[...] “não é ansiando por coisas prontas, completas e concluídas que o amor encontra o seu significado, mas no estímulo a participar da gênese dessas coisas.”
Zygmunt Bauman
Amar é exercício de ambiguidade. Ao passo em que busca a completude, necessita que um vazio por vezes se instaure. Só se ama na falta? Ou se aprende a querer o que se tem para que o desejo fomente o que se pode chamar de amor? É fato que é muito fácil almejar o perfeito, isto é, aquilo que está pronto. Mas, um escultor retira da pedra bruta sua arte pelo movimento da constante lapidação. Se um poeta é um fingidor, ele precisa fingir a matéria grossa das palavras,
No último dia 3 de setembro, fui à UFPB assistir ao “Ciceli, V Congresso Internacional CriadorAS na Educação Literária e Intercultural”. Mais especificamente, à mesa-redonda “Perspectivas Comparativas nos Estudos Woolfianos: questões de gênero, identidade e inovações narrativas”, com a Profa. Dra. Maria Aparecida de Oliveira, UFPB; Profa. Dra. Genilda Azerêdo, UFPB; Profa. Dra. Maria Rita Drumond Viana, Unicamp; Profa. Dra. Rosângela Neres, UEPB; e Profa. Dra. Nicea Nogueira, UFJF.
Quando o dia clareou sobre uma elevação de terra à frente, o sol tentava romper uma nesga de nuvem. Do meio da nuvem vinha um farol de raios muito brilhantes que descia sobre a vegetação esturricada da caatinga no Vale de Catolé do Rocha, que fotografei com a mente para carregar comigo. A cidade de Brejo do Cruz e a pedra decantada pelo poeta Zé Ramalho, refletindo os raios que entravam na nossa alma, ficaram para trás.
Fiquei com um amargor na alma diante da notícia de que a Open AI, proprietária do ChatGPT, resolveu em 88 horas um problema matemático complexo que ficou sem solução por 90 anos.
Luana postou uma mensagem no meu blog dizendo que “adorou” as “Considerações heterodoxas sobre a paixão”, mas discorda de que esse sentimento “dura no máximo três anos”. “Às vezes é necessário que ele dure bem menos...”, objetou com ar de experiência. E terminou com este apelo: “Quero encomendar um novo texto: como encontrar um amor? Topa o desafio? Hehehe”.
Toda caminhada começa com uma espécie de salto no desconhecido, e o primeiro passo é um dos atos mais filosóficos da existência humana. Ele representa a passagem entre aquilo que somos e aquilo que ainda podemos ser. É o instante em que abandonamos, mesmo que por alguns centímetros, a segurança do lugar conhecido, para nos aproximarmos daquilo que ainda não conhecemos.
Edyr Augusto não escreve para confortar, e sua prosa em Não nos Deixeis Cair em Tentação funciona como um disparo em meio ao silêncio denso da noite urbanizada. O autor paraense constrói uma narrativa em que a tentação não é uma entidade metafísica ou uma abstração teológica, mas sim a engrenagem cotidiana de um mundo moldado pela
Edyr Augusto Proença, professor, escritor, jornalista, dramaturgo, diretor de teatro e romancista paraense que usa a face urbana, desigual, violenta e contraditória de Belém para território de sua literatura ▪️ Foto: Luiz Braga /// Livraria da Travessa
escassez, pelo impulso e pela ganância desmedida. Nas páginas deste livro, Belém surge não como um cenário meramente exótico, mas como um microcosmo pulsante das metrópoles contemporâneas, onde os limites morais são constantemente testados e diluídos pela necessidade imediata.
Eu acho, e acredito, que, dentro da agonia humana, o desespero leva ao haraquiri: o ato extremo de alguém tirar a própria vida. O japonês, pela ética e pela honra, fazia o haraquiri. Outros, na insanidade, na solidão ou na agonia, lançam-se da janela contra a própria existência.
Em 16 de junho do próximo ano (2027) ocorrerá o centenário de nascimento de Ariano Suassuna, patrimônio humano e cultural da Paraíba, de Pernambuco e do Brasil. É uma data importantíssima, sob todos os pontos de vista, e não poderá passar em branco. Os poderes públicos podem até ignorá-la, o que não surpreenderia num país que costuma subvalorizar as coisas da cultura, mas à sociedade civil não será dado esse direito, sob pena de abdicarmos, de vez, dos altos valores da nação e de nossa própria identidade nacional.
Sempre colecionei histórias sobrenaturais. Não por aquela curiosidade de quem passa a noite procurando fantasma para ter assunto no café da manhã, mas porque algumas histórias, quando escutadas com o coração desarmado, ajudam a conservar uma coisa que anda muito maltratada neste mundo: a esperança.
O vento que passa pelas árvores facilita a comunicação entre elas. O farfalhar das folhas embaladas pelo vento permite os cantos no coro das árvores; suas falas se interligam na língua das folhas. A Natureza é a grande mestra de tudo que somos, sentimos, pensamos, sonhamos e realizamos.
“Uma geração passa, outra fica no seu lugar, desde o tempo dos antepassados.
Os deuses que viveram outrora repousam nas suas pirâmides, assim como os bem-aventurados, enterrados (...).
Construíram casas, mas o seu local desapareceu. O que foi feito delas? (...) As suas paredes esfacelaram-se. Desapareceram como se nunca tivessem existido.
Ninguém volta do lugar (onde se acham) para contar como estão, para dizer o que precisam, para serenar o nosso coração até irmos para onde eles foram.”
“O Canto de um Harpista”, tumba de Intef, XI Dinastia
As ruas desta cidade já foram mais curtas quando andávamos a pé. O desembargador Osias Gomes, advogado dos mais solicitados, secretário de Estado, não via enfado em lombar a pé de sua casa, um daqueles chalés de quatro águas no alto da Almirante Barroso, até ao tribunal ou ao antigo convento dos jesuítas, quando secretário do Interior e Justiça.
Impressões de leitura de:
Crônicas, ensaios do escritor Francisco Gil Messias Editora Ideia
Logo que li o título das crônicas de Gil Messias, me veio à lembrança um livro de contos de Virginia Woolf, A arte da brevidade, achando que um de seus contos possuía o mesmo título. Na verdade, intitula-se A marca na parede. Em inglês: The Mark on the Wall. Os títulos se assemelham, há um parentesco entre eles. Todo leitor faz esse tipo de ilações; os livros se comunicam de uma forma ou de outra, consciente ou inconscientemente.
Pássaro cativo
teu canto é um chamado
para a liberdade. Neide Medeiros. Relicário
Livros de pequenos formatos sempre me atraíram. O menorzinho que tenho mede (2cm x 2.5cm). Foi adquirido em uma Feira de Livros em Barcelona no dia 23 de abril, não me recordo o ano. Traz o título de Sant Jordi. Nesta data, comemora-se o Dia Mundial do Livro e do Direito do Autor. A cidade de Barcelona fica em festa, as pessoas saem para as ruas, compram livros e flores e presenteiam para os amigos, namoradas(os). É romântico dar livros acompanhados de flores. Tenho uma amiga que costuma presentear livros na companhia de uma garrafa de vinho no período natalino. É um presente também bem-vindo.
O Sertão Educa não é apenas um livro sobre o sertão; é um livro escrito a partir do sertão. Essa distinção é fundamental para compreender a força estética e intelectual da obra de Gilmar Leite Ferreira. Nascido da sua pesquisa de doutorado e posteriormente transformado em livro, o trabalho propõe uma reflexão singular: o sertão não é um espaço de carência ou atraso, mas uma instância pedagógica capaz de formar sensibilidades, valores e modos de existir.