Em carta a João Condé , aquele da coluna “Arquivos Implacáveis”, publicada, originalmente, no jornal A Manhã e, depois, na revista O ...

As muitas faces de um texto

guimaraesrosa sagarana literatura parodia alegoria criacao
Em carta a João Condé, aquele da coluna “Arquivos Implacáveis”, publicada, originalmente, no jornal A Manhã e, depois, na revista O Cruzeiro, Guimarães Rosa revela alguns segredos de seu primeiro livro, Sagarana, que veio a público no mesmo ano da famosa coluna (1946). Pincemos duas dessas “revelações” do autor de Grande sertão: veredas, sobre os contos “Traços biográficos de Lalino Salãthiel ou A volta do marido pródigo” e “Conversa de Bois”.

Já escrevi sobre o tema. Se eu estiver em qualquer ambiente com cinco, dez, quinze pessoas e chegar um bêbado ou um doidinho, com cert...

Meus doidinhos

bebados doidinhos humor cronica humanidade excentricidade
Já escrevi sobre o tema. Se eu estiver em qualquer ambiente com cinco, dez, quinze pessoas e chegar um bêbado ou um doidinho, com certeza eles irão colar em mim. Adoro.

Me sinto esquisito; muitos me acham esquisitíssimo, simplesmente porque reajo. Reajo feliz e perguntando; reajo quando algo não fecha,...

Esquisito de ofício

desmandos corrupcao injustica roubalheira
Me sinto esquisito; muitos me acham esquisitíssimo, simplesmente porque reajo. Reajo feliz e perguntando; reajo quando algo não fecha, não bate no meu juízo, nem a pau. Procuro lógica, busco um denominador comum para um sentimento que me atinge quando querem que eu seja de outro planeta.

Eis que me bate uma inveja imensa da Noruega. Isso é coisa muito condenável? “Ééé, siiim! É um dos sete pecados capitais”, responde...

Morro de inveja

noruega primeiro mundo civilizacao
Eis que me bate uma inveja imensa da Noruega. Isso é coisa muito condenável? “Ééé, siiim! É um dos sete pecados capitais”, responde aquela que me atura há quase 50 anos. Percebo, então, que me arrisco a ir para os quintos do inferno com tripa e tudo, a não ser que eu me ajeite antes de bater as botas. Mas, não adianta. Morro, mesmo, de inveja da Noruega.

Durante dois anos e meio, um grupo de oficiais do Exército, da Força Pública de São Paulo e alguns civis percorreu o país motivad...

Elísio Sobreira no combate à Coluna Prestes

colunaprestes elisiosobreira paraiba resistencia estrategia historia
Durante dois anos e meio, um grupo de oficiais do Exército, da Força Pública de São Paulo e alguns civis percorreu o país motivado pelo sonho de transformar a nação. Esses dignos e honrados revolucionários engrossaram as fileiras da chamada "Coluna Prestes", numa das mais extraordinárias marchas armadas do país.

Nos dias contemporâneos, a filosofia ressurge como uma aliada essencial na busca por compreensão e sentido em meio a um mundo em consta...

A Filosofia e seu papel na construção do pensar crítico

filosofia reflexao pensamento duvida autenticidade conhecimento
Nos dias contemporâneos, a filosofia ressurge como uma aliada essencial na busca por compreensão e sentido em meio a um mundo em constante transformação. Filósofos como Sérgio Mário Cortela, Leandro Karnal, Clóvis Barros Junior e Luiz Felipe Pondé têm contribuído de maneira significativa para o debate público, instigando a reflexão sobre questões que permeiam a existência humana.

Não pense o estimado leitor e a querida leitora que ocupo espaço deste abalizado blog para maledicências. Nada disso. Para mim, a vi...

Chumbo trocado

humor infidelidade irmaos casamento cronica reconciliacao
Não pense o estimado leitor e a querida leitora que ocupo espaço deste abalizado blog para maledicências. Nada disso. Para mim, a vida de cada um é a vida de cada um; já ouvi isso sei lá onde. Ninguém tem que se meter, nem ficar de leva e traz com o que não é da sua conta. Mas tem coisa que não dá para ficar guardada no baú de nossos segredos. É o caso que vou contar aqui. Nem seria justo esconder de quem me prestigia com sua leitura uma pantomima dessa qualidade.

A identidade se refere à parte do nosso ser responsável pelo entendimento de quem somos, de modo a nos diferenciarmos e nos constituir...

Identidade

identidade, autoconhecimento, transformacao, subjetividade, pertencimento, autenticidade
A identidade se refere à parte do nosso ser responsável pelo entendimento de quem somos, de modo a nos diferenciarmos e nos constituirmos como sujeitos. Porém, isso ocorre quando passamos a analisar o outro de forma a validar ou invalidar aspectos alheios.

Sou do tempo da Copa de 70. Uma Copa inesquecível. Vi Pelé, Tostão, Jairzinho, depois Cafu, Raí, Carlos Alberto, Toninho Cerezo, Pa...

A Copa do Mundo

copa futebol torcidas emocao memoria celebracao
Sou do tempo da Copa de 70. Uma Copa inesquecível. Vi Pelé, Tostão, Jairzinho, depois Cafu, Raí, Carlos Alberto, Toninho Cerezo, Paulo César, Rivellino e tantos, tantos outros. No início, via por farra; depois, com filhos pequenos. Madrugadas acordando para assistir à Copa na Coreia, ou do outro lado do mundo. Mas a de que mais gostei foi a da França, mesmo perdendo, por conta dos programas televisivos de making of, bastidores e reportagens sobre queijos e vinhos. Aí já não era mais futebol.

O pensador Tarcísio Burity escreveu uma frase lapidar em um catálogo editado em sua gestão como governador: “Não acredito em democ...

Imprensa livre

imprensa liberdade democracia censura jornalismo expressao
O pensador Tarcísio Burity escreveu uma frase lapidar em um catálogo editado em sua gestão como governador: “Não acredito em democracia sem imprensa livre”.

Um dos efeitos da Copa é fazer com que pessoas que nunca foram a um campo de futebol, e acham que “pe...

Cena da Copa

copa futebol humor zuleide torcida ingenuidade
Um dos efeitos da Copa é fazer com que pessoas que nunca foram a um campo de futebol, e acham que “pelada” é sinônimo de mulher nua, se tornem de repente fervorosas adeptas desse esporte. Sobre isso tenho uma história interessante, que me foi contada por um parente de um dos protagonistas. Troquei os nomes para evitar processo. Vamos lá.

O café fita o teto , desatando sua última fumaça, enquanto observo a pressa do mundo pela janela. Lá fora, os passos correm com a aud...

Valsa delicada

efemeridade tempo afeto finitude encontros humanidade
O café fita o teto, desatando sua última fumaça, enquanto observo a pressa do mundo pela janela. Lá fora, os passos correm com a audácia de quem se julga eterno. Há um sussurro urgente que abafamos todas as manhãs para conseguir abrir os olhos: a certeza de que somos efêmeros. Nascemos com o crepúsculo já desenhado nas pálpebras.

Se eu te disser que as respostas para a sua ansiedade de domingo à noite, para o algoritmo que dita o seu humor e para essa sensação es...

O espelho de quatro séculos: como um garoto de 18 anos previu o nosso cansaço digital

laboetie servidao liberdade algoritmo questionamento dignidade
Se eu te disser que as respostas para a sua ansiedade de domingo à noite, para o algoritmo que dita o seu humor e para essa sensação estranha de que estamos todos correndo numa esteira que não sai do lugar foram escritas em 1548... você acreditaria?

Há adegas que guardam safras. Outras guardam épocas. A que reapareceu em Tbilisi, na Geórgia, guarda algo mais incômodo: a sobreposiçã...

O luxo, a sombra e as garrafas de Stalin

stalin luxo vinhos raros adega
Há adegas que guardam safras. Outras guardam épocas. A que reapareceu em Tbilisi, na Geórgia, guarda algo mais incômodo: a sobreposição entre cultura, poder e memória. Ao abrir ao mundo a coleção de cerca de 40 mil garrafas associadas a Josef Stalin, o governo georgiano não revelou apenas um tesouro enológico. Revelou um arquivo líquido da história europeia.

A frase acima foi dita pelo ator brasileiro Wilson Grey (1923-1993). Os mais antigos certamente lembram-se dele: magro, bigode fino, f...

Nunca beijei a mocinha no final da fita

wilsongrey coadjuvante aceitacao destino filosofia mediania
A frase acima foi dita pelo ator brasileiro Wilson Grey (1923-1993). Os mais antigos certamente lembram-se dele: magro, bigode fino, fartos cabelos pretos de brilhantina, ar de malandro e vilão. Foi sempre coadjuvante, jamais galã, o que explica nunca ter beijado a mocinha no final da fita. Essa figura e essa frase encerram a tragédia de muitos, constituindo-se mesmo num destino ou, mais propriamente, numa sina.

Os sufis contam uma história que vale mais do que muitos tratados de psicologia.

Qual é a força mais destrutiva?

inveja luz ressentimento humildade gratidao amor
Os sufis contam uma história que vale mais do que muitos tratados de psicologia.

A vida força a passagem pelo interstício da parede arruinada. É uma castanhola, três folhas largas, espalmadas, rebentando verdes da c...

A castanhola encaliçada

castanhola memoria ruinas resistencia historia natureza
A vida força a passagem pelo interstício da parede arruinada. É uma castanhola, três folhas largas, espalmadas, rebentando verdes da caliça de 1890 ou 1900.

Lá naquela cozinha cheia de friagem da montanha mais alta do brejo, a antiga Vila Rica do Brejo de Areia, hoje simplesmente Areia, lá ...

O tempo das colheitas

Lá naquela cozinha cheia de friagem da montanha mais alta do brejo, a antiga Vila Rica do Brejo de Areia, hoje simplesmente Areia, lá naquela cozinha inundada de sacos de milho verde, lá naquela cozinha povoada de aromas do campo, ela se concentrava num moinho ajustado a uma mesa de madeira bruta, o qual engolia o milho verdinho e vomitava bagaços amarelos.

O romance Carolino, de Efigênio Moura, é uma das obras mais maduras da recente literatura sertaneja produzida na Paraíba. O livro não ...

Carolino, de Efigênio Moura

O romance Carolino, de Efigênio Moura, é uma das obras mais maduras da recente literatura sertaneja produzida na Paraíba. O livro não apenas revisita o universo do vaqueiro nordestino, mas o transforma em território mítico, onde memória, perda, religiosidade e assombração convivem com absoluta naturalidade. A narrativa se insere na tradição do realismo fantástico sertanejo, aproximando-se da oralidade popular e da dimensão simbólica do sertão como espaço espiritual e existencial.

Ao querido amigo Alexei Bueno (in memoriam) A notícia me pegou desprevenido. À mesa, às seis e meia, no início do café da manhã do...

Um deslocado, em embate com o mundo

Ao querido amigo Alexei Bueno
(in memoriam)
A notícia me pegou desprevenido. À mesa, às seis e meia, no início do café da manhã do sábado. O poeta Alexei Bueno morreu, em sua casa, no Rio de Janeiro. Não podia ser. Não era possível. Na segunda-feira, dia 22 de junho, encontrava-me em Solânea, quando recebi uma notificação da portaria de meu prédio, com a foto de uma correspondência, sem identificar o conteúdo ou o remetente. Ao retornar a João Pessoa, na quarta-feira, 24 de junho, vi que se tratava de um livro de Alexei Bueno. Jamais poderia desconfiar que seria o último que o poeta publicaria em vida, O poste: auto sacramental em dois atos, pela Editora Anadiômene, que desde 2024 publicava os seus livros (desconfio existir muita coisa a ser publicada no seu acervo...). Não deu tempo sequer de agradecer ao amigo querido. Como pensar que ele se iria, assim, tão de repente? Mal havia me recuperado da leitura impactante de seu último livro de poesia, A chave quebrada (2026). Ainda ecoavam na minha memória os versos de fluxo inestancável de O irrefreável (2025), poema em forma de um quase fracassado diálogo com um rio de sua memória, afinal “o fluir é para nós uma porta que se fecha”.

Os do meu tempo lembrarão de uma época em que saíamos tarde da noite para fazer serenatas em frente às casas das namoradas. O normal er...

A mais bela serenata

serenata pixinguinha musica nostalgia velhaguarda carinhoso
Os do meu tempo lembrarão de uma época em que saíamos tarde da noite para fazer serenatas em frente às casas das namoradas. O normal era levar alguém que soubesse tocar violão, e quem podia mais ousava levar os gêmeos que tocavam violino ou até mesmo um piano na carroceria de uma caminhonete. Tudo isso eu presenciei, e aquele tempo não voltará por muitas razões. Uma delas seria fazer uma serenata para o amor que mora no oitavo andar de um prédio. Os vizinhos imediatamente chamariam os órgãos públicos para acabar com o “barulho”. Na verdade, o romantismo toca outros ritmos hoje em dia. Mas não é nada disso que eu queria contar; porém, a preguiça não me deixa apagar esse introito.

Eu fui ao lugar onde a terra sobe e o céu desce para se encontrar num abraço cujo silêncio é repartido pelos ventos em espiral de sop...

Das terras dos céus

serras sertao paisagens memoria pertencimento caminhos
Eu fui ao lugar onde a terra sobe e o céu desce para se encontrar num abraço cujo silêncio é repartido pelos ventos em espiral de sopros de vida. Onde é verde, cinza e frio... cheio de curvas e retas desiguais. Lá escutava o grito sem palavras dos seres de todos os tipos. Almas leves flutuantes e sobressaltadas distantes. Sussurros de canções de ninar chegavam suavemente pelas janelas.

Algumas memórias surgem como pequenas epifanias da infância. Entre elas está a descoberta de Zé Limeira, o chamado poeta do absurdo, f...

Nos meandros do cordel

cordel infancia epifania ze limeira
Algumas memórias surgem como pequenas epifanias da infância. Entre elas está a descoberta de Zé Limeira, o chamado poeta do absurdo, figura singular da poesia nordestina. Foi uma das experiências literárias mais fascinantes que encontrei desde cedo.

Que fim de Copa agoniado foi, para Antonio, aquele Brasil e Itália, lá se vão 56 anos. A bem da verdade, ele chegou a ver a Seleç...

Os gols que Antonio não viu

copa mundo 1970 brasil italia
Que fim de Copa agoniado foi, para Antonio, aquele Brasil e Itália, lá se vão 56 anos. A bem da verdade, ele chegou a ver a Seleção perfilada, no momento do Hino, com a escalação dos sonhos: Félix, Carlos Alberto Torres, Brito, Piazza, Everaldo, Clodoaldo, Gerson, Rivelino, Jairzinho, Pelé e Tostão.

A canção He ain’t heavy, he’s my brother (Ele não é um peso, ele é meu irmão), composta pelos norte-americanos Bob Russell (1914–1970)...

Dignidade compartilhada

dignidade solidariedade humanidade bob russel empatia respeito
A canção He ain’t heavy, he’s my brother (Ele não é um peso, ele é meu irmão), composta pelos norte-americanos Bob Russell (1914–1970) e Bobby Scott (1937–1990), foi imortalizada pela banda britânica The Hollies e constitui uma das mais expressivas representações da solidariedade no imaginário coletivo. Lançada em 1969, em uma realidade marcada por profundas tensões sociais, conflitos armados e transformações culturais, a obra transmite uma mensagem de elevado valor ético: o outro não é um fardo, mas uma responsabilidade compartilhada que dignifica a própria condição humana.

Vivemos em uma era marcada por um frenesi de consumo e uma busca incessante por reconhecimento. A pressão da inconsciência nos catapult...

A ilusão da fama e o vazio humano

ilusao fama vazio inrerior
Vivemos em uma era marcada por um frenesi de consumo e uma busca incessante por reconhecimento. A pressão da inconsciência nos catapulta em um ciclo vicioso: produtos inúteis inundam o mercado, enquanto promessas de riqueza e fama ressoam em cada canto digital.

Não estranhem o título do presente texto, mas se trata de uma feliz coincidência ocorrida dois sábados atrás. Então, às explicações.

Os 4 Ms

mario andrade turista aprendiz
Não estranhem o título do presente texto, mas se trata de uma feliz coincidência ocorrida dois sábados atrás. Então, às explicações.

Poucos paraibanos tiveram, na infância, contato com os livros mais do que José Américo de Almeida. Criança, residindo em Areia com o...

Zé Américo e os problemas da Paraíba

Poucos paraibanos tiveram, na infância, contato com os livros mais do que José Américo de Almeida. Criança, residindo em Areia com o tio padre, de quem recebia esmerada educação, às suas mãos chegavam a melhor literatura e o fruto do pensamento greco-romano. O religioso apontava os caminhos pontilhados da sabedoria.

Um susto. Um olhar. Sem timidez. Percorro a vista como quem já conhece o território. Mas, por outros caminhos. Não conheço o nome das ...

Quereres

amor desejo existencia amadurecimento identidade escolhas
Um susto. Um olhar. Sem timidez. Percorro a vista como quem já conhece o território. Mas, por outros caminhos. Não conheço o nome das partes. É um corpo que habita eras. É bela e triste, como o amor. Tem desejo. Uma voz com um timbre macio. Clama por defloração. É agora. É sim. Como foi que me deixei vestir por uma ilusória imortalidade?

Postagens mais visitadas