G ermano, meu filho, escreveu, recentemente, algumas considerações sobre o seu avô materno, arquiteto Clodoaldo Gouveia, na Revista Edificar...

Clodoaldo Gouveia na Edificar

Germano, meu filho, escreveu, recentemente, algumas considerações sobre o seu avô materno, arquiteto Clodoaldo Gouveia, na Revista Edificar, muito bem editada por Naná Garcez. Uma revista que, como eu já disse a Naná, “é de ficar lendo”...

A matéria homenageou o meu sogro, que não cheguei a conhecer, pessoalmente. Homem muito culto, diziam que ele botou o nome de sua filha Carmen, minha primeira esposa, justamente após chegar de uma viagem que empreendia na velha Espanha, onde assistiu à “Carmen”, de Bizet.

Era um homem simples. Casou-se com Isaura, minha primeira sogra. Namoro que começou num bonde e que terminou num sólido casamento, do qual nasceram 4 filhos. Três mulheres e um homem.

Meu conhecimento com o grande arquiteto não passou do retrato. Um homem, por sinal, muito elegante, que adorava a filha, Carmen. Tenho o seu retrato, aqui na sala. Bonitão. Carmen tinha a quem puxar...

Clodoaldo Gouveia, que meu filho Germano, não só admira, mas idolatra, transformou a arquitetura da Capital das Acácias com seus belos projetos.

Dizia minha sogra, Isaura, que o grande arquiteto era muito irônico. E bonito, nem se discute.

Germano andou arrolando, no texto da Edificar, as obras que Clodoaldo construiu, aqui. Muita coisa bonita, a começar pelo edifício do Lyceu Paraibano.

Inteligente, sensível, bonito, irônico, Clodoaldo é merecedor de constante homenagem. Minha Alaurinda sugeriu que fosse erigido um busto em sua homenagem. Que poderia ficar ali no mesmo canteiro da Duarte da Silveira, onde já existe um de João da Mata, viu, meu amigo governador Ricardo Coutinho?

Além de um gênio da Arquitetura, que marcou época, nesta cidade, Clodoaldo Gouveia foi um exemplo de bom carácter.

E finalizo dizendo que o que está mesmo me deixando de boca aberta é esta revista Edificar. Um primor de publicação. De cunho técnico, mas, ao mesmo tempo, bastante acessível e bem ilustrada.

N ão gosto muito de domingo. Principalmente, quando estamos viajando. Domingo é triste, com tudo que é de loja, inclusive livraria, fechado....

Gostar de domingos

Não gosto muito de domingo. Principalmente, quando estamos viajando. Domingo é triste, com tudo que é de loja, inclusive livraria, fechado.

E um dos domingos mais tristes e entediados que eu vi na minha vida, foi, certa vez, na cidade de Mainz, pertinho de Frankfurt, na Alemanha, onde mora o nosso amigo Wolfgang Heuser.

Cidade bonita, civilizada, mas triste. Foi lá que vi, acariciei e comi bonitas maçãs. Enquanto preparavam o café da manhã, eu costumava ir com nosso amigo colher maçãs no pomar de seu ajardinado condomínio. Fruta tirada do pé tem outro sabor.

Mainz, aos domingos, vira um cemitério. As portas e janelas fechadas e ninguém na rua. Lembro que, nesta tarde, vi umas mulheres, por sinal bem gordas, conversando em suas cadeiras de balanço. Eu daria a vida para saber o que elas conversavam...

Diante de tanto silêncio, tive vontade de gritar bem alto: “viva a vida”! As mulheres conversavam, era domingo e eu estava com saudade do Brasil, onde ainda não vi mulheres conversando na praça. As alemãs mais velhas são sempre gordas.

Mas, justiça seja feita, Mainz é uma cidade bonita e simpática. Foi lá que nasceu o inventor da imprensa, Gutemberg, cuja casa, que virou museu, eu fiz questão de visitar.

Voltando aos domingos, voltando às mulheres gordas, só sei que diante daquele silêncio, tive vontade de dar um grito brasileiro.

Entretanto, não devemos esquecer de que a vida pede silêncio. Nosso corpo é um exemplo de silêncio. O sangue, na sua corrida permenante, a faz sem barulho.

Domingo à tarde, em Mainz, nunca mais... Mesmo com as maçãs.

Domingo, gosto dele não. O de que gosto mesmo é de uma segunda-feira em Paris com suas livrarias todas abertas e a cultura se espalhando pelas calçadas. A Paris, que meu filho Germano percorreu de bicicleta, desmoralizando a cidade-luz, e ainda mostrou no programa Parada Obrigatória, da RCTV.

G osto de avistar este avião, nesta tarde de sol, deslizando entre as nuvens e me dando muitas saudades daquelas alturas. Observador invet...

Avião na tarde de sol...

Gosto de avistar este avião, nesta tarde de sol, deslizando entre as nuvens e me dando muitas saudades daquelas alturas. Observador inveterado, muitas coisas me chamam a atenção num avião, seja fora, ou dentro dele.

Chama-me a atenção, por exemplo, o admirável trabalho do pessoal de bordo, sempre gentil, servindo às pessoas. Um tratamento de primeira. Não lhe faltam um bonito sorriso e as boas maneiras.

Vez por outra costumo ficar na janelinha, apreciando o avião atropelar as nuvens. Quando não, avistar uma cidadezinha lá embaixo.

Na viagem de avião, também costumo, às vezes, pensar no homem que nos dirige, com sua elegante farda. Comandante, piloto de avião... eis uma profissão que invejo e admiro. A visão do comandante nos dá coragem. Olho-o com respeito. Também gosto de observar as pessoas cochilando.

E a chegada da refeição é um reboliço. Tudo muito estreito, muito apertado, e as aeromoças fazendo de tudo para poder bem servir. Todavia, o negócio é se adaptar às circunstâncias.

E agora, o que é está acontecendo com o avião? Informam que já estamos descendo. Que bom! Por fim, uma descida muito bem executada pelo Comandante, que deve soltar um suspiro quando tudo corre bem.

Dizem que os momentos mais perigosos de uma viagem de avião são a decolagem e a aterrissagem. Pois é na decolagem que os motores do avião usam toda a sua força. E a aterrissagem exige muita habilidade do piloto. Tanto é assim, que, muitas vezes, vemos os passageiros aplaudirem os pousos bem feitos. E a gente fica sem saber se foi de entusiasmo, pela habilidade do comandante, ou de alívio porque chegaram ao solo.

Lembrar que tem gente que morre de medo de viajar de avião. O arquiteto Niemeyer era um. Eu adoro viajar de avião. Ler, descansar, observar, refletir, tudo é bom dentro de um avião, menos os toaletes e a comida.

E is que encontro com alguém que me sugere: “Carlos, escreva sobre as vaquejadas, aquilo é um absurdo!”. E eu digo para mim mesmo, quem sou ...

Vaquejada

Eis que encontro com alguém que me sugere: “Carlos, escreva sobre as vaquejadas, aquilo é um absurdo!”. E eu digo para mim mesmo, quem sou para acabar com uma tradição que nem a ONU acaba? Mas, pensando bem, a estúpida vaquejada está exigindo extinção. E agora, com a recente decisão do Supremo Tribunal Federal, que reiterou a prática como crime de maus tratos, conforme está na Constituição, essa lamentável prática está com os dias contados. E lembrar que até as crianças as assistem...

Um planeta, que já mandou um homem à lua, ainda admitir a malvadeza púbica com animais, por pura diversão, é uma estupidez. É uma barbaridade.

E agora me vem uma interrogação: será que as crianças assistem mesmo às vaquejadas? Será que não é proibido para menores?

Só vi uma vaquejada uma vez na vida, e foi um espetáculo que muito me constrangeu.

Mas, mesmo com a decisão do Supremo, ainda querem continuar com a barbaridade, e o silêncio continua. A ganância perdura. A ONU tem outros assuntos mais importantes para resolver.

Vaquejada, crueldade absurda com animais tão pacatos, puxados com toda violência, pela cauda, para o chão, provocando-lhes quedas violentas, sujeitando-os a fraturas e muito sofrimento. E o diabo é que há quem goste de assistir a tais espetáculos, e que fazem até apostas. Gente que ganha dinheiro, que dá gargalhadas com a queda do animal.

Vaquejada! Acabemos com isso, de uma vez por todas. Com esse barbarismo. A vida merece respeito. Que venha a ONU, que venha o Papa. Acho que vou mandar esta crônica para o Papa.

Abaixo a vaquejada! Os tempos são outros. E não venham justificar dizendo que é uma tradição. Escravizar negros também já foi uma tradição. Canibalismo também já foi um costume, uma tradição.

Respeito, minha gente. Respeito para tudo que tem vida. Respeito para com as árvores, respeito para com os animais.

O Evangelho nosso de cada dia Entrevista sobre o livro Como veio a ideia de lançar o livro com essa seleção de crônicas? Estas crônicas vier...

LANÇAMENTO DO NOVO LIVRO


O Evangelho nosso de cada dia

Entrevista sobre o livro

Como veio a ideia de lançar o livro com essa seleção de crônicas?
Estas crônicas vieram de forma completamente espontânea, quase mecanicamente. Eu não esperava, nem planejei. Fui escrevendo, escrevendo... e depois percebi que eram todas sobre temas do Evangelho. Não foi nada premeditado.

Qual a intenção de dar um sentido prático ao Evangelho?
O Evangelho tem que ser praticado, não pode ficar na teoria. O próprio Evangelho tem um sentido prático. Era no dia-a-dia que Jesus aproveitava para exemplificar, seja com fatos que presenciava, seja com parábolas. E foi dentro desse princípio prático que essas crônicas aparecerem. Das minhas reflexões e observações cotidianas.

Por que a afinidade com a pregação doutrinária?
Desde pequeno que eu admirava o Evangelho. Que na minha vida começou com as preleções de papai, que foi quem mais me incentivou. O Evangelho pra mim foi tudo. Tudo na minha vida. Até hoje.

Qual a relação da obra com o Espiritismo?
Uma relação completa. O livro é todo baseado na Doutrina Espírita, pois só prega a caridade. O Evangelho significa Boa Nova. O Espiritismo é a revelação consoladora, e toda pautada nos ensinamentos de Jesus.

Existem ligações entre a Doutrina Espírita e o Evangelho? O que têm em comum?
Elas têm muito em comum. A Doutrina Espírita tem muito a ver com o Evangelho. Porque é uma doutrina consoladora, que prega a Caridade, tanto que tem como principal slogan: “Fora da Caridade não há Salvação”. E a caridade é o que mais existe no Evangelho.

E sobre a ideia de convidar o Pastor Estevam e Dom Aldo, para o prefácio e a orelha, respectivamente?
Eu diria que foi quase mediúnica. Veio a ideia de convidá-los assim, de repente, intuitivamente, E só sei que me senti muito bem com a participação deles e por eles terem aceitado, porque são homens que eu sempre admirei. Foi uma grande satisfação e que valorizou muito o meu livro. Embora possamos ter maneiras diferentes de pensar ou de interpretar, nós comungamos da mesma doutrina que é a doutrina de Jesus.

Por que a exposição de pintura?
Foi uma ideia de meu filho, Germano, que é admirador do trabalho de Célio Furtado. Aliás, quem primeiro me falou de Célio foi a minha esposa Alaurinda, no tempo em que ele tinha uma coluna n'A União, com crônicas também muito bonitas, na mesma linha de auto-ajuda e reflexões sobre a vida. Então, Germano convidou-o para ser o autor da capa e ele fez um belo trabalho, que retrata a cena de Jesus no chafariz, com a Samaritana. Em uma das crônicas, eu falo sobre esse encontro do Mestre com a mulher Samaritana. A mulher está muito presente na vida de Jesus. Ele valorizou muito a mulher. Só sei que quando o quadro chegou eu telefonei para Célio e lhe disse que estava tão bonito que dava vontade de entrar nele, quando a gente olhava. Foi quando ele disse que a intenção era essa. “Uma capa que convidasse o leitor a entrar logo no livro.”

Na sua opinião, Como Jesus seria recebido no mundo de hoje? O que ele mais reprovaria?
Acho que ele daria meia volta e ia-se embora (risos). O mundo hoje é completamente diferente do que ele pregou. Ele só poderia reprovar. Como reprovou muita coisa do mundo e da época em que passou pela Terra. Hoje se vive num mundo completamente distorcido dos valores cristãos. Esse mundo não é o Evangelho nem a Boa Nova de Jesus. Não prega o amor, a caridade, a responsabilidade pelos atos praticados. Sobretudo a caridade e o amor que é onde estão a compreensão, a tolerância.

Como vê a crescente participação de religiosos na política?
Não vejo nada de mais. Se eles entram na política com boas intenções, desejando contribuir para ajudar ao próximo, se for para uma participação valiosa, uma atuação em benefício da coletividade, não há nada contra. Agora, se forem para a política com outros interesses, é reprovável.

Por que o Cristianismo se dividiu tanto e perdeu a essência ecumênica que caracteriza a mensagem de Jesus?
É natural que isso aconteça, pela própria natureza humana, ainda cheia de distorções, a má compreensão da mensagem de Jesus. Na verdade o grande defeito é do homem, que não sabe se entender.

Considera o seu livro de Autoajuda?
Mais do que de autoajuda. Ele é de alta ajuda. Ou seja, de ajuda coletiva.