O guardador de segredos (para Astier Basílio) guardo comigo todos os segredos do mundo em que não vivo seg...

Segredos de poetas

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O guardador de segredos (para Astier Basílio) guardo comigo todos os segredos do mundo em que não vivo segredos de poetas, com seus versos e estrofes quebradas no peito almejando musas para guardarem em seu alforje : como se não estivessem caçando ilusões na lírica sem metro segredos de amigos, com seus desabafos e histórias de prisões rigorosas, onde eles são seus próprios carcereiros, sempre em busca de reféns para seus instintos de safo segredos de amigas, com seus eternos mistérios e detalhes meticulosos de paixões e amores vãos (porque todos os amores o são), na busca desesperada pelo príncipe que não encanta segredos de parentes, com seus estilos bem familiares. sentados nas calçadas do sangue, utilizando-se de algo que prende e não desata de meu pulso: sempre em rota de colisão dentro de casa segredos das putas, em suas lutas fratricidas. messalinas modernas, em transe no strip, em crise após o porre mas também dignas de segredos do arco -da -velha segredos de minha amada e companheira, estes, sim, os maiores segredos que guardo segredos de ansiedade, segredos de mistérios segredos de alcova e de noites nem dormidas guardo comigo todos os segredos do mundo em que não vivo como se fosse um rio, aonde desaguasse todos os afluentes secretos da mentira. Pavão
nunca olhei para os meus pés até caetano girar cajuína na vitrola foi quando vi que eles nunca saíram do chão meu céu é que sempre esteve vermelho, meus olhos voam o vazio. Homo sapiens
sei, faço tudo errado troco o chinelo quando deveria estar descalço piso em falso, corto as sete cordas que me mantêm amarrado sei, penso tudo errado faço poesia mas não sei alimentar, todo santo dia, a gula crítica de políticos literários – não sei nem fazer média de pão e manteiga sei, faço tudo errado não estou sempre sorrindo para os amigos não estou sempre presente ao meu filho e nunca, mas nunca mesmo, consigo agradar a sombra de meu pai sei, ando sempre errado voto na esquerda quando todos estão à direita ando na contramão, vivo em trânsito sem desviar os buracos do asfalto sei, sou concreto, na hora de ler drummond passional, para defender os irmãos campos faço barba, quando deveria parecer mais velho fico jovem, peter pan enroscado em novelos apago a luz, quando quero clarear o túnel ligo o som, na hora de apagar o mundo sei, choro quando todos riem de mim sorrio, quando tudo é lágrima na mídia rezo, quando nem deus já me aguenta esnobo, quando deveria implorar um acalanto reparto, no momento da perfídia invejo, da hora de partir sei – o que mesmo? -. Parabolicaleitura
as casas sustentam antenas eu vi fossem antenas poundianas eu não via EU LIA: (as antenas globalizam novas raças). Salieri
no brilho da lâmina só o corte do olhar Enquanto isso, na província all right criei um mito agora, nem eu me fito. Hibernar
tirar o pijama que nunca vestiu e enroscar – caramujo no próprio vazio

(Do livro “Metáforas para um duelo no sertão”, Editora Patuá, à venda em: www.editorapatua.com.br)

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  1. Parabéns poeta〽️〽️〽️〽️〽️
    Linaldo Guedes!👏👏👏👏👏👏👏👏👏
    Paulo Roberto Rocha

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