Conta-se que foi Albert Einstein, com sua Teoria da Relatividade, quem abriu a porta da sala para embarque no tempo. Depois, veio Kip Thorne – ganhador do Prêmio Nobel de Física de 2017 – com seus “buracos de minhoca” cuja abertura requer o emprego da energia negativa oriunda de flutuações quânticas no vácuo. O pessoal do ramo dá a isso o título de “Efeito Casimir”. O colega Michio Kaku, também físico teórico, jura que a viagem
ARREPIO
Não quero que a mão de outrem
roube o lugar do seu toque em meu corpo
(esta ausência que me ressente,
e que a presença de outro calor,
que não o seu, só faz acentuar o vazio)
Tenho andado
— simplesmente
Mas e a poesia da pele,
a justificativa de sermos dois
e o recanto do Mundo
Em pinceladas rápidas, vamos desenhar o perfil deste homem.
Édouard Manet, Cícero Dias, Di Cavalcanti, Candido Portinari, Ismael Nery, Maria Campos e Milton Dacosta — estes são alguns dos artistas resenhados pelas mãos do crítico de arte ararunense Antônio Bento.
Em sua obra Políticas da Inimizade, publicada originalmente em francês em 2016, o filósofo camaronês Achille Mbembe desenvolve uma crítica às formas contemporâneas de poder, exclusão e violência ao longo de cinco capítulos. Em conjunto, esses capítulos revelam sua preocupação com os mecanismos atuais de produção da exclusão, da violência e da morte, demonstrando como o racismo, o colonialismo e a lógica da inimizade continuam a estruturar o ódio nos discursos políticos
A busca pela autenticidade em um mundo repleto de expectativas externas é uma das questões mais profundas que o ser humano enfrenta. Vivemos em uma era onde as interações estão mediadas por telas, e a comparação se tornou um hábito cotidiano. Nesse contexto, a essência do ser se dilui, e a vida se transforma em um teatro onde muitos atuam papéis que não refletem sua verdadeira natureza.
Como já fizemos entender, elas eram sete. Um grupo coeso e de amizade de anos, desde os tempos da boneca e de pular amarelinha. Vamos a elas: Das Graças, Do Carmo, Da Guia, Das Dores, Da Conceição, Do Socorro e Nair. À exceção de Nair, as outras seis eram mulheres lindas que só vendo. Nessa meia dúzia de beldades, tínhamos as loiras, as morenas e até uma ruiva. Olhos que iam do verde-esmeralda ao azul-celeste, passando pelos
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amendoados e os negros como uma jabuticaba. Deusas gregas, diziam uns ao se referirem àquelas esculturas, àqueles corpos onde nada sobrava e nada faltava. O detalhe é que ali todas eram solteiras e assim estavam; devemos tais circunstâncias ao nível de exigência dessas seis mulheres. Pretendentes não faltavam.
Na Carta de São Paulo aos Romanos (Rm 4,18), lemos: “Abraão, contra toda humana esperança, firmou-se na esperança e na fé.”
A esperança é um bem comum a todos. Temos o livre-arbítrio de acolhê-la ou não em nosso coração. Nem todos conseguem fazer brilhar essa bússola estimuladora da transformação e da reforma íntima.
Quando eu era menino, não gostava muito do meu aniversário. E sabe por quê? Porque, como é em junho, só me davam fogos de São João: mijão, estrelinha, traque-de-chumbo, diabinho, e nada de brinquedos, caixa de chocolates e assim por diante. Não fiz como fez meu filho caçula, menino ainda, que, em certo aniversário, devolveu todos os presentes que recebera, tal a sua sinceridade, que superou a delicadeza. Ansioso por brinquedos, naquele dia só recebera roupas, daí a devolução.
Alguém ou algo bateu à minha porta no dia em que o tempo já dissipara todo o silêncio. O silêncio gritara no exercício de me fazer ser um reflexo de tudo aquilo que eu suportara nos dias sem nobreza. Um rugido de leão ecoando numa caverna onde apenas uma fresta de sol veio trazer a nitidez de que eu precisava. Não é um sofrimento vitimado, mas ritmado, por isso faço poesia. O que vale versar?
Retornando da caminhada pelas ruas com carros sonolentos, na tarde morna, com o Sol deixando as nuvens avermelhadas, lembrei de fotografias da paisagem de Pirauá, lugarzinho no município de Natuba, na divisa da Paraíba com Pernambuco, que tinham as mesmas características do céu que eu observava naquele momento.
Ela estava inconformada. A sua irmã havia se separado do marido, tinha três filhas pequenas e adolescentes e, mesmo sob o pedido de volta do marido, não queria mais ser casada. Havia descoberto a cerveja e o forró. Como pode? Só levando uma camada de pau. Mas a minha mãe vai botá-la nos eixos. A irmã tem cinquenta anos, mas quem já viu sair à noite para caçar forró por aí afora?
A linguagem nos define. Dize-me como falas e te direi quem és. A identidade entre pessoa e discurso tanto revela a personalidade do indivíduo, quanto reflete a classe ou profissão a que ele pertence. Um médico não usa as mesmas palavras que um economista, nem este tem o mesmo discurso de um advogado.
Há datas que são meros acidentes cronológicos, efemérides que o tempo dissolve como sal na água. Outras, porém, inscrevem-se na própria carne da história. Mas não como lembranças, como interrogações que recusam o silêncio. O dia 6 de junho de 1944 pertence a essa segunda ordem, não é apenas uma data, é um limiar.
Certos livros surgem não apenas do desejo de escrever, mas da urgência de reorganizar emocionalmente aquilo que a vida deixou em ruínas. *Sob o olhar de uma mãe: um filho especial* nasce desse lugar delicado e profundamente humano, no qual a escrita
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funciona como tentativa de compreensão, acolhimento e permanência. O texto se constrói a partir da memória, mas não de uma memória contemplativa ou distante. Pelo contrário: trata-se de uma lembrança viva, dolorosa, ainda pulsando sob a pele da narradora.
Você já marcou um encontro com um livro? Não falo daquele gesto automático de abrir qualquer página para matar o tempo. Falo de compromisso mesmo, quase um ritual silencioso, desses que a gente prepara sem perceber que está preparando. Um encontro com hora, lugar e uma expectativa que não se explica direito, mas que fica ali, rondando o peito como quem sabe que algo importante vai acontecer. Porque há livros que não são lidos. São encontrados. Quando isso acontece, não é você quem escolhe o momento. É o momento que te escolhe.
Fui ao lançamento do novo livro de Gonzaga Rodrigues como quem vai presenciar um momento histórico. E de fato era – e foi – um evento extraordinário, pois não é todo dia que se vê um nonagenário a publicar livro. Pode-se dizer então que o autor teve mais essa ventura na vida, uma vida longa, rica e consagrada. Para quem, ainda moço, chegou na capital com a cara e a coragem para abrir caminhos, não é pouca coisa, convenhamos. O menino de Alagoa Nova, filho de Seu Manuel Avelino e Dona Tonina, como um verdadeiro César, veio, viu e venceu.