O primeiro mestre-escola do Brasil foi o padre jesuíta José de Anchieta. Há quase 500 anos (13 de julho de 1555), chegou ao nosso país nos momentos iniciais, quando todas as terras eram habitadas por nativos e onças selvagens. O jovem missionário embrenhou-se pelas matas virgens, espalhando as pérolas do saber.
30.9.25
Na lírica de Augusto dos Anjos, “Tristezas de um Quarto Minguante” não goza do prestígio de “Monólogo d...
Na lírica de Augusto dos Anjos, “Tristezas de um Quarto Minguante” não goza do prestígio de “Monólogo de uma Sombra”, que tem um valor programático. Também não desfruta da popularidade de “Versos Íntimos”, lapidar soneto em que o poeta, um tanto filosoficamente, aborda a ingratidão humana. Tampouco tem a ressonância de “Os Doentes”, alegoria da nossa condição de seres marcados pela pecha da falta original. É, no entanto, devido à simplicidade, ao registro da solidão em que se encontra o eu lírico e ao vigor com que celebra a Natureza, uma das composições mais tocantes e expressivas do poeta do “Eu”.
29.9.25
A moça da loja de materiais artísticos olhou para a minha lista com uma sobrancelha levemente arqueada. “Só essas cores?” ⏤ perguntou, ...
A moça da loja de materiais artísticos olhou para a minha lista com uma sobrancelha levemente arqueada. “Só essas cores?” ⏤ perguntou, num tom que era mais curiosidade do que crítica. Eu havia anotado um azul ultramarino vibrante, um amarelo ocre terroso e um carmim profundo. Faltavam o branco puro e o preto absoluto, os extremos, os julgamentos fáceis.
29.9.25
Escrever, para mim, é um processo doloroso. Chega a ser excruciante encarar a página em branco do Word , que não se preencherá sozinh...
''Aridez criativa'': reflexões em torno de Santa Teresa, Rachel de Queiroz e Adélia Prado
Escrever, para mim, é um processo doloroso. Chega a ser excruciante encarar a página em branco do Word, que não se preencherá sozinha com palavras, períodos e parágrafos. O cursor pisca como se tivesse pressa; como se me cobrasse, impaciente, pela primeira frase. Essa incômoda barra vertical lembra o tic-tac do relógio a indicar que o tempo está se esvaindo, que o deadline se aproxima.
29.9.25
Poemas vocais é o título do mais recente livro do poeta Raniery Abrantes (Editora Ideia, João Pessoa, 2025), título que traduz perfeita...
Poemas vocais é o título do mais recente livro do poeta Raniery Abrantes (Editora Ideia, João Pessoa, 2025), título que traduz perfeitamente o conteúdo da obra, pois, de fato, são essencialmente vocais os poemas do nosso trovador sousense. O autor, fiel à tradição nordestina do cordel, escreve mais para ser declamado do que lido. O silêncio reservado dos gabinetes e dos quartos não lhe interessa, mas, sim, a fala aberta nos palcos, nas feiras e em eventos culturais de toda ordem, nos quais a palavra proclamada de viva voz seja a condutora de sua personalíssima poesia até o público. Daí ser justo lhe chamar de trovador, um autêntico continuador da rica tradição medieval, ainda hoje cultivada em alguns países europeus e aqui no Nordeste brasileiro, provavelmente vinda das bandas da península ibérica, como tantas outras coisas de nossa cultura lusotropical.
28.9.25
Quer pertença ao indivíduo, quer pertença a algum órgão coletivo, a potestade sempre corresponde à força de uma pessoa ou de um grupo ...
O ativismo judicial, o império da lei e a democracia
Quer pertença ao indivíduo, quer pertença a algum órgão coletivo, a potestade sempre corresponde à força de uma pessoa ou de um grupo para impor a própria vontade e dominar o ambiente social. Nas comunidades primitivas, os mais vigorosos eram os dirigentes. Por isso, o poder se confundia com a força física, sem necessidade de outra legitimação. Contudo, a vida gregária evoluiu. Hoje, somente adquire legitimidade quem exerce qualquer parcela de poder nos limites da legalidade e com o propósito de realizar o bem comum.
28.9.25
Um engenheiro civil que atuou nas frentes de emergência do governo federal durante as estiagens da década de 1970 relatou o caso de um ...
Um engenheiro civil que atuou nas frentes de emergência do governo federal durante as estiagens da década de 1970 relatou o caso de um colega que tentou ridicularizar um sertanejo.
28.9.25
Roberto Guedes, um dos fotógrafos deste jornal, arranca-me da preguiça, do cansaço de quem faz a mesma coisa há setenta anos, e tange-...
Roberto Guedes, um dos fotógrafos deste jornal, arranca-me da preguiça, do cansaço de quem faz a mesma coisa há setenta anos, e tange-me com seu clique aos pináculos mais altos e agudos onde trepa e se deita a João Pessoa de hoje. Não dá para contar os andares. E não há mais a menor possibilidade de ser diferente. Fechou-se o horizonte para quem fica do lado de cá.
28.9.25
“(...) Ambas as entradas do portão de Imgur-Ellil e Nemetti-Ellil, após o enchimento da rua a partir da Babilónia, tinham-se tornado ...
“(...) Ambas as entradas do portão de Imgur-Ellil e Nemetti-Ellil, após o enchimento da rua a partir da Babilónia, tinham-se tornado cada vez mais baixas. Por isso, derrubei estes portões e coloquei as suas fundações no lençol de água com asfalto e tijolos e mandei-os fazer de tijolos com pedra azul sobre os quais foram retratados touros e dragões maravilhosos.
27.9.25
Por quinze anos assinei a página semanal Prisma do Jornal O Progresso de Tatuí . Esta coletânea de entrevistas virou um livro “Prisma”...
Em Trancoso, Cristina Siqueira entrevista Bruna Lombardi
Por quinze anos assinei a página semanal Prisma do Jornal O Progresso de Tatuí. Esta coletânea de entrevistas virou um livro “Prisma” e um blog. Neste trabalho a cidade interagia comigo por meio de entrevistas semanais, mas não só, minha trajetória beat, hippie, easy rider me permitiu realizar as entrevistas onde eu estivesse, do Brasil ou do exterior. E desta época trago a entrevista que fiz com Bruna Lombardi:
27.9.25
“Para viver, temos que nos narrar; somos um produto da nossa imaginação. Nossa memória é um invento, uma história que reescrevemos a ...
“Para viver, temos que nos narrar; somos um produto da nossa imaginação. Nossa memória é um invento, uma história que reescrevemos a cada dia.”A ridícula ideia de nunca mais te ver, Rosa Montero.
27.9.25
Os funcionários públicos representam uma grande parcela da população da Paraíba. Dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro d...
Funasa Saúde tem cobertura especial para os servidores públicos
Os funcionários públicos representam uma grande parcela da população da Paraíba. Dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que eles formam um contingente de 225 mil pessoas empregadas no setor público, seja na esfera Federal, Estadual ou Municipal. Pensando nesse público é que a Funasa Saúde buscou através de vários convênios assistir essa população.
27.9.25
Waterloo , Livro I da Segunda parte de Os miseráveis ( Cosette ), faz a ligação deste romance ao cerne da narrativa, que se concentra ...
Os miseráveis (Segunda parte: de Waterloo ao convento)
Waterloo, Livro I da Segunda parte de Os miseráveis (Cosette), faz a ligação deste romance ao cerne da narrativa, que se concentra na Quarta parte (O idílio da rua Plumet e a epopeia da rua Saint-Denis): o levante de 1832 contra o rei Luís-Filipe, reafirmando a frase de Victor Hugo, sobre o espírito libertário da França, expresso como “o indomável levante francês” contra
26.9.25
Além do amor Do homem E seus desejos Anjos repousam Sobre a pele Dos que sentem A paz é um estado E não está numa Razã...
Além do amor
Do homem
E seus desejos
Anjos repousam
Sobre a pele
Dos que sentem
A paz é um estado
E não está numa
Razão que se mede
Por ter ou dominar
E a liberdade
De fato é dormir sem pesadelos
26.9.25
Começo dos anos 40. Getúlio Vargas no poder e na corda bamba, sem querer decidir quem apoiaria na 2ª Guerra Mundial. Os ingleses descob...
Começo dos anos 40. Getúlio Vargas no poder e na corda bamba, sem querer decidir quem apoiaria na 2ª Guerra Mundial. Os ingleses descobriram que a empresa aérea italiana Lati usava seus aviões em voos Rio/Roma/Rio para contrabandear, principalmente, matérias-primas como diamantes industriais, platina e espiões — para alegria de Mussolini.
26.9.25
Marília Arnaud vem marcando cada vez maior presença na literatura brasileira contemporânea com seus belos contos. Ganhou o Prêmio Novos...
Marília Arnaud vem marcando cada vez maior presença na literatura brasileira contemporânea com seus belos contos. Ganhou o Prêmio Novos Autores Paraibanos – da UFPB – em 1997, com Os Campos Noturnos do Coração, colecionou elogios com O Livro dos Afetos, editado pela 7Letras em 2005, e participou de coletâneas nacionais
26.9.25
A releitura de “Evocação do Recife”, poema de Manuel Bandeira, trouxe-me a constatação do quanto seria difícil a um poeta paraibano com...
A releitura de “Evocação do Recife”, poema de Manuel Bandeira, trouxe-me a constatação do quanto seria difícil a um poeta paraibano compor louvores aos nomes das ruas da sua Capital. Nos versos que o consagraram, Bandeira tinha a seu dispor as Ruas do Sol, da Aurora, do Sossego, da Saudade, da União, da Consolação. E tinha medo de que qualquer delas, ao longo do tempo, fosse transformada em “Dr. Fulano de Tal”.
25.9.25
Durante o período colonial da Paraíba, entre 1585 e 1889, a música sacra cristã foi introduzida nas igrejas por meio do cantus planus...
Durante o período colonial da Paraíba, entre 1585 e 1889, a música sacra cristã foi introduzida nas igrejas por meio do cantus planus, o canto gregoriano. Nos espaços públicos, como vilas e municípios, bandas militares formaram músicos e preservaram festas populares e cívicas. Já no século XX, a música erudita paraibana ganhou destaque por meio de orquestras, grupos de câmara e corais, especialmente com a criação de instituições culturais, educacionais e acadêmicas.
25.9.25
Joaquim e Das Dores, devidamente casados de cartório e altar, geraram quatro descendentes: três maricotas e um machinho. Esses rebento...
Joaquim e Das Dores, devidamente casados de cartório e altar, geraram quatro descendentes: três maricotas e um machinho. Esses rebentos vieram ao mundo nesta ordem: primeiro chegou Laudiceia, seguida de Deoclécia; em terceiro apareceu Valdenora e, puxando a fila, o Joaquim.
25.9.25
Nos dias atuais, a busca por um sentido mais profundo e autêntico na vida tem se tornado uma jornada significativa para muitas pessoa...
A profundidade dos relacionamentos com o Divino na vida humana
Nos dias atuais, a busca por um sentido mais profundo e autêntico na vida tem se tornado uma jornada significativa para muitas pessoas. Este anseio, frequentemente, leva indivíduos a estabelecerem relacionamentos mais íntimos e significativos com Deus. Essa conexão, que vai além das práticas religiosas tradicionais, transforma-se em um alicerce emocional e espiritual,
24.9.25
Agradeço a Josenilda, minha amiga muito querida, e aos filhos — Josephine, Marco Antonio e Luciana — a deferência de me convidarem a f...
Agradeço a Josenilda, minha amiga muito querida, e aos filhos — Josephine, Marco Antonio e Luciana — a deferência de me convidarem a falar nesta hora que não é de despedida, porque existe “uma outra forma de presença”: aquela que não tem fim, enquanto guardamos no coração a pessoa a quem estamos ligados pelo afeto verdadeiro e pela admiração de uma vida.
24.9.25
Não precisamos de mês, nem de cores para combater a depressão. O mês passa, a depressão fica. Precisamos de amigos, empatia, e meno...
“Nunca nos procuramos: como poderia acontecer de um dia nos encontrássemos?”Friedrich Nietzche
A angústia seguinte me espera – eu sei –, mas resolvi me atrasar um pouco e cultivar aquela que ora me afasta do que sou – não mais! Pelo menos a da consciente ideia de que tenho adiado a evolução de um Eu maduro diante do que tenho perpetuado.
23.9.25
As flores amarelas do pau-brasil pendiam nas passarelas da praça, as primeiras a anunciar a chegada da primavera, espalhadas pelo chão...
As flores amarelas do pau-brasil pendiam nas passarelas da praça, as primeiras a anunciar a chegada da primavera, espalhadas pelo chão que pouca gente observava. O dia estava morno e ligeiramente nublado, com nuvens esparsas passeando lentamente. Embora o sol do meio-dia aparentasse mormaço, o frescor da sombra convidava a sentar. Ao redor da praça, o movimento de carros e o dia abafado não conseguiam tirar a suavidade do bailado das pétalas despencando.
23.9.25
A vida é um convite constante ao aprendizado. Desde os primeiros passos, somos desafiados a descobrir, compreender e transformar nossa...
A vida é um convite constante ao aprendizado. Desde os primeiros passos, somos desafiados a descobrir, compreender e transformar nossas experiências em sabedoria. Aprender não é apenas acumular informações, mas desenvolver a capacidade de interpretar o mundo, de nos autoconhecermos e de nos integrarmos de forma mais lúcida e responsável à sociedade e ao Universo. Como nos lembra André Luiz, em Agenda cristã, o primeiro imperativo cristão é: “aprende, humildemente”.
23.9.25
Fazia tempo que eu vinha notando, mas o prudente era fingir ignorância. Durante a época de aulas...
Fazia tempo que eu vinha notando, mas o prudente era fingir ignorância. Durante a época de aulas, tudo bem, foi possível manter-me indiferente. Mas não agora, que longos ócios me obrigam a horas no gabinete. Agora tenho de enfrentar Mirtes e a sua ronha, sua reima de tisanuro roaz.
22.9.25
Há uma solidão que não é feita de quartos vazios ou de noites sem companhia. Ela é mais sorrateira, mais insidiosa. Mora no meio da m...
Há uma solidão que não é feita de quartos vazios ou de noites sem companhia. Ela é mais sorrateira, mais insidiosa. Mora no meio da multidão, no coração da cidade que nunca dorme, no grupo de amigos que ri alto no bar. É a solidão que nasce não da falta de pessoas, mas da falta de conexão. Da absoluta, e por vezes brutal, falta de empatia.
22.9.25
Tudo nele era urgência. Pensava rápido, falava rápido, comia rápido e claro, andava muito rápido. Tinha um ritual eficaz e totalmente...
Tudo nele era urgência. Pensava rápido, falava rápido, comia rápido e claro, andava muito rápido.
Tinha um ritual eficaz e totalmente cronometrado para acordar, tomar banho, se vestir, engolir o café com algum pão requentado como quem engole uma obrigação e sair apressado para o trabalho.
22.9.25
Mais um livro de contos de Aldo Lopes de Araújo dado à luz. Desta vez, com um título que remete à velha estória de João e Maria: Azei...
Mais um livro de contos de Aldo Lopes de Araújo dado à luz. Desta vez, com um título que remete à velha estória de João e Maria: Azeite, senhora avó!, Editora Caule de Papiro, Natal, 2025. Um título extraído do primeiro conto, intitulado Sapatos de vaga-lumes. Os três outros são Como uma horda de selvagens a nos atacar, Cão Maior e A passagem do cometa.
21.9.25
Fui visitar, junto a um grupo de amigas, a exposição do professor, poeta e artista plástico Amador Ribeiro. A entrada da antiga casa d...
Fui visitar, junto a um grupo de amigas, a exposição do professor, poeta e artista plástico Amador Ribeiro. A entrada da antiga casa do artista plástico Hermano José (in memoriam) virou festa e encontros. Amador achou pouco a sua carreira de exímio professor de Literatura, poeta e crítico literário, e agora experimenta a pintura com maestria. Como bem disse Flávio Tavares em sua visita à exposição: “admirável, forte, louvável, uma obra marcante... sua obra entra em sintonia com os grandes mestres: o artista uruguaio construtivista Joaquín Torres García e o cubista francês Fernand Léger.”
21.9.25
Não conheço os trâmites legais para se adotar um camaleão. Mas quase me tornei tutor de um deles. Ele apareceu bem novinho e verdinho...
Não conheço os trâmites legais para se adotar um camaleão. Mas quase me tornei tutor de um deles. Ele apareceu bem novinho e verdinho, um dia, em minha casa. Eu iria chamá-lo de Boy George, por causa do sucesso dos anos 80, “Karma Chameleon”, da banda Culture Club. Refletindo sobre toda a logística envolvida em sua criação e também acerca do perigo que ele representaria para Maria Catarina e Lola, as duas porquinhas-da-Índia do meu filho, desisti da ideia.
21.9.25
Não, o corredor não é o mesmo nem a porta que dava para a diretoria de João Batista Simões. Corredor por onde transparecia a esperança...
Não, o corredor não é o mesmo nem a porta que dava para a diretoria de João Batista Simões. Corredor por onde transparecia a esperança angustiada dos que se valiam e se valem como a última crença, a que vem do Hospital Laureano. Acesso que incorporei aos meus cuidados desde a campanha que comoveu o Brasil com o mártir ainda na cruz, nas últimas doses de fel da doença.
21.9.25
O episódio da Esfinge de Tebas surgiu contado por Hesíodo, poeta grego que viveu no final do século VIII a. C. Hesíodo era um aedo, um ...
O episódio da Esfinge de Tebas surgiu contado por Hesíodo, poeta grego que viveu no final do século VIII a. C. Hesíodo era um aedo, um “cantor”, um poeta oral, em uma época em que o alfabeto ainda não havia aparecido. A deusa Hera punira Tebas colocando nas imediações
20.9.25
"Para se ter uma cidade é preciso estar longe dela." A comarca das pedras , Hildeberto Barbosa Filho . De repente, uma ...
"Para se ter uma cidade é preciso estar longe dela."A comarca das pedras, Hildeberto Barbosa Filho.
De repente, uma vontade de escrever um pequeno roteiro sentimental dessa cidade já meio desaparecida. Relembrar certos lugares repaginados com um novo rosto, nos quais já não há vestígios da minha vida ali. Pois nos lugares ficam impressos gestos dos amigos, modos de viver e modos de ser. O sumiço de livrarias e de um café que frequentava. O vestuário do francês, antes tão singular, passou a assumir o padrão dos demais lugares do mundo. Até os hábitos alimentares hoje são outros. Tamanhas transformações me trouxeram pasmo e desencanto.
20.9.25
Recorrentemente, eu tinha o mesmo sonho: minha mãe Iansã me perseguia, muito brava, com sua roupa antiga, rosa-coral, composta por vári...
Recorrentemente, eu tinha o mesmo sonho: minha mãe Iansã me perseguia, muito brava, com sua roupa antiga, rosa-coral, composta por várias saias engomadas, bordados e com seu filá cobrindo o rosto. Alta, ligeira, atravessava ladeiras e calçadas de calcário, em vias coloniais, atrás de mim.
20.9.25
Li, já há algum tempo, na imprensa on-line , que a Academia Brasileira de Letras decidiu não utilizar a linguagem neutra. Já estava no ...
Li, já há algum tempo, na imprensa on-line, que a Academia Brasileira de Letras decidiu não utilizar a linguagem neutra. Já estava no tempo de a nossa maior instituição tomar uma decisão clara a respeito do assunto. Nada contra quem utiliza a pretensa linguagem neutra. Cada um faz uso da língua como deseja, ninguém irá ser preso por causa disso. O que não pode acontecer é decidir-se, unilateralmente, que o uso será obrigatório,
19.9.25
DO NADA nada, nada e não se afasta anda, anda e não se encontra anda um nada e nada anda nonada!
“– Dormir é bom demais... Ô, doutor, se dormir é tão bom, imagine morrer, hein?” Fui surpreendido com essa brilhante constatação anunciada pelo empresário Índio do Gelo, que acabara de comprar um colchão pelo qual pagara o preço de um carro usado. Na ânsia de demonstrar as maravilhas do colchão novo, disse que ele possuía infravermelho, ultravioleta, massagens, ondas curtas e outras atrações. Acho que exagerou um pouco, mas fechou bem: “– Doutor, o colchão é tão tecnológico que, quando vou me aproximando da cama, já vou fechando os olhos.”
19.9.25
Dica de leitura Título: VIDAS OSCILANTES Autora Leide Freitas
''Vidas oscilantes'', um olhar singular sobre a experiência humana
Ah, as mulheres... Quem vive sem elas? Todas nos têm sido necessárias desde que Adão perdeu uma costela. São, rigorosamente, o propósito e a essência da vida. Saímos dos seus ventres para seus cuidados e solicitudes. Dão-nos os seios, a alimentação, o colo e, quando crescidos, o amor e o carinho nos modos sem os quais não nos multiplicaríamos nesse mundão de Deus.
18.9.25
Publicado em 1972, O Animal Social , do psicólogo estadunidense Elliot Aronson (1932), é uma obra de referência da psicologia social ...
Publicado em 1972, O Animal Social, do psicólogo estadunidense Elliot Aronson (1932), é uma obra de referência da psicologia social contemporânea. O livro realiza uma análise das dinâmicas sociais, propondo reflexões sobre os desafios enfrentados em sociedades marcadas por desigualdades, manipulações simbólicas e ódio. Ele ensina os leitores a reconhecer e resistir a mecanismos de manipulação, contribuindo para a formação de cidadãos mais críticos, e apresenta uma análise dos fatores que influenciam o comportamento humano em sociedade, aliando pesquisas empíricas a reflexões teóricas acessíveis tanto ao público acadêmico quanto ao leigo.
18.9.25
Detesto academia. Sempre detestei, mesmo quando jovem, embora nunca tenha sido jovem de verdade. E também naque...
Detesto academia. Sempre detestei, mesmo quando jovem, embora nunca tenha sido jovem de verdade. E também naquela época nem tinha academia de ginástica, ginástica não, hoje se diz treino, musculação. Fazíamos ginástica na escola e eu odiava. Gostava de esporte; vôlei, handebol.
18.9.25
A arte, em sua essência, sempre foi um reflexo das emoções, das experiências e das complexidades da vida humana. No entanto, o cená...
A arte, em sua essência, sempre foi um reflexo das emoções, das experiências e das complexidades da vida humana. No entanto, o cenário contemporâneo, especialmente após a pandemia, trouxe à tona uma série de questões sobre a autenticidade e o valor da arte em nossas sociedades.
17.9.25
Jorjão foi só Jorjinho, das fraldas aos primeiros fios de barba. Aí virou Jorjão porque passou de um e noventa e ficou parrudo como um ...
Jorjão foi só Jorjinho, das fraldas aos primeiros fios de barba. Aí virou Jorjão porque passou de um e noventa e ficou parrudo como um búfalo. Já o “Capivara” ganhou desde o curso primário, pois os incisivos centrais, aqueles do maxilar superior, na dentição permanente, deram-lhe ares do bicho em questão. Nunca se incomodou com o apodo.
17.9.25
Há 40 anos, em 1985, Biu Ramos (1938-2018) estreou na seara literária com o livro Arca de Sonhos ou Mocidade e outros Heróis . O autor,...
Arca de Sonhos, 40 anos: a polêmica estreia de Biu Ramos na literatura
Há 40 anos, em 1985, Biu Ramos (1938-2018) estreou na seara literária com o livro Arca de Sonhos ou Mocidade e outros Heróis. O autor, que já contava mais de 30 anos de “batente” no jornalismo, notabilizando-se pelas reportagens, colunas políticas e pelas fragorosas polêmicas, revelou ao público uma nova faceta: o Biu Ramos cronista.
17.9.25
No dia dois deste ano, uma mulher simples dirigiu-se, com alguns alimentos, a um mendigo que, fugindo do calor, estava sentado sob uma ...
No dia dois deste ano, uma mulher simples dirigiu-se, com alguns alimentos, a um mendigo que, fugindo do calor, estava sentado sob uma árvore. Era, de fato, um pedinte. Não um infeliz viciado em tantas drogas que estão esmagando seres humanos com os tentáculos da pior das destruições: a do ser.
17.9.25
Por que, mesmo quando temos todos os motivos para estarmos alegres, ainda assim nos alimentamos de uma tristeza aparentemente inexp...
Por que, mesmo quando temos todos os motivos para estarmos alegres, ainda assim nos alimentamos de uma tristeza aparentemente inexplicável? Que melancolia é essa que insiste em se instaurar em nosso ser? Estaremos retraindo a felicidade por medo de perdê-la ou dando vazão à angústia por desejar que esta desapareça? Que vocação irresistível é esta para a dramatização,
M. Obstoj
de chorar no travesseiro, de ouvir aquela música na madrugada, que incorpora a melodia dos nossos desencantos... ou de ler aquela poesia que nos enche de lágrimas?
Que pesadelos são esses que nos imergem na sensação de abandono? Que medo de perder se nos sentimos tão amados? Acionamos o alarme do afeto, porque os laços estão frágeis. Os “amores líquidos”, como diria Bauman, estão sempre escorrendo pelo ralo. É um sinal que soa para nos recordar de que todo sentimento é efêmero, mutável e frágil. Se tudo é tão frágil, então cuidemo-nos mais.
16.9.25
Desejo Os raios Da manhã O som da concha Morta A liberdade Dos peixes no mar E o vento que sustenta As asas dos voantes
A data de 8 de setembro ficará na memória da Academia Paraibana de Letras como o marco dos avanços para perpetuar a obra do poeta Augusto dos Anjos. Essa foi a noite em que a Paraíba reverenciou Augusto dos Anjos; a Lua, que tantas vezes acompanhou o poeta em suas divagações, testemunhou João Azevedo, governador do Estado da Paraíba, postar no papel as linhas de um memorial para a imortalidade da poesia.