Retornando da caminhada pelas ruas com carros sonolentos, na tarde morna, com o Sol deixando as nuvens avermelhadas, lembrei de foto...

A Sinfonia da Serra do Pirauá

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Retornando da caminhada pelas ruas com carros sonolentos, na tarde morna, com o Sol deixando as nuvens avermelhadas, lembrei de fotografias da paisagem de Pirauá, lugarzinho no município de Natuba, na divisa da Paraíba com Pernambuco, que tinham as mesmas características do céu que eu observava naquele momento.

Ela estava inconformada. A sua irmã havia se separado do marido, tinha três filhas pequenas e adolescentes e, mesmo sob o pedido de ...

Minha irmã só quer beijar na boca!

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Ela estava inconformada. A sua irmã havia se separado do marido, tinha três filhas pequenas e adolescentes e, mesmo sob o pedido de volta do marido, não queria mais ser casada. Havia descoberto a cerveja e o forró. Como pode? Só levando uma camada de pau. Mas a minha mãe vai botá-la nos eixos. A irmã tem cinquenta anos, mas quem já viu sair à noite para caçar forró por aí afora?

A linguagem nos define. Dize-me como falas e te direi quem és. A identidade entre pessoa e discurso tanto revela a personalidade do ind...

Cada um é o que fala

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A linguagem nos define. Dize-me como falas e te direi quem és. A identidade entre pessoa e discurso tanto revela a personalidade do indivíduo, quanto reflete a classe ou profissão a que ele pertence. Um médico não usa as mesmas palavras que um economista, nem este tem o mesmo discurso de um advogado.

Há datas que são meros acidentes cronológicos, efemérides que o tempo dissolve como sal na água. Outras, porém, inscrevem-se na própri...

Viver em liberdade

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Há datas que são meros acidentes cronológicos, efemérides que o tempo dissolve como sal na água. Outras, porém, inscrevem-se na própria carne da história. Mas não como lembranças, como interrogações que recusam o silêncio. O dia 6 de junho de 1944 pertence a essa segunda ordem, não é apenas uma data, é um limiar.

Dica de leitura Certos livros surgem não apenas do desejo de escrever, mas da urgência de reorganizar emocionalmente aquilo que a vid...

Quando a dor se transforma em linguagem de resistência

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Dica de leitura
Certos livros surgem não apenas do desejo de escrever, mas da urgência de reorganizar emocionalmente aquilo que a vida deixou em ruínas. *Sob o olhar de uma mãe: um filho especial* nasce desse lugar delicado e profundamente humano, no qual a escrita
maternidade sofrimento memoria resiliencia acolhimento superacao
Instagram: @lucietebarbosanutri
funciona como tentativa de compreensão, acolhimento e permanência. O texto se constrói a partir da memória, mas não de uma memória contemplativa ou distante. Pelo contrário: trata-se de uma lembrança viva, dolorosa, ainda pulsando sob a pele da narradora.

Você já marcou um encontro com um livro? Não falo daquele gesto automático de abrir qualquer página para matar o tempo. Falo de compro...

Eu marquei um encontro com um livro e ele sabia mais sobre mim do que eu mesmo

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Você já marcou um encontro com um livro? Não falo daquele gesto automático de abrir qualquer página para matar o tempo. Falo de compromisso mesmo, quase um ritual silencioso, desses que a gente prepara sem perceber que está preparando. Um encontro com hora, lugar e uma expectativa que não se explica direito, mas que fica ali, rondando o peito como quem sabe que algo importante vai acontecer. Porque há livros que não são lidos. São encontrados. Quando isso acontece, não é você quem escolhe o momento. É o momento que te escolhe.

Fui ao lançamento do novo livro de Gonzaga Rodrigues como quem vai presenciar um momento histórico. E de fato era – e foi – um evento...

Gonzaga em pleno palco

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Fui ao lançamento do novo livro de Gonzaga Rodrigues como quem vai presenciar um momento histórico. E de fato era – e foi – um evento extraordinário, pois não é todo dia que se vê um nonagenário a publicar livro. Pode-se dizer então que o autor teve mais essa ventura na vida, uma vida longa, rica e consagrada. Para quem, ainda moço, chegou na capital com a cara e a coragem para abrir caminhos, não é pouca coisa, convenhamos. O menino de Alagoa Nova, filho de Seu Manuel Avelino e Dona Tonina, como um verdadeiro César, veio, viu e venceu.

Existe uma fraude moderna mais sofisticada e cruel que muitas ditaduras: a obrigação de parecer feliz enquanto se afunda. O sujeito...

A tirania da felicidade produtiva

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Existe uma fraude moderna mais sofisticada e cruel que muitas ditaduras: a obrigação de parecer feliz enquanto se afunda. O sujeito ganha mal, dorme pouco, pega ônibus lotado, é descartável na empresa e ainda precisa sorrir como um animador de auditório corporativo. Não basta trabalhar. É preciso “vestir a camisa”. Uma camisa, aliás, comprada em doze vezes pelo próprio funcionário, que mal consegue pagar o aluguel.

O dia mal nasceu. A noite dá seu último adeus, dizendo:

Mendigos

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O dia mal nasceu. A noite dá seu último adeus, dizendo:

Foi o que li nesta última quarta-feira, 3, ao abrir a página para chegar de espírito aberto à bem-humorada crônica semanal de Luiz ...

Paínho, mainha morreu!

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Foi o que li nesta última quarta-feira, 3, ao abrir a página para chegar de espírito aberto à bem-humorada crônica semanal de Luiz Augusto de Paiva e deparar com o imprevisto, já um mês depois de decorrido.

“Tu me inspiras em teus enigmas. É a incógnita! A esfinge! E assim, te torno começo e fim. Sem saber onde começou e se vai terminar...

O enigma silencioso da Grande Esfinge de Gizé

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“Tu me inspiras em teus enigmas. É a incógnita! A esfinge! E assim, te torno começo e fim. Sem saber onde começou e se vai terminar.” Isabella Blanco
Quando pensamos no Antigo Egito, há uma imagem que geralmente nos vem de imediato à mente: a da grande Esfinge de Gizé que, diz o imaginário popular, toda ela será coberta de mistérios, enigmas e maldições...

Desafios, Conquistas e a Ciência do Bem-Estar no Lar A família é a primeira escola da alma e o laboratório bendito onde se fundem as...

A arte de conviver em família

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Desafios, Conquistas e a Ciência do Bem-Estar no Lar
A família é a primeira escola da alma e o laboratório bendito onde se fundem as sublimes leis da evolução espiritual. Na visão espírita, a família não é um mero acaso consanguíneo, mas um reencontro de corações necessitados de reajuste, aprendizado e, acima de tudo, de amor. Desenvolver relacionamentos saudáveis, cultivar a resiliência e promover a transformação pessoal sob o mesmo teto deixa de ser uma contingência social para tornar-se uma verdadeira ciência da alma: a arte da lapidação mútua.

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Fundamentos da Harmonia
As diretrizes para uma coexistência enriquecedora remontam aos ensinamentos do Cristo e às bases da Codificação. Jesus sintetizou o roteiro perfeito ao exortar: “Tratai todos os homens como quereríeis que eles vos tratassem” (Lucas, 6:31). Em sintonia, os Benfeitores Espirituais esclarecem, em O Livro dos Espíritos (q. 893), que "a sublimidade da virtude está no sacrifício do interesse pessoal pelo bem do próximo. A mais meritória é a que assenta na mais desinteressada caridade". No cotidiano doméstico, essa caridade se desdobra em quatro pilares fundamentais:

• Empatia ativa: prática de uma escuta profunda e genuína em relação ao outro, despida de julgamentos.
• Assertividade: comunicação clara, sincera e respeitosa, estruturada sem agressão ou passividade.
• Autoconhecimento: base principal para reconhecer emoções e regular reações no lar. Dados indicam que o autoconhecimento é percebido como a base fundamental (71,8%) para relacionamentos saudáveis.
• Flexibilidade: habilidade de adaptar perspectivas diante da diversidade de pensamentos e caracteres.
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Desafios do Mundo Moderno e a “Criatura Exata”
No panorama contemporâneo, as pressões externas testam a estabilidade do lar. Na obra Respostas da Vida, psicografada por Chico Xavier, o Benfeitor André Luiz, no capítulo "Conviver", traz reflexões profundas sobre esses embates. Ele nos recorda que a pessoa difícil em nossa intimidade é a “criatura exata” para o nosso progresso espiritual. Sob essa ótica, o conflito deixa de ser uma guerra destrutiva e passa a ser um sinalizador pedagógico, apontando onde precisamos trabalhar a paciência e a empatia. A Comunicação Não Violenta (CNV) corrobora essa visão ao propor que toda agressão é a expressão trágica de uma necessidade não atendida.

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A Lei da Reciprocidade: Suportar para Ser Suportado
André Luiz destaca que é preciso saber suportar as falhas alheias para que as nossas também sejam toleradas na mesma medida. Isso exige a imediata suspensão do julgamento ríspido, pois nunca temos o quadro completo da dor ou das lutas do outro. É preciso imenso cuidado com a “franqueza rude”: ser honesto é um pilar da convivência, mas a franqueza sem empatia assemelha-se a lançar água fervente sobre uma planta. Palavras duras matam o canal de comunicação e destroem o crescimento do outro, em vez de nutri-lo. O convite é para cultivarmos as relações com desvelo, falando sempre com compaixão.

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O Amor como Liberdade e Evolução
O verdadeiro amor liberta em vez de escravizar. Amar de forma superior é ajudar o outro a encontrar a si mesmo e a caminhar, não a nos obedecer. O objetivo da convivência superior é agir por amor e compaixão, nunca por culpa, medo ou obrigação. Para tanto, é fundamental reconhecer e respeitar o tempo de evolução e o ritmo particular de cada membro da família.

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Apertando os Laços
Abençoemos a nossa família, mesmo que nela exista alguém que temporariamente nos magoe. Aproveitemos a bendita oportunidade reencarnatória de esclarecimento e reconciliação, cientes de que, no futuro, se colhe rigorosamente o que hoje se semeia. Que transformemos nossos lares em oficinas de luz e santuários de paz, com almas ligadas e felizes na mesma união, sintonizadas no pulsar de um só coração.
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 4. ed. Brasília: FEB, 2016.
ROSENBERG, Marshall B. Comunicação não violenta: técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais. Tradução de Mário Vilela. São Paulo: Ágora, 2006.
XAVIER, Francisco Cândido. Respostas da Vida. Pelo espírito André Luiz. 12. ed. São Paulo: Ideal, 2012.

O livro Café Morno , de Rosilene Leonardo da Silva, nasce de uma percepção delicada da existência: o instante intermediário das esc...

Café Morno

O livro Café Morno, de Rosilene Leonardo da Silva, nasce de uma percepção delicada da existência: o instante intermediário das escolhas humanas. O próprio título já funciona como metáfora do estado emocional contemporâneo — nem fervor absoluto, nem frio definitivo, mas a morna hesitação diante da vida. A autora transforma esse símbolo cotidiano numa chave filosófica e afetiva para compreender o sertão, a memória e a condição feminina. A obra venceu o Prêmio Literário José Lins do Rego na categoria conto, consolidando-se como uma das vozes relevantes da nova literatura paraibana.

Entre os estudiosos , é unânime a condição do padre José de Anchieta (1534-1597) como o personagem mais importante do Brasil do século...

José de Anchieta e o Auto de São Lourenço (Introdução)

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Entre os estudiosos, é unânime a condição do padre José de Anchieta (1534-1597) como o personagem mais importante do Brasil do século XVI, tendo em vista a obra cultural que desenvolveu e nos legou. Aos 19 anos de idade, ainda um noviço, ele chega ao Brasil para dar continuidade ao trabalho de catequese, iniciado pelo padre Manuel da Nóbrega quatro anos antes, em 1549. Como missionário Jesuíta, sua maior incumbência era a conversão dos índios,

Que Carlos Bilardo era técnico da vitoriosa seleção da Argentina todo mundo sabe. Poucos sabem, entretanto, que ele proibiu seus jogad...

Superstições no futebol

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Que Carlos Bilardo era técnico da vitoriosa seleção da Argentina todo mundo sabe. Poucos sabem, entretanto, que ele proibiu seus jogadores de comer frango porque se tratava de um símbolo de covardia e dava azar.

Eu aprendi cedo que educação acontece quando existe perda, quando pesa no bolso. Perda concreta. Dinheiro. Tempo. Prestígio.

Descalços sem calçadas

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Eu aprendi cedo que educação acontece quando existe perda, quando pesa no bolso. Perda concreta. Dinheiro. Tempo. Prestígio.

O cotidiano de Aleksei Ivánovitch, protagonista da história, envolve basicamente três movimentos diários: educar os filhos do General,...

O crupiê, a roleta e Aleksei

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O cotidiano de Aleksei Ivánovitch, protagonista da história, envolve basicamente três movimentos diários: educar os filhos do General, os passeios pelo bonito lugar onde está hospedado e ocupar o resto do seu tempo pensando em seu grande amor, Polina Aleksandrovna, a enteada do General. Paixão por demais intensa, beirando a obsessão. Amor desenfreado e eloquente que ocupa todo o seu ser.

Conversamos, há pouco, eu e um aluno da UFPB, sobre o modelo de jornalismo importado dos Estados Unidos, em 1950, por Pompeu de Sousa,...

Idiotas da objetividade

jornalismo cronica reportagem
Conversamos, há pouco, eu e um aluno da UFPB, sobre o modelo de jornalismo importado dos Estados Unidos, em 1950, por Pompeu de Sousa, o editor do “Diário Carioca”. A novidade indignou, prontamente, Nelson Rodrigues, uma das grandes expressões da dramaturgia brasileira e, na ocasião, também, jornalista de batente. Nelson e seus colegas escreviam, até ali,

Contam-nos as tradições do Além que, certa feita, aportou nas praias da vida espiritual um fidalgo de cartola invisível e punhos ...

A virilidade da alma e o punhal da ilusão

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Contam-nos as tradições do Além que, certa feita, aportou nas praias da vida espiritual um fidalgo de cartola invisível e punhos de ferro, ainda convulsionado pelo espasmo daquele domínio que a Terra chama de “honra”. Batia no peito a proclamar sua virilidade, enquanto suas mãos, no plano extrafísico, ainda pareciam rubras com o fluido vital daquela que ele chamava de “sua”. Na ignorância das leis do Espírito, ele acreditava que a destruição do corpo da amada selaria sua vitória definitiva sobre a autonomia alheia, reafirmando uma ilusão de honra que o tempo certamente destruirá.

MONÓLOGO PARA A MORTE Morte, quando o seu silêncio interromper a minha escolha pelo silêncio, e me impedir de seguir artífice das c...

Só o vento sabe ouvir os conselhos da areia

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MONÓLOGO PARA A MORTE
Morte, quando o seu silêncio interromper a minha escolha pelo silêncio, e me impedir de seguir artífice das contradições humanas frente à beleza, espero ter forças para fechar os olhos. Sei que falo para sua indiferença biológica, mas é no costume da fala que me mantive lúcido, vasculhando este simulacro de eternidade chamado consciência.

A era contemporânea , repleta de avanços tecnológicos, nos oferece uma visão paradoxal sobre a natureza da conexão humana. Em um mundo...

Labirintos da solidão

solidao depressao
A era contemporânea, repleta de avanços tecnológicos, nos oferece uma visão paradoxal sobre a natureza da conexão humana. Em um mundo onde a informação flui em velocidade vertiginosa e onde a comunicação está a um toque de distância, a promessa de proximidade e união se transforma em um labirinto de solidão. As ferramentas que deveriam servir para nos aproximar, muitas vezes, nos alienam,

Já tínhamos ouvido falar de que os islandeses possuíam um respeito admirável pela Natureza. Pudera, com aquele meio ambiente exuberan...

Amor boreal

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Já tínhamos ouvido falar de que os islandeses possuíam um respeito admirável pela Natureza. Pudera, com aquele meio ambiente exuberante, preservado e a baixíssima densidade demográfica, a natureza, realmente, é quem fala mais alto nas suas paisagens, inclusive as urbanas.

Sujeito sabido é o Camargo. Dominou seu ofício com tal competência que seus pares, os companheiros na lida do dia a dia, o chamam d...

Os dois potes

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Sujeito sabido é o Camargo. Dominou seu ofício com tal competência que seus pares, os companheiros na lida do dia a dia, o chamam de mestre. Assim, Mestre Camargo ainda é uma referência entre aquela turma que podemos encontrar jogando conversa fora no mercado de peixes. Fica por ali trocando ideia com a rapaziada que ainda está na lida. Hoje, aos oitenta, já faz tempinho que se aposentou, mas, vez ou outra, cumpre uma jornada para matar a saudade de quando esbanjava saúde e disposição.

No texto anterior , tratamos de paralelismo sintático para observarmos a relação de simetria entre elementos constituintes de uma oraç...

Paralelismo semântico

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No texto anterior, tratamos de paralelismo sintático para observarmos a relação de simetria entre elementos constituintes de uma oração, de um período ou de um parágrafo. Agora, abordaremos o paralelismo semântico, que não se limita à igualdade das funções gramaticais; ele exige a coerência das ideias, o alinhamento das categorias mentais e a afinidade lógica dos conceitos dispostos lado a lado. Trata-se de relacionar textualmente elementos que de fato

Recordo, tantos anos depois, a ansiedade que tive ao rever a madrinha que testemunhou meu Batismo, em maio de 1954, na Igreja do Sag...

As minhas madrinhas

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Recordo, tantos anos depois, a ansiedade que tive ao rever a madrinha que testemunhou meu Batismo, em maio de 1954, na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, em Serraria. A emoção, naquela manhã de domingo, tomou conta de nós dois. Relembramos tantas coisas familiares. Lembranças reencontradas na memória afetiva do menino sambudo que corria pelo terreiro em cavalo de pau, em corrida de argolinhas.

Quando o oftalmologista finalmente me disse: “A catarata chegou!”, eu fiquei um pouco atônita. Há alguns anos esperava por ela. Min...

Cadê os meus óculos?

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Quando o oftalmologista finalmente me disse: “A catarata chegou!”, eu fiquei um pouco atônita. Há alguns anos esperava por ela. Minhas amigas já tinham feito essa cirurgia, e a minha demorou um pouco a se anunciar. Não fiquei triste pela cirurgia em si, mas pelo marcador da velhice que essa cirurgia representa. Meus olhinhos envelheceram. Também pudera!

Há manuais de redação que rejeitam o uso da voz passiva. Orientam que se diga, por exemplo, “O diretor suspendeu os alunos”, em ve...

Notas sobre a voz passiva

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Há manuais de redação que rejeitam o uso da voz passiva. Orientam que se diga, por exemplo, “O diretor suspendeu os alunos”, em vez de “Os alunos foram suspensos pelo diretor”. Existem casos, no entanto, em que a passiva é desejável. Nem sempre interessa ao redator afirmar que alguém faz alguma coisa. Ele pode querer dizer que alguma coisa “é feita”, destacando o termo que sofre a ação. Afirmar “o livro foi lido em pouco tempo pela turma” não é o mesmo que dizer “a turma leu o livro em pouco tempo”. No primeiro caso o foco recai no livro; no segundo, recai na turma.

Há quem acredite que pensar é um exercício solitário. Uma pessoa, uma cadeira, um silêncio e algumas ideias. Parece simples. Mas, com ...

Olhar do outro

olhar sociedade
Há quem acredite que pensar é um exercício solitário. Uma pessoa, uma cadeira, um silêncio e algumas ideias. Parece simples. Mas, com o tempo, descobrimos que grande parte do que chamamos de pensamento nasce justamente quando encontramos o olhar do outro.

Estamos imersos em um momento histórico em que teorias, ideologias e discursos se chocam em uma arena de forças ruidosas. Nessa ten...

Alvo primário

tecnologia criptografia vaidade transcendencia poder alvo primario
Estamos imersos em um momento histórico em que teorias, ideologias e discursos se chocam em uma arena de forças ruidosas. Nessa tensão constante, que convencionamos chamar de polarização, cada lado puxa com violência sua ponta do cabo. Diante desse cenário, o maior desafio de quem escreve, pensa ou cria não é apenas registrar o embate, mas
tecnologia criptografia vaidade transcendencia poder alvo primario
Cena de Alvo Primário ▪️ Fonte: iMDb
compreender como transmitir uma verdade profunda sem se deixar aprisionar por nenhum dos extremos ruidosos. Como contar uma história que ressoe no peito humano sem sucumbir ao simplismo do "certo contra errado"?

Para Maxwell da Cunha Lobo e Luis Cláudio Paiva Duarte, que hoje vibram em outras dimensões. É madrugada. Não que haja o silênci...

Infindável Sinfonia

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Para Maxwell da Cunha Lobo e Luis Cláudio Paiva Duarte, que hoje vibram em outras dimensões.
É madrugada. Não que haja o silêncio que os poetas tatuam no mais profundo de suas poesias, mas silêncio de solidão. Silêncio, sim, ainda que eu escute música em minha mente e aumente o seu volume, porque é um rock'n'roll.

Durante anos ele escreveu o texto da última página da revista Veja. Para mim, sempre foi o melhor texto do jornalismo brasileiro. E...

Roberto Pompeu de Toledo: velhice, solidão e dor

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Durante anos ele escreveu o texto da última página da revista Veja. Para mim, sempre foi o melhor texto do jornalismo brasileiro. E dou como exemplo e justificativa o que ele escreveu por ocasião da morte do ex-presidente francês François Mitterrand. Obra-prima. Creio que nunca na imprensa do país um jornalista alcançou aquelas alturas de excelência. Com tranquilidade, muita cultura e elegância, naquela oportunidade, Roberto Pompeu de Toledo fez literatura de altíssimo nível, confirmando o escritor que sempre foi.

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