O poeta debruçado sobre o vasto campo branco da página branca. Seu olhar melancólico, sua mão calejada, seu coração cheio de ternura, seu ser inteiro – se debruça, diante do mistério criativo. Desenha, como quem colhe; escreve, como quem sonha – e vê a cortina de nuvens da página abrir-se aos raios luminosos da tinta a escrever no papel. Não são palavras, são peixes no mar; não são verbos e adjetivos, são formas, ideias, sentimentos – abrindo veredas no vento. Floresce o sol na manhã. No jardim amanhecem as plantas. O instante criativo se revela, inefável instante de nascimento, onde o inaudito se mostra. Luz, muita luz, o delírio da luminosidade na folha branca.
Essencialmente, ele é poeta, assim como o são todos os artistas. Mas não exclusivamente, como prova seu mais novo livro, O peso da borboleta (Editora papel da palavra, Campina Grande), sem falar no que ele publica regularmente no jornal A União e no blog Ambiente de Leitura Carlos Romero.
E por que não? Muitos poetas fazem isso. A poesia é rara e a prosa está sempre ali,
à mão, disponível para expressar se não profundos sentimentos ou altas abstrações, pelo menos a opinião cotidiana do escriba sobre acontecimentos e questões mais ou menos objetivas da contemporaneidade, sem que isso, claro, signifique qualquer irrelevância. A maioria dos poetas brasileiros modernos também escreveu prosa da melhor qualidade, geralmente foram cronistas excelentes, a exemplo de Bandeira, Drummond e Affonso Romano de Sant’Anna, de modo que o nosso Leo está em ótima companhia. Aqui na aldeia, Hildeberto e Castro Pinto fazem-no com frequência, o que é ótimo para todo mundo, autores e leitores.
Quando vivi na Espanha, fazendo doutorado, eu frequentava os "comedores universitários". Devo dizer, em justiça à verdade, que esses restaurantes para estudantes, professores e funcionários eram, de modo geral, maravilhosos. Não era aquela comida burocrática de bandejão que a gente encontra em muitas universidades. Nada disso. A comida era realmente muito boa.
Sofro de memória curta para certas lembranças, inclusive para livros inteiros, muitos deles desbravados na hora, ardentemente e, mais à frente, esquecidos, ainda que me deixem algum rescaldo de tênue consistência.
Março é mês de reflexão, de luta e de celebração consciente. É tempo de reconhecer a força, a coragem e a determinação das mulheres que, ao longo do processo histórico, abriram caminhos, romperam silêncios e conquistaram direitos fundamentais.
Os havelis são opulentas e expressivas mansões tradicionais indianas, especialmente famosas no norte do país, em regiões como o Rajasthan (estado que faz fronteira com o Paquistão), Gujarat (estado localizado no extremo oeste da Índia) e em Haryana (estado localizado na parte noroeste do país). Também existem no Paquistão, no Nepal e no Bangladesh.
O ano terminava em Cuité com a estiagem castigando cada vez mais todo o sertão. Aos poucos, o sol desbotava o cenário do campo, aumentando a aridez do solo. Rostos duros e enrugados faziam contraste com um chão desolado.
No alto da escadaria, imóvel como uma estátua ferida pelo tempo, Norma Desmond, a diva do cinema mudo, personagem de Crepúsculo dos Deuses, não se conforma com o avanço do cinema.
Maria de Lourdes Hortas nasceu em São Vicente da Beira (Portugal) e, aos dez anos, mudou-se com a família para o Recife (PE), onde vive até hoje. Ao longo de mais de cinquenta anos de produção poética, publicou diversos livros de poesia, organizou antologias, editou revistas literárias e atuou como articuladora cultural na cena literária pernambucana e brasileira.
O poeta Gregório de Matos desenvolve os seus pendores poéticos na sua permanência de 8 anos, em Coimbra, com leituras de Camões, Sá de Miranda, Cervantes, Quevedo e Gôngora. É no, Brasil, no entanto, que ele dá livre curso à sua “lira maldizente” (“Aos Vícios”, CAC, vol. 3, p. 29), quando se vê livre para a criação poética, quebrando as peias e cabrestos dos cargos eclesiásticos que aqui ocupava, como diz Segismundo Spina (A poesia de Gregório de Matos, São Paulo, EDUSP, 1995, p. 31):
Baby Pignatari, neto de Francisco Matarazzo, o maior industrial do país à época, começou a trabalhar com o pai muito cedo e, aos 20 anos, herdou a Laminação Nacional de Metais. Chegou a ser conhecido como o rei do cobre do Brasil. Sua Companhia Brasileira de Cobre (CBC), fundada no Rio Grande do Sul, era um modelo. Construiu uma cidade, bancando várias vilas de moradores (mais de 5.000), com hospital, clínicas odontológicas, clubes de lazer, campo de aviação, rodoviária, cinema e muito mais.
Punha-se, os suspensórios guardando as calças e atravessando a camisa bem passada e limpa, a organizar os folhosos recém-saídos da impressão. Meu pai me levava até ele. Eu, na meia-idade de criança, iniciava a sentir o sabor do jornal físico e impresso. Gosto que ainda perdura.
Acho que todos nós, mesmo que isso escondamos, tivemos, ou ainda temos, maior preferência por alguém da família. Evidentemente, nessa escolha não entram pai e mãe. Estes não competem pelo afeto de ninguém. São “hors concours”, como sempre lembrava um amigo de adolescência, estudante aplicado de francês.
Vivemos imersos em um turbilhão de estímulos externos, mas a verdadeira bússola para uma vida plena reside em uma profunda conexão com nosso próprio eu e com o mundo que nos cerca. Frequentemente, o que nos falta é justamente um convite a aprofundar-nos em nós mesmos, expandir-nos em amor e encontrar propósito em cada ação.
Havia uma folha no caminho, com muitas linhas escritas, várias para serem contadas, outras tantas rasuradas. Sobre a terra, caída, solta ao sabor do vento rasteiro do fim da tarde. O chão de cimento, ornado pelo verde da grama, é aguado pelas chuvas intensas de um verão quente e, muitas vezes, molhado e abafado. E as linhas formam o esqueleto perfeito do que já fora parte de uma grande castanhola, uma costura sem agulhas, emenda da natureza.
A arte contemporânea é construída não mais necessariamente com o novo e o original, como ocorria no Modernismo e nos movimentos vanguardistas. Ela se caracteriza principalmente pela liberdade de atuação do artista, que não tem mais compromissos institucionais que o limitem. Ele, portanto, pode exercer seu trabalho sem se preocupar em imprimir