Já escrevi sobre o tema. Se eu estiver em qualquer ambiente com cinco, dez, quinze pessoas e chegar um bêbado ou um doidinho, com certeza eles irão colar em mim. Adoro.
Quanto aos bêbados, porque sei que dizem, sob o efeito do álcool, a mais pura verdade, se bem que eles têm uma mania horrível de falar bem pertinho do meu rosto, às vezes me abraçando para que o segredo que me contam em voz alta seja só nosso. E aí tome perdigotos, aquele mau hálito peculiar e um dedo espetando minha barriga. Perguntam sempre se eu lembro de onde nos conhecemos, e eu aplico a máxima de Ronaldo Cunha Lima que, quando discursava em um comício, foi questionado aos berros por um bebinho:
— Ronaldo, Zé e Biu, aqui do lado, estão dizendo que eu não sou teu amigo. Diga aí a eles onde foi que nos conhecemos.
O poeta não se fez de rogado:
— Oxente, e não foi num bar que nós nos conhecemos?
Os bêbados foram ao delírio, e ele ganhou aqueles votos para o resto da vida. Faço o mesmo.
Mas os doidinhos são, sem sombra de dúvida, muito mais interessantes.
Tenho um pequeno doidinho que, todas as vezes que me encontra, pergunta se eu poderei pagar um lanche para ele na próxima semana. Claro que poderei, né? Enquanto houver uma próxima semana...
Há um outro que tem uma carroça. Esse é diferenciado, porque é doido e vive bêbado. Assumidamente homossexual, abandona a carroça no meio da rua e, aos berros, me apresenta seus maridos. Com "s" mesmo. Sempre tem dois:
— Dotô Marcopire, se uma peste dessa morrer, fica o outro, né?
Já o vi conduzir aquela carroça numa velocidade incrível pela contramão da Avenida Cabo Branco, absolutamente engarrafada num sábado à tarde, tirando "fino" nos automóveis, junto com seu harém, todos chapados. Deus tem cada inquilino...
Porém, estou precisando de um doidinho que substitua seu Carlos Alberto; aquele, sim, um doidinho de responsa (vide minha crônica "Sobre doidos e bêbados", que já postei aqui). Acho que vou lançar um concurso público para seleção, em que o pré-requisito básico seja que o candidato rasgue dinheiro, como se espera de um autêntico doidinho. Só uma exigência: que ele traga seu próprio "material" para exibição da expertise, porque, para rasgar o meu dinheiro, nem eu sou doido o suficiente.





