Até 1993, eu me julgava ateu. Como documentarista, trabalhando para o Centro Peixe-Boi, do Ibama, durante uma gravação na Reserva Bi...

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Até 1993, eu me julgava ateu. Como documentarista, trabalhando para o Centro Peixe-Boi, do Ibama, durante uma gravação na Reserva Biológica dos Lagos Piratuba, no Amapá, tive uma epifania, ao amanhecer.

Eu sempre achei que os primeiros a bater palmas quando conseguíssemos algo seriam justamente aqueles que dividem a mesa, o teto, a no...

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Eu sempre achei que os primeiros a bater palmas quando conseguíssemos algo seriam justamente aqueles que dividem a mesa, o teto, a nossa história. Demorou um tempo para entender que não é bem assim. Muitas vezes, quem mais conhece os nossos medos acaba usando eles para nos parar. Dizem que é cuidado, na verdade, acaba apagando o brilho dos nossos sonhos.

Apenas quatro cadeiras rodeavam o tampo de fórmica reluzente mesmo sem a limpeza com flanelas. Era o móvel mais importante da pequena ...

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Apenas quatro cadeiras rodeavam o tampo de fórmica reluzente mesmo sem a limpeza com flanelas. Era o móvel mais importante da pequena sala ainda sem os sofás para os amigos e os parentes. Os que nos chegassem, se passassem de quatro, serviam-se de vários almofadões dispostos em ambiente único a serviço das refeições e das visitas.

Em Apareci quando te vi , Fernanda D’Angelo constrói uma narrativa que se move entre a delicadeza da memória e a brutalidade silenciosa ...

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Em Apareci quando te vi, Fernanda D’Angelo constrói uma narrativa que se move entre a delicadeza da memória e a brutalidade silenciosa do tempo. A obra se apresenta como uma autoficção profundamente íntima, mas é justamente na coragem de expor as próprias fragilidades que encontra sua dimensão universal. Não se trata apenas de um livro sobre mãe e filha, sobre doença ou ausência; trata-se, sobretudo, da tentativa humana de reorganizar afetos enquanto tudo parece escapar pelas mãos.

"... se hoje me puderes ouvir recomeça, medita numa viagem longa ou num amor talvez o mais belo." (José Tolentino ⏤ Se m...

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"... se hoje me puderes ouvir recomeça, medita numa viagem longa ou num amor talvez o mais belo." (José Tolentino ⏤ Se me puderes ouvir)
Não fui à Festa Literária Internacional de Paraty (Flip 2026), mas tive o prazer de assistir a algumas palestras pelo YouTube e pelo canal de TV Arte 1. Cito as palestras da ministra Cármen Lúcia e do cardeal poeta José Tolentino. Cármen Lúcia deu uma verdadeira aula de democracia, valorizou as bibliotecas, as alfabetizadoras e deu destaque ao papel das mulheres na sociedade atual. José Tolentino, o cardeal, poeta e teólogo português, superou as minhas expectativas.

Exílio de mim Contemplo o extremo de mim. Infinitos mundos mudos, Tudo arrefecido, Repentino pretexto, Mãos estendidas, Que o cor...

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Exílio de mim
Contemplo o extremo de mim. Infinitos mundos mudos, Tudo arrefecido, Repentino pretexto, Mãos estendidas, Que o coração expia, Gestos passados, Uma espécie de véu de seda, Que nunca se desdobra, Cósmicas formas humanas, No estardalhaço dos pardais, Que desafiavam minha imaginação. Sublevação,

A relação entre o escritor e o leitor é um elo fundamental na construção do conhecimento e da cultura. Neste contexto, é essencial r...

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A relação entre o escritor e o leitor é um elo fundamental na construção do conhecimento e da cultura. Neste contexto, é essencial refletir sobre a importância do respeito mútuo e da ética que permeiam essa interação.

Reflexões à Luz do Evangelho, da Psicologia Profunda e da Arte Nas engrenagens aceleradas da vida contemporânea, o ser humano vê-s...

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Reflexões à Luz do Evangelho, da Psicologia Profunda e da Arte
Nas engrenagens aceleradas da vida contemporânea, o ser humano vê-se frequentemente enredado em uma teia invisível de urgências, sobressaltos e cobranças desmedidas. Vivemos em uma época em que o corpo transita em velocidade vertiginosa, enquanto a alma, sobrecarregada, clama por um instante de pausa e ar puro. É na encruzilhada dessa rotina ansiogênica que desponta uma verdade ancestral e urgente:

Aconteceu comigo. Novembro de 1977. Havíamos terminado uma manhã de aulas em Presidente Prudente, interior de São Paulo. Eu e Claudemi...

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Aconteceu comigo. Novembro de 1977. Havíamos terminado uma manhã de aulas em Presidente Prudente, interior de São Paulo. Eu e Claudemir. Ele na Física e eu na Matemática. Aulas de cursinho para o primeiro vestibular sob a égide da FUVEST.

Prolegômenos (Da Série: Deixemos Homero falar ) A Ilíada e a Odisseia são poemas milenares, produzidos numa época distante (sécul...

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Prolegômenos
(Da Série: Deixemos Homero falar)
A Ilíada e a Odisseia são poemas milenares, produzidos numa época distante (século VIII a. C.), enfocando uma época bem anterior à sua criação. Estima-se que o assunto desses épicos recue para um mundo pré-helênico do século XII a. C., quando existiam, no Mediterrâneo oriental, duas civilizações pujantes: a micênica, no Peloponeso, e a cretense, no meio do mar Egeu.

Dominar o uso da crase pode parecer um desafio, mas, na verdade, é um processo lógico e tranquilo quando entendemos que ela nada mais ...

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Dominar o uso da crase pode parecer um desafio, mas, na verdade, é um processo lógico e tranquilo quando entendemos que ela nada mais é do que uma fusão. Imagine o encontro de dois elementos: a preposição "a" (exigida por uma palavra anterior) e o artigo "a" (que acompanha uma palavra feminina seguinte). Quando esses dois se juntam, usamos o acento grave (`) para marcar essa união.

Lendo a crônica da jornalista Rosa Aguiar, “O Grande Portinari”, em A União de 18 de julho, eis que comecei a passear pelos assuntos ...

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Lendo a crônica da jornalista Rosa Aguiar, “O Grande Portinari”, em A União de 18 de julho, eis que comecei a passear pelos assuntos de Rosa. Qual o seu pintor favorito? Rosa inicia o seu passeio. E fala de Renoir, de Archidy Picado e de Portinari e do seu lugar de nascimento, Brodowski (SP). Pronto, foi o meu ponto de partida! E lá vou eu para 1972, para uma viagem de carro até Ribeirão Preto, onde moravam os meus cunhados, Lela Melquíades e Zezinho Tavares (Dr. José Arnaldo Tavares de Melo, in memoriam). Viajamos eu, o namorado Flávio Tavares, meu cunhado Sérgio Tavares (*in memoriam) e a minha sogra, D. Otaviana.

Na crônica desta semana , no *Ambiente de Leitura*, para lembrar o sanfoneiro Sivuca, Gonzaga Rodrigues recordou os encontros dos sá...

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Na crônica desta semana, no *Ambiente de Leitura*, para lembrar o sanfoneiro Sivuca, Gonzaga Rodrigues recordou os encontros dos sábados à noite no terraço da casa de Nathanael Alves, em Tambauzinho, entre amigos revelados e alimentados pela arte da leitura e pelo gosto de escrever.

Li há algum tempo, num dos números de “Veja”, que os bons alunos brasileiros não querem seguir o magistério. Quem deseja abraçar essa ...

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Li há algum tempo, num dos números de “Veja”, que os bons alunos brasileiros não querem seguir o magistério. Quem deseja abraçar essa carreira são os estudantes medíocres. Segundo pesquisa apresentada na reportagem, ser professor é o horizonte do “grupo dos 30% com as piores notas no boletim”. Parece que a sala de aula não atrai os que se acham preparados para conquistar coisa melhor.

Existe uma estranha ironia na condição humana, que nos exige aprender desde cedo a habitar o mundo, mas quase nunca aprendemos a h...

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Existe uma estranha ironia na condição humana, que nos exige aprender desde cedo a habitar o mundo, mas quase nunca aprendemos a habitar a nós mesmos. Aprendemos a ler mapas, a construir carreiras, a adquirir bens, a interpretar o comportamento dos outros e até a esconder aquilo que sentimos. Tornamo-nos especialistas em ocupar espaços externos,

Tristeza não é sobre o fim das coisas, mas sobre a beleza de elas terem existido. Existe um tipo muito específico de silêncio...

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Tristeza não é sobre o fim das coisas, mas sobre a beleza de elas terem existido.
Existe um tipo muito específico de silêncio que só a perda consegue instaurar. É um silêncio denso, quase palpável, que não preenche apenas a sala ou o quarto de hospital, mas reverbera nas dobras mais escondidas de quem fica. Nesses momentos, quando o mundo ao redor parece perder temporariamente a gravidade e o chão sob nossos pés vacila, a reação quase instintiva do ser humano moderno é o espanto, o protesto, a recusa. Fomos educados para conquistar, acumular, estender e vencer e, por isso, encaramos a morte como uma derrota pessoal, uma falha na engrenagem, um ladrão que surge sem avisar.

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