O cotidiano de Aleksei Ivánovitch, protagonista da história, envolve basicamente três movimentos diários: educar os filhos do General, os passeios pelo bonito lugar onde está hospedado e ocupar o resto do seu tempo pensando em seu grande amor, Polina Aleksandrovna, a enteada do General. Paixão por demais intensa, beirando a obsessão. Amor desenfreado e eloquente que ocupa todo o seu ser.
Conversamos, há pouco, eu e um aluno da UFPB, sobre o modelo de jornalismo importado dos Estados Unidos, em 1950, por Pompeu de Sousa, o editor do “Diário Carioca”. A novidade indignou, prontamente, Nelson Rodrigues, uma das grandes expressões da dramaturgia brasileira e, na ocasião, também, jornalista de batente. Nelson e seus colegas escreviam, até ali,
Contam-nos as tradições do Além que, certa feita, aportou nas praias da vida espiritual um fidalgo de cartola invisível e punhos de ferro, ainda convulsionado pelo espasmo daquele domínio que a Terra chama de “honra”. Batia no peito a proclamar sua virilidade, enquanto suas mãos, no plano extrafísico, ainda pareciam rubras com o fluido vital daquela que ele chamava de “sua”. Na ignorância das leis do Espírito, ele acreditava que a destruição do corpo da amada selaria sua vitória definitiva sobre a autonomia alheia, reafirmando uma ilusão de honra que o tempo certamente destruirá.
MONÓLOGO PARA A MORTE
Morte,
quando o seu silêncio interromper
a minha escolha pelo silêncio,
e me impedir de seguir artífice
das contradições humanas frente à beleza,
espero ter forças para fechar os olhos.
Sei que falo para sua indiferença biológica,
mas é no costume da fala
que me mantive lúcido,
vasculhando este simulacro de eternidade
chamado consciência.
A era contemporânea, repleta de avanços tecnológicos, nos oferece uma visão paradoxal sobre a natureza da conexão humana. Em um mundo onde a informação flui em velocidade vertiginosa e onde a comunicação está a um toque de distância, a promessa de proximidade e união se transforma em um labirinto de solidão. As ferramentas que deveriam servir para nos aproximar, muitas vezes, nos alienam,
Já tínhamos ouvido falar de que os islandeses possuíam um respeito admirável pela Natureza. Pudera, com aquele meio ambiente exuberante, preservado e a baixíssima densidade demográfica, a natureza, realmente, é quem fala mais alto nas suas paisagens, inclusive as urbanas.
Sujeito sabido é o Camargo. Dominou seu ofício com tal competência que seus pares, os companheiros na lida do dia a dia, o chamam de mestre. Assim, Mestre Camargo ainda é uma referência entre aquela turma que podemos encontrar jogando conversa fora no mercado de peixes. Fica por ali trocando ideia com a rapaziada que ainda está na lida. Hoje, aos oitenta, já faz tempinho que se aposentou, mas, vez ou outra, cumpre uma jornada para matar a saudade de quando esbanjava saúde e disposição.
No texto anterior, tratamos de paralelismo sintático para observarmos a relação de simetria entre elementos constituintes de uma oração, de um período ou de um parágrafo. Agora, abordaremos o paralelismo semântico, que não se limita à igualdade das funções gramaticais; ele exige a coerência das ideias, o alinhamento das categorias mentais e a afinidade lógica dos conceitos dispostos lado a lado. Trata-se de relacionar textualmente elementos que de fato
Recordo, tantos anos depois, a ansiedade que tive ao rever a madrinha que testemunhou meu Batismo, em maio de 1954, na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, em Serraria. A emoção, naquela manhã de domingo, tomou conta de nós dois. Relembramos tantas coisas familiares. Lembranças reencontradas na memória afetiva do menino sambudo que corria pelo terreiro em cavalo de pau, em corrida de argolinhas.
Quando o oftalmologista finalmente me disse: “A catarata chegou!”, eu fiquei um pouco atônita. Há alguns anos esperava por ela. Minhas amigas já tinham feito essa cirurgia, e a minha demorou um pouco a se anunciar. Não fiquei triste pela cirurgia em si, mas pelo marcador da velhice que essa cirurgia representa. Meus olhinhos envelheceram. Também pudera!
Há manuais de redação que rejeitam o uso da voz passiva. Orientam que se diga, por exemplo, “O diretor suspendeu os alunos”, em vez de “Os alunos foram suspensos pelo diretor”. Existem casos, no entanto, em que a passiva é desejável. Nem sempre interessa ao redator afirmar que alguém faz alguma coisa. Ele pode querer dizer que alguma coisa “é feita”, destacando o termo que sofre a ação. Afirmar “o livro foi lido em pouco tempo pela turma” não é o mesmo que dizer “a turma leu o livro em pouco tempo”. No primeiro caso o foco recai no livro; no segundo, recai na turma.
Há quem acredite que pensar é um exercício solitário. Uma pessoa, uma cadeira, um silêncio e algumas ideias. Parece simples. Mas, com o tempo, descobrimos que grande parte do que chamamos de pensamento nasce justamente quando encontramos o olhar do outro.
Estamos imersos em um momento histórico em que teorias, ideologias e discursos se chocam em uma arena de forças ruidosas. Nessa tensão constante, que convencionamos chamar de polarização, cada lado puxa com violência sua ponta do cabo. Diante desse cenário, o maior desafio de quem escreve, pensa ou cria não é apenas registrar o embate, mas
Cena de Alvo Primário ▪️ Fonte: iMDb
compreender como transmitir uma verdade profunda sem se deixar aprisionar por nenhum dos extremos ruidosos. Como contar uma história que ressoe no peito humano sem sucumbir ao simplismo do "certo contra errado"?
Para Maxwell da Cunha Lobo e Luis Cláudio Paiva Duarte, que hoje vibram em outras dimensões.
É madrugada. Não que haja o silêncio que os poetas tatuam no mais profundo de suas poesias, mas silêncio de solidão. Silêncio, sim, ainda que eu escute música em minha mente e aumente o seu volume, porque é um rock'n'roll.
Durante anos ele escreveu o texto da última página da revista Veja. Para mim, sempre foi o melhor texto do jornalismo brasileiro. E dou como exemplo e justificativa o que ele escreveu por ocasião da morte do ex-presidente francês François Mitterrand. Obra-prima. Creio que nunca na imprensa do país um jornalista alcançou aquelas alturas de excelência. Com tranquilidade, muita cultura e elegância, naquela oportunidade, Roberto Pompeu de Toledo fez literatura de altíssimo nível, confirmando o escritor que sempre foi.
O Ateliê itinerante de Pedro Américo: a biblioteca do convento Santíssima Annunziata (1874-1877)
Após um período de pesquisas sobre o tema escolhido e de uma licença remunerada da Academia Imperial de Belas Artes, Pedro Américo partiu para a Itália em janeiro de 1874. Era naquele país que ele desejava morar e escolheu a cidade de Florença se estabelecendo na Via Antonio Giacommini n. 9. O seu novo trabalho necessitava de um grande espaço para servir como ateliê, pois a tela encomendada seria de grandes dimensões. O local escolhido e obtido foi o espaço da biblioteca do convento Santíssima Annunziata. O fato foi muito comentado pela imprensa italiana da época bem como na de outros países além de ecoar na brasileira.