Quando eu era velha, de Fernanda Pompeu, é um livro que começa pelo paradoxo para, a partir dele, desorganizar certezas. O título provocativo e delicadamente irônico, anuncia o gesto central da obra: tratar o envelhecimento não como linha de chegada, mas como território em permanente construção. Ao acompanhar Olívia, jornalista aposentada que recebe a proposta de escrever sobre a velhice, o romance se instala no espaço fértil entre memória, corpo e linguagem.
A busca por amizades verdadeiras é uma aspiração profunda e universal. Na vida, essas conexões trazem conforto, compreensão e um senso de pertencimento, elementos essenciais para a nossa saúde emocional e espiritual. No entanto, a realidade é que muitas vezes essas relações são marcadas por traições e desilusões. Essa complexidade nas interações humanas pode ser analisada tanto pela lente bíblica quanto pela filosófica.
Seu Tonico e Dona Mirtes formavam um casal que dava gosto de ver. Era voz corrente que ali estava um exemplo de como se deve construir uma relação de benquerença. Isso mesmo, estamos nos referindo àquela relação que é o alicerce da mais sagrada das instituições, a família. Dava gosto de ver aqueles dois. Ainda trocavam mimos de namorados e nunca esqueceram o 12 de junho quando jantavam fora e depois... Bem “o depois”, já entenderam. Nunca falharam.
Há dores que não se explicam — reconhecem-se. A minha tem nome, Matheus, idade e uma ausência definitiva: um filho assassinado aos 16 anos. Tem tempo suficiente para saber exatamente o que significa enterrar um filho e continuar respirando com o peito em ruínas, apesar de ter certeza que é preciso continuar dividida entre dois mundos.
A gastronomia é muito mais que alimentação. Ela é memória, identidade e diálogo — um espaço onde o passado conversa com o presente sem precisar apagar um ou outro. Quando um chef coloca um prato na mesa, ele não está apenas servindo comida; está contando histórias de um povo, de um território, de técnicas aprendidas e reinventadas ao longo de gerações.
Ler é uma das maiores habilidades que o cérebro humano é capaz de desenvolver e nós desenvolvemos diversas competências através da leitura. Isso pode ser comprovado a partir da obra “O cérebro no mundo digital – os desafios da leitura na nossa era”, de Maryanne Wolf (Contexto, 2019, 256 p.). A autora, neurocientista e psicóloga
Esse é o nome de um quarteirão, ou alguns, em Tambaú, reduto que foi o lugar da juventude nos anos 80. Lugar de boemia, de encontros e transgressões. Lugar onde também pontos de cultura e comportamento se estabeleciam. O Bloco das Virgens, no Bar do Convívio, é um exemplo. Bares como o Boiadeiro, Travessia, O Quintal, o Peniqueiral, o Bar da Xoxota, o Do Meu Cacete, o Do Pau Mole (vale conferir os nomes!) e tantos outros. O Última Sessão, que depois virou O Apetitto (sede do Bloco As Piabas, posteriormente), com seus pratinhos nas paredes. As calçadas cheias de jovens.
Praia de Tambaú, anos 70, em J.Pessoa-PB ▪️ Instagram: @joaopessoabrasil
A Peixada, o Chinês, a Lanchonete Natural, e a boemia correndo solta. O Empório Café fez e faz onda ainda. Ricky Mala, Suzy Lopes e seus Saraus Poéticos, e Toinho Matos, que também movimenta o Carnaval. Tudo junto mesmo.
Trago muitas lembranças do lugar onde nasci, algumas boas e outras nem tanto. Se a terra dava comida e agasalho, a cultura esbarrava na dificuldade de acesso ao livro.
Fernando Pessoa definiu a quadra como “um vaso de flores que o Povo põe à janela da sua alma”. Com isso, destaca o caráter popular dessa espécie poética surgida na Idade Média. Ao mesmo tempo, enfatiza-lhe o aspecto confessional. Expor a alma como flores numa janela é mostrá-la ao mundo, com a delicadeza de suas pétalas, e ao mesmo tempo aliviar o espírito graças ao arejamento que esse ato produz.
Dizem que Clara tinha um termômetro dentro do peito. Não daqueles de mercúrio, prateados e precisos, mas um daqueles antigos, de líquido azul, que oscila com lentidão, sensível até à sombra de uma nuvem. Enquanto a cidade fervia em seus extremos, nas correrias matinais, nas buzinas iradas, nas euforias das notícias bombásticas, ela se movia com uma cadência que parecia de outro século.
Continuando com nossas histórias reais, hoje trazemos a figura de Fellicia Tourinha, apontada como bruxa por Domingas Jorge, que há exatamente 433 anos (28.11.1594) compareceu à mesa do Santo Ofício, mais especificamente da Primeira Visitação do Santo Ofício (1593–1595) às capitanias de Pernambuco, Itamaracá e Paraíba.
O Itamaraty sempre foi o maior celeiro de talentos intelectuais do Brasil ao longo da história. Também pudera. Seus quadros eram tradicionalmente recrutados dentre os membros da elite brasileira (não necessariamente elite econômica, mas elite), uma tribo que possuía a melhor formação cultural do país, geralmente filhos de diplomatas, alunos dos melhores colégios, viajantes contumazes e poliglotas, e, após a instituição de concurso público para a carreira, dentre a meritocracia nacional, dadas as naturais exigências do processo seletivo. Ou seja, de uma forma ou de outra, até os dias de hoje, o Itamaraty tem contado, em termos de recursos humanos, com o que temos
Um amigo cubano me contou a história do seu primeiro emprego. É uma daquelas experiências que não se explicam apenas pela lógica, mas que despertam esperança e confiança de que Deus age nos detalhes da vida.
No céu alvo das primeiras horas de Sol, o bom dia é para a Lua inteira no firmamento à oeste em fim de jornada, indo se deitar. O horizonte lembra outros que já encontrei, como o que me veio cumprimentar ao amanhecer de uma outra quarta-feira na mineira Tiradentes e seu calçamento de pedra sábado, suas montanhas e acolhimentos. É meio de semana e assim como os demais dias, incluindo os feriados, sábados e domingos, é útil.
No último dia dois de fevereiro, a Livraria A União - Poeta Juca Pontes, no Espaço Cultural, foi cenário da Celebração das Letras — evento organizado pela Empresa Paraibana de Comunicação (EPC), em homenagem aos 133 anos do jornal A União e aos três anos da Livraria A União.