Aqui, lendo esse cronista/poeta/psicólogo/terapeuta/cantor, exímio nas trilhas sonoras dos seus textos e da sua vida, movido às coi...

Na trilha de Nelson Barros

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Aqui, lendo esse cronista/poeta/psicólogo/terapeuta/cantor, exímio nas trilhas sonoras dos seus textos e da sua vida, movido às coisas belas, ditas e não ditas, e tantas outras coisas, o seu texto “When I’m Sixty-Four”, n'A União de 27 de março, fiquei parodiando a minha própria música, ou trilha.

Certa vez, em uma manhã de sábado, éramos três amigos com sonhos incomuns, seguindo pelas veredas do Sítio Antas como quem busca os zumb...

O clamor dos camponeses

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Certa vez, em uma manhã de sábado, éramos três amigos com sonhos incomuns, seguindo pelas veredas do Sítio Antas como quem busca os zumbis adormecidos nos antigos canaviais, lembrados pelo poeta Raimundo Asfora no dia em que o defunto João Pedro Teixeira era reverenciado no Ponto de Cem Réis. Não íamos caçar zumbis, mas tentar refazer a última caminhada do camponês que, no dia 2 de abril de 1962, tombou como um passarinho ferido no peito por uma bala desferida por detrás de uma moita.

A tolerância é uma virtude essencial que permeia todas as esferas da vida, desde a intrapessoal até as interações sociais mais amplas....

Tolerância nunca é demais

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A tolerância é uma virtude essencial que permeia todas as esferas da vida, desde a intrapessoal até as interações sociais mais amplas. Dentro de nós mesmos, a autotolerância nos permite aceitar nossas próprias falhas e imperfeições, cultivando assim um ambiente interno de compaixão e crescimento.

Solidão que não se escolhe é abandono – tenho essa verdade como indiscutível há muito tempo. ...

Entorno da solitude

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Solidão que não se escolhe é abandono – tenho essa verdade como indiscutível há muito tempo. E a solidão que se escolhe? O melhor nome para ela encontro nos acréscimos que Paul Tillich faz a filósofos como Sêneca, Montaigne e Thoreau: é a solitude. O teólogo e filósofo teuto-americano estabeleceu a diferença de forma sintética e precisa:

Passei boa parte da vida correndo atrás de pássaros que pousassem na minha janela, e trens bufando na plataforma, em nome do encontro ...

Um bom gênio

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Passei boa parte da vida correndo atrás de pássaros que pousassem na minha janela, e trens bufando na plataforma, em nome do encontro com a felicidade. Até que, um dia, parei na esquina da minha rua, para conversar com seu Almeida, o jornaleiro. Ele não é daqueles que só empurram jornal com café requentado, com um pão de queijo de ontem. Ele lê cada notícia, comenta o tempo, pergunta do cachorro da gente, e guarda um doce para as crianças da vizinhança.

Dica de leitura, por Cibele Laurentino Existem livros que se organizam como estruturas lineares, obedientes a uma lógica narrativa...

A Rabeca de Paganini

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Dica de leitura, por Cibele Laurentino
Existem livros que se organizam como estruturas lineares, obedientes a uma lógica narrativa previsível. E há aqueles que se expandem como uma conversa viva, interrompida, retomada, atravessada por risos, memórias e exageros. A Rabeca de Paganini, de Luiz Augusto Paiva, pertence, com segurança, a esta segunda categoria.

No próximo 22 de agosto deste 2026 estará fazendo 50 anos da morte de Juscelino Kubitscheck, em acidente automobilístico ainda hoje c...

50 anos sem JK

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No próximo 22 de agosto deste 2026 estará fazendo 50 anos da morte de Juscelino Kubitscheck, em acidente automobilístico ainda hoje controverso. Alguns acreditam que tenha sido um planejado assassinato, assim como teriam sido, na mesma época, as mortes de Carlos Lacerda e de João Goulart, eliminando-se de uma só vez as três maiores lideranças políticas opositoras do poder então em vigor. Não importa. Hipóteses ou certezas, o fato incontornável e imodificável é o desaparecimento daqueles homens que, para muitos, representaram esperanças – e, não raro, frustrações, marcando indelevelmente a segunda metade do século XX no Brasil.

Uma coisa tenho prestado atenção ao longo da minha formação: a sinceridade não é uma coisa muito aceita. A sinceridade parte de você ...

Todos queremos ser amados

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Uma coisa tenho prestado atenção ao longo da minha formação: a sinceridade não é uma coisa muito aceita. A sinceridade parte de você querer se expressar, dizer o que sente e o que pensa. No entanto, falar o que se sente raramente encontra acolhimento. Verdades não existem além do fato fático.

Com o passar do tempo, a gente vai se recolhendo, sumindo dos lugares onde foram sedimentadas as melhores afeições, sem distinção das...

A janela de Ivonaldo

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Com o passar do tempo, a gente vai se recolhendo, sumindo dos lugares onde foram sedimentadas as melhores afeições, sem distinção das pessoas ou do lugar em si. Também a vida desses lugares dependia da nossa. Onde está o Cabo Branco dos meus antigos intervalos de redação, a dois passos do antigo jornal da Duque de Caxias? Dos meus dedos de prosa com
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Antigo Clube Cabo Branco ▪️ Instagram: @paraiba.jampa
Dr. Celso Mariz, com Rubin Falcão, com Mário Santa Cruz, com Luciano Wanderley, com Rivadávia Pereira? O meu Cabo Branco, que era a sede central, sustentava-se desse espírito de convivência?

Muitos dos nossos maiores escritores dedicaram-se a retratar a cidade de João Pessoa em prosa e verso, compondo, ao longo do tempo, um...

Phelipea, do rio ao mar

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Muitos dos nossos maiores escritores dedicaram-se a retratar a cidade de João Pessoa em prosa e verso, compondo, ao longo do tempo, uma verdadeira cartografia afetiva de suas ruas, paisagens e memórias. Entre eles estão Walfredo Rodriguez, com Roteiro sentimental de uma cidade; Gonzaga Rodrigues,

Aprendi a não deixar brotar em minha mente e coração expectativas em ser e em ter.

Expectativa

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Aprendi a não deixar brotar em minha mente e coração expectativas em ser e em ter.

Entre as obras mais curiosas e simbolicamente densas do escritor paraibano José Américo de Almeida, Reflexões de uma cabra ocupa um l...

Reflexões de uma cabra, de José Américo de Almeida

Entre as obras mais curiosas e simbolicamente densas do escritor paraibano José Américo de Almeida, Reflexões de uma cabra ocupa um lugar singular dentro da literatura regionalista nordestina. Conhecido sobretudo pelo romance A Bagaceira — marco do regionalismo brasileiro e precursor de muitos temas que seriam aprofundados por autores como Graciliano Ramos e Rachel de Queiroz —, José Américo revela, neste pequeno e engenhoso texto alegórico, uma faceta menos discutida de sua produção: a inclinação para a sátira filosófica e para a observação moral da condição humana através do artifício da fábula.

Espaçosos, invasivos, touchers, gozadores das fortunas alheias... tem para todos os gostos. Ultimamente, comecei a catalogar quant...

Os chatos

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Espaçosos, invasivos, touchers, gozadores das fortunas alheias... tem para todos os gostos. Ultimamente, comecei a catalogar quantas espécies de chatos existem. Uns mais e outros menos chatos, mas todos eles irritantes. Como eu gosto muito de conversar, vou logo adiantando que prefiro mil vezes um mentiroso a um chato, mesmo porque os mentirosos são divertidos e nunca falta assunto... eles inventam.

Voltei à leitura de Menino de engenho (1932), romance de José Lins do Rego, motivado pela projeção do filme homônimo, dirigido por W...

Uma leitura de ''Menino de engenho''

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Voltei à leitura de Menino de engenho (1932), romance de José Lins do Rego, motivado pela projeção do filme homônimo, dirigido por Walter Lima Júnior (1965). Por ocasião da morte de Sávio Rolim, que, no filme, interpretou o menino Carlinhos, Mirabeau Dias, atendendo a uma sugestão de João Medeiros, projetou, no último sábado (20/03/2026) a película, cuja

Nada como deixar a criança — ou mesmo o adolescente — sair e tomar os comandos por alguns instantes. E um bom cenário para isso é um p...

Versão criança

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Nada como deixar a criança — ou mesmo o adolescente — sair e tomar os comandos por alguns instantes. E um bom cenário para isso é um parque de diversão. Ah! Que sensação gostosa embarcar em um dos brinquedos e encarar solavancos, balanços, “sustos” e escorregos gigantes! Foi justamente isso que eu e Rachel fizemos, como
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GD'Art
um bom casal de enamorados adolescentes. Nós nos colocamos para a diversão, feitos crianças, nos brinquedos do Universal Parque, armado no costumeiro endereço às margens da BR-230, vizinho ao Unipê. A criança que reside em mim eu faço questão de que viva dando umas voltinhas, vez por outra.

A Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro está erigida sob um imenso lajedo, denominado pelos indígenas de Araçá ou Araxá, que na ...

A menor capela do mundo fica em Esperança, Paraíba

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A Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro está erigida sob um imenso lajedo, denominado pelos indígenas de Araçá ou Araxá, que na língua tupi significa “lugar onde primeiro se avista o sol”.

Revi, na fase adulta , a pequena casa em cujo alpendre pus os pés, pela primeira vez, dos 12 para os 13 anos de idade. Agora, os móveis...

Casinhas caiadas

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Revi, na fase adulta, a pequena casa em cujo alpendre pus os pés, pela primeira vez, dos 12 para os 13 anos de idade. Agora, os móveis eram outros. Assim, também, as pessoas e os retratos. Quase no início da adolescência, saído de Juripiranga, ali estive em busca de água. Deu-me um trabalhão convencer minha avó de que eu conseguiria cobrir a pé, sem me cansar nem me perder, os doze quilômetros

A obra O Sentido da Arte (1931), escrita pelo poeta e crítico de arte e de literatura britânico Herbert Edward Read (1893-1968), ve...

Arte enquanto necessidade vital

Herbert Edward Read arte estetica filosofia necessidade humana
A obra O Sentido da Arte (1931), escrita pelo poeta e crítico de arte e de literatura britânico Herbert Edward Read (1893-1968), versa acerca da natureza, da função e do valor da arte na vida humana. Inserido no contexto das transformações estéticas e sociais do período entre guerras, Read propõe uma compreensão da arte como expressão
Herbert Edward Read arte estetica filosofia necessidade humana
GD'Art
fundamental da experiência humana e como elemento estruturante da sensibilidade e da cultura, transcendendo épocas e indivíduos. Para ele, a arte é uma necessidade biológica e psicológica de ordenar a experiência do mundo.

Todos os dias, a cena se repete. Ao chegar em casa, sou muito bem recebido por ela. Ao ouvir a minha voz, ela se aproxima, a cauda da...

O prazer de chegar

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Todos os dias, a cena se repete. Ao chegar em casa, sou muito bem recebido por ela. Ao ouvir a minha voz, ela se aproxima, a cauda dardejando no ar. Ao chegar aos meus pés, a cauda assume uma clave de sol, envolvendo a minha perna.

No turbilhão da vida moderna, onde os ecos de vozes se entrelaçam em um constante embate, o silêncio emerge como uma filosofia de re...

A filosofia do silêncio

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No turbilhão da vida moderna, onde os ecos de vozes se entrelaçam em um constante embate, o silêncio emerge como uma filosofia de resistência e reflexão. A existência humana, frequentemente marcada por interações efêmeras e provocativas, revela uma verdade sutil: a necessidade de alguns de se afirmar por meio do conflito.

À custa de alguns tropeços, a vida ensinou-me a estabelecer limites no que diz respeito à ingestão de bebidas alcoólicas. Cometi al...

Qual dos dois?

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À custa de alguns tropeços, a vida ensinou-me a estabelecer limites no que diz respeito à ingestão de bebidas alcoólicas. Cometi alguns excessos, mas raros. Normalmente, não ultrapasso as fronteiras daquela euforia discreta e não me permito chegar ao território das inconveniências.

Jornalista estreia na literatura nesta quinta-feira e lançará mais dois livros este ano. No limiar dos seus 77 anos (aniversário e...

Aos 77 anos

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Jornalista estreia na literatura nesta quinta-feira e lançará mais dois livros este ano.
No limiar dos seus 77 anos (aniversário em 29 de março), o jornalista Petrônio Souto toma decisões de fôlego: estreia na literatura e lança seu primeiro livro, PS em poucas letras. O evento acontecerá na próxima quinta-feira (26), às 19h, na Fundação Casa de José Américo (FCJA), situada à Avenida Cabo Branco, 3336, na orla da capital paraibana. A seguir, ele pretende ainda lançar mais dois livros este ano, que já estão no prelo.

As aulas de Língua Portuguesa, no contexto da educação básica brasileira, têm historicamente privilegiado o ensino da gramática normati...

Oralidade na Educação Básica

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As aulas de Língua Portuguesa, no contexto da educação básica brasileira, têm historicamente privilegiado o ensino da gramática normativa — frequentemente de maneira descontextualizada —, assim como a abordagem recorrente de gêneros textuais, ao passo que a produção escrita tende a se concentrar na tipologia dissertativo-argumentativa. Nesse cenário, as práticas pedagógicas voltadas

Começou em fevereiro o Clube de Leitura e Escrita: Fale mal, mas fale de você , da cronista e podcaster Tati Bernardi; inscrevi-me porq...

Com Tati Bernardi & Édouard Louis

Começou em fevereiro o Clube de Leitura e Escrita: Fale mal, mas fale de você, da cronista e podcaster Tati Bernardi; inscrevi-me porque gosto da Tati, ouço os seus muitos Podcasts, assim como ela, gosto de psicanálise (ignorante sou), e vi nesses encontros,

A luta dos agricultores por uma nesga de terra na Paraíba tem sido marcada pelo sangue, pela perseverança e pela fé. Em mais de cin...

Tudo por uma nesga de terra

pastoral da terra luta agraria rural dom marcelo carvalheira
A luta dos agricultores por uma nesga de terra na Paraíba tem sido marcada pelo sangue, pela perseverança e pela fé. Em mais de cinco décadas, em muitas ocasiões, de forma contundente, a Igreja esteve presente, sendo “a voz dos que não têm voz”.

O romance é um tipo de produção literária em que imergimos para ter uma nova experiência do mundo. Como escreveu Álvaro Lins, é u...

O fim que é um recomeço

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O romance é um tipo de produção literária em que imergimos para ter uma nova experiência do mundo. Como escreveu Álvaro Lins, é um “outro mundo” no qual mergulhamos para melhor perceber este em que nos movemos no dia a dia. O universo do romancista constitui um simulacro que nos leva a refletir sobre a nossa condição. Reconhecemo-nos em personagens, lugares, situações, e por meio desse espelho melhor dimensionamos a nossa humanidade.

"O Ser humano suporta o absurdo, desde que possa esperar por algo". Samuel Beckett Os humanos mais valentes creem que a sol...

Sem direção

solidao destino
"O Ser humano suporta o absurdo, desde que possa esperar por algo". Samuel Beckett
Os humanos mais valentes creem que a solidão não vá corroer seus desejos, ao vagar pelo mundo sem olhos para fitar, que não é a forma mais sutil de ser gente. Passar minutos apreciando os outros se amontoarem em si, vagando em suas ideias ou cruzando pelas ruas frias e úmidas, pode nos trazer uma sabedoria solitária. Porém, é uma companhia quase ausente de um par de mãos,

A grande reforma urbanística que o barão Georges-Eugène Haussmann promoveu na segunda metade do século XIX, quando era prefeito do ...

Arquitetura iluminada

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A grande reforma urbanística que o barão Georges-Eugène Haussmann promoveu na segunda metade do século XIX, quando era prefeito do Departamento do Sena, setor responsável por administrar a velha Paris, foi planejada sobretudo para atender à intenção do então imperador Napoleão III de dificultar a ocorrência de novos motins. A intervenção, que também tinha como meta transformar a capital da
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Georges-Eugène Haussmann (1809–1891), administrador francês que remodelou Paris no século XIX, abrindo grandes avenidas e modernizando a cidade. ▪ Arte: H. Lehmann, 1860 ▪ Musée Carnavalet
França em uma metrópole iluminista, foi tão ampla quanto profunda, a ponto de render a Haussmann o apelido de Artista da Destruição.

Foram drásticas as reformas que provocaram uma imensa demolição de grande parte da cidade para abertura de novas avenidas, largas e panorâmicas — logo chamadas de boulevards – dentro de um novo desenho urbano que realizava o sonho vislumbrado pelo imperador, ao constatar os modernos avanços que Londres realizava ao longo do Tâmisa. Imaginem a inveja que a remodelação de Haussmann causaria em Pedro, o Grande (da Rússia) que ao encomendar projeto similar para São Petersburgo, expressou o desejo de que a então capital russa fosse construída ao nível de uma Paris.

A perspectiva idealizada limitou a altura dos edifícios em 6 andares, conferindo uma unidade paisagística ímpar, marcada pela forma estrelada hexagonal dos núcleos de onde partiam os mais amplos e famosos boulevards do mundo ocidental.

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Place de l'Étoile é a antiga denominação da atual Place Charles-de-Gaulle, em Paris, lugar de convergência de grandes avenidas e onde se ergue o Arco do Triunfo. ▪ Foto: E. Rovielo
Tais vias foram guarnecidas por generosas calçadas, convergindo frequentemente para praças, parques e monumentos de extraordnária beleza em obras e recantos como o Arco do Triunfo, o Palais Garnier (Ópera), a Concorde, a Étoile, e as avenidas Rivoli, Foch e Champs Elysées.

Foto: N. Romano, via Wikimedia
Esta unidade proporcionada pela nova malha viária e respectivo gabarito de altura refletiu-se na harmonia estilística de suas fachadas qu apesar de serem em edificações conjugadas, não perderam a grandiloquência almejada na idealização do ousado projeto.

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Place de la Concorde, em Paris, marcada por sua arquitetura monumental, pelas fontes ornamentais e pelo obelisco egípcio instalado no centro. ▪ Fotos: Ninara e J. Royan, via Wikimedia
O resultado pode ser degustado pelos apreciadores da arquitetura pelo mundo, que fez do conjunto de frontispícios de Paris um dos cenários mais esplendorosos do planeta. Tudo arrematado com detalhes de apurado senso de estética, minuciosamente dispostos em delicados ornamentos, cornijas, capitéis, molduras, platibandas, águas-furtadas, gradis e chaminés a refletir a essência da refinada arte e cultura dos parisienses.

Fotos: D. Vorndran, K. Bandara e A. Otrębski, via Wikimedia
E assim, a Lutécia medieval, futura capital da França, fundada e erguida em pedra bruta, terminou se esculpindo, moldando com extremo requinte o sólido material usado desde a antiguidade, em suas novas obras enriquecidas com fachadas esculpidas e rebuscadas com requintado bom gosto.

Fotos: L. Macapagal, D. Henry, P. Blaché, via Wikimedia
A metrópole cognominada historicamente de Cidade-Luz, não apenas por questões de iluminação pública e mais pela influência no movimento filosófico-cultural iluminista, evoluiu e se consagrou como tal, reforçando o justíssimo cognome com novos projetos de iluminação de prédios, praças e pontes, que, a cada ano, inovam
Foto: S. Sund, via Wikimedia
e se aperfeiçoam com todos os encantos, em todos os recantos. A luz de “Led” (emitida por diodo), seja em fitas, cabos, spots, guirlandas, balizadores e refletores, se inseriu maciçamente na forma de iluminar a perspectiva exterior e com singular diferencial.

Uma das coisas mais notáveis e apreciadas atualmente na arquitetura são os efeitos que os arquitetos e especialistas em luminotécnica vêm conseguindo obter com a iluminação especialmente focada para valorizar os prédios e cenários urbanos bem cuidados do planeta, em projetos chamados de "Lighting Design".

Embora a lâmpada elétrica incandescente tenha vindo ao mundo através da genial criatividade de Thomas Edison, há pouco mais de um século, ou seja, milênios depois de surgirem os primeiros modelos arquitetônicos, seus efeitos deram um novo conceito à criação arquitetônica. O grande inventor jamais imaginou que sua invenção viria embelezar o mundo de forma tão sui generis...

Fotos: Prost. Head,
São impactantes os resultados obtidos com o poder da luz, em decorrência de seu uso nesta nova ciência que progride velozmente, com produtos que não só enriquecem as paisagens urbanas, exteriores e interiores, como também criam alternativas para usufruir ecologicamente da eficiência energética.
Foto: F. Tolmo
com a luminosa magia e seus benefícios, aos olhos e ao planeta.

Já dissemos que “a luz é a roupa de festa com que se veste a arquitetura", e são incontestáveis os êxitos desta roupagem que confere volume, relevo, e valoriza detalhes no jogo de sombras, destacando aspectos que se transformam esteticamente com a correta e bem planejada aplicação.

Nas fachadas, então, pela própria visibilidade compartilhada publicamente, os efeitos da luminotécnica tornam-se mágicos. Arquitetos, urbanistas e especialistas em luz estão promovendo shows de talento e charme nas ruas, nas pontes, nos pórticos, nas sacadas, cornijas e até nas gárgulas e telhados de muitas cidades pelo mundo.

Foto: P. Blaché, via Wikimedia
Em Montenegro e na Croácia, onde o turismo progride rapidamente, as novidades dos projetos luminotécnicos impressionam pelos avanços desta refinada “arte” tanto na ambientação interior como no paisagismo externo, sejam em área pública ou privada, com reconhecido interesse do poder municipal que sabiamene tem investido na iluminação de suas cidades.

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Dubrovnik, Croácia. ▪ Fotos: E. Hossinger, J. Franganillo, N. Palmero, via Wikimedia
Nos centros históricos preservados, a luz proporciona o destaque essencial aos elementos arquitetônicos mais significativos. Na área central da bonita capital da Eslovênia, Liubliana, foram implementados contornos de luz colorida focada nas bases internas das pontes sobre o rio Liublianika, com resultados extraordinários. Igualmente encantadora é a harmonia que se mantém subsequente nas fachadas de ambas as margens, em que o foco da luminária escondida no lado oposto se direciona em luz pontual ou lavada, destacando o relevo de cornijas, arcos, platibandas e frontões.

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Liubliana, Eslovênia ▪ Fotos: J. Franganillo, via Wikimedia
Hoje, além da arquitetura de pedra, temos também avançando, a passos largos, na Arquitetura de luz. O que faria Goethe rever sua frase para "Arquitetura é música petrificada e iluminada".

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