Na semana passada elencamos neste espaço alguns erros lógicos que comumente afetam o bom desempenho textual. São falhas que decorrem de tropeços no raciocínio e repercutem na engrenagem das ideias, tornando a escrita obscura e às vezes ilegível. Nesses casos o leitor tem no mínimo que “se esforçar” para entender o que lê, quando se sabe que tal esforço é uma das medidas do fracasso do autor. Seguem outros erros desse tipo, também exemplificados em redações dos nossos alunos.
Das coisas marcantes da vida: ver seus objetos de estudo bem de pertinho, notar as flores silvestres nascendo entre as milenares pedras de Olímpia e pensar na grandeza daquele lugar em que surgiram as Olimpíadas, assistir ao pôr do sol com o
O Padre Manoel Otaviano de Moura Lima (1880-1960) foi pároco em Piancó por muitos anos, onde residiu até a sua morte. O literato, que teve assento na Cadeira nº 29 da Academia Paraibana de Letras, era autor de vários livros e maior especialista quando a matéria era o célebre Inácio da Catingueira (1845-1878).
Coloco os dois juntos no título porque assim viveram a vida inteira e não dá para separá-los agora. Décadas de um casamento feliz, décadas de companheirismo leal, décadas de presença na vida cultural paraibana. A cidade aprendeu a vê-los juntos e a associá-los como uma entidade única, indivisível. Um dos casais 20 da aldeia, sem nenhuma dúvida.
Há pessoas que passam a vida inteira sonhando com uma casa diante do mar. Não é apenas um imóvel. É um pedaço particular de paraíso. Acordar ouvindo as ondas, abrir a janela e ver o horizonte dissolvendo as preocupações da alma. Há sonhos que não cabem numa escritura; cabem apenas no coração. E sempre fico feliz quando alguém consegue realizá-los.
Da pequena cidade chamada Areia, perdida nas serras do brejo paraibano, onde nasceu, até a antiga cidade dos Medici, onde morreu, Pedro Américo de Figueiredo e Mello percorreu um longo caminho nômade. Pouco se sabe sobre os ateliês onde o artista trabalhou durante esse percurso em termos de arquitetura ou funcionalidade. Mas, podemos refletir sobre eles, seus múltiplos espaços de criação, enquanto reflexos de sua vida itinerante e, dessa forma, saber um pouco mais do artista e de sua obra.
Mesmo sem qualquer registro no calendário do dia a dia, extinto o feriado no alvoroço de 1930, as celebrações do 13 de maio de 1888 continuam sendo as mais celebradas de toda a história cívica dos brasileiros.
Nas décadas de 1960 e 1970 a cena se repetiu em auditórios, teatros e até em respeitáveis salas de concerto, em cerca de quarenta países de quatro continentes. Na primeira parte do espetáculo, um duo de violões se apresentava em trajes compostos, compatíveis com a música que era tocada: peças de Rimsky-Korsakov, Manuel de Falla, valsas e fantasias de Chopin. Na outra parte do concerto, os mesmos instrumentistas
Ana saiu de casa à tardinha. Seguiu em direção a um quartel do exército, portando uma bandeira nacional, um livro e uma cadeira de praia. Na calçada do quartel, ela iria encontrar com Júlia e Marta, amigas que lá estavam à espera dela.
Temos observado que o relacionamento entre as pessoas sofre variações que dependem muito da região de origem delas. Por exemplo, enquanto o nordestino é muito franco, aberto e comunicativo, pessoas originárias ou criadas em outras regiões já são mais fechadas.
Há livros que contam uma história; outros, porém, abrem lentamente uma ferida. *Liturgia do Fim*, de Marília Arnaud, pertence a essa segunda linhagem rara da literatura brasileira contemporânea. O romance não se sustenta em grandes acontecimentos exteriores, mas na lenta erosão íntima de seus personagens — criaturas humanas esmagadas pela memória, pelo desejo de pertencimento e pela incapacidade de salvar aquilo que já nasceu condenado ao desaparecimento.
Algumas pessoas me perguntam por que, na língua portuguesa, o nome dos numerais cardinais 11, 12, 13, 14 e 15 não possui a mesma lógica dos cardinais 16, 17, 18 e 19, em que se vê a associação do 10 mais 6, 7, 8 e 9. Respondo que, realmente, não se vê com nitidez, mas a lógica é – acreditem – exatamente a mesma, pelo menos até o 17.
Alguns empresários que disputaram a eleição de uma associação aqui na Paraíba decidiram criar um grupo de zap para orientar suas ações durante a campanha. Perderam a eleição, porém o grupo de zap continuou ativo, composto por pessoas que tinham perfis absolutamente diversos. Seguiram assim até que, um dia, alguns integrantes do grupo começaram a convidar os demais, com urgência, para uma manifestação que estavam fazendo naquela hora em favor de Bolsonaro. Mandavam fotos e vídeos, reclamando a presença de todos naquele ato.
“O combinado é o justo? E o justo é o combinado?” Semanticamente, essas frases fazem um malabarismo perigoso. “Combinado” é algo contingente, temporal, muitas vezes fruto de poder assimétrico, cansaço ou pura preguiça. “Justo”, por sua vez, carrega a pretensão de algo que transcende o mero acordo, pelo menos na tradição ocidental que ainda fingimos respeitar.
Quando a Paraíba, por ocasião do centenário de nascimento de Augusto dos Anjos, procura a maneira mais justa e expressiva de reverenciar a memória do poeta que se disse, liricamente, “a mais hedionda / generalização do
Augusto dos Anjos ▪️ Arte: Tonio
desconforto”, não poderia encontrar melhor direção que esta: expor as oscilações da crítica brasileira, há 72 anos, intentando percorrer as veredas inóspitas e solitárias do EU.
Estou com saudade do amigo Joe. Esse camarada só tem um defeito: quase não fala português. O pouco que aprendeu da “última flor do Lácio” deve-se ao casamento com Iracema, no tempo em que as Iracemas muito voavam para a América, como na canção de Chico. Casamento de conveniência, digamos assim. Ela precisava do green card e, ele, daquela morena de cintura fina e riso largo. Os dois tiveram um namorico em João Pessoa quando Joe por aqui pôs os pés pela primeira vez.