A leitura do livroO dilema do porco espinho - como encarar a solidão, de Leandro Karnal, me fez refletir e começar escrever esse texto com o pensamento nos casais que com o tempo começam a sentir a solidão a dois. O "poetinha" Vinícius de Moraes cantava "que é melhor se sofrer junto, que viver feliz sozinho”. Eu me pergunto e também à leitora ou ao leitor, será?
Dominar a crase é como aprender as regras de um jogo: depois que você entende a lógica, não precisa mais adivinhar a jogada. Enquanto o texto anterior focou na "regra de ouro" da fusão entre a preposição e o artigo, neste vamos nos ater aos casos em que a crase é obrigatória, facultativa (opcional) ou terminantemente proibida.
Ela trabalhou desde os treze anos como doméstica. Dedicada. Trabalhou com competência e amor em tudo o que fez. Família humilde. Muitas irmãs, dificuldades, luta. Perdeu uma irmã assassinada pelo marido. Com uma doze. Tiro no rosto. Sabemos bem o que isso significa, a simbologia de uma desfiguração para o feminicídio. Naquela época, nem essa definição existia.
A madrugada silenciosa, sem estrelas, de 31 de julho de 2017 carregou Goretti Zenaide para a eternidade, deixando vazias as manhãs que eram preenchidas quando líamos a sua página no jornal, onde colocava a história de nossa gente. Uma página que continua sendo escrita por outros, porque é a história de todos os seus amigos e admiradores.
Há certas leituras que não nos chegam como mero dever intelectual, mas como um sobressalto da existência. Aconteceu comigo nos anos 90, quando abri O Primo Basílio pela primeira vez. O livro constava na lista de leituras obrigatórias para o vestibular da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), uma daquelas imposições acadêmicas que costumam afugentar os espíritos mais jovens. Mas o que parecia um fardo escolar revelou-se, no virar das primeiras páginas, uma fulgurante paixão à primeira vista. Não apenas por aquele romance em si, mas pela arquitetura literária de Eça de Queiroz como um todo.
Há quem diga que a mente humana tem um estranho costume de encontrar formas onde elas não existem. Enxergamos rostos nas nuvens, figuras nas montanhas, silhuetas nas sombras. A ciência chama isso de pareidolia. Talvez não seja apenas um mecanismo do cérebro, mas um gesto desesperado da alma que deseja preencher vazios.
Dos seus contemporâneos, é provável que reste apenas entre nós Gonzaga Rodrigues, contumaz frequentador do “senadinho”, como alguns chamavam seu gabinete na Praça 1817, sempre ou quase sempre cheio de políticos, jornalistas e amigos, que ali compareciam para o cafezinho e a conversa sobre os acontecimentos do Brasil e do mundo. Uma conversa que, a depender do tempo lá fora, podia ser mais ou menos cautelosa, pois a dura experiência ensinara que até as paredes tinham ouvidos. Não que ali se conspirasse a favor ou
Praça 1817 (Centro Histórico de João Pessoa ▪️ Facebook: João Pessoa Ontem e Hoje
contra nada; ali apenas se jogava conversa fora, sem intenções nem finalidades, salvo ajudar o tempo a passar e construir a impressão ou a fantasia de que, mesmo passivamente, exerciam algum tipo de cidadania, aquela que lhes restara depois do vendaval.
Houve um tempo em que o bem era um segredo. Não porque Deus o escondesse, mas porque os homens ainda não sabiam enxergá-lo. A verdade existia, é claro. Filósofos a perseguiam, sábios a intuíam, iniciados a guardavam como quem protege uma chama frágil do vento. Mas era uma verdade cercada por labirintos, exigindo preparo, linguagem, símbolos e abstrações. A maior parte da humanidade, ainda esmagada pela luta diária para sobreviver, simplesmente não conseguia alcançá-la. Era um conhecimento iniciático.
“Faraó guerreiro, consciente e determinado,
Ostentavas todas as insígnias reais do teu nobre Império.
E trazias impresso no rosto o selo da sorte e do mistério,
Mas guardavas no peito cruel saudade de um rosto amado...
(...) Tutankhamun, Que tão prematuramente partiste.” Arádia Raymon, jornalista, poetisa, cronista e escritora
Uma biografia por Anna Funder
Ed. Companhia das Letras
Tradução: Denise Bottmann
O livro abre com 3 epígrafes:
“O amor sexual ou não é muito trabalhoso”
(Georges Orwell)
“Todos nós inventamos as pessoas que amamos”
(Phyllis Rose)
“Homens e mulheres leem livros para amar mais a vida”
(Vivian Gornick)
Tudo começa quando Anna Funder encontra em um Sebo uma coleção de ensaios e cartas de Orwell de 1968 e diz que gostava muito do autor por sua visão clara do poder e seu humor auto depressivo. Orwell é um dos maiores escritores do século XX seus livros mais conhecidos são A fazenda dos animais e o maravilhoso 1984.
No Dicionário de Aurélio, tratando com eufemismo, conga “é prêmio a que tem direito o proprietário da casa de farinha pelo produto de outrem ali fabricado”. Coisa que deve ter ido buscar no Dicionário do velho Moraes, em paz com o latifúndio e a escravidão.
Dessa vez éramos sete, reunidos à mesa, amigos, apenas amigos, verdadeiramente alguns se chamam irmãos, pois os laços firmes de uma fé fraternal os unem por uma vida. Confesso aqui meu desenfreado interesse nessa reunião mensal, oportunidade única de uma conversa frutífera e onde sempre posso testar algum preparo da gastronomia com irmãos sinceros.
Feliz mês de julho a todos/as! Vou recorrer a um ditado delicioso que aprendi com minha amiga Nina, de João Pessoa: "Meiou, findou!" Traduzindo: metade do ano já foi embora. Agora, sem percebermos, começaremos a ouvir falar em Natal, amigo secreto e panetone. O tempo não anda; ele corre uma maratona. Mas deixemos o calendário descansar um pouco.
A farra do meu cadáver, romance histórico que trata da morte de João Pessoa e da Revolução de 1930 constitui uma obra de grande relevância para a compreensão de um dos episódios mais decisivos da história política brasileira. Ao reconstruir os acontecimentos que cercaram o assassinato de João Pessoa e seus desdobramentos na Revolução de 1930, o autor ultrapassa a narrativa
Cena da Revolução de 1930, que se deu a partir do esgotamento da política do café-com-leite e da vontade de setores do Exército de instaurar um sistema eleitoral sem corrupção nem favorecimento político ▪️ YouTube: Natureza Brasileira
factual para revelar a complexa engrenagem de interesses políticos, paixões humanas, disputas oligárquicas e estratégias de construção da memória.
O argumento de que não se pode comparar uma adaptação cinematográfica com uma obra literária adaptada não se sustenta. Podemos e devemos. Confunde-se, geralmente, comparar o modo de narrar com a comparação com o fato narrado. Sabemos perfeitamente que a literatura narra por palavras e o cinema por imagens, havendo soluções muito boas, em ambas, para se contar um fato. Vejamos alguns exemplos. No Canto VIIII da Odisseia, Odisseus