A grande reforma urbanística que o barão Georges-Eugène Haussmann promoveu na segunda metade do século XIX, quando era prefeito do Departamento do Sena, setor responsável por administrar a velha Paris, foi planejada sobretudo para atender à intenção do então imperador Napoleão III de dificultar a ocorrência de novos motins. A intervenção, que também tinha como meta transformar a capital da
Georges-Eugène Haussmann (1809–1891), administrador francês que remodelou Paris no século XIX, abrindo grandes avenidas e modernizando a cidade. ▪ Arte: H. Lehmann, 1860 ▪ Musée Carnavalet
França em uma metrópole iluminista, foi tão ampla quanto profunda, a ponto de render a Haussmann o apelido de Artista da Destruição.
Foram drásticas as reformas que provocaram uma imensa demolição de grande parte da cidade para abertura de novas avenidas, largas e panorâmicas — logo chamadas de boulevards – dentro de um novo desenho urbano que realizava o sonho vislumbrado pelo imperador, ao constatar os modernos avanços que Londres realizava ao longo do Tâmisa. Imaginem a inveja que a remodelação de Haussmann causaria em Pedro, o Grande (da Rússia) que ao encomendar projeto similar para São Petersburgo, expressou o desejo de que a então capital russa fosse construída ao nível de uma Paris.
A perspectiva idealizada limitou a altura dos edifícios em 6 andares, conferindo uma unidade paisagística ímpar, marcada pela forma estrelada hexagonal dos núcleos de onde partiam os mais amplos e famosos boulevards do mundo ocidental.
Place de l'Étoile é a antiga denominação da atual Place Charles-de-Gaulle, em Paris, lugar de convergência de grandes avenidas e onde se ergue o Arco do Triunfo. ▪ Foto: E. Rovielo
Tais vias foram guarnecidas por generosas calçadas, convergindo frequentemente para praças, parques e monumentos de extraordnária beleza em obras e recantos como o Arco do Triunfo, o Palais Garnier (Ópera), a Concorde, a Étoile, e as avenidas Rivoli, Foch e Champs Elysées.
Esta unidade proporcionada pela nova malha viária e respectivo gabarito de altura refletiu-se na harmonia estilística de suas fachadas qu apesar de serem em edificações conjugadas, não perderam a grandiloquência almejada na idealização do ousado projeto.
Place de la Concorde, em Paris, marcada por sua arquitetura monumental, pelas fontes ornamentais e pelo obelisco egípcio instalado no centro. ▪ Fotos: Ninara e J. Royan, via Wikimedia
O resultado pode ser degustado pelos apreciadores da arquitetura pelo mundo, que fez do conjunto de frontispícios de Paris um dos cenários mais esplendorosos do planeta. Tudo arrematado com detalhes de apurado senso de estética, minuciosamente dispostos em delicados ornamentos, cornijas, capitéis, molduras, platibandas, águas-furtadas, gradis e chaminés a refletir a essência da refinada arte e cultura dos parisienses.
Fotos: D. Vorndran, K. Bandara e A. Otrębski, via Wikimedia
E assim, a Lutécia medieval, futura capital da França, fundada e erguida em pedra bruta, terminou se esculpindo, moldando com extremo requinte o sólido material usado desde a antiguidade, em suas novas obras enriquecidas com fachadas esculpidas e rebuscadas com requintado bom gosto.
Fotos: L. Macapagal, D. Henry, P. Blaché, via Wikimedia
A metrópole cognominada historicamente de Cidade-Luz, não apenas por questões de iluminação pública e mais pela influência no movimento filosófico-cultural iluminista, evoluiu e se consagrou como tal, reforçando o justíssimo cognome com novos projetos de iluminação de prédios, praças e pontes, que, a cada ano, inovam
e se aperfeiçoam com todos os encantos, em todos os recantos. A luz de “Led” (emitida por diodo), seja em fitas, cabos, spots, guirlandas, balizadores e refletores, se inseriu maciçamente na forma de iluminar a perspectiva exterior e com singular diferencial.
Uma das coisas mais notáveis e apreciadas atualmente na arquitetura são os efeitos que os arquitetos e especialistas em luminotécnica vêm conseguindo obter com a iluminação especialmente focada para valorizar os prédios e cenários urbanos bem cuidados do planeta, em projetos chamados de "Lighting Design".
Embora a lâmpada elétrica incandescente tenha vindo ao mundo através da genial criatividade de Thomas Edison, há pouco mais de um século, ou seja, milênios depois de surgirem os primeiros modelos arquitetônicos, seus efeitos deram um novo conceito à criação arquitetônica. O grande inventor jamais imaginou que sua invenção viria embelezar o mundo de forma tão sui generis...
São impactantes os resultados obtidos com o poder da luz, em decorrência de seu uso nesta nova ciência que progride velozmente, com produtos que não só enriquecem as paisagens urbanas, exteriores e interiores, como também criam alternativas para usufruir ecologicamente da eficiência energética.
com a luminosa magia e seus benefícios, aos olhos e ao planeta.
Já dissemos que “a luz é a roupa de festa com que se veste a arquitetura", e são incontestáveis os êxitos desta roupagem que confere volume, relevo, e valoriza detalhes no jogo de sombras, destacando aspectos que se transformam esteticamente com a correta e bem planejada aplicação.
Nas fachadas, então, pela própria visibilidade compartilhada publicamente, os efeitos da luminotécnica tornam-se mágicos. Arquitetos, urbanistas e especialistas em luz estão promovendo shows de talento e charme nas ruas, nas pontes, nos pórticos, nas sacadas, cornijas e até nas gárgulas e telhados de muitas cidades pelo mundo.
Em Montenegro e na Croácia, onde o turismo progride rapidamente, as novidades dos projetos luminotécnicos impressionam pelos avanços desta refinada “arte” tanto na ambientação interior como no paisagismo externo, sejam em área pública ou privada, com reconhecido interesse do poder municipal que sabiamene tem investido na iluminação de suas cidades.
Dubrovnik, Croácia. ▪ Fotos: E. Hossinger, J. Franganillo, N. Palmero, via Wikimedia
Nos centros históricos preservados, a luz proporciona o destaque essencial aos elementos arquitetônicos mais significativos. Na área central da bonita capital da Eslovênia, Liubliana, foram implementados contornos de luz colorida focada nas bases internas das pontes sobre o rio Liublianika, com resultados extraordinários. Igualmente encantadora é a harmonia que se mantém subsequente nas fachadas de ambas as margens, em que o foco da luminária escondida no lado oposto se direciona em luz pontual ou lavada, destacando o relevo de cornijas, arcos, platibandas e frontões.
Liubliana, Eslovênia ▪ Fotos: J. Franganillo, via Wikimedia
Hoje, além da arquitetura de pedra, temos também avançando, a passos largos, na Arquitetura de luz. O que faria Goethe rever sua frase para "Arquitetura é música petrificada e iluminada".
O Ambiente de Leitura Carlos Romero passou a contar, há alguns dias, com um aplicativo para Android, disponível na Google Play Store. A novidade amplia o acesso aos textos publicados e marca uma etapa importante na trajetória do site, ao oferecer a experiência de uma leitura mais prática, direta e adequada aos dispositivos móveis.
Ao caminhar por parques e bosques, em qualquer lugar do mundo, já nos veio à grata lembrança o poema “A ninfa da floresta”, do sueco Viktor Rydberg, que inspirou seu quase conterrâneo Jean Sibelius, ambos nascidos em terras vizinhas e entre povos que compartilham visceralmente cultura e história. A propósito, esta é uma experiência que tem sido frequente em viagens nossas,
A comunhão é completa. O prazer é total, envolve corpo e alma, e transcende-os além do mais. É como beber água. Não tem gosto, nem doce nem salgado, mas é de um sabor inigualável, cristalino como a cor, inexistente, e tão presente.
A telepatia, também conhecida como "comunicação não verbal profunda", desperta interesse na humanidade há séculos. Trata-se da capacidade de transmissão do pensamento entre duas ou mais pessoas ou espíritos, à distância. Em 1857, após relutar e lutar contra suas próprias convicções, e ser convencido por um amigo a assistir a sessões mediúnicas com as famosas "mesas girantes", o educador francês, Hippolyte Léon Denizard Rivail (Allan Kardec), nascido em Lyon, empreendeu uma série de estudos e pesquisas, teóricas e práticas,
Remontam à era medieval criativas soluções para janelas de fachadas, geralmente desenhadas com três faces, que passaram a ser chamadas, muito apropriadamente, de “Bay Windows”.
A ideia faz jus ao nome, uma vez que a palavra bay, em arquitetura, significa “recanto”, exatamente o espaço guarnecido por esquadrias que o design chanfrado em vértices cria, em sacadas biseladas, a possibilitar maior
"O poema nasce de uma relação indissociável com a música, o que nos autoriza a reafirmar que ele foi feito para os ouvidos, não para os olhos”.
Com este belo adágio, o professor Milton Marques Júnior abriu, semana passada, o grandioso evento — VIII Festival Internacional de Música de Câmara PPGM-UFPB —, sob a coordenação do Professor Doutor Felipe Avellar de Aquino, que homenageou o poeta Augusto dos Anjos sob o epíteto “Um Festival para Augusto”. E Milton acrescentou:
Uma das coisas que impressionam nos países nórdicos, além da extrema beleza, é a ausência de luxo residencial. Obviamente munidos de percepção mais aguçada, quem sabe com olhos de arquiteto, diante da paisagem urbana logo se percebe a inexistência de suntuosidade nas edificações de moradia. Edifícios residenciais verticais, quase não se veem. E as casas, moldadas no estilo escandinavo, são de concepção plástica simples, muitas vezes vedadas com madeira, janelinhas brancas e telhados em duas águas acentuadamente inclinadas.
As formas clássicas parecem eternas. A pirâmide, elemento primordial da Arquitetura que atravessa a História impávida e incólume, nos ensina e instiga a observações mais apuradas acerca da sua origem, essência e significados. É uma forma simples, pura, de geometria sólida, que transmite às nossas emoções estéticas a magia da leveza e do mistério.
A primeira coisa que se experimenta ao dirigir em uma cidade com trânsito disciplinado é o surpreendente nível de solidariedade e educação reinante nas ruas e rodovias. Em nenhuma situação passa-se na frente do outro e, em todas, dá-se preferência a quem precisa ultrapassar. Ao pedestre, então: todo o respeito imaginável!
Quando assistimos a um concerto sinfônico erudito ao vivo sempre me ponho enternecido a refletir: “como é que uma obra dessas pode ultrapassar 100, 200, 400 anos ou mais e ainda hoje ser apreciada com tanta efusão pelo público?"
Muitas obras de Arquitetura pelo mundo não são apenas bonitas de se ver, e sim apreciadas até pelo aspecto lírico que também inspiram sua função. Exatamente por abrigar em seu processo estético objetivos funcionais, a liberdade criativa não se garante por completo na Arquitetura como expressão de Arte. Há diretrizes que moldam não apenas sua forma, mas conduzem sua funcionalidade,
Quando assistíamos às conferências de Divaldo Franco (desde a primeira vez), ficávamos literalmente encantados. Então, perguntava à mudez de minhas incontidas emoções sobre como era possível alguém falar em público com tamanha clareza, eloquência e convicção para expor assuntos tão complexos? A profundidade e a maneira como ele discorria sobre temas com conhecimentos
À medida que se desenvolve a tecnologia, acrescentam-se aos hábitos de viagem muitas curiosidades turísticas às quais vamos nos familiarizando e nos adaptando. Sobretudo nas experiências com outros povos e culturas.
Talvez a impossibilidade de descrever as belezas da vida com precisão fez com que compositores como Richard Strauss, Debussy, Delius e Ravel transcrevessem para a música o que anteviam perante os olhos, a alma e o coração. Ou por concluírem que as palavras são insuficientes para transmitir com merecida fidelidade as emoções que emanavam de sua refinada sensibilidade.
Foi exatamente essa a dificuldade que sentimos ao decolar de Queenstown — sem dúvida alguma, para alguns, a mais bela cidade do mundo — em escrever alguma coisa que se aproxime de tão belas paisagens.
Podemos até despertar certo ciúme naqueles que consideram outros países mais bonitos do que a Nova Zelândia. Mas confessamos que é difícil encontrar, em alguma de nossas lembranças de viagens, experiências tão deslumbrantes como nas três oportunidades que tivemos de colocar os pés nesta ilha isolada do mundo, entre o Pacífico e o Mar da Tasmânia.
Nossa curiosidade pela Nova Zelândia se iniciou através do que deste país paradisíaco se fala mundialmente: Primeiro lugar na lista dos lugares menos corruptos do mundo, um dos mais elevados índices de qualidade de vida e de maior respeito à Natureza.
Povoada pelos polinésios, há centenas de anos, a Nova Zelândia foi "descoberta" por um holandês, chamado Abel Tasman, e, mais tarde, colonizada pelos britânicos, que lá aportaram com o navegador James Cook. Em seguida, nossa curiosidade se consagrou como desejo, quando indagamos a duas amigas historiadoras que eram autênticas globe-trotters, paraibanas das mais viajadas pelo mundo afora, qual era o país mais belo visitado por elas até então. Sem titubear,
a resposta veio rápida, igualmente de ambas: "A Nova Zelândia"! Mais tarde, perguntando a outro amigo, um alemão idem viajante frequente e conhecedor dos cinco continentes, a resposta foi idêntica: A Nova Zelândia. Daí, para a curiosidade passar a desejo e, finalmente, à realidade foi bem rápido, e, em 2008, rumamos à Oceania pela primeira vez.
As impressões trazidas foram tão preciosas que se mantiveram na ala carinhosa das melhores lembranças de nossa memória. E eis que, cinco anos mais tarde, estávamos novamente pelas terras dos Maoris - tribo nativa que veio da Polinésia e lá se firmou em uma grande comunidade. Felizmente, a colonização pelos ingleses se deu em bases, de certo modo, mais amigáveis do que em outros exemplos coloniais, com acordos bilaterais proveitosos, e o resultado é o que se vê no dia-a-dia: harmonia e direitos preservados com respeito às origens e ao agraciado habitat deste belo país.
Passados oito anos, lá estamos de volta àquela verdadeira "Ilha da Fantasia". Viajar para lá é uma aventura multifacetada. Primeiro, pela enorme distância que se percorre dutante 22 horas de voo no total. A opção via Chile é a mais curta, saindo de João Pessoa. São três horas para São Paulo, de São Paulo para Santiago mais cinco, e, de Santiago para Auckland, o destino final e a maior cidade do país, somem-se quatorze. Entretanto, apesar do longo percurso, é um sacrifício que indubitavelmente nos traz inúmeros e prazerosos benefícios. O primeiro, é preciso lembrar, foi poder constatar a sinceridade do que disseram simultaneamente os citados amigos. “A Nova Zelândia é o país mais bonito do planeta”. Ainda que, cá entre nós, possa ser equiparado à Suíça, Islândia e Noruega. Eis uma difícil escolha.
Ilha Sul, Nova Zelândia
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A diversidade de paisagens, que mudam a cada 50 quilômetros, da água para o vinho, ou melhor, dos mares para os lagos, de montanhas para geleiras, de cascatas para gêiseres, é uma das coisas que mais encantam. Qualidade de vida, nem se fala. Serviços públicos impecáveis, trânsito que flui sereno e educado, pouca densidade demográfica e uma noção de cidadania intrinsecamente agregada ao espírito das pessoas, sempre amáveis e sorridentes.
Ilha Sul, Nova Zelândia
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Acredito que o melhor de todas as coisas que lá podemos desfrutar foi a intensa sensação de proximidade com a natureza em seu estado praticamente original. Talvez pelas condições primitivas e intocadas em que se encontram suas florestas e praias como, por exemplo, Kare-Kare, na qual estivemos 3 vezes, sempre com impactante sensação mística de sagrada reverência por aquele mágico lugar de areias negras, montanhas imensas e um mar tão selvagem e exuberante como seria qualquer impressão que se pudesse ter de um retrato de Deus.
A emoção lá sentida possui aspectos que transcendem o deslumbramento visual experimentado ao ver cidades onde a beleza da monumentalidade arquitetônica se exalta acima da paisagem natural. Conquanto exultemos, apaixonados, diante de grandes e históricas edificações projetadas pelo ser humano, o ensimesmamento diante das exuberantes cordilheiras, geleiras, florestas, lagos e cascatas neozelandesas, que permanecem intactas, é imensamente superior.
Lago Ianthe, West Coast, Nova Zelândiacarlosromero.com.br
É encantador constatarmos que ali a humanidade soube se organizar com bem dosados princípios de justiça, respeito mútuo e cuidado com o meio ambiente. Sem o
luxo típico do acúmulo e dos exageros do consumo, e sem a distribuição extremamente desigual dos bens a si concedidos.
Lá, como muito bem disse o cronista Carlos Romero, "o único excesso é o da beleza".