre foi o inesquecível e genial Flósculo da Nóbrega. Muito culto, reservado e respeitadíssimo por todos. Deixou-nos um livro de introdução ao Direito que é um modelo de boa didática.
Encerro a crônica lembrando Pedro Damião, um desembargador simples, cujo grande prazer era, quando deixava o Tribunal, ir buscar o neto para passear. Um homem de uma simplicidade fora de série.
E a mulher desembargadora? Naquele tempo a saia não vestia toga, muito menos chegar à presidência, como foi o caso da desembargadora Fátima Bezerra, que foi minha aluna, na UFPB, com muita honra.
Mas, de todos os desembargadores, os que mais me ensinaram, por sua postura, foram o Mário Moacyr Porto e Paulo Bezerril. Paulo Bezerril não gostou quando soube que eu seguira a Magistratura. Chegou a dizer: “você na magistratura, levando a vida no interior, é como uma moeda que a gente joga no mato”. Mas, o que me agradava era vê-lo com sua flauta, na Orquestra Sinfônica, de que foi um dos fundadores...
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A beleza da vida está na diversidade. Deus sabe o que faz. Já imaginaram um mundo de pessoas iguais, coisas iguais, comportamentos iguais?....
A arte de viver
A beleza da vida está na diversidade. Deus sabe o que faz. Já imaginaram um mundo de pessoas iguais, coisas iguais, comportamentos iguais?... Seria um inferno de monotonia, de tédio, de chatice. Daí as diferenças. Daí eu gostar de coisas que você não gosta. Mas, nem por isso vamos ficar distantes, hostis, indiferentes. Se você aprecia a cor azul e eu a vermelha, se você adora luta de boxe e eu o balé, se você detesta cidade grande e eu viva sonhado com uma fazendinha no interior, ouvindo o mugir das vacas e o canto dos passarinhos, que mal há nisso?Se convivermos bem com uma pessoa não é porque ela pensa e age como nós. Talvez seja o contrário. Isto não significa que os dois sejam diametralmente opostos. Em toda amizade, em todo relacionamento mais íntimo, existem alguns pontos de contatos, de sintonia, de aproximação. Quando os dois são muitos iguais não tem graça. Lembrar que vivemos nos completando uns aos outros.
Há casais por aí, ajustadíssimos, vivendo na maior paz, embora sejam de temperamentos diferentes. E nisso é que está o mérito. cabe a cada um fazer uso da compreensão. Onde houver compreensão não haverá conflito. Compreender é perdoar tudo. Não queira que o outro seja igual a você, que pense como você, que aja como você. Cada um como Deus fez, ou melhor, como a evolução fez. A coisa mais difícil da vida – disse um psicoterapeuta – é você ser como os outros querem que você seja.
Certa vez, Jesus e seus discípulos – narra uma fábula – saíram a procura da cidade de Dalmanuta. Andaram, andaram e nada. Até que encontraram um homem deitado sob uma árvore. “Onde fica Dalmanuta? - Indagou Jesus ao homem. E ele quase que não respondeu, por preguiça. Assim, mesmo, levantou o pé e disse – “Fica por ali”... Jesus sorriu e continuou caminhando. Mais adiante, avista uma mulher em plena atividade doméstica, cuidando da comida e dos filhos, em sua humilde choupana. “Onde fica Dalmanuta?” – perguntou o Mestre – E ela, logo que avistou Jesus, limpou as mãos no avental, deixou todo o trabalho, e saiu a mostrar o caminho. Andou um bocado. Finalmente, apontou para o lado onde estava a cidade. Os discípulos ficaram admirados com tanta boa vontade. Jesus também. Como a mulher foi solícita, ativa, prestativa, solidária!
E saíram eles em direção a Dalmanuta, quando, a certa altura, um dos apóstolos pergunta: “Mestre, tive pena daquela mulher, parece sem marido... Bem que merecia uma companhia. Por fim veio a indagação: “Com quem ela deveria se casar”? Jesus sorriu e respondeu: “Com aquele preguiçoso”.
E teve razão Jesus. O homem da estrada muito teria de aprender com aquela mulher. Cada um de nós ensina com o exemplo, a nossa singular maneira de ser. O preguiçoso da fábula talvez tivesse outras virtudes. Toda a pessoa tem o seu lado positivo.
É na diferenciação que está o encontro da vida. O que seria da luz se não fosse a escuridão? Saber manter o equilíbrio dos contrastes – eis em que consiste a arte de viver!
E m todo aniversário, já viu, o telefone tocava e lá vinha a voz amiga, desejando-me muitos anos de vida. E dizia mais. Dizia que eu continu...
O que foi que houve?
Em todo aniversário, já viu, o telefone tocava e lá vinha a voz amiga, desejando-me muitos anos de vida. E dizia mais. Dizia que eu continuasse sendo o homem que sou. Dizia isso com tanta sinceridade, que me deixava emocionado e encantado. Bastava eu completar mais um ano de existência, e lá vinha ele com sua mensagem fraternal, sincera, que terminava sempre com um “Deus o conserve sempre conosco”.Jamais meu aniversário passou sem seu telefonema desse amigo, o que muito me comovia. E eu não fazia o mesmo com ele.
Ia dizer o nome dele, mas deixemos para o fim. Sua profissão era de livreiro e a sua livraria, que se chamava “Livraria Acadêmica”, primeiro ficava no térreo do “Paraíba Palace Hotel”, depois se transferiu para a rua Duque de Caxias. Lembrar que ele exercia a função de livreiro juntamente com a de advogado. E como advogado, gostava de discutir.
Repito, em todo meu aniversário (não escapou um) lá vinha sua voz amiga desejando-me felicidades, o que muito me comovia. Mensagem que vinha do coração, sincera. E eu nunca fiz o mesmo. Não sabia nem o dia de seu aniversário.
Acontece que o tempo foi passando, até que chegou o dia de seu silêncio, isto é, eu fiz aniversário e nada de seu telefonema, de sua mensagem. Eis um silêncio que mexeu comigo.
O que será que houve com o meu amigo? Cadê aquela voz suave me desejando muitas felicidades? Não, não quero dizer o seu nome. Só sei que seu silêncio me deixou triste. O que foi que houve? Não desejo revelar o seu nome, aqui, mas fiquei muito triste, profundamente triste.
Um homem sincero. Sincero e sério, esse nosso amigo era um exemplo de bom caráter. Adorava discutir, debater, como bom advogado que era. Sempre na defesa das boas causas.
Faz tempo que ele não telefona para mim, no meu aniversario. O que terá havido?...
P ois é, certa manhã, chega o meu neto, por telefone, me pedindo para ajudá-lo numa tarefa escolar. Tratava-se de uma entrevista com o avô, ...
Conversa sobre o passado
Pois é, certa manhã, chega o meu neto, por telefone, me pedindo para ajudá-lo numa tarefa escolar. Tratava-se de uma entrevista com o avô, que, decerto, sabe mais coisa do passado do que ele, que ainda está com poucos anos de caminhada existencial.“Vô, o tema é sobre o que é que já não existe mais, hoje em dia?” - Com essa intimação amável, ele começou a me entrevistar sobre costumes, indumentária, divertimentos e outras coisas de antanho.
Conquanto não seja um homem apegado ao passado, gostei daquele papo virtual. E assim, fui atendendo à curiosidade do menino, que, apesar de muito jovem, já participa de campeonatos de xadrez, é craque na Internet e que, quando era pequeno, vez por outra, vinha com perguntas embaraçadoras. Perguntas como esta: “quem é que escova os dentes do leão da Bica?”
Mas, vamos, aqui, no espaço exíguo de uma crônica, informando algumas coisas que hoje não se veem mais. Comecemos pela indumentária. Outrora não se via mulher vestindo calça comprida, muito menos a calça tipo jeans, que, quanto mais desbotada e esfarrapada, melhor. Mulher só usava saia e pronto, assim como padre só vestia batina preta e rezava a missa em latim.
E que dizer da bengala? Sim, para completar a elegância masculina, usava-se a bengala como ornamento, sem esquecer o chapéu, seja de massa ou de palhinha. E o chapéu estava tanto nas cabeças masculinas como femininas. Relógio só de algibeira. Era chique exibi-lo para consultar as horas.
Transporte coletivo? Ah, tínhamos os bondes. Bondes de Tambiá, Trincheiras, Cruz das Armas, Oitizeiro, Varadouro... E que segurança eles ofereciam! Vejamos mais. Veio-me agora o dente de ouro. Hoje ninguém o vê mais. O dente de ouro chegava a acompanhar o defunto. Ninguém o arrancava. Dava status.
O neto está pedindo mais, morrendo de rir. E vem a lembrança do cinema mudo, já imaginaram?... Isso mesmo, cinema mudinho da Silva. E havia quem o adorasse. E as refeições? Outrora a família comia reunida com todos os seus membros. O pai na cabeceira, a mãe ao lado, seguindo-se o filho mais velho e os demais. E que silêncio, que respeito! Havia mais ceia do que jantar. E ceia larga com inhame, batata doce, macaxeira, mungunzá, cuscuz e o delicioso pão francês.
Pijama, ceroula, também já não existem mais. Será que se acabou a “camisola do dia”, tão comum naquele tempo? Outra coisa em extinção: o solene pedido de casamento. O noivo chegava para o pai da moça e pedia, todo encabulado, a mão da filha...
Continuemos nossa conversa telefônica. Falemos agora dos ecológicos e bucólicos quintais, hoje em extinção. Desapareceu a terra sob os pés. Nos edifícios de apartamento não há mais lugar para os animais domésticos.
Antigamente... Mas, o garoto está me dizendo que o tamanho do texto já chegou no limite. Fiquemos por aqui. Ele cumpriu sua tarefa didática e eu a de cronista. E viva a vida que não pára. A vida que está sempre mudando. Viva a eternidade do efêmero.








