Os poemas homéricos, como tantos outros em civilizações várias, nasceram da oralidade e nela permaneceram por dois séculos. Nasceram num mundo cujo momento histórico é designado como arcaico, não por ser velho ou por ser obsoleto, mas pelo fato de que era um mundo do princípio, da origem, significado do termo arqué (ἀρχή), em grego. A época arcaica, a que se refere a História, diz respeito ao início da escrita alfabética, que se criou, no mundo ocidental, com o empréstimo do alfabeto fenício pelos gregos, ao qual foram acrescentadas as vogais, de modo a permitir uma prolação mais suave e melódica, em oposição a uma prolação predominantemente ríspida e gutural.
Vivemos em um tempo que nos estimula a reagir rapidamente, mas nem sempre a pensar profundamente. Informações chegam a todo instante, opiniões se multiplicam e decisões precisam ser tomadas em meio à pressa. Nesse cenário, discernir tornou-se uma necessidade essencial. Para o Espiritismo,
E graças a Deus por isso. Nada a ver com ser homem; trato dos comportamentos que foram evoluindo ao longo do tempo. Antigamente, cumprimentávamos os amigos com tapas nas costas. Uma brincadeira estúpida. Passamos a apertar as mãos, e é muito comum, hoje em dia, dois amigos darem um abraço. Quando a amizade é grande, chega-se mesmo a dar um beijo na face. Calma, ainda vai chegar na turma dos abraços; é só uma questão de tempo. Por acaso, isso tirou uma casquinha da “dignidade” masculina?
Quem pergunta corre o risco de se tornar inconveniente, um chato: ou porque não entendeu, ou porque entendeu demais e resolveu questionar o porquê.
Algumas perguntas são bem recebidas. Outras atravessam anos sem resposta. Há aquelas que parecem simples, mas escondem tantas variáveis que exigem tempo, pesquisa e disposição para olhar além do que está à vista.
Meu amigo de infância não esconde a irritação com o primeiro filho, aquele que lhe deu três netos. Pois não é que o primogênito o encarregou de explicar ao de seis anos como os bebês se formam e aparecem no mundo? “Avô não foi feito para essas coisas”, resmungou meu velho amigo na conversa em que tratamos do assunto. Missão recebida, contou-me que, de início, pensou em recorrer às cegonhas, disso desistindo, porém, ao atinar que essa história não seria acreditada por netos digitais. Convencia, isto sim, os analógicos que ele e eu um dia fomos, pelo menos,
Entre o documento e a experiência estética, a fotografia de Antônio David constrói uma poética da atenção, memória e descoberta. João Lobo ▪ Lisboa, agosto de 2026
Há uma diferença fundamental entre olhar e ver. Olhar pode ser apenas a incidência do olho sobre alguma coisa. Ver implica disponibilidade, abertura ao que ainda não se revelou inteiramente. Entre ambos existe um intervalo, um espaço de suspensão no qual a imagem acontece. É nesse intervalo que situo a obra de Antônio David.
Tinha acabado de usar o toalete e, ao sair, percebi um rabo fino debruçado por trás da tampa da bacia sanitária. Aproximei-me e constatei, assustado: era o rabo de uma cobra! Ufa! Por pouco não fui picado, pensei, e em que lugar!...
Em um tempo em que as ideias fluem como rios caudalosos e a diversidade de intelectuais se multiplica, somos convidados a refletir sobre a condição do diálogo humano. A era digital, com suas inúmeras vozes, nos apresenta um panorama fascinante, repleto de oportunidades, mas também de desafios profundos. Este é um convite à contemplação sobre a natureza da comunicação e o significado do entendimento mútuo.
Lá bem para trás nos tempos, em minha transição do final de adolescente para adulto, namorei Miroslava. Precisavam ver que criatura. Era polonesa e linda que só. Ruiva e com os olhos que pareciam duas esmeraldas. Tive que gastar muita conversa para que essa polaquinha me concedesse o privilégio de engatar um namoro como mandava o figurino daquela época, cheio de dificuldades para quem andava com os hormônios pululando, como era o meu
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caso e suponho que os de Lavinha também. Isso mesmo, gastei todo o repertório de blá-blá-blá de que eu dispunha em estoque, já que estava eu muito longe de ter um porte apolíneo. Magrelo, míope e com mais algumas imperfeições que dificultavam o sucesso em minhas intenções. Mas que a conversa deu certo, isso deu.
O doutor da cidade não conseguiu identificar os quatro homens montados a cavalo em frente da sua casa. Estava aparentemente intrigado e perguntando a si mesmo quem poderiam ser aqueles visitantes. Suspeitou, pelo comportamento deles, não serem pessoas pacíficas e, ao indagar se queriam consultas, responderam que não queriam nem receitas nem consultas.
“Não preciso fazer terapia, não adianta, isso é coisa de gente fraca.” “Eu tenho amigos, se é só conversar com alguém.” “Problema todo mundo tem; basta ter força de vontade.” “Minha terapia é a minha fé/igreja”. Essas e outras frases são comumente pronunciadas, quando alguém sugere iniciar uma psicoterapia. Elas reproduzem a ideia equivocada de que o sofrimento psíquico deve ser enfrentado apenas pela força individual, ou sem ajuda de um profissional qualificado. Isso ocorre porque a maioria das pessoas
Poetas quase sempre exaltam as árvores, porque estas carregam energia e beleza que inspiram a poesia e as artes.
Um exemplo é o poeta Augusto dos Anjos (1884-1914), que cantou as dores do tamarineiro existente no Engenho Pau-d’Arco, no município de Sapé (PB), onde nasceu, que resiste às intempéries e à sanha do homem.
Para Bebé e Claude, irmãs queridas e companheiras de viagem
Doze anos de saudades de Copacabana, princesinha do mar. Amo a cidade do Rio de Janeiro. Desde adolescente que por lá visito. Familiares, amigos, memórias de anos e anos da vida adulta. Passeios, encontros e reencontros. Umas férias inesquecíveis nos meus 15 anos. E da minha primeira subida ao Corcovado. Meus olhos nunca couberam naqueles braços. O mar gelado, a paisagem linda dos morros; as boutiques,
Mstislav Rostropovitch /// Ana Adelaide Peixoto (aos 15 anos)
em tempos em que o Rio ditava a moda; a lua de mel no apartamento, no Catete, do artista plástico Hermano José; o show de Mercedes Sosa, o dos Secos e Molhados. Paquetá, A Ópera do Malandro, Rostropovich e o seu violoncelo no Municipal; o Bar do Lamas; o Amarelinho e o frango à passarinha; as camisolas modernas do meu enxoval do Amor Perfeito; o samba do Rio Scenarium; o Morro da Viúva e o som do piano do amigo Gui Faulhaber; a Barra da Tijuca e a família Bruno; ou o do amigo Zé Palhano, na Visconde de Pirajá, e o contato com as relíquias de Drummond; o também da amiga Clélia Pereira, que me hospedou por algumas vezes e me levou ao aeroporto de moto, eu de mochila nas costas, rumo ao Peru, aventura na veia!; o restaurante Natural, enfim... um carrossel de vivências de que eu estava saudosa.
As frequentes referências de Augusto dos Anjos à ciência levam muitos leitores a classificá-lo como um “poeta científico”. Essa designação é, contudo, bastante inapropriada. A ciência busca a objetividade e procura descrever os fenômenos independentemente das emoções, crenças ou experiências do observador. O discurso científico tende a apagar a presença do sujeito para privilegiar a observação dos fatos e a formulação de leis gerais. Em Augusto essa possibilidade é desmentida pelo próprio título que ele deu ao seu único livro, surgido em 1912: “Eu”. Mesmo quando aborda temas universais, ele parte de uma consciência que sente e recria a realidade.
Há mortes que não acontecem de repente, que não passam por silêncio de velório, nem flores, nem despedidas. Algumas acontecem lentamente, quase sem que percebamos. Entre elas está a morte dos valores e das virtudes.
Existe uma melancolia peculiar em olhar para trás e fazer o inventário da própria vida. Ao longo da minha existência, se for colocar tudo no papel com a frieza dos números, o saldo parece insignificante: não consegui juntar dinheiro, fiz apenas um ou dois amigos de verdade e devo acumular uns cinco ou seis desafetos pelo caminho. Se vivi o amor? Prefiro crer que sim, porque ao menos nisso a minha alma precisa se agarrar para dar sentido aos anos que se acumularam.
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Mas, se as finanças e os afetos humanos deixaram lacunas, há um território onde sou desmedidamente abundante: os meus livros. Tenho livros aos montes. E, ainda assim, a sensação incômoda é a de que sempre são poucos.