O homem nasce duas vezes. A primeira, quando chora; a segunda, quando ri. O primeiro nascimento é biológico; o segundo, espiritual. Já...

Riso, humor absurdo, compreensão, sociedade e condição humana
O homem nasce duas vezes. A primeira, quando chora; a segunda, quando ri. O primeiro nascimento é biológico; o segundo, espiritual. Já se disse que o riso é uma forma de afastar a dor. De não se entregar a ela e, ao mesmo tempo, perdoar o que existe de errado, impróprio, impossível na Criação. O riso sela um pacto entre o homem e Deus, que certamente não gosta de quem o recrimina com o desespero. O desespero nega o sentido da vida. O riso o reconhece da única forma como é possível reconhecê-lo – acolhendo sem protesto o absurdo. É o estágio máximo da compreensão.

É impressionante pensar que alguém, há quase dois mil anos, diante da morte de quem amava, escolheu não escrever apenas sobre a triste...

romance grecia antiga
É impressionante pensar que alguém, há quase dois mil anos, diante da morte de quem amava, escolheu não escrever apenas sobre a tristeza. Escolheu lembrar que a vida breve merece ser vivida enquanto ainda há tempo. Com um gesto profundamente humano, deixou palavras para depois da partida de sua amada, através das letras de uma música.

A hipocrisia não envelhece. Ela apenas troca de vestimenta, atualiza o vocabulário e encontra novos púlpitos para pregar. Se há três ...

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A hipocrisia não envelhece. Ela apenas troca de vestimenta, atualiza o vocabulário e encontra novos púlpitos para pregar. Se há três séculos o fingimento moral se escondia sob o terço, as túnicas austeras e os suspiros religiosos nos salões da nobreza francesa, hoje ele se disfarça em discursos inflamados nas redes sociais, discursos corporativos sobre empatia e posturas virtuosas que duram exatamente o tempo de gravar um vídeo curto. Mudaram os cenários, mudou a tecnologia, mas o tipo humano continua assustadoramente o mesmo.

Uma medalha (ou um título honorífico) nada vale por si mesma. Algumas são encontradas para vender em antiquários, ao alcance de qualqu...

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Uma medalha (ou um título honorífico) nada vale por si mesma. Algumas são encontradas para vender em antiquários, ao alcance de qualquer um por um certo preço, como quase tudo neste nosso mundo vulgar e venal em que o dinheiro pode, em tese, comprar quase tudo, até amor verdadeiro, como bem disse o genial Nélson Rodrigues. Mas não tudo. Algumas coisas, nem Elon Musk pode comprar. Ainda bem.

No último capítulo do romance S. Bernardo , o personagem-narrador Paulo Honório, através de um bem urdido monólogo interior, lamenta o...

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No último capítulo do romance S. Bernardo, o personagem-narrador Paulo Honório, através de um bem urdido monólogo interior, lamenta o que foi a sua vida e confessa:

Numa antiga fábula atribuída a Esopo, um homem vê sua carroça atolada e, em vez de pôr os ombros na roda, pede auxílio aos deuses. O...

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Numa antiga fábula atribuída a Esopo, um homem vê sua carroça atolada e, em vez de pôr os ombros na roda, pede auxílio aos deuses. O homem olha para o céu quando deveria olhar para a roda. É uma imagem da condição humana. Passamos boa parte da vida esperando que alguma força exterior nos retire da lama, quando a primeira providência necessária é simplesmente empurrar.

O minarete é uma torre geralmente localizada num dos cantos do complexo da mesquita, sendo, geralmente, o ponto mais alto, não só d...

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O minarete é uma torre geralmente localizada num dos cantos do complexo da mesquita, sendo, geralmente, o ponto mais alto, não só da mesquita, mas também de toda a região em que se situa. Embora seja de se considerar a inspiração persa-bizantina na construção dos primeiros minaretes, as mais antigas construções encontram-se no Cairo, mais precisamente na Mesquita Amr Ibn Al-As, fundada em 642 d.C.,

Um livro que nos faz refletir sobre grandes acontecimentos da vida. Nos lembra da beleza que habita os gestos mais simples. O Mundo Se...

mundo segundo nina marta lourente
Um livro que nos faz refletir sobre grandes acontecimentos da vida. Nos lembra da beleza que habita os gestos mais simples. O Mundo Segundo Nina, de Marta Lourente, pertence à segunda categoria, e talvez seja justamente por isso que se torna tão especial.

A propósito do aniversário no último 5 de agosto, recorrentemente me pergunto quantas Parahybas existiram de 1585 até hoje. Refiro-m...

A propósito do aniversário no último 5 de agosto, recorrentemente me pergunto quantas Parahybas existiram de 1585 até hoje. Refiro-me à Parahyba Capital, antes Cidade da Senhora das Neves, sucessivamente Filipeia, Frederica, Parahyba e, finalmente, João Pessoa. Quantas João Pessoa terão existido desde que aqui cheguei, há 75 anos?

Muito se tem falado no recente filme de Christopher Nolan, A Odisseia . Note-se a forma como escrevi "odisseia" no título...

Muito se tem falado no recente filme de Christopher Nolan, A Odisseia. Note-se a forma como escrevi "odisseia" no título – com letra minúscula. No caso, é um "caminho tortuoso". Não o título do poema ou do filme.

Muitas pessoas me perguntaram se eu iria ao cinema para assistir "A (tal) Odisseia". Não pretendo, mas também não gosto de dizer a palavra "nunca". Estudantes de Letras, Filosofia e Psicologia saberão que A Odisseia faz parte

Antes de tudo, é preciso reconhecer que Memorial do Esqueleto e outros contos , de Aldo Lopes de Araújo, confirma a maturidade de um do...

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Antes de tudo, é preciso reconhecer que Memorial do Esqueleto e outros contos, de Aldo Lopes de Araújo, confirma a maturidade de um dos mais consistentes contistas da literatura paraibana contemporânea. A coletânea reúne treze narrativas nas quais o sertão deixa de ser apenas um espaço geográfico para converter-se numa dimensão simbólica, onde memória, violência, superstição, humor, poder e morte coexistem sob uma atmosfera de permanente estranhamento. A escrita de Aldo é econômica, precisa e avessa ao excesso ornamental, alcançando grande densidade por meio da sugestão e da construção rigorosa da linguagem.

Da Série: Deixemos Homero falar (Parte IV) Quais foram as causas da Guerra de Troia? Troia existiu? A princípio, podemos dizer que ...

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Da Série: Deixemos Homero falar (Parte IV)
Quais foram as causas da Guerra de Troia? Troia existiu? A princípio, podemos dizer que existiram muitas “Troias”. A arqueologia, a partir da obstinada busca de Heinrich Schliemann, documentada em livro, desde 1869 (Ítaca, o Peloponeso e Troia: pesquisas arqueológicas, São Paulo, Ars Poetica, 1992), chegou a catalogar a existência de nove cidades superpostas, sendo a Troia VIIa aquela que, possivelmente, serviu de base aos poemas homéricos, por ter sido a única destruída por um incêndio.

Fim de tarde. Meus pés pisam as folhas úmidas enquanto caminho na mata fechada. Desvio das urtigas, esmago saúvas e sinto o cheiro ...

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Fim de tarde. Meus pés pisam as folhas úmidas enquanto caminho na mata fechada. Desvio das urtigas, esmago saúvas e sinto o cheiro da baunilha no ar abafado. Piso com cuidado, atenta aos ruídos. Ela me espreita. Ouço seu respirar leve e quase posso ver o sangue que lhe pulsa nas têmporas, inundado de urgências. Ela está aqui, eu sei. Ergo a cabeça e farejo o ar. Atrás! Volto a cabeça para o filho que caminha a um passo de mim e tento avisá-lo. Tarde demais. O bote é certeiro, exato. Mal vejo uns olhos amarelos e manchas no pelo, e a musculatura poderosa já desaba sobre o pequeno, sem tempo para um grito. As presas se cravam no pescoço fino e a fera desaparece com ele em meio às folhas grandes como sombrinhas. Um uirapuru pia ao longe.

Eu adoro a imaginação dos gregos e a sua devassidão na criação do possível e do impossível. Adoro Anthony Quinn e Aristóteles Sócra...

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Eu adoro a imaginação dos gregos e a sua devassidão na criação do possível e do impossível.

Adoro Anthony Quinn e Aristóteles Sócrates Onassis. Eles não eram Zeus, mas pareciam tão improváveis quanto Prometeu, Empédocles, Pitágoras e Platão. Os gregos começaram cedo a indagar como percebiam o homem no universo: os números, a água, o fogo, o ar, a terra, a maldade, a hipocrisia, o amante da boa vida, a sexualidade do animal e o guerreiro feroz.

Não é, mas digamos que seja Pedro o nome no registro do rapaz. Sua mãe, minha amiga de longa data, me fez o pedido: “Pedrinho é a enca...

romance despedida
Não é, mas digamos que seja Pedro o nome no registro do rapaz. Sua mãe, minha amiga de longa data, me fez o pedido: “Pedrinho é a encarnação da tristeza. Conversa com ele porque o pai não serve para isso”. Combinamos um almoço e, na data marcada, ela me veio, também, com o marido. Passados uns 40 minutos, sugeri que descêssemos à área de lazer do prédio para o bate-papo regado a vinho, ou cerveja, ao ar livre. Mas apenas eu e o moço triste entramos no elevador em busca da churrasqueira sem uma viva alma, até então. Havíamos combinado eu e ela, reservadamente, que assim seria.

O idealismo mágico é uma concepção filosófica e poética desenvolvida no final do século XVIII pelo escritor, poeta e filósofo alemão G...

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O idealismo mágico é uma concepção filosófica e poética desenvolvida no final do século XVIII pelo escritor, poeta e filósofo alemão Georg Philipp Friedrich Freiherr von Hardenberg (1772–1801), mais conhecido pelo pseudônimo de Novalis. Nessa perspectiva, a magia não é entendida como um fenômeno sobrenatural, mas como a capacidade de mobilizar a imaginação e a vontade em sintonia com as emoções para transformar a realidade. Essa concepção propõe uma integração entre filosofia, ciência, religião, arte e literatura, compreendendo esses campos do conhecimento como expressões complementares de uma mesma busca pela compreensão e pela transfiguração da experiência humana.

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