Coloco os dois juntos no título porque assim viveram a vida inteira e não dá para separá-los agora. Décadas de um casamento feliz, décadas de companheirismo leal, décadas de presença na vida cultural paraibana. A cidade aprendeu a vê-los juntos e a associá-los como uma entidade única, indivisível. Um dos casais 20 da aldeia, sem nenhuma dúvida.
Há casais assim. E é bonito de se ver. Tão integrados os dois, que não se concebe vê-los separados. Do mesmo modo que não concebemos José Octávio sem a sua emblemática pasta de couro na mão, cheia de livros, papéis e documentos. Ele a leva para tudo que é canto, de tal maneira que a pasta
Joacil de Brito Ferreira ▪️ Fonte: JPB1
Entretanto, não se veja jamais o papel de Amável como o de uma coadjuvante ou de uma eficiente secretária tempo integral. Ela foi mais, muito mais que isso. E tomou a si esse papel mais que voluntariamente: eu diria orgulhosamente, pois via-se em seu calmo semblante a satisfação pessoal que ela tinha em estar ao lado do marido, opinando, sugerindo e até mesmo, quando era o caso, advertindo-o. O próprio
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E ao longo do tempo não apenas datilografava ou digitava os textos do infatigável consorte, mas revisava-os com cuidados de profissional do ofício, e até opinava quanto ao conteúdo e a forma, transformando-se, não raro e em alguma medida, em verdadeira coautora. E nessas ocasiões tinha-se a plena amalgamação dos dois parceiros de vida e de trabalho.
Diz-se que Amável geria a vida prática de José Octávio, cuidando das contas bancárias, dos pagamentos, das compras e de tudo que dissesse respeito ao dia a dia. Se assim foi, não foi ela a primeira nem a última: muitas companheiras de intelectuais, artistas e políticos costumam assumir a gerência da vida doméstica e familiar, a fim de que os maridos se dediquem exclusivamente às suas exigentes atividades. Clementine, a mulher de Churchill, foi assim. E muitas mais. E não se veja nisso uma diminuição da importância das mulheres. Pelo contrário. Não é à toa que se costuma dizer que por trás de todo grande homem há sempre uma grande mulher. E a grandeza dessa mulher quase nunca é ostensiva, quase nunca salta aos
José Octávio de Arruda Mello, professor, escritor e historiador paraibano, pós-doutor em História (USP), membro do IHGP e da APL ▪️ Fonte: O Sebo Cultural
A propósito, sempre exaltei as chamadas donas de casa, mulheres do lar. Têm sido elas, através dos milênios, que sustentam o mundo nos ombros. Os homens, vão para o campo, para a guerra, para as viagens, e elas ficam em casa garantindo a subsistência da família, quase sempre numerosa, com idosos e filhos sob seus cuidados. Quem disser que isso não tem valor, que isso é uma atividade menor, é um completo idiota, nada sabe da vida. As militantes do feminismo nem sempre valorizam essas heroínas domésticas e quando assim agem nem percebem que estão eventualmente a desvalorizar as respectivas mães e avós.
Amável não foi exclusivamente do lar, pois trabalhou na administração estadual, diga-se de passagem, o que prova que soube se desdobrar para atender muitas demandas. Discreta, inteligente, cordial e atuante, foi verdadeiramente uma mulher notável, em todos os sentidos.
Tão inseparáveis são, que certamente continuaremos a vê-la ao lado de José Octávio, a companheira perfeita que sempre foi e continuará sendo. Sua presença suave e elegante é daquelas que nunca se apagam.









