Ler é uma das maiores habilidades que o cérebro humano é capaz de desenvolver e nós desenvolvemos diversas competências através da leitura. Isso pode ser comprovado a partir da obra “O cérebro no mundo digital – os desafios da leitura na nossa era”, de Maryanne Wolf (Contexto, 2019, 256 p.). A autora, neurocientista e psicóloga
Esse é o nome de um quarteirão, ou alguns, em Tambaú, reduto que foi o lugar da juventude nos anos 80. Lugar de boemia, de encontros e transgressões. Lugar onde também pontos de cultura e comportamento se estabeleciam. O Bloco das Virgens, no Bar do Convívio, é um exemplo. Bares como o Boiadeiro, Travessia, O Quintal, o Peniqueiral, o Bar da Xoxota, o Do Meu Cacete, o Do Pau Mole (vale conferir os nomes!) e tantos outros. O Última Sessão, que depois virou O Apetitto (sede do Bloco As Piabas, posteriormente), com seus pratinhos nas paredes. As calçadas cheias de jovens.
Praia de Tambaú, anos 70, em J.Pessoa-PB ▪️ Instagram: @joaopessoabrasil
A Peixada, o Chinês, a Lanchonete Natural, e a boemia correndo solta. O Empório Café fez e faz onda ainda. Ricky Mala, Suzy Lopes e seus Saraus Poéticos, e Toinho Matos, que também movimenta o Carnaval. Tudo junto mesmo.
Trago muitas lembranças do lugar onde nasci, algumas boas e outras nem tanto. Se a terra dava comida e agasalho, a cultura esbarrava na dificuldade de acesso ao livro.
Fernando Pessoa definiu a quadra como “um vaso de flores que o Povo põe à janela da sua alma”. Com isso, destaca o caráter popular dessa espécie poética surgida na Idade Média. Ao mesmo tempo, enfatiza-lhe o aspecto confessional. Expor a alma como flores numa janela é mostrá-la ao mundo, com a delicadeza de suas pétalas, e ao mesmo tempo aliviar o espírito graças ao arejamento que esse ato produz.
Dizem que Clara tinha um termômetro dentro do peito. Não daqueles de mercúrio, prateados e precisos, mas um daqueles antigos, de líquido azul, que oscila com lentidão, sensível até à sombra de uma nuvem. Enquanto a cidade fervia em seus extremos, nas correrias matinais, nas buzinas iradas, nas euforias das notícias bombásticas, ela se movia com uma cadência que parecia de outro século.
Continuando com nossas histórias reais, hoje trazemos a figura de Fellicia Tourinha, apontada como bruxa por Domingas Jorge, que há exatamente 433 anos (28.11.1594) compareceu à mesa do Santo Ofício, mais especificamente da Primeira Visitação do Santo Ofício (1593–1595) às capitanias de Pernambuco, Itamaracá e Paraíba.
O Itamaraty sempre foi o maior celeiro de talentos intelectuais do Brasil ao longo da história. Também pudera. Seus quadros eram tradicionalmente recrutados dentre os membros da elite brasileira (não necessariamente elite econômica, mas elite), uma tribo que possuía a melhor formação cultural do país, geralmente filhos de diplomatas, alunos dos melhores colégios, viajantes contumazes e poliglotas, e, após a instituição de concurso público para a carreira, dentre a meritocracia nacional, dadas as naturais exigências do processo seletivo. Ou seja, de uma forma ou de outra, até os dias de hoje, o Itamaraty tem contado, em termos de recursos humanos, com o que temos
Um amigo cubano me contou a história do seu primeiro emprego. É uma daquelas experiências que não se explicam apenas pela lógica, mas que despertam esperança e confiança de que Deus age nos detalhes da vida.
No céu alvo das primeiras horas de Sol, o bom dia é para a Lua inteira no firmamento à oeste em fim de jornada, indo se deitar. O horizonte lembra outros que já encontrei, como o que me veio cumprimentar ao amanhecer de uma outra quarta-feira na mineira Tiradentes e seu calçamento de pedra sábado, suas montanhas e acolhimentos. É meio de semana e assim como os demais dias, incluindo os feriados, sábados e domingos, é útil.
No último dia dois de fevereiro, a Livraria A União - Poeta Juca Pontes, no Espaço Cultural, foi cenário da Celebração das Letras — evento organizado pela Empresa Paraibana de Comunicação (EPC), em homenagem aos 133 anos do jornal A União e aos três anos da Livraria A União.
De boca em boca, o ‘boi-da-cara-preta’ ganhava corpo e presença constante na memória sertaneja. Os que vinham de fora ouviam os adultos murmurando sobre a sua sombra na escuridão. Nas rodas de cordel, falava-se em rimas, versos e estrofes de cantorias de seus maus feitos e encantamentos. Entre o povo, corria a história de um par de chifres curvados, cuja forma ninguém ousava decifrar. Murmurava-se que eram como punhais cravados numa testa amaldiçoada. Os ditados populares e a sabedoria transmitida de pai para filho instruíam acerca de perigos.
O Poema de Parmênides, também conhecido como Sobre a Natureza, constitui um dos marcos fundadores do pensamento filosófico ocidental. Escrito em versos hexamétricos — forma tradicional da poesia épica grega —, o texto apresenta uma singular fusão entre linguagem poética, mito e especulação racional. Essa escolha formal não é acidental: Parmênides escreve no limiar entre dois mundos — o da tradição mítica arcaica e o da filosofia nascente —, fazendo de sua obra uma travessia simbólica entre o canto dos deuses e a razão do homem.
Passados quase quarenta anos, voltei a assistir ao filme Cinema Paradiso (Nuovo Cinema Paradiso, Giuseppe Tornatore, 1988). Assumindo a minha total ignorância com relação às artes cinematográficas, esclareço que escrevo na qualidade de cinemaníaco, não de cinéfilo; como o espectador que se deixa levar pela beleza, que não precisa de efeitos mirabolantes para se expressar. Escrevo, enfim, motivado pelo impacto da redescoberta dessa bela película, que considero uma celebração ao cinema, à literatura, à poesia e, sobretudo, à sensibilidade.
Eu estava preparando umas mal traçadas linhas sobre Bernardo Guimarães, autor do romance A Escrava Isaura. Iria contar a vida boêmia (e bota boemia nisso) do escritor quando lembrei que, por causa da novela que a Globo produziu com base no livro, quase levávamos uma tremenda surra, com amplas possibilidades de irmos parar no xilindró.