Eu sempre achei que os primeiros a bater palmas quando conseguíssemos algo seriam justamente aqueles que dividem a mesa, o teto, a nossa história. Demorou um tempo para entender que não é bem assim. Muitas vezes, quem mais conhece os nossos medos acaba usando eles para nos parar. Dizem que é cuidado, na verdade, acaba apagando o brilho dos nossos sonhos.
Enxergar as pessoas como elas realmente são, não como gostaríamos que fossem
No começo, tudo é bruma. Sinto que a paixão tem esse poder de borrar os contornos, de transformar qualquer detalhe em algo encantador. Confesso até que, algumas vezes, amei mais a imagem que construí da pessoa que estava na minha frente. Mas com o tempo, essa névoa vai se dissipando. A convivência do dia a dia vai apagando talvez aquele brilho inicial. Aí chega aquele momento que ou começamos a ver quem ela é de verdade, ou continuamos nos enganando,
Somos ensinados a desejar muitas coisas: um amor tranquilo, reconhecimento, estabilidade. Parece que a vida inteira é uma fila de espera: esperamos a oportunidade certa, sermos reconhecidos, a reação positiva das pessoas. E talvez seja aí que as frustrações comecem a nascer, nesse hábito de esperar o parabéns do outro.
No alto da escadaria, imóvel como uma estátua ferida pelo tempo, Norma Desmond, a diva do cinema mudo, personagem de Crepúsculo dos Deuses, não se conforma com o avanço do cinema.
Dizem que o escritor é um observador, um ser reflexivo, analítico, crítico das pessoas e do mundo que está ao seu redor. Se existir um lado ruim do ato de observar, eu diria que é perceber coisas que deveriam ter sido percebidas e solucionadas. Talvez seja por isso que nossos representantes
Precisava chegar cedo ao aeroporto para participar de uma feira literária. Em vez de aplicativo ou qualquer outro meio de locomoção, preferi pegar carona com meu pai — como há muito tempo não fazia. Ele, taxista experiente, conhecia o percurso perfeito para me deixar a tempo. Éramos apenas nós dois: pai e filho, dividindo o banco confortável do táxi e observando a cidade como sempre fizemos.
Na infância, a gente acredita que amigo é para todas as horas.
Talvez porque, na juventude, estudamos juntos, passamos boa parte do tempo lado a lado e crescemos com essa filosofia. Mas, com o tempo, percebemos que não dá pra carregar isso como uma verdade absoluta.
Pense bem em tudo que você já fez e que ninguém imagina...
Aquele segredo oculto, aquela escolha impura, aquele impulso que você esconde no fundo do armário da consciência.
E as mentiras?
Chegar aos 40 é como entrar num novo aplicativo sem tutorial. Você até reconhece os botões, mas eles estão funcionando diferente. O corpo já não responde com a mesma rapidez, a mente agora pensa duas vezes antes de subir escada correndo, e o cotidiano... bom, ele exige mais café e menos chope com fritas.
mundo tá perdido. Minha avó também já dizia isso, enquanto coava café e benzia a testa com o dedo molhado. Eu nem sabia o que era inflação, mas sentia na barriga, quando a carne sumia do prato. Só vinha feijão e arroz sem mistura. Agora eu sei. É o mercado. É o governo. A miséria ensina coisas que a escola não explica. “Não existe almoço grátis”.
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O homem não busca mais ajuda de Deus, busca da IA, da Alexa. Hoje todo mundo quer milagre, mas não se ajoelha. Só posta. Dança. Faz story. No domingo igreja lotada. Dízimo no cartão. Aleluia no Pix.
Tudo o que é tocado pelo humano, um dia se corrompe. Na segunda passa a perna no próximo. Eu também já passei a perna. Também sou filha de Deus. Também sei ser ruim e sou ótima nisso. Engulo o choro, engulo sapo, mas às vezes explodo por nada. Me pego falando sozinha. Que saudade de uma tarde sem notificação. Será que a vida tá amarga? Ou o mundo ficou sem açúcar? Amor virou artigo de luxo. “... por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos se esfriará.
Minha avó fazia sopa com o que tinha. mas sobrava abraço. Hoje sobra ego. Falta emprego. Eu só queria um pedaço de bolo e um café quente. 30 reais. Trinta? Garçom, traz um refrigerante! Dizem que o ser humano evoluiu. Mas ainda mata. Por território, por ego, por ciúme. Não me assustam as porradas da vida, eu tenho medo das tapinhas nas costas. Tempos difíceis. Nem o algoritmo ajuda. Eu só queria nascer herdeira. Comer sem engordar, ter quem cozinhar, ter alguém pra conversar, presencialmente.
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Não corro mais atrás de ônibus. Nem compro sapato que machuca. Só vou onde tem cadeira pra sentar, nem faço questão de fazer parte de grupo. Será que virei uma velha ranzinza... ou só evoluí? Segunda volto à dieta, à academia. Comi pão com mortadela escondida. Comi também a maçã, tomei um chop. Já tô no pós-pecado. Desculpa, Adão. Derrubam pessoas e ainda sorriem da queda. Todo mundo em crise. Tarja preta. Acordo otimista. Durmo ansiosa. Não assisto mais essa droga de jornal. Caos. O mundo sempre foi confuso. Só ficou mais rápido. Agora tem App para tudo. O trabalho não acaba quando bate o ponto — continua no grupo do WhatsApp. Eu silencio, confesso. Agora tem de tudo: coach, mentor, pseudosmilitantes... Mas o circo só terá espetáculo se você der palco ao palhaço. Tem gente pedindo esmola na calçada. Gente fazendo vaquinha na internet. Gente surtando no mercado. Por causa da margarina. Ontem quase chorei no caixa. Não pela margarina, quebrei minha unha de gel quando fui ajudar alguém, que nem disse obrigado.
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Seja gentil, não imbecil. Se não se posicionar, alguém falará no seu lugar. Algumas pessoas que estão ao nosso lado são as que mais nos limitam, não nos incentivam. Como diz meu pai: A vida é uma escola, casa dia uma lição diferente. Em busca de alguém que me ame, mas deixe meu psicológico em paz. Meu ex mandou mensagem. Outra vez. Sempre quando tô quase esquecendo. Reaparece. Tipo boleto. Gosto de homem safado, não de macho escroto. Fui ignorar. Cliquei sem querer. Deu visualizado. Agora já era. Tô presa! “Pane no sistema alguém me desconfigurou”: Pix. Chip. QR code, senha Digital. Liberdade? Durmo bem. Acordo travada. Guerra no Oriente. E eu aqui pensando em uma vaga na manicure. “Penso, logo existo”. Às vezes não quero nem pensar, já basta o que já penso sobre mim. Na internet todo mundo tem alguma opinião formada sobre tudo. Desculpa, Raul. O Brasil não tem povo, tem seguidores. Tive um sonho estranho: Tiradentes arrependido. Cleópatra influencer e Jesus cancelado na primeira postagem. Acordava sorrindo. Vergonha alheia: assalariado se passando por aristocrata. Odeio passar pano.
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Jogo tudo no ventilador. Detesto o capitalismo. Meu sonho? Viajar aos Estados Unidos... de primeira classe. Demaquilando a sociedade: Como economizar, se meu salário continua o mesmo? Velhice não é “a melhor idade”. Nem toda criança é anjo, nem todo idoso é um fofo. E maternidade? Está longe de ser um conto de fadas. Cheia de fotos, mas a vida vazia. Tenho 100 mil seguidores. E uma vontade danada de excluir meu perfil. Sumir. Ficar boa, vendo TV, mas até para assistir filme tenho que abrir uma conta, aceitar os termos, assinar streaming. Liberdade? “Sorria, você está sendo filmada”. E olhe que nunca gostei de reality show. Será que eu sou a Sofia? Como ela, tenho a sensação de estar sendo observada. Não por olhos humanos — mas por algo maior, invisível. Meus passos parecem vigiados, minhas escolhas antecipadas. O celular sabe o que vou fazer antes mesmo de eu decidir. Assim como Sofia, começo a desconfiar da realidade. Será que estou mesmo no controle da minha vida? Ou será que sou só mais um personagem de um roteiro que não escrevi? O mundo sempre foi um caos. Só que antes era idade da pedra. Agora é era digital.
Dias desses, fui a uma feirinha de artesanato, e no meio de cadernos feitos à mão e velas aromáticas, dei de cara com algumas bancas recheada de discos de vinil — Gal Costa, Beatles e até trilhas sonoras de novelas antigas. Ao lado, camisetas com estampas de desenhos dos anos 90, chaveiros
A população sempre busca uma alternativa para escapar do transporte público, e não faltam razões: ônibus e metrôs lotados, trânsito caótico, e a eterna pressão de chegar no horário para não levar bronca. Recordo que, quando criança, já havia alternativas na minha cidade natal, que era rural. Primeiro surgiram os “alternativos” – aqueles Opalas, Monzas –, e a gente pagava uma quantia próxima à da passagem de ônibus e dividia a corrida com outros quatro passageiros. As crianças, claro, iam no colo. Depois vieram as vans, as kombis.
Deixe de lado as razões e os culpados, compreenda que não é possível controlar tudo — especialmente o coração de alguém — e que tudo tem um início, meio e fim. Para tudo existe um tempo. Um relacionamento é uma conexão entre duas pessoas que se amam e optam, por um período, permanecer juntas. Não há motivo para desespero, mas sim para viver essa separação da maneira mais positiva possível. Afinal, se não houver retorno, por quanto tempo você ficará lamentando?
Os séculos passaram, impérios se levantaram, outros caíram, civilizações surgiram e outras se apagaram do mapa. O mundo mudou, as tecnologias evoluíram, novas formas de leitura foram criadas. Kindle, tablet, celular, computador... O conhecimento se digitalizou,
“Em minhas derivas, observando os mobiliários de iluminação pública, detectei algo que sempre me incomodava esteticamente nos centros mais urbanizados: a completa desordem neste tipo de equipamento, especialmente no que tange aos fios e cabos que compõem as várias redes: elétrica, telefonia, internet, etc. Dessa forma, este caos me fez refletir esteticamente sobre ele e sublimá-lo, me dando as bases que eu precisava para expurgar essa minha ojeriza pelo aspecto mal acabado dos postes e instalações elétricas tão presentes.”
Existe um sentimento mais intenso no ser humano do que o amor? Por ele, muitos poemas, cartas, hinos e canções foram escritos. Por causa dele, muitos ídolos foram levantados, chegaram ao poder e posteriormente derrubados. Em nome dele, muitos têm lutado, matado e morrido.
"As pessoas não querem ouvir sua opinião, querem ouvir a opinião delas saindo da sua boca". Ouvi essa frase de uma psicóloga que me levou a refletir sobre o tema: dar e ouvir opinião.
O Natal chegará, mesmo que ninguém mais saiba sua data exata, mesmo que alguns não acreditem, mesmo que não possuam árvore ornamentada para recebê-lo. Ele chegará.
A primeira vez que ouvi falar sobre o Apocalipse, o mundo para mim era pequeno demais, resumia-se apenas ao quintal da casa dos meus pais. Pessoas morrendo, o planeta aquecendo, prédios desabando, tornados, ciclones, doenças, fome, nada disso cabia no meu universo infantil.