Desde há muitos anos que sonhava em conhecer o Marrocos. Pela magia do desconhecido, pelos camelos, desertos e depois, mais ainda, pela música de Caetano – Qualquer Coisa. Virou o tema da nossa viagem. Depois de um dia todo pelas estradas tortuosas das Gargantas de Dades, pelas paradas diante dos desfiladeiros, pelas tendas vendendo tapetes e echarpes belíssimas, finalmente chegamos a essa cidade linda, caótica, ocre, mágica e rica.
Gargantas de Dades, conjunto de cânions e vales montanhosos localizados no sul do Marrocos, entre a cordilheira do Atlas e o deserto do Saara ▪️ Foto: Kader M.
Riad Petit Karmela (Marrakech, Marrocos) ▪️ Foto: Tripadvisor
Visitar o Jardin Majorelle, casa-museu do estilista Yves Saint Laurent, um deslumbre para os sentidos. Tudo azul-cobalto! Depois de Inhotim, Giverny, agora mais esse espaço verde de tantos tons e cactos de tantos tipos. E azuis. E o dia foi para conhecer a parte nova de Marrakech, com suas avenidas largas, longas e imponentes; postes de outros tempos e uma arquitetura exótica e de cores do barro. Gueliz é o coração moderno de Marrakech. As muralhas da Medina por toda parte, o Jardim de Menara, oliveiras a perder de vista. Trouxe um vidro de azeite na mala. Nenhuma câmera consegue
Jardin Majorelle, obra de arte viva, criado em 1920 pelo pintor francês Jacques Majorelle, que abriga um jardim botânico, o museu Yves Saint Laurent e um pequeno museu berbere ▪️ Foto: Max Böhme
Fazer compras no Marrocos é um capítulo à parte. Já sabia da arte de pechinchar e que o preço das coisas é uma questão subjetiva. Mas tudo é muito mais complicado e transcende essa arte. Em todas as tendas e lojas, não adianta perguntar o preço de nada. O vendedor não entende essa informação. Ele quer negociar, mesmo que você não compre. E isso, para nós, é um processo exaustivo: a toda hora estarmos negociando preços de um brinco ou de um tapete. E os vendedores são irritadiços se você não negocia. Um me perguntou: “Para que queres saber o preço?” E eu: “Para saber se cabe no meu bolso, na minha mala”. E ele disse: “Não me interesso”, deu as costas e me deixou falando sozinha. Por isso comprei pouco. Embora tudo fosse lindo demais e de preços acessíveis. A gente se confunde, se perde e já não sabe se quer um camelo ou um pacote de chá de rosas. Couros, tecidos, joias, vasos, cerâmicas, túnicas, kaftas, objetos de decoração, lenços, temperos e todos os óleos e perfumes de argan ao seu alcance. Nem todo o tempo do mundo me daria para que eu enchesse as minhas malas.
Marrocos (Primavera, 2026) ▪️ Fotos: Ana Adelaide Peixoto
Marrocos (Primavera, 2026) ▪️ Fotos: Ana Adelaide Peixoto














