Ele é idoso, curvado, uma câmera pendurada no pescoço. Com um galho fino, entra no regatozinho que corre entre as pedras e afasta as folhas caídas que impedem o fluxo da corrente. Uma a uma. Sento no banco para observar a cena. Ele segue com muita calma. Horas depois, quando volto ao lugar, está sentado olhando a água escorrer entre as pedras.
Foto: Sonia Zaghetto
Foto: Sonia Zaghetto
Para esse caldeirão humano convergem famílias passeando, turistas, artistas de rua, gente a caminho do trabalho. Ali está o maior conjunto de museus de Tóquio, as douradas árvores de ginkgo, templos xintoístas e budistas. E tudo o que se ouve é o piar dos passarinhos.
Do que as imagens não traduzem: o sol passando entre as folhas vermelhas de bordo japonês, o malabarista de camisa amarelo-gema e suspensórios suando sob o sol forte e sem gorjeta (essa eu conto depois, no blog), o lago Shinobazu, coberto de folhas secas de lotus porque é inverno e no centro da ilha o templo da deusa Benzaiten, a patrona dos escritores e artistas em geral. Acendo incenso para a deusa.
Parque Ueno, em Tóquio, especialmente famoso e muito visitado na primavera, foi inaugurado há mais de 150 anos em uma área que pertenceu ao anigo templo Kan'ei-ji, hoje um grande centro cultural e de lazer ▪️ Fotos: Sonia Zaghetto
Termino o dia no Museu de Arte Ocidental, vendo pinturas impressionistas raras e desenhos de Dürer. E que experiência é visitar um museu no Japão. Muitos jovens tentando entender a cultura expressa na arte ocidental, silêncio absoluto (essa também contarei depois).











