Quando morava na minha casa, na Rua Oceano Pacífico — e esse oceano gigante para uma rua pequenina —, nos tempos de ruas enlamaçada...

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Quando morava na minha casa, na Rua Oceano Pacífico — e esse oceano gigante para uma rua pequenina —, nos tempos de ruas enlamaçadas e bois a passar na porta, todos os dias, por volta das 18 horas, um casal de sapos pequenos (caçotes) entrava aos pulos na minha sala e ia namorar embaixo da estante. Ficava a ouvir os gemidos, digo, o coaxar do namoro. Todos os dias lá vinham eles, os caçotinhos. Ficava sempre impressionada com a pontualidade. Não me consta que sapos tenham relógios. Mas rituais, isso eles tinham. E aconchego para namorar juntinhos. Todo dia faziam tudo sempre igual: me visitavam às seis horas da tarde. Bem que poderia ser letra de **Cotidiano**, de Chico Buarque. Com gosto de hortelã e tudo.

Por mais que a obra não seja um reflexo d...

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Por mais que a obra não seja um reflexo direto do autor, é grande a tendência de se confundir uma com o outro. Isto se aplica particularmente a um poeta como Augusto dos Anjos, cujas idiossincrasias pessoais e literárias sempre despertaram curiosidade nos que estudam ou simplesmente apreciam seus poemas. O pessimismo, a morbidez, a fixação na morte, presentes na maioria dos seus versos, fazem pensar que ele era um desses misantropos infensos aos apelos mundanos. Tal impressão é acentuada pelas imagens de doença e deterioração física, comumente associadas a um possível “caso clínico” do indivíduo e não ao universo simbólico do poeta.

Dizem que os livros escolhem seus leitores. Se isso for verdade, Jardim Brasil: Contos, de Ronaldo Lima Lins, passou anos me dando um ...

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Dizem que os livros escolhem seus leitores. Se isso for verdade, Jardim Brasil: Contos, de Ronaldo Lima Lins, passou anos me dando um drible digno de Copa do Mundo. Nossa história começou em julho de 2000, sob o pretexto de um romance que o tempo, com sua sabedoria costumeira, transformou em uma daquelas amizades que a gente carrega para a vida inteira.

Durante a Peste Negra, na França, em 1348, a população queimava fogueiras e ervas aromáticas nas ruas e mantinha quarentena de 40 dia...

Durante a Peste Negra, na França, em 1348, a população queimava fogueiras e ervas aromáticas nas ruas e mantinha quarentena de 40 dias. Eles acreditavam na "teoria dos miasmas", que dizia que a doença era transmitida pelo ar contaminado e pelo mau cheiro. Então, a população tentava purificar o ar. Mais tarde, descobriram que aquela fumaçeira de nada adiantou, pois a pandemia que devastou a Europa e a Ásia foi provocada pela *Yersinia pestis*, uma bactéria que se espalhou principalmente por meio de pulgas e roedores.

Agora é lei, no Rio de Janeiro: o 21 de junho, por decreto municipal, passa a ser oficialmente o Dia de Machado de Assis. Esta é a...

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Agora é lei, no Rio de Janeiro: o 21 de junho, por decreto municipal, passa a ser oficialmente o Dia de Machado de Assis. Esta é a data do nascimento do escritor e daqui para a frente, espera-se, será devidamente comemorada na cidade em que nasceu. Demorou, mas no Brasil é assim mesmo, já sabemos: o que for do bem chega atrasado e o que for do mal chegou ontem.

Não posso nem devo queixar-me da idade avançada ou de suas naturais limitações. Da janela de minha infância, em Alagoa Nova, privado...

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Não posso nem devo queixar-me da idade avançada ou de suas naturais limitações. Da janela de minha infância, em Alagoa Nova, privado da soltura das ruas, perturbava-me acompanhar os passos miudinhos, arrastados, do velho Cazumba em direção à casa paroquial do sobrinho, apenas quatro ou cinco casas, uma pegada com a outra, do outro lado da rua.

Há receitas antigas que nunca envelhecem, apenas ficam mais embaraçosas quando a gente percebe que passou a vida inteira ignorando o b...

Há receitas antigas que nunca envelhecem, apenas ficam mais embaraçosas quando a gente percebe que passou a vida inteira ignorando o básico.

A poesia de Políbio Alves ocupa um lugar singular na literatura paraibana contemporânea. Em Varadouro, sua obra mais emblemática, o p...

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A poesia de Políbio Alves ocupa um lugar singular na literatura paraibana contemporânea. Em Varadouro, sua obra mais emblemática, o poeta transforma um espaço geográfico específico de João Pessoa — o antigo bairro do Varadouro e as margens do Rio Sanhauá — em território mítico, histórico e existencial. O que poderia ser apenas uma evocação memorialística converte-se em uma vasta cartografia poética da identidade paraibana.

Ao meu amigo, confrade e professor João Trindade Cavalcanti O meu texto da semana passada ( Quem precisa de edições críticas? | Am...

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Ao meu amigo, confrade e professor João Trindade Cavalcanti
O meu texto da semana passada (Quem precisa de edições críticas? | Ambiente de Leitura Carlos Romero) foi uma introdução sobre o tema da edição crítica, motivado por um curso que ministrei sobre José Lins do Rego, tendo como objeto a Trilogia de Carlos de Melo, denominação que dei às três obras iniciais do escritor, Menino de engenho (1932), Doidinho (1933) e Banguê (1934).

Minha primeira lembrança conduz ao térreo do Paraíba Palace Hotel, onde o profissional das tesouras, Cruz, sempre repetia o mesmo cort...

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Minha primeira lembrança conduz ao térreo do Paraíba Palace Hotel, onde o profissional das tesouras, Cruz, sempre repetia o mesmo corte: alemão. Usava uma máquina que raspava as laterais do couro cabeludo e deixava apenas uns poucos cabelos no cocuruto, algo bem militar. Em seguida, besuntava minha cabeça com uma porcaria chamada petróleo.

Tenho me sentido triste ultimamente. Não é uma tristeza de choro ou soluço.

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Tenho me sentido triste ultimamente. Não é uma tristeza de choro ou soluço.

Orgulho daquele pai , o moço Geraldo cantava o Hino Nacional inteirinho desde os seis anos de idade. No começo da adolescência, sabia q...

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Orgulho daquele pai, o moço Geraldo cantava o Hino Nacional inteirinho desde os seis anos de idade. No começo da adolescência, sabia que as margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heroico. Então, quando nosso professor de Português pediu à classe para achar o sujeito no verso inicial deste que é um dos mais belos cânticos cívicos do mundo, Geraldinho não se deixou enganar pela inversão da frase. “As margens plácidas, professor”,

No último dia 21 de junho, Gonzaga Rodrigues celebrou 93 anos em plena atividade, com uma produtividade que eu, seis décadas mais novo,...

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No último dia 21 de junho, Gonzaga Rodrigues celebrou 93 anos em plena atividade, com uma produtividade que eu, seis décadas mais novo, confesso invejar. Além das crônicas semanais publicadas em A União e no Ambiente de Leitura Carlos Romero, ele relançou, em maio passado, a biografia do jornalista paraibano José Maria dos Santos (Ed. Ideia, 2026) — um feito verdadeiramente notável para um nonagenário.

Tenho várias amigas muito queridas, cada uma com seus problemas. Uma, com os pais velhinhos, não consegue visitá-los tanto quanto g...

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Tenho várias amigas muito queridas, cada uma com seus problemas. Uma, com os pais velhinhos, não consegue visitá-los tanto quanto gostaria, pois vive em outro país. Outra, foi despejada de onde morava, por uma amiga (?),

A filosofia de aprender no silêncio reflete uma profunda busca por compreensão e conexão com o mundo interior. Este espaço de qui...

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A filosofia de aprender no silêncio reflete uma profunda busca por compreensão e conexão com o mundo interior. Este espaço de quietude, como defendido por pensadores como Martin Heidegger, não se resume à ausência de som, mas à criação de um ambiente propício à reflexão e ao autoconhecimento. Para ele, o silêncio é essencial

LACRIMOSA Bem-vindo, crepúsculo — profundo vermelho de um retoque divino — que diz da tormenta, submundo da memória, que diz do des...

jorge elias neto poesia capixaba espirito-santense
LACRIMOSA
Bem-vindo, crepúsculo — profundo vermelho de um retoque divino — que diz da tormenta, submundo da memória, que diz do destino O enfado, o desfalecimento do dia, que serviu-se do tempo; de um Sol a apagar-se, moribundo, dando a sua face ao esquecimento

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