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Nestes dias, não conto as vezes que desejo sair sozinho, pegar o ônibus na rodoviária e descer na Praça Clementino Procópio, de Camp...

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Nestes dias, não conto as vezes que desejo sair sozinho, pegar o ônibus na rodoviária e descer na Praça Clementino Procópio, de Campina, só para sentar comigo mesmo, à sombra das poucas árvores que restam a encarnar dois tempos opostos, ora dois extremos, ora unidos, como produtos um do outro. Já disse, numa crônica antiga, que Campina Grande tem muito a ver
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com “o sítio que anda comigo”. Meu sítio ficava a cinco ou seis léguas, mas era como se Campina fosse estrangeira, de onde vinham as coisas sempre boas que ficavam longe, da manteiga da vaquinha de Minas no pasto às peças do motor, todos os motores, o relógio na parede, a máquina Singer e outras tantas inglesias aqui aportadas desde a colônia até serem substituídas pelo império americano.

Era o 2 de dezembro de 1945, o mais cívico dos anos de toda a minha vivência, embora não passasse dos meus 12 anos ou, talvez mesmo, p...

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Era o 2 de dezembro de 1945, o mais cívico dos anos de toda a minha vivência, embora não passasse dos meus 12 anos ou, talvez mesmo, por isso. Foi o ano em que a Grande Guerra acabou, a narração do rádio televisionada pela imaginação, o público a fazer auditório aquém do balcão da mercearia de Seu Nequinho, um dos grandes do nosso pequeno comércio.

Houve quem escrevesse, logo depois da Primeira Guerra, a França livre da ocupação nazista e do seu derrotismo, que “Um mundo ganho para...

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Houve quem escrevesse, logo depois da Primeira Guerra, a França livre da ocupação nazista e do seu derrotismo, que “Um mundo ganho para a técnica está perdido para a liberdade”. Pinço a sentença do “Dicionário de Citações”, fruto da santa e generosa paciência de um sábio que escolheu o Brasil da ditadura de Getúlio para respirar a liberdade que faltou nos países detentores dos maiores arsenais bélicos de maior poder catastrófico, o húngaro Paulo Rónai.

Eu não conhecia o Curimataú, a não ser pelas descrições literárias de José Américo, pela gagueira do meu primo Augustinho Avelino, fi...

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Eu não conhecia o Curimataú, a não ser pelas descrições literárias de José Américo, pela gagueira do meu primo Augustinho Avelino, filho do velho Noberto. E pelo testemunho bem-humorado de Otávio Henrique, antigo companheiro da Casa do Estudante, egresso de Picuí.

As ruas desta cidade já foram mais curtas quando andávamos a pé. O desembargador Osias Gomes, advogado dos mais solicitados, secretári...

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As ruas desta cidade já foram mais curtas quando andávamos a pé. O desembargador Osias Gomes, advogado dos mais solicitados, secretário de Estado, não via enfado em lombar a pé de sua casa, um daqueles chalés de quatro águas no alto da Almirante Barroso, até ao tribunal ou ao antigo convento dos jesuítas, quando secretário do Interior e Justiça.

Apesar de encravada numa garganta de serras do meu mundo particular, num dos vales mais profundos ou mais misteriosos da minha paisage...

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Apesar de encravada numa garganta de serras do meu mundo particular, num dos vales mais profundos ou mais misteriosos da minha paisagem infantil, vivi, já velho, o estouro da barragem do Camará, esquivando-me por aqui, sem correr atrás, salvo para abraçar os familiares no estrago que o rio fez na Rua do Tacho, em Alagoa Grande, onde sobrevivia um querido tio gago de 96 anos. A torrente grossa levou-lhe a calçada.

Rematando o café, abro o jornal, o mesmo jornal que chegava pelos Correios (3 exemplares diários) para a Biblioteca Dr. Zamenhof, de A...

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Rematando o café, abro o jornal, o mesmo jornal que chegava pelos Correios (3 exemplares diários) para a Biblioteca Dr. Zamenhof, de Alagoa Nova, em 1948, ano em que, com a morte de meu pai, deixei o Pio XI de Campina Grande sem deixar o hábito solitário da leitura. O atraso dos Correios não chegava a mais de três dias, o que não impedia de se aguardar com interesse a sua chegada, mesmo que o rádio antecipasse o noticiário, além da vantagem das transmissões esportivas ao vivo. O papel principal do jornal impresso, como continua sendo hoje, era confirmar ou corrigir o que informava a instantaneidade do rádio. O rádio ouvíamos no picolé anexo à padaria do grande e gordo José Floro, até hoje um modelo de homem bom dos que não perderam seu lugar no grato recesso de minha memória.

Estou entre quatorze e quinze anos, venho descendo a rua, achando que valeu a pena ter deixado meu último tostão na sinuca da sorve...

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Estou entre quatorze e quinze anos, venho descendo a rua, achando que valeu a pena ter deixado meu último tostão na sinuca da sorveteria Macaíba, da Maciel Pinheiro, de Campina Grande, e dou com o olhar, detido, no velho José Carlos da Silva — o pai —, encostado à porta ainda estreita da primeira fábrica do São Braz, na Simeão Leal.

A propósito do aniversário no último 5 de agosto, recorrentemente me pergunto quantas Parahybas existiram de 1585 até hoje. Refiro-m...

A propósito do aniversário no último 5 de agosto, recorrentemente me pergunto quantas Parahybas existiram de 1585 até hoje. Refiro-me à Parahyba Capital, antes Cidade da Senhora das Neves, sucessivamente Filipeia, Frederica, Parahyba e, finalmente, João Pessoa. Quantas João Pessoa terão existido desde que aqui cheguei, há 75 anos?

Um bom presente que nosso jornal A União ofereceu à cidade e aos seus leitores, às vésperas do 5 de agosto, foi, sem dúvida, o regist...

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Um bom presente que nosso jornal A União ofereceu à cidade e aos seus leitores, às vésperas do 5 de agosto, foi, sem dúvida, o registro consolidado pelo artigo de João Bosco Ferraz de Oliveira, colunista da página de Economia da antevéspera, “João Pessoa 441 em outro patamar”. Carimba com ênfase:

No Dicionário de Aurélio , tratando com eufemismo, conga “é prêmio a que tem direito o proprietário da casa de farinha pelo produto de...

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No Dicionário de Aurélio, tratando com eufemismo, conga “é prêmio a que tem direito o proprietário da casa de farinha pelo produto de outrem ali fabricado”. Coisa que deve ter ido buscar no Dicionário do velho Moraes, em paz com o latifúndio e a escravidão.

Vim ver quem era Sivuca na casa de Nathanael Alves. Ele voltara dos Estados Unidos, onde havia experimentado a fama internacional, e...

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Vim ver quem era Sivuca na casa de Nathanael Alves. Ele voltara dos Estados Unidos, onde havia experimentado a fama internacional, e viera matar a saudade de sua Itabaiana na casa de Félix Galdino, vizinhos de sítio. Félix era vizinho de Nathanael, aqui em Tambauzinho, e, como era lá que nos reuníamos
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Sivuca ▪️ Fonte: Sounds of David
todos os sábados à noite, arrastamos Sivuca para o nosso papo. Um papo que não se repetirá mais neste mundo. Como se vê, éramos Nathanael, Ednaldo do Egito, José Souto, Solha, às vezes Durval Leal, e o Félix já citado.

Nos distanciamos um do outro e, assim, passou-se uma vida – a bem dizer, duas – com o velho exemplar da Antologia Nacional entre as...

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Nos distanciamos um do outro e, assim, passou-se uma vida – a bem dizer, duas – com o velho exemplar da Antologia Nacional entre as relíquias da amiga.

A vida força a passagem pelo interstício da parede arruinada. É uma castanhola, três folhas largas, espalmadas, rebentando verdes da c...

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A vida força a passagem pelo interstício da parede arruinada. É uma castanhola, três folhas largas, espalmadas, rebentando verdes da caliça de 1890 ou 1900.

Não posso nem devo queixar-me da idade avançada ou de suas naturais limitações. Da janela de minha infância, em Alagoa Nova, privado...

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Não posso nem devo queixar-me da idade avançada ou de suas naturais limitações. Da janela de minha infância, em Alagoa Nova, privado da soltura das ruas, perturbava-me acompanhar os passos miudinhos, arrastados, do velho Cazumba em direção à casa paroquial do sobrinho, apenas quatro ou cinco casas, uma pegada com a outra, do outro lado da rua.

Eu tinha um primo em Campina Grande chamado João Ferreira Viana. Chegara aos meus 14 anos e me entendi livre para pular o muro do inte...

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Eu tinha um primo em Campina Grande chamado João Ferreira Viana. Chegara aos meus 14 anos e me entendi livre para pular o muro do internato, correr seis léguas a pé até Alagoa Nova e iludir a boa-fé de meus pais com a alegação de mal passadio no internato.

A fêmea, na acepção científica que a antropóloga Fátima Quintas descreve em “A Civilização do Açúcar”, coletânea de estudos com o selo...

cachaca paraiba acucar franceses indigenas engenho
A fêmea, na acepção científica que a antropóloga Fátima Quintas descreve em “A Civilização do Açúcar”, coletânea de estudos com o selo da Fundação Gilberto Freyre, mais me convence da intuição de um velho cronista biriteiro sobre a origem da cachaça. O modo como a
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escritora anima a nossa cunhã luzidia, de cabelos sempre molhados, deslumbrada com o garanhão aportado de longas viagens salgadas, afogueado de todas as hiperestesias do trópico, me faz acreditar no “cajual da sodomia” em que demora a História da Paraíba, do velho Horácio de Almeida, noticiando os festins da indiada no seu veraneio primitivo.

Foi o que li nesta última quarta-feira, 3, ao abrir a página para chegar de espírito aberto à bem-humorada crônica semanal de Luiz ...

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Foi o que li nesta última quarta-feira, 3, ao abrir a página para chegar de espírito aberto à bem-humorada crônica semanal de Luiz Augusto de Paiva e deparar com o imprevisto, já um mês depois de decorrido.

Eu não conheci o Dr. Antônio da Gama e Mello, que residiu num dos sobrados mais antigamente solicitados e cultuados desta cidade, ex...

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Eu não conheci o Dr. Antônio da Gama e Mello, que residiu num dos sobrados mais antigamente solicitados e cultuados desta cidade, exatamente onde restam hoje, descaindo entre escombros e urtigas, na General Osório, a parede de frente com uma plaquinha de inscrições sobre o seu valor histórico e fazendo menção ao nome de Virginius da Gama e Mello.

Espionando por uma frincha sem mais vidraça da porta central, portão e janelas laterais fechadas, não pude deixar de sentir o bolor do ...

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Espionando por uma frincha sem mais vidraça da porta central, portão e janelas laterais fechadas, não pude deixar de sentir o bolor do nosso desprezo, ou do desprezo da classe, à sede da sua antiga Associação Paraibana de Imprensa, a histórica API.

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