Aquela noite da agonia derradeira, quando contemplei o rosto sereno de minha mãe na cama do hospital, segurando meu braço, ela murmurou co...

O último olhar de mamãe

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Aquela noite da agonia derradeira, quando contemplei o rosto sereno de minha mãe na cama do hospital, segurando meu braço, ela murmurou com os lábios trêmulos “que Deus te abençoe”, e fui abençoado com a meiguice do seu olhar para o resto de minha vida.

Desde a infância sempre amei as mulheres. Nem mesmo a primeira decepção amorosa com Maria Dutra aos onze anos mudou isso. Até hoje os meu...

A mulher e a moda

Desde a infância sempre amei as mulheres. Nem mesmo a primeira decepção amorosa com Maria Dutra aos onze anos mudou isso. Até hoje os meus “melhores amigos” são mulheres. Quando iniciei nas crônicas semanais (Jornal de Agá, posteriormente Correio da Paraíba) já comecei escrevendo sobre os direitos da mulher, ainda antes de “virar moda” defender o sexo feminino. Lembro bem que cheguei a desafiar o então Presidente Collor que humilhava publicamente sua esposa Rosane.

A figura da madrasta comumente faz lembrar personagens desprovidas de afeto, inclusive estereotipadas negativamente pela sonoridade (“má”)...

A infindável recriação

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A figura da madrasta comumente faz lembrar personagens desprovidas de afeto, inclusive estereotipadas negativamente pela sonoridade (“má”) da palavra portuguesa. Diferente da versão francesa: “belle mère” (bela mãe) ou do inglês “stepmother” (um grau de mãe) — que poesia... Nos filmes, romances e fábulas infantis são tenebrosas as referências de crueldade.

Em recente releitura de O Novo Testamento, um tema saltou aos meus olhos e ensejou diversas reflexões que desejo compartilhar com os leit...

Presentes

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Em recente releitura de O Novo Testamento, um tema saltou aos meus olhos e ensejou diversas reflexões que desejo compartilhar com os leitores.

Revisando o Evangelho de Mateus, capítulo 2, li no versículo 11 – “E, entrando na casa, acharam o menino com Maria sua mãe e, prostrando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, ofertaram-lhe dádivas: ouro, incenso e mirra.”

'Muito barulho por nada', título da peça de Shakespeare, me faz evocar o desempenho de alguns poetas cuja dicção estridente, ruido...

Retrato a giz

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'Muito barulho por nada', título da peça de Shakespeare, me faz evocar o desempenho de alguns poetas cuja dicção estridente, ruidosa, lembra o som de charangas saudadas por fogos de artifício que possuem o falso brilho e a vida breve dos fogos-fátuos. O alarido, no caso, procura camuflar a retórica vazia, ornada de miçangas, paetês, lantejoulas, onde prevalece o acessório em detrimento do principal.

A poesia de Maria de Fátima de Barros Neves se impõe porque é diferente da que grita para se fazer ouvir, escutar, embora essa última quanto mais se esgoele mais faça por merecer ouvidos moucos. Claro que há poetas que gritam a plenos pulmões e têm o que dizer, a exemplo de Maiakovski e Castro Alves.

Sou do signo de Aquário. Um pé na lua. Mas meu ascendente é Câncer. Um pé enfincado na terra. Daí, passei a vida abrindo escalas. E não te...

Encaixotando Ana

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Sou do signo de Aquário. Um pé na lua. Mas meu ascendente é Câncer. Um pé enfincado na terra. Daí, passei a vida abrindo escalas. E não teve ballet que melhorasse essa abertura entre o céu e a terra.

Por isso, minha dificuldade com des-arrumação. Sou caótica nas gavetas. Sem método. E não sei onde achar uma tesourinha. Então, como me mudei, há 3 anos, de uma casa onde morava havia 34 anos? Falam para des-apegar. Mas essa não é a questão. Os meus “objetos sólidos” fazem parte dos meus braços e pernas. E não vejo como amputá-los. Quem vê assim, pensa que tenho coisas. E tenho.

Um dos períodos mais deslumbrantes de minha vida foi o que tive na segunda metade dos anos 60, em Pombal, indo dormir à meia-noite e despe...

Lux in Tenebris, 'luz nas trevas' para os amigos

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Um dos períodos mais deslumbrantes de minha vida foi o que tive na segunda metade dos anos 60, em Pombal, indo dormir à meia-noite e despertando às 3, para ler o máximo que pudesse – já que o dia me era todo tomado pelo exercício da subgerência do Banco do Brasil da cidade ... e pela vida em família – Ione e nossos filhos Alexei Dmitri (de 66 ) e Andréia (de 67 ).

João Cabral de Melo Neto tinha uma extrema capacidade de dar vida às coisas em seus poemas. Vejam como ele fala da faca que habita o corpo...

O que me encanta em João Cabral

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João Cabral de Melo Neto tinha uma extrema capacidade de dar vida às coisas em seus poemas. Vejam como ele fala da faca que habita o corpo ou do relógio vivo e revoltoso, também sinônimo de jaulas ou gaiolas. Observem como Cabral educa pela pedra em sua poesia ou faz um monumento à aspirina.

Lutei para manter meus olhos abertos, acreditando que assim sustentaria o coração e o cérebro funcionando. Mantive o tempo que pude, mas s...

Um dia eu morri

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Lutei para manter meus olhos abertos, acreditando que assim sustentaria o coração e o cérebro funcionando. Mantive o tempo que pude, mas sei que ali vivi uma morte.

Tive uma espécie de convulsão por algum tempo, com visões e sensações muito fortes. Cheguei a olhar nos olhos do homem que me socorria e ver e ouvir a voz de Deus que falava comigo. Senti a consistência do meu corpo de forma diferente; parecia uma espuma densa e macia ao mesmo tempo.

Vi-me fora dele.

Quando aqui neste texto eu empregar a palavra “milagre”, não a entendam com alguma conotação mística ou religiosa, estou apenas fazendo al...

Eu, vegano

Quando aqui neste texto eu empregar a palavra “milagre”, não a entendam com alguma conotação mística ou religiosa, estou apenas fazendo alusão às impossibilidades probabilísticas, ou a quase isso. Explico melhor: refiro-me a algo que dificilmente ocorreria ou se ocorresse desafiaria as estatística e as probabilidades.

Vamos lá.

Pense quão difícil é você acertar a sena num concurso de nossa loteria. Marcando seis dezenas sua chance seria 1 em 50.063.860. Já se você marcar 10 dezenas suas chances pulariam para 210 nos mesmos 50 milhões e mais alguma coisa. Mas isso, vemos que toda semana acontece. Então, não podemos ver o concurso de nossa Loteria Federal como algo quase impossível de acontecer.

1 A utopia da igualdade gerou algumas tiranias modernas, como o socialismo stalinista. É raro um ditador que não invoque, para conquistar ...

Do baú

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A utopia da igualdade gerou algumas tiranias modernas, como o socialismo stalinista. É raro um ditador que não invoque, para conquistar o poder, o princípio de que todos são iguais. Esse tipo de pensamento justifica a aplicação de uma diretriz única, confundida com a existência de um único partido. Como pode o Estado, identificado com um partido único, comprometer-se com a diversidade do corpo social? Se for de esquerda, vai demonizar os que têm; se for de direita, vai ignorar os que não têm.

Deus não concedeu a Tancredo Neves exercer em sua plenitude a Presidência da República do Brasil, mas permitiu-lhe, como mínima compensaçã...

Presidente Tancredo: o mandato de apenas 13 dias

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Deus não concedeu a Tancredo Neves exercer em sua plenitude a Presidência da República do Brasil, mas permitiu-lhe, como mínima compensação de tantos esforços, fruir, com todas as pompas pertinentes, a condição de chefe de Estado e de governo eleito por um período de treze dias, o tanto que durou sua viagem internacional antes da posse, no período de 25 de janeiro a 6 de fevereiro de 1985. Foi muito pouco, é verdade, para quem esperara tanto e de quem se esperava muito mais. Entretanto, diante da tragédia que o golpeou entre os dias 14 de março e 21 de abril de 1985, pode-se dizer que foi melhor que nada, pois deu-lhe a oportunidade única de viver, poucos dias antes da morte tristemente anunciada,

Engenho Corredor, em Pilar, Paraíba, berço do romancista José Lins do Rego e um dos marcos da história do Nordeste açucareiro. “Engenho Sa...

O Mundo de Zé Lins

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Engenho Corredor, em Pilar, Paraíba, berço do romancista José Lins do Rego e um dos marcos da história do Nordeste açucareiro. “Engenho Santa Rosa”, na ficção vigorosa de José Lins aclamada em recantos diferentes do mundo aonde chegou, em mais de dez idiomas, a parcela mais vasta dos seus romances, aquela inscrita no Ciclo da Cana de Açúcar.

Ao fundo, resquícios da antiga moita de engenho. O bueiro legendário não mais existe. Foi levado na cheia de 1985 pelo Rio Paraíba que, agora, magro como boi em pasto seco, desliza para o mar com enganosa mansidão.

Sentado do alto da pequena colina pescava vazios espalhados à sua frente. Nos espaços da tela em branco, ia preenchendo com paisagens. In...

Cidade em pinceladas

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Sentado do alto da pequena colina pescava vazios espalhados à sua frente. Nos espaços da tela em branco, ia preenchendo com paisagens. Inicialmente, rabiscou as águas pelo terreno em movimento contínuo, uma lenta procissão com seu tom escuro, pinceladas de ouro e prata a variar o reflexos vindos do céu. Era o largo rio.

Às margens, rápidos toques deram vida a uma vegetação de características próprias, cujas raízes desciam à terra abaixo da lama e da água, conhecedora do fluxo e refluxo das marés, batizada de manguezal. Verdes variados ao longo do dia.

Tendo assumido a APL em 14 de agosto de 1992, Tarcísio Burity era titular da cadeira número 26, que tem como patrono o padre Inácio Rolim....

A política foi a sua Esfinge

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Tendo assumido a APL em 14 de agosto de 1992, Tarcísio Burity era titular da cadeira número 26, que tem como patrono o padre Inácio Rolim. Seu discurso de posse, intitulado Pedro Anísio, foi uma exaltação à atualidade do pensamento filosófico e pedagógico do antecessor que, em 1923, já negava o fator racial como principal determinante do progresso das comunidades humanas. Associando-se, portanto, ao pensamento de Boas, Desmoulins e outros sociólogos modernos.

No começo, tudo era superstição, lendas e religião. Assim era o mundo antes dos gregos do século VI a.C. Como o milagre se deu permanece a...

O mistério do uso da razão

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No começo, tudo era superstição, lendas e religião. Assim era o mundo antes dos gregos do século VI a.C. Como o milagre se deu permanece até hoje um grande mistério. Chineses e babilônios, além dos antigos egípcios, eram mais evoluídos naquela época. Suas civilizações eram mais vastas e pujantes do que a sociedade grega.

Sua tecnologia era superior. Seu conhecimento de matemática era mais profundo e abrangente. Os gregos estavam muito aquém dessas civilizações: não sabiam prever eclipses, não tinham a incrível engenhosidade para construir pirâmides, esses colossais monumentos que até hoje intrigam boa parte dos historiadores e arqueólogos.

Dois soldados, duas guerras, dois textos e dois contextos diferentes. Eis um elo entre Arthur Rimbaud (1854—1891) e Euclides da Cunha (186...

Euclides e Rimbaud

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Dois soldados, duas guerras, dois textos e dois contextos diferentes. Eis um elo entre Arthur Rimbaud (1854—1891) e Euclides da Cunha (1866-1909). O poeta francês, chamado por Verlaine de “Satã adolescente”, por sua vida conturbada, tem um belíssimo soneto intitulado “Le Dormeur du Val” (“O Adormecido do Vale”), publicado em 1870, que encontra eco em uma passagem do Capítulo III de “A Terra”, a primeira parte de Os sertões, livro de 1902, mas que começou a ser escrito a partir de 1897.

PRIMAVERAR Meu peito explode em primavera E tudo se revolve, E sonhos são gestados Em um coração inquieto. Eu gosto de primav...

Brotar em versos, primaverar

PRIMAVERAR
Meu peito explode em primavera E tudo se revolve, E sonhos são gestados Em um coração inquieto. Eu gosto de primaverar. Deixar florir o que há de melhor em mim Brotar em versos, Gestar meu próprio universo.

Não atuei como desejava em minha estreia no canal Youtube. Propus-me participar dos 80 anos da Academia de Letras, na comemoração a que...

As nascentes e os pássaros

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Não atuei como desejava em minha estreia no canal Youtube. Propus-me participar dos 80 anos da Academia de Letras, na comemoração a que a Fundação Joaquim Nabuco se associou, e me vi abafado com meia dúzia de páginas a Tarcísio Burity. Sou movido por lembranças, emoções, e nunca soube organizá-las, na escrita, como um Juarez Batista ou um Celso Mariz, para ficar nos nossos. Nem lembrar José Américo, o melhor deles e de todos nisto de modelar emoções.

Li meu trabalho de voz apagada, quase afônico, eu que sempre tentei me mostrar em público como o antigo revisor de leitura alta de A União, recém-chegado de Campina, lendo as provas tipográficas naquele timbre radiofônico da antiga Rádio Borborema.

Cansaço da idade, acredito que não, pelo menos na voz.

Perdi o tom, uma hora antes da gravação, com a notícia da morte de Clodoaldo Muniz, admiração de infância, da mesma cruzada, do mesmo grupo escolar e, diferente dos outros, preso em si mesmo, contido.

Fomos irmãos dois anos somente, de 1943, quando vim morar na rua principal de nossa cidade, a 1945, quando tive de ficar interno no Pio XI para o admissão, não só ao ginásio, mas ao seminário. Clodoaldo ia também ser padre, por vocação, mas ficou se preparando como pôde, por si mesmo, em Alagoa Nova. Viera do sertão, penso que de Catolé, tangido pela seca.

Meus outros colegas eram para as traquinagens de rua, as safadezas, eu no meio deles. Com Clodoaldo, não, era um menino que pensava, entretinha-se com a cabeça, vendo o mundo sempre bem lá fora, do batente de casa, e aprendendo na escola pública e na cruzada de padre Borges. Aprendemos juntos a ajudar a missa em latim, Teodomiro, o sacristão, na parte prática, D. Antonina, minha mãe, no dizer das palavras do acólito. Minha mãe fora criada por freiras ministradas por um padre antigo da história da terra, o padre Antunes.

Foram apenas dois anos, volto a dizer. Os setenta e seis que a vida veio nos oferecer depois foram de ausência quase completa, um sabendo do outro por ouvir dizer. Ele diácono, não chegara a padre, professor, construtor de colégios e mentor espiritual de duas freguesias, em Campina Grande e Alagoa Nova. A nota de pesar da Diocese expressa seu labor e suas virtudes.

Há um poeta, creio que Rimbaud, de quem gravei de alguma leitura uma exclamação solta, que, por isso mesmo, vem calhar em certas situações: “Como os pássaros e as nascentes ficam longe!”

Eu estava com Raimundo Asfora numa homenagem de Alagoa Nova a Luiz Avelima, poeta e militante cultural de minha terra, ele vendo e lendo tudo de São Paulo, onde se aninhou, quando Clodoaldo me avista no discurso que fazia, merecidamente, a nosso conterrâneo. E sai dele um instante: “Estou vendo daqui o filho de dona Antonina, nosso irmão.” Ora, fazia uns cinquenta anos que não nos víamos. E como o pássaro distante que vinha de longes céus e remotas fontes posar no microfone, não se contém e canta: “Dona Antonina não, corrijo-me, Santa Antonina”.

Engoli o choro, Asfora ombreando-me ao lado, chamando-me ao aperto, para desafogarmos logo depois, no primeiro bar, sem Clodoaldo, que não bebia.

Agora, nesta semana, faltando uma ou duas horas para gravar um pouco dos meus guardados de admiração e amizade a Tarcício Burity, o telefone toca. Avelima, de São Paulo, me dá a notícia, e não teve água com sal que, daí em diante, limpasse meu discurso.

Não é fácil ler a Divina Comédia Abandone toda esperança de leitura fácil, você que adentra o território de Dante . Mas a leitura é algo...

Pequeno guia para se aproximar da Divina Comédia

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Não é fácil ler a Divina Comédia

Abandone toda esperança de leitura fácil, você que adentra o território de Dante. Mas a leitura é algo possível e bom, uma experiência rica. Busque um lugar calmo e silencioso, concentre-se e mergulhe nas palavras e imagens de Dante. Se o seu cérebro anda acostumado a séries infantilizadas e textos que nada lhe exigem, não espere que ele entre em contato com o refinamento de Dante sem que haja algum estranhamento. É natural. Portanto, persista. Você vai se deslumbrar. O modo medieval de entender o mundo está ao seu alcance, traduzido por um grande poeta. Não se prive disso. Leia o micro resumo abaixo e veja, ao final, os links para ler o texto completo, em Português e no original, além de pinturas sobre Dante e sua obra.

No ano passado não me avisaram quando começou a Primavera, mas agora fui avisado de sua chegada pela mudança do vento e da chegada de pequ...

Lua cheia e a Primavera

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No ano passado não me avisaram quando começou a Primavera, mas agora fui avisado de sua chegada pela mudança do vento e da chegada de pequenas flores no jardim suspenso de minha casa.

A Folhinha do Sagrado Coração de Jesus pendurada na parede da biblioteca apontava o dia 22 de setembro como início dessa estação, então comecei a prestar a atenção em flores e o vento da tarde durante minhas caminhadas vespertinas.

A história a seguir me foi contada pelo meu muito querido e saudoso irmão, João Neto. Ele jurava que havia presenciado o “diálogo”, pois e...

Diálogo sertanejo

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A história a seguir me foi contada pelo meu muito querido e saudoso irmão, João Neto. Ele jurava que havia presenciado o “diálogo”, pois estava no assento de número 20. É um retrato da índole do sertanejo, de uma forma geral, e do habitante do Vale do Piancó, de forma especial.

Nos idos dos anos 50 e 60 os principais transportes coletivos para o alto sertão eram o trem e umas poucas companhias interurbanas, que arriscavam seus ônibus em estradas pouco melhores do que carroçáveis.

Um dos muitos livros que li na juventude foi "O ovo apunhalado", de Caio Fernando Abreu. Nem de longe é o seu livro mais conhec...

Precisamos aprender a conviver com o espelho

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Um dos muitos livros que li na juventude foi "O ovo apunhalado", de Caio Fernando Abreu. Nem de longe é o seu livro mais conhecido, mas ainda hoje lembro do conto que falava de um hippie que se sentava numa calçada e, todos os dias, desenhava o rosto de um burocrata engravatado que morava no prédio ao lado. O homem observava tudo e não dizia nada. Apenas passava em silêncio. Depois de algum tempo sua curiosidade virou inquietação. Pediu para ver os desenhos e foi prontamente atendido. A sequência de retratos mostrava o tal engravatado envelhecendo.

Meu enorme amigo Paulo Renha foi quem alertou para o assunto. Num vídeo mandado por ele e que postei durante a semana conta-se a história ...

O hormônio de Deus

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Meu enorme amigo Paulo Renha foi quem alertou para o assunto. Num vídeo mandado por ele e que postei durante a semana conta-se a história de um homem que estava na fila de um drive thru e, ao pagar seu café, disse à caixa que também pagaria o café da pessoa que estava no automóvel seguinte, bem que dissesse a essa pessoa (que ele não conhecia) que ela era querida. Naquele momento o hormônio chamado ocitocina (e que juntamente com a dopamina, a serotonina e a endorfina formam os neurotransmissores da felicidade) foi liberado.

RICHARD AVEDON (1923 – 2004) foi um imenso fotógrafo americano. EZRA POUND (1885 – 1972), um grande poeta,... americano ... preso pel...

Van Gogh, Rei Lear e o Sinal de Caim

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RICHARD AVEDON (1923 – 2004) foi um imenso fotógrafo americano.

EZRA POUND (1885 – 1972), um grande poeta,... americano ... preso pelos Aliados, na Segunda Guerra, por pregações radiofônicas, na Itália, em favor do fascismo.

Bom.

Em 75, o colega José Barbosa, da agência centro do Banco do Brasil, João Pessoa – anteriores cinco anos de seminarista em Roma e grande experiência num escritório de arquitetura do Recife - , ofereceu-me (além de grandes papos) o projeto da casa que construí, na época, no bairro dos Estados, e em que moro até hoje.

- Quanto lhe devo, Barbosa?

Eu tinha dezesseis anos de idade, e isso já faz muito tempo, quando me mudei com minha mãe para Brasília. Meu destino era o hospital Sar...

Eu não queria morrer

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Eu tinha dezesseis anos de idade, e isso já faz muito tempo, quando me mudei com minha mãe para Brasília. Meu destino era o hospital Sarah Kubitschek, um projeto de reabilitação inovador, dirigido por Dr. Campos da Paz, que tive o privilégio de conhecer.

O Sarah nascera como referência em reabilitação e reunia destacada equipe interprofissional, além de técnicas e equipamentos empregados com grande sucesso na Europa e Estados Unidos.

No caminhar da vida muitas vezes nos encontramos diante da batalha entre o coração e o cérebro. São instantes em que nossas decisões são...

Quando o coração vence o cérebro

No caminhar da vida muitas vezes nos encontramos diante da batalha entre o coração e o cérebro. São instantes em que nossas decisões são determinadas por quem vai vencer a luta: aceitaremos a orientação guiada pelas emoções ou o aconselhamento manifestado pela razão? Enquanto o cérebro nos diz que poderemos estar vivendo uma ilusão, o coração está gritando que é importante viver uma paixão.

No alto da montanha, uma copa majestosa e alongada, sobressai acima de todo o verde brejeiro, mas as curvas da Serra do Espinho, não propi...

O Ipê branco

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No alto da montanha, uma copa majestosa e alongada, sobressai acima de todo o verde brejeiro, mas as curvas da Serra do Espinho, não propiciam uma foto que faça jus à sua beleza! Único, exuberante, um tronco ereto serve de suporte, como um cálice, para uma floração branca e breve, que se propaga através de sementes, levadas pelo vento, pássaros e insetos, à uma distância desconhecida.

Fico cada vez mais feliz com a possibilidade de lembrar dos sonhos. Quando acordo, sinto que a espuminha deles já vai se desfazendo, indo ...

Geografia onírica

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Fico cada vez mais feliz com a possibilidade de lembrar dos sonhos. Quando acordo, sinto que a espuminha deles já vai se desfazendo, indo pro limbo da des-memória. Mas vem cá, digo, e espicho o juízo e pego aqui um objeto, ali um sentido, vou dando nó e pegando o próximo, e dou outro nó. Aí vejo o que prendi e tento achar um fio de narrativa. E quando me dá vontade, caço outras literaturas, Kafka, Kerouac, Borges, Hesse e esse povo todo que foi fazendo diários de sonhos. E os amigos aqui que escrevem, que contam sonhos, também. Inveja boa de quem os lembra. Pedacinhos das mil e uma noites forjadas no travesseiro.
André Ricardo Aguiar

Quando as nuvens choravam diariamente, sua copa era frondosa, brilhava; dançava; cantava com as carícias da brisa e o frescor das gotícula...

Mão dupla

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Quando as nuvens choravam diariamente, sua copa era frondosa, brilhava; dançava; cantava com as carícias da brisa e o frescor das gotículas que vinham do alto.

Nos dias como os de hoje, em que o astro rei se faz mais brilhante, exalando todo seu calor, quase insuportável, ela se encontra solitária.

Um lugar de nome Água na Boca Bar e planeta de bar no planeta Minhas Gerais Parte de mim Ficou em Beagá Deixei um scar...

Voltei a ser criança

Um lugar de nome Água na Boca Bar e planeta de bar no planeta Minhas Gerais Parte de mim Ficou em Beagá Deixei um scarpin vermelho Em alguma calçada da memória Enquanto a quadrilha de amor Passou por mim Não era um nem outro Eram àqueles que vivi A mística cult do edifício Maleta O mexido da madrugada Embriagada em mitos arcaicos

Sobre o Grupo Sanhauá Se me questionassem a que se propunha o Grupo Sanhauá, eu responderia: apenas sintonizar a produção poética d...

Meninos, eu vi(vi)!

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Sobre o Grupo Sanhauá
Se me questionassem a que se propunha o Grupo Sanhauá, eu responderia: apenas sintonizar a produção poética da província com a do sudeste do país, o que já consistia numa tomada de consciência – expressão tão cara à época – de que a poesia de então, geralmente edulcorada, cheia de efusões sentimentais, deveria ser combatida através de um discurso antirretórico.

No ambiente de uma biblioteca uma figura-chave é a do bibliotecário. Por esta razão, e considerando os objetivos deste trabalho, faz-se mi...

O bibliotecário como biblioterapeuta

No ambiente de uma biblioteca uma figura-chave é a do bibliotecário. Por esta razão, e considerando os objetivos deste trabalho, faz-se mister apresentar algumas reflexões sobre o papel do biblioterapeuta.

A propósito, vale mencionar a observação de Erica M. Horne (A look at bibliotherapy, 1975), para quem o livro é, ele mesmo, um terapeuta. Os livros podem ser ferramentas valiosas e poderosas para a comunicação quando prescritos cuidadosamente para indivíduos que estão perturbados.

Melancolia e ironia têm em comum a percepção do contraste entre a pequenez do homem e o seu desejo de transcender a si mesmo rumo a uma ...

Melancolia e Ironia

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Melancolia e ironia têm em comum a percepção do contraste entre a pequenez do homem e o seu desejo de transcender a si mesmo rumo a uma experiência do Infinito. Tanto o melancólico quanto o ironista manifestam a consciência do impasse entre a relatividade do indivíduo e o Absoluto a que ele aspira.

Outra característica comum às duas é o combate entre ideia e forma, sentimento e expressão. É através da Forma que o melancólico procura compensar o sentimento de vazio, o vácuo narcísico que lhe compromete a referência autoidentitária. A arte é um sucedâneo do Objeto Perdido, o que dá à criação artística um estatuto de essencialidade e transcendência.

Os dez últimos anos de vida de Belchior, o genial cantor e compositor cearense que tanto impactou a música popular brasileira, foram e co...

Belchior: o mistério do fim

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Os dez últimos anos de vida de Belchior, o genial cantor e compositor cearense que tanto impactou a música popular brasileira, foram e continuam sendo um mistério, mesmo com todas as informações colhidas até hoje pelos que se dispuseram a desvendar o enigma. Um livro recentemente publicado, de título Viver é melhor que sonhar – os últimos caminhos de Belchior, de autoria dos jornalistas Chris Fuscaldo e Marcelo Bortoloti (Sonora Editora, 2021), ajuda muito na compreensão dessa década obscura (2007-2017), mas ainda assim resta muita coisa não esclarecida,

A peça de Sófocles, 'Édipo Rei', mostra o herói homônimo, cujo destino foi matar o pai e dormir com a mãe, pelo menos, essa é a ...

Édipo Rei: onde está o teu complexo?

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A peça de Sófocles, 'Édipo Rei', mostra o herói homônimo, cujo destino foi matar o pai e dormir com a mãe, pelo menos, essa é a história conhecida, inclusive pelo senso comum. Partindo, no entanto, para uma leitura analítica da tragédia, vamos nos deparar com uma complexidade digna do enigma da Esfinge, monstro cuja morte conferiu a Édipo o lugar de tirano, no sentido grego do termo, em Tebas, ao se casar com Jocasta, rainha e viúva do antigo rei, Laio.

O caminhão com a leva de homens, acomodados como podem sobre a carga de postes, dobra a esquina com estardalhaço e sobe, num ronco só, a p...

Agora vai

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O caminhão com a leva de homens, acomodados como podem sobre a carga de postes, dobra a esquina com estardalhaço e sobe, num ronco só, a pequena ladeira na entrada da cidade. Estanca, assim que atinge a parte plana da rua principal, e dele já vai saltando, na iminência do aguaceiro, uma algazarra de capas impermeáveis, amarelas, umas, outras pretas, em busca por qualquer coisa que lhes sirva de abrigo, mas ainda a tempo de ver, à curta distância, a instantânea trilha de fogo seco que lembrou a diáspora luminosa de semáforos na chuva – numa tarde já quase apagada por estranha e precoce escuridão.

Diante do caixa, olhando a capa da edição crítica de A paixão segundo G. H ., que a mão acariciava, enquanto o coração se afogava no tempo...

Refém dos livros

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Diante do caixa, olhando a capa da edição crítica de A paixão segundo G. H., que a mão acariciava, enquanto o coração se afogava no tempo esvaído, as lágrimas começam a descer devagar, mas continuamente. A moça do caixa pergunta-lhe: ​

– Senhor: o que se passa? O senhor está bem?

Enquanto a pergunta o fazia regressar ao instante da experiência daquele momento, sem saber por que, lembrou-se de “Casa tomada.”

Sento, ajusto o corpo, explico como será o corte, o estilo, o formato. A cadeira é reclinável; confortável. É só fazer as orientações bás...

Barba, cabelo e histórias

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Sento, ajusto o corpo, explico como será o corte, o estilo, o formato. A cadeira é reclinável; confortável. É só fazer as orientações básicas, fechar os olhos, relaxar e deixar o profissional das tesouras e outros instrumentos agir. Quero aproveitar o silêncio do salão, interrompido por uma leve música que toca baixinha, saída de uma caixinha estrategicamente instalada em algum esconderijo no ambiente. O estilo, algo tipo de blues/jazz/reggae. Tudo praticamente perfeito.

O barbeiro mal inicia sua missão e eu, paralelamente, quase começo uma soneca. E parto, momentaneamente, para outras paragens, outros tempos, outros corpos. Mas, o silêncio é interrompido. Existem clientes e... certos tipos de clientes.

Uma amiga que não posso dizer da minha mesma idade para não ofendê-la pergunta por que não reedito o meu primeiro livro. Acha que ainda ...

Virou outra coisa

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Uma amiga que não posso dizer da minha mesma idade para não ofendê-la pergunta por que não reedito o meu primeiro livro. Acha que ainda existe algum interesse, mesmo de antiquário, por uma coletânea de 1978.

Boa parte das ‘Notas do meu lugar’ foi escrita para o consumo do dia presente. O dia do jornal.

A magia do silêncio muita gente já esqueceu. Nem se lembra quanta coisa ele tem a nos dizer. Certa vez, andava eu pelas tril...

O silêncio não é mudo

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A magia do silêncio muita gente já esqueceu. Nem se lembra quanta coisa ele tem a nos dizer. Certa vez, andava eu pelas trilhas da falésia, rodeado de beleza e um verdume encantador. Ao passar num arvoredo, meu amigo acenou pra que eu ali voltasse. Sem saber o que seria, fui lá perto indagar. Ao que ele respondeu: “Ouça só essa magia. Que beleza de silêncio”. É claro que escutei muito mais do que ouvi.

O céu era uma vasta abstração sobre Copenhague, na tarde em que o desfile fúnebre saiu de Christiansborg - o concretíssimo castelo que, n...

O enterro do pai de Hamlet

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O céu era uma vasta abstração sobre Copenhague, na tarde em que o desfile fúnebre saiu de Christiansborg - o concretíssimo castelo que, naquela época, era a residência real - o som do tambor angustiado e fundo seguindo o carro em que arcanjos tocavam clarins mudos em torno do enorme esquife. Emocionaram-me o cavalo trotando sem cavaleiro, vindo atrás, a rainha velada, o Príncipe no magnífico luto. Depois do cortejo de nobres, a cavalaria conduzindo centenas de estandartes com todos os esmaltes e insígnias da heráldica danesa. E lá íamos nós, os seres humanos, abatidos, mais uma vez livrar-nos dos despojos (com o processo de decomposição iniciado) de um dos nossos.

Um prédio histórico, no Centro de João Pessoa, a Capital paraibana, remete o visitante a um dos episódios mais tocantes de toda a longa hi...

De escola a palácio

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Um prédio histórico, no Centro de João Pessoa, a Capital paraibana, remete o visitante a um dos episódios mais tocantes de toda a longa história da cidade.

Inaugurado em 30 de março de 1919, com o paraibano Epitácio Pessoa no comando do País, o prédio foi feito para abrigar a Escola Normal então reclamada por mães e pais desejosos da graduação das filhas no curso que a estas garantiria o emprego de professoras tão logo concluído.

Matando o tempo, dou andamento a esta série, cujo primeiro item foi o comentário do livro “Paulo Francis – Diário da Corte”. Agora é a ...

Leituras de quarentena

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Matando o tempo, dou andamento a esta série, cujo primeiro item foi o comentário do livro “Paulo Francis – Diário da Corte”.

Agora é a vez do romance “O DIA DOS CACHORROS”, do escritor paraibano e amigo Aldo Lopes.

A moça que recebe a visita de um anjo truculento e malamanhado, chamado Xandão, e é acometida de uma gravidez imaginária; o homem que vendia caro as partes do seu corpo, pois era detentor natural — dom divino — de preciosos ossos de marfim;

Bom dia a todos que participam desta solenidade, cujo objetivo é dar início às celebrações dos 80 anos de fundação da Academia Paraibana d...

Celebrações do 80º aniversário da APL

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Bom dia a todos que participam desta solenidade, cujo objetivo é dar início às celebrações dos 80 anos de fundação da Academia Paraibana de Letras. Sonho de intelectuais visionários que, através dos tempos, se concretizou na sólida Instituição de Utilidade Pública, reconhecida pela sua positiva e valiosa interferência, na cena cultural da Paraíba.

Para comemorar seus 80 anos, completados no dia 14 de setembro, próximo passado, a APL recebe da Fundação Joaquin Nabuco, destacada instituição cultural nordestina e brasileira, o apoio que siginifica, sobretudo,

Era bem cedo e eu já estava ali agarrado com o folclore do Câmara Cascudo, apreciando cada página, quando lembrei que não tinha lido o jor...

Edição do dia anterior

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Era bem cedo e eu já estava ali agarrado com o folclore do Câmara Cascudo, apreciando cada página, quando lembrei que não tinha lido o jornal de ontem. Não por qualquer lapso, mas uma série de obrigações me impediu o habitué. Não me fiz de rogado e fui salvar o periódico da asfixia de um saco translúcido fechado por um nó muito bem dado.

Em um copo longo, muita água de coco e um pouquinho de uísque, o que lembra? Para mim tem o sabor das antigas festas de quinze anos, qu...

Sabores & odores

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Em um copo longo, muita água de coco e um pouquinho de uísque, o que lembra? Para mim tem o sabor das antigas festas de quinze anos, quando nós, meninos enxeridos (13, 14 anos) dávamos os primeiros passos nas festas de João Pessoa. Por falar em festa de aniversário, que tal pastel de carne com açúcar? É ou não é a cara de festa de criança?

Galinha com aquela “graxa” é a cara do almoço de domingo antigamente. Lá em casa, como brigávamos pelo coração da galinha, minha mãe recortava

Em Grande sertão: veredas , Riobaldo, encaminhando a conversa para o fim, diz a seu interlocutor que “a morte de cada um já está em edital...

Motes em 'Grande sertão: veredas'

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Em Grande sertão: veredas, Riobaldo, encaminhando a conversa para o fim, diz a seu interlocutor que “a morte de cada um já está em edital” (22ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2019, p. 416), corroborando o que já afirmara anteriormente, “Dia da gente desexistir é um certo decreto” (p. 45), e o que dizem os seus jagunços: