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O mar não se distinguia do céu, exceto por estar um pouco encrespado, como um tecido que se enrugasse. Gradualmente, conforme o céu al...

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O mar não se distinguia do céu, exceto por estar um pouco encrespado, como um tecido que se enrugasse. Gradualmente, conforme o céu alvejava, uma linha escura assentou-se no horizonte, dividindo o mar e o céu, e o tecido cinza listrou-se de grossas pulsações movendo-se uma após a outra, sob a superfície, perseguindo-se num ritmo sem fim.
As Ondas, Virginia Woolf

O nosso inconsciente é um mistério mesmo. Ou nem tanto.

“Queremos seguir espalhando poesia pela cidade” Tudo começou em um ato político em São Paulo para registrar a presença e existência ...

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“Queremos seguir espalhando poesia pela cidade”

Tudo começou em um ato político em São Paulo para registrar a presença e existência de escritoras e mulheres que trabalham com literatura nas cidades, nos países e no mundo afora. A inspiração para a foto veio do registro histórico de 1958 intitulada “Um grande dia no Harlem” do fotógrafo Art Kane, que eternizou o marco dos anos de ouro do jazz.

Assistindo a um vídeo de uma senhora beirando 90 anos, sobre a velhice e o envelhecer, ela constata que, nessa fase da vida, as referê...

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Assistindo a um vídeo de uma senhora beirando 90 anos, sobre a velhice e o envelhecer, ela constata que, nessa fase da vida, as referências já foram perdidas, todo mundo já morreu e os vivos estão ocupados. Perde-se também os grupos sociais, diz ela, citando o seu intitulado grupo “semi-novas”. A senhora ressalta que as pessoas vão morrendo, mas que é preciso renovar as amizades e expandir os vários conteúdos: literatura, bate papo, natação. Há de se ter conhecimento, também, e de estar sempre lendo, estudando e participando dos eventos. Estar atualizada. Conhecimentos abrangentes.

O seu amor ame-o ou deixe-o, livre para amar, livre para amar... Caetano Veloso Na juventude (mas nem sempre), por vezes a gente se...

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O seu amor ame-o ou deixe-o, livre para amar, livre para amar...
Caetano Veloso

Na juventude (mas nem sempre), por vezes a gente se afasta de quem temos uma relação amorosa; da famosa força avassaladora da paixão. Achamos que podemos fazer a vida nos esperar. Mas a vida não espera. E, se queremos recuperar o tempo perdido, é preciso que se Corra Lola Corra para ver se ainda dá tempo de remendar o estrago. Na maioria das vezes não dá! Mas também que bom que se tem arroubos!

Era preciso que tratasse das coisas leves, como as feitas de panos diversos e as de carregar bocadinhos. Assim como o menino que nado...

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Era preciso que tratasse das coisas leves, como as feitas de panos diversos e as de carregar bocadinhos.

Assim como o menino que nadou para depois de uma onda grande e não voltou, ela também achou que você se diluíra como um cubo de açúcar incapaz de adocicar o mar.

Nadou ao fim do mar, à boca dos tubarões, dentro do vazio das baleias, sob as barrigas cegas dos barcos, no pensamento dos peixes e nas suas costas, entre as areias, atrás das pedras e debaixo.

Não gosto de música sertaneja, muito menos de Zezé de Camargo e Luciano, mas sempre me encontrava cantando No Rancho Fundo ♩♪♫ quando via...

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Não gosto de música sertaneja, muito menos de Zezé de Camargo e Luciano, mas sempre me encontrava cantando No Rancho Fundo ♩♪♫ quando via uma novela das 8. Quando o filme “Dois Filhos de Francisco” — de Breno Silveira — estreou na cidade, fiquei com um pé atrás, perdida no meu preconceito; porém, uma curiosidade me seduzia para ir ao cinema... e eu adiando. Havia lido algumas resenhas e um artigo legal de Contardo Calligaris (Folha de S. Paulo). Pois fui. E adorei.

Já escrevi — e muito — sobre o espinhoso assunto da Maternidade. Sim, das delícias e dos sofrimentos solitários do ser mãe e criar filho...

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Já escrevi — e muito — sobre o espinhoso assunto da Maternidade. Sim, das delícias e dos sofrimentos solitários do ser mãe e criar filhos, independentemente do estado civil. O parto, a amamentação, a solidão, a carga mental, o complexo de perfeição, as culpas intermináveis e a transformação da simbiose de se ser um para depois ser dois, a partir do momento que se gera um filho. A sociedade sempre só ressaltou o lado do sagrado, do sacrifício inerente e da plenitude. Interessava essa exaltação. Criar um posto, um pódio para que o privado, os silêncios

Os edifícios de hoje são próximos. Assim como no filme Uma Janela Indiscreta , somos seduzidos a espiar a janela do vizinho da frente. Mas...

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Os edifícios de hoje são próximos. Assim como no filme Uma Janela Indiscreta, somos seduzidos a espiar a janela do vizinho da frente. Mas poderia ser Truffaut mesmo, com a sua bela Fanny Ardant. Logo que cheguei aqui, passava a vista pelas janelas com as luzes acesas. Via um quarto de criança, um guarda-roupa, um varal, um gato cinza espremido entre a vidraça e a rede de proteção. Por sinal, aquele gato me intrigava. Ora eu achava que eu o olhava de longe, ora tinha a impressão de que era ele que me notava, com olhos de gato pardo.

Há 3 anos que faço parte de um clube de leitura: Livros da Frederica . Semana passada tivemos a ilustre presença da querida e aclamada Mar...

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Há 3 anos que faço parte de um clube de leitura: Livros da Frederica. Semana passada tivemos a ilustre presença da querida e aclamada Maria Valéria Rezende. Vencedora de muitos Jabutis (cinco), o maior prêmio da literatura brasileira, e mais outros tantos. O seu romance Quarenta Dias (Alfaguara, 2014) era o nosso livro do mês. Valéria é um tsunami ambulante. Uma jovem mulher beirando 80 anos, com a energia de 30! E nós, o grupo, desmaiamos na escuta. Emocionadas, não queríamos falar mais nada diante das histórias de vida e de literatura que ela nos contou.

Quem somos nós, assim encerrados em corpos sexuados, construídos enquanto natureza, passageiros de identidades fictícias, construídas em c...

feminismo protesto mulheres marcha
Quem somos nós, assim encerrados em corpos sexuados, construídos enquanto natureza, passageiros de identidades fictícias, construídas em condutas mais ou menos ordenadas? Quem sou eu, marcada pelo feminino, representada enquanto mulher, cujas práticas não cessam de apontar para as falhas, os abismos identitários contidos na própria dinâmica do ser.
Tânia Swain

A escritora, ensaísta e pensadora inglesa Virginia Woolf viu a guerra de perto. Viveu no início do século XX e perdeu seu irmão em um dos...

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A escritora, ensaísta e pensadora inglesa Virginia Woolf viu a guerra de perto. Viveu no início do século XX e perdeu seu irmão em um dos conflitos mundiais. Perda essa que, posteriormente, serviu de referência para criar o personagem Septimus, em seu romance Mrs. Dalloway. Mas não é só.

Minha homenagem às sogras em geral e, em particular, à minha sogra D. Tezinha, no Dia Internacional da Mulher. No mundo onde as mul...

cronica familia casamento
Minha homenagem às sogras em geral e, em particular, à minha sogra D. Tezinha, no Dia Internacional da Mulher.

No mundo onde as mulheres sempre foram o Segundo Sexo, as sogras ocuparam talvez o terceiro, um entrelugar de des-respeito por homens e mulheres; sempre vista com escárnio, como se fossem alguém fora do lugar. Além da mulher estar sempre fora de ordem, secularmente vista como objeto, a mãe do cônjuge é tida como alguém não confiável, sempre à espreita, e estigmatizada pelos

As pessoas se dividem entre as que gostam e as que não gostam de carnaval. Estou no primeiro grupo. Adoro a festa. Desde criança. Não pe...

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As pessoas se dividem entre as que gostam e as que não gostam de carnaval. Estou no primeiro grupo. Adoro a festa. Desde criança. Não perdia uma matinê do Cabo Branco e Astréa, como os netos de Martinho Moreira Franco, nem as matinais da AABB. E depois o próprio Carnaval dos Clubes que, só aos 14 anos papai permitiu que eu fosse. Saía com a orquestra. E frevava sem parar. Na base do guaraná, e depois do Rum com Coca. Corso, Ala Ursa, não podia ver um bombo e já saia atrás.

Ninguém é feliz. Com sorte, a gente é alegre.... A vida gosta de quem gosta dela. A Suprema Felicidade , filme de Arnaldo Jabor Contin...

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Ninguém é feliz. Com sorte, a gente é alegre.... A vida gosta de quem gosta dela.
A Suprema Felicidade, filme de Arnaldo Jabor

Continuo a falar da Felicidade... da Felicidade do filme A Suprema Felicidade, do polêmico Arnaldo Jabor, falecido no último dia 15. Jabor disse que nasceu dentro de uma câmera e que este filme é uma volta ao passado, em que devolve sua vida a seus pais e ao Rio que o viu crescer. Comenta sobre a nostalgia do que era ser cineasta na sua época e dos sonhos dos “Cahiers du Cinema”:

Ao ler a crônica do jornalista Petrônio Souto sobre o Cabo Branco — no Ambiente de Leitura Carlos Romero — e a degradação da enseada, me ...

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Ao ler a crônica do jornalista Petrônio Souto sobre o Cabo Branco — no Ambiente de Leitura Carlos Romero — e a degradação da enseada, me bateu uma tristeza! Morei por dez anos à beira mar naquela praia, nos anos 70, e reafirmo que era um paraíso de beleza. Depois vim morar no Bessa e, desde 1984 (isso mesmo: a data de George Orwell e a distopia do mundo) que habito por entre cajueiros de conta e que se perderam na invasão dos prédios des-ordenados, dos pombos e das sujeiras de que fala Petrônio. Assim também assisti, incrédula, à deterioração dos paraísos que tive a sorte de conhecer no início dos anos 80: Pipa (RN), Praia do Francês (AL) e Canoa Quebrada (CE).

Quão de pronto nossos pensamentos se atiram a um novo objeto, erguendo-o por um pouco, assim como formigas que carregam febrilmente uma la...

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Quão de pronto nossos pensamentos se atiram a um novo objeto, erguendo-o por um pouco, assim como formigas que carregam febrilmente uma lasca de palha e depois a abandonam...
Virginia Woolf

A Marca na Parede. Esse é o título de um conto de Virginia Woolf (publicado em 1917), exemplo da sua escrita poética da existência. Enquanto olha um ponto preto na parede, o pensamento passeia pelos mais diferentes temas filosóficos da vida.

Para as Mulheres Velhas. E as Jovens também. Eu não tinha este rosto de hoje, assim calmo, assim triste, assim magro, nem estes olhos ...

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Para as Mulheres Velhas. E as Jovens também.

Eu não tinha este rosto de hoje, assim calmo, assim triste, assim magro, nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força, tão paradas e frias e mortas; eu não tinha este coração que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança, tão simples, tão certa, tão fácil: — Em que espelho ficou perdida a minha face?

Aproveitando o sucesso da nova série da Globo Play sobre Nara Leão, que ainda não vi, lembrei de uma visitinha às Lojas Americanas, num sá...

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Aproveitando o sucesso da nova série da Globo Play sobre Nara Leão, que ainda não vi, lembrei de uma visitinha às Lojas Americanas, num sábado à tarde, quando me deparei com todos os seus LPs dos velhos tempos, em forma de CDs, e tudo por 9,90... No meio

Li, certa vez, uma crônica de Danuza Leão (fui sua fã e leitora na Folha de São Paulo aos domingos, e na Revista mensal Cláudia), na qual ...

lista prazeres coisas pequenas cotidiano
Li, certa vez, uma crônica de Danuza Leão (fui sua fã e leitora na Folha de São Paulo aos domingos, e na Revista mensal Cláudia), na qual ela começava assim: “Momentos são coisas bobas e boas que nos acontecem e que não notamos; se notássemos, poderíamos ser mais felizes”. E ela, então, enumera os seus pequenos instantes de felicidade junto a seus gatos, na praia, no chuveiro etc...

Em homenagem a bell hooks , que faleceu ontem, 15 de dezembro de 2021 Este é o título do romance da americana Toni Morrison, ganhadora...

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Em homenagem a bell hooks, que faleceu ontem, 15 de dezembro de 2021

Este é o título do romance da americana Toni Morrison, ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura, 1993. Esse livro foi escrito entre 1962 e 1965 e, como ela afirma no posfácio, “é uma tentativa de dramatizar a opressão que o preconceito racial pode causar na mais vulnerável das criaturas: uma menina negra”.