Foi o que li nesta última quarta-feira, 3, ao abrir a página para chegar de espírito aberto à bem-humorada crônica semanal de Luiz Augusto de Paiva e deparar com o imprevisto, já um mês depois de decorrido.
“Tu me inspiras em teus enigmas. É a incógnita! A esfinge! E assim, te torno começo e fim. Sem saber onde começou e se vai terminar.”
Isabella Blanco
Quando pensamos no Antigo Egito, há uma imagem que geralmente nos vem de imediato à mente: a da grande Esfinge de Gizé que, diz o imaginário popular, toda ela será coberta de mistérios, enigmas e maldições...
Desafios, Conquistas e a Ciência do Bem-Estar no Lar
A família é a primeira escola da alma e o laboratório bendito onde se fundem as sublimes leis da evolução espiritual. Na visão espírita, a família não é um mero acaso consanguíneo, mas um reencontro de corações necessitados de reajuste, aprendizado e, acima de tudo, de amor. Desenvolver relacionamentos saudáveis, cultivar a resiliência e promover a transformação pessoal sob o mesmo teto deixa de ser uma contingência social para tornar-se uma verdadeira ciência da alma: a arte da lapidação mútua.
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Fundamentos da Harmonia
As diretrizes para uma coexistência enriquecedora remontam aos ensinamentos do Cristo e às bases da Codificação. Jesus sintetizou o roteiro perfeito ao exortar: “Tratai todos os homens como quereríeis que eles vos tratassem” (Lucas, 6:31). Em sintonia, os Benfeitores Espirituais esclarecem, em O Livro dos Espíritos (q. 893), que "a sublimidade da virtude está no sacrifício do interesse pessoal pelo bem do próximo. A mais meritória é a que assenta na mais desinteressada caridade". No cotidiano doméstico, essa caridade se desdobra em quatro pilares fundamentais:
• Empatia ativa: prática de uma escuta profunda e genuína em relação ao outro, despida de julgamentos.
• Assertividade: comunicação clara, sincera e respeitosa, estruturada sem agressão ou passividade.
• Autoconhecimento: base principal para reconhecer emoções e regular reações no lar. Dados indicam que o autoconhecimento é percebido como a base fundamental (71,8%) para relacionamentos saudáveis.
• Flexibilidade: habilidade de adaptar perspectivas diante da diversidade de pensamentos e caracteres.
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Desafios do Mundo Moderno e a “Criatura Exata”
No panorama contemporâneo, as pressões externas testam a estabilidade do lar. Na obra Respostas da Vida, psicografada por Chico Xavier, o Benfeitor André Luiz, no capítulo "Conviver", traz reflexões profundas sobre esses embates. Ele nos recorda que a pessoa difícil em nossa intimidade é a “criatura exata” para o nosso progresso espiritual. Sob essa ótica, o conflito deixa de ser uma guerra destrutiva e passa a ser um sinalizador pedagógico, apontando onde precisamos trabalhar a paciência e a empatia. A Comunicação Não Violenta (CNV) corrobora essa visão ao propor que toda agressão é a expressão trágica de uma necessidade não atendida.
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A Lei da Reciprocidade: Suportar para Ser Suportado
André Luiz destaca que é preciso saber suportar as falhas alheias para que as nossas também sejam toleradas na mesma medida. Isso exige a imediata suspensão do julgamento ríspido, pois nunca temos o quadro completo da dor ou das lutas do outro. É preciso imenso cuidado com a “franqueza rude”: ser honesto é um pilar da convivência, mas a franqueza sem empatia assemelha-se a lançar água fervente sobre uma planta. Palavras duras matam o canal de comunicação e destroem o crescimento do outro, em vez de nutri-lo. O convite é para cultivarmos as relações com desvelo, falando sempre com compaixão.
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O Amor como Liberdade e Evolução
O verdadeiro amor liberta em vez de escravizar. Amar de forma superior é ajudar o outro a encontrar a si mesmo e a caminhar, não a nos obedecer. O objetivo da convivência superior é agir por amor e compaixão, nunca por culpa, medo ou obrigação. Para tanto, é fundamental reconhecer e respeitar o tempo de evolução e o ritmo particular de cada membro da família.
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Apertando os Laços
Abençoemos a nossa família, mesmo que nela exista alguém que temporariamente nos magoe. Aproveitemos a bendita oportunidade reencarnatória de esclarecimento e reconciliação, cientes de que, no futuro, se colhe rigorosamente o que hoje se semeia. Que transformemos nossos lares em oficinas de luz e santuários de paz, com almas ligadas e felizes na mesma união, sintonizadas no pulsar de um só coração.
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 4. ed. Brasília: FEB, 2016.
ROSENBERG, Marshall B. Comunicação não violenta: técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais. Tradução de Mário Vilela. São Paulo: Ágora, 2006.
XAVIER, Francisco Cândido. Respostas da Vida. Pelo espírito André Luiz. 12. ed. São Paulo: Ideal, 2012.
O livro Café Morno, de Rosilene Leonardo da Silva, nasce de uma percepção delicada da existência: o instante intermediário das escolhas humanas. O próprio título já funciona como metáfora do estado emocional contemporâneo — nem fervor absoluto, nem frio definitivo, mas a morna hesitação diante da vida. A autora transforma esse símbolo cotidiano numa chave filosófica e afetiva para compreender o sertão, a memória e a condição feminina. A obra venceu o Prêmio Literário José Lins do Rego na categoria conto, consolidando-se como uma das vozes relevantes da nova literatura paraibana.
Entre os estudiosos, é unânime a condição do padre José de Anchieta (1534-1597) como o personagem mais importante do Brasil do século XVI, tendo em vista a obra cultural que desenvolveu e nos legou. Aos 19 anos de idade, ainda um noviço, ele chega ao Brasil para dar continuidade ao trabalho de catequese, iniciado pelo padre Manuel da Nóbrega quatro anos antes, em 1549. Como missionário Jesuíta, sua maior incumbência era a conversão dos índios,
Que Carlos Bilardo era técnico da vitoriosa seleção da Argentina todo mundo sabe. Poucos sabem, entretanto, que ele proibiu seus jogadores de comer frango porque se tratava de um símbolo de covardia e dava azar.
O cotidiano de Aleksei Ivánovitch, protagonista da história, envolve basicamente três movimentos diários: educar os filhos do General, os passeios pelo bonito lugar onde está hospedado e ocupar o resto do seu tempo pensando em seu grande amor, Polina Aleksandrovna, a enteada do General. Paixão por demais intensa, beirando a obsessão. Amor desenfreado e eloquente que ocupa todo o seu ser.
Conversamos, há pouco, eu e um aluno da UFPB, sobre o modelo de jornalismo importado dos Estados Unidos, em 1950, por Pompeu de Sousa, o editor do “Diário Carioca”. A novidade indignou, prontamente, Nelson Rodrigues, uma das grandes expressões da dramaturgia brasileira e, na ocasião, também, jornalista de batente. Nelson e seus colegas escreviam, até ali,
Contam-nos as tradições do Além que, certa feita, aportou nas praias da vida espiritual um fidalgo de cartola invisível e punhos de ferro, ainda convulsionado pelo espasmo daquele domínio que a Terra chama de “honra”. Batia no peito a proclamar sua virilidade, enquanto suas mãos, no plano extrafísico, ainda pareciam rubras com o fluido vital daquela que ele chamava de “sua”. Na ignorância das leis do Espírito, ele acreditava que a destruição do corpo da amada selaria sua vitória definitiva sobre a autonomia alheia, reafirmando uma ilusão de honra que o tempo certamente destruirá.
MONÓLOGO PARA A MORTE
Morte,
quando o seu silêncio interromper
a minha escolha pelo silêncio,
e me impedir de seguir artífice
das contradições humanas frente à beleza,
espero ter forças para fechar os olhos.
Sei que falo para sua indiferença biológica,
mas é no costume da fala
que me mantive lúcido,
vasculhando este simulacro de eternidade
chamado consciência.
A era contemporânea, repleta de avanços tecnológicos, nos oferece uma visão paradoxal sobre a natureza da conexão humana. Em um mundo onde a informação flui em velocidade vertiginosa e onde a comunicação está a um toque de distância, a promessa de proximidade e união se transforma em um labirinto de solidão. As ferramentas que deveriam servir para nos aproximar, muitas vezes, nos alienam,
Já tínhamos ouvido falar de que os islandeses possuíam um respeito admirável pela Natureza. Pudera, com aquele meio ambiente exuberante, preservado e a baixíssima densidade demográfica, a natureza, realmente, é quem fala mais alto nas suas paisagens, inclusive as urbanas.
Sujeito sabido é o Camargo. Dominou seu ofício com tal competência que seus pares, os companheiros na lida do dia a dia, o chamam de mestre. Assim, Mestre Camargo ainda é uma referência entre aquela turma que podemos encontrar jogando conversa fora no mercado de peixes. Fica por ali trocando ideia com a rapaziada que ainda está na lida. Hoje, aos oitenta, já faz tempinho que se aposentou, mas, vez ou outra, cumpre uma jornada para matar a saudade de quando esbanjava saúde e disposição.
No texto anterior, tratamos de paralelismo sintático para observarmos a relação de simetria entre elementos constituintes de uma oração, de um período ou de um parágrafo. Agora, abordaremos o paralelismo semântico, que não se limita à igualdade das funções gramaticais; ele exige a coerência das ideias, o alinhamento das categorias mentais e a afinidade lógica dos conceitos dispostos lado a lado. Trata-se de relacionar textualmente elementos que de fato
Recordo, tantos anos depois, a ansiedade que tive ao rever a madrinha que testemunhou meu Batismo, em maio de 1954, na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, em Serraria. A emoção, naquela manhã de domingo, tomou conta de nós dois. Relembramos tantas coisas familiares. Lembranças reencontradas na memória afetiva do menino sambudo que corria pelo terreiro em cavalo de pau, em corrida de argolinhas.