Voam notas de rock'n'roll, e eu imito o velho balanço de corpo que tantas vezes rodopiou nas pistas de dança da Notorius ou de Arnaldo. Bruce Springsteen, “Dancing in the Dark”, e meu coração se aquece.
Escuto outra vez a música e, outra vez, o voo das notas acontece, porém carregado de uma nostalgia dolorosa, porque existe um deslocamento de lugar, de tempo e de gente.
Acervo do autor /// GD'Art
E eu danço na escuridão...
Dou-me conta de que cada átomo que existe é música e de que nada que está posto no universo se destrói. Então, recolho em mim a alegria de também ser as notas que voam e vibram...
Percebo, por fim, que tudo isso é uma face do que chamam Deus e que a outra face tem o poder de fazer morrer e apodrecer para se transformar. E, para quem ainda não ultrapassou o extremo da metamorfose, fica a memória para contar o que já não é, e foi bom, ou foi dor. Porém, normalmente, o que foi dor procuramos apagar, e o que foi bom dói...
Assim, o ato de evocar as memórias é muito mais que um simples lembrar de registros que guardamos do que “é” nosso passado, porque, quando o fazemos, enxergamos um filme cheio de lacunas e buracos que cavaram e cavamos em nós.
Acervo do autor /// GD'Art
Acredito que, quando nosso concerto se encerra sobre a Terra, um novo ato se inicia, como a sucessão das ondas no mar, e todos nós continuaremos música.








