“Yo quisiera estar siempre como tú, viejo olivo,
enhiesto bajo el cielo azul de Andalucía,
como un dios que se siente eternamente vivo,
heraldo de una tierra que anuncia la alegría.” Antonio Casares, em seu poema Querencia del Olivo (Amor da Azeitona, 1998), no qual expressa o seu desejo de viver eternamente como uma oliveira debaixo do céu azul da Andaluzia.
Há encontros que começam antes de a gente saber que está diante de alguém. E há outros que só começam depois que a nossa ignorância termina. Foi assim que conheci, de verdade, o professor Hermógenes, embora eu já o conhecesse havia muitos anos, desde a adolescência, através dos seus livros. Naquela época, eu ainda não sabia que certas pessoas entram primeiro na nossa biblioteca para, muitos anos depois, entrarem também na nossa vida.
Nestes dias, não conto as vezes que desejo sair sozinho, pegar o ônibus na rodoviária e descer na Praça Clementino Procópio, de Campina, só para sentar comigo mesmo, à sombra das poucas árvores que restam a encarnar dois tempos opostos, ora dois extremos, ora unidos, como produtos um do outro. Já disse, numa crônica antiga, que Campina Grande tem muito a ver
com “o sítio que anda comigo”. Meu sítio ficava a cinco ou seis léguas, mas era como se Campina fosse estrangeira, de onde vinham as coisas sempre boas que ficavam longe, da manteiga da vaquinha de Minas no pasto às peças do motor, todos os motores, o relógio na parede, a máquina Singer e outras tantas inglesias aqui aportadas desde a colônia até serem substituídas pelo império americano.
Nos últimos dias, venho acompanhando boas discussões sobre o nosso idioma. Discussões de alto nível. Entre outras opiniões, alguns falaram do surgimento crescente de uma espécie de “novilíngua”, que já é perceptível entre nós.
O romanceO Dia dos Cachorros, de Aldo Lopes de Araújo, inscreve-se na literatura paraibana que aproxima ficção e história sem se submeter inteiramente a ela. O Movimento de Princesa, ocorrido em 1930, fornece a matéria política e social do enredo, mas a obra não deve ser lida apenas como narrativa documental da chamada Revolta de Princesa. Sua força está em transformar o conflito histórico em experiência humana,
Ao meu lado direito, Anton Van Dyck, contratado pela corte, fazia esboços de uma infinidade de retratos dos presentes. Como todo amador que vê um grande artista em atividade, fascinaram-me a velocidade e precisão com que surgia de seus traços uma galeria de homens e mulheres em damascos e veludos, pérolas e diamantes, heráldicas coruscando em púrpuras, goles, sinopla, sable, Van Dyck — sem um instante de hesitação — reproduzindo grinaldas, detalhes de ombros desnudos, luvas, olhos verdes ou azuis, negros ou castanhos, enquanto crescia o murmúrio contido, cada vez mais tomando todo o espaço debaixo da estrutura vertiginosa.
O proêmio é a parte inicial de um poema épico. Como o próprio termo grego (προοίμιον) diz, “é o caminho adiante”. Trata-se de uma parte constituída de invocação e proposição, nem sempre nessa ordem e nem sempre possíveis de ser separadas. Na invocação, o poeta chama as Musas, inspiração que se encontra dentro dele, conforme o estabelecido por Hesíodo na Teogonia, de modo
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que as deusas possam ajudá-lo, com seu sopro divino renovado, a compor um grande canto em louvor aos heróis. Na proposição, sabe-se qual é o propósito do canto, a que herói o canto se destina e o que aquele herói deverá ter como objetivo de sua empreitada. Tudo isso de modo sucinto, visto que as ações ali propostas serão desenvolvidas minuciosamente na narração, a parte mais longa do poema. Assim, quem quiser saber como aconteceu e quais as consequências da ira de Aquiles (Ilíada), terá de percorrer quinze mil versos; sobre o retorno de Odisseus (Odisseia), mais treze mil versos; as lutas de Eneias (Eneida), outros dez mil versos; as viagens de Vasco da Gama (Os Lusíadas), quase nove mil versos.
Pondero sempre. Somos desnecessários… “PLUNCT! PLACT! ZUM: NÃO VAIS A LUGAR NENHUM.” Ao responder a um admirador do Instagram, com o pouco tempo de que disponho, mas necessário para afagar o desejo dele:
Da senzala ao hotel de luxo, a feijoada e suas primas do outro lado do Atlântico
Numa panela cabe comida. Na feijoada cabem também migrações, escravidão, disputas de origem, lendas e cortes que passaram de baratos a caros. Cabe um país tentando explicar a si mesmo. Enquanto o feijão-preto cozinha devagar, séculos de história se misturam ao caldo.
Fiz as contas. Uns quinze cinemas fecharam as portas desde minha mudança para João Pessoa em 1961, ainda meninote, com uma falência familiar: a da Padaria que Seu Juca, meu pai, desativara um ano antes no Pilar da minha infância. Vi filmes em, ao menos, dez deles.
A filosofia de Johann Gottfried Herder (1744–1803) defende uma crítica significativa ao universalismo abstrato e à concepção de uma razão desvinculada das condições históricas e culturais da existência humana. Nesse sentido, ele rompe com determinados pressupostos do Iluminismo racionalista ao questionar a ideia de uma razão universal, abstrata e descontextualizada, inspirada na tradição cartesiana, que
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pretende impor-se de fora para dentro e desconsidera as particularidades históricas, culturais e linguísticas dos indivíduos e das comunidades. Embora reconheça a eficácia da razão instrumental e do método mecanicista na investigação dos fenômenos naturais, Herder rejeita sua utilização como paradigma exclusivo para a compreensão do ser humano. Reduzir a experiência humana a leis matemáticas e relações causais de natureza mecânica significa restringir a existência ao domínio do calculável, obscurecendo dimensões fundamentais da experiência, como a paixão, a imaginação, a memória, a linguagem e os afetos. A crítica herderiana não implica uma rejeição da razão ou da ciência, mas uma contestação à pretensão de reduzir a complexidade do humano aos modelos explicativos próprios das ciências naturais.
Existe uma diferença profunda entre considerar o outro e abandonar a si mesmo. A consideração nasce da empatia, do respeito e da capacidade de compreender que não somos os únicos habitantes do mundo. Já o abandono de si começa quando passamos a colocar constantemente a vontade alheia acima da nossa, não por escolha livre, mas por medo, culpa ou necessidade de aprovação.
A bem da verdade, eu ainda tenho algumas dificuldades para entender certos porquês da vida. Olho para o mundo ao meu redor e me pego constantemente tentando decifrar o motivo pelo qual as dificuldades parecem se distribuir de maneira tão desigual, sendo infinitamente mais severas para uns do que para outros. Compreendo perfeitamente as desigualdades sociais como fruto direto de um sistema econômico excludente e perverso. No entanto, o que realmente não consigo entender
Ou para que ninguém diga que não sou politicamente correto
* Episódio a mim relatado por Sebastião, técnico em engenharia hidráulica doméstica, especializado na condução de fluidos, desobstrução de dutos e controle de vazamentos em sistemas prediais.
Marcolino era um profissional abnegado, especialista em fracionamento anatômico de proteínas de origem animal, com ênfase em cortes comerciais e distribuição de derivados cárneos. Era um homem de grande estatura, o que o diferenciava de seu irmão, Dagoberto.