Sou o décimo segundo filho de uma prole de treze (sete homens e seis mulheres). Nasci dentro de uma casa cheia de ancestralidade, v...

Primeiras memórias

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Sou o décimo segundo filho de uma prole de treze (sete homens e seis mulheres). Nasci dentro de uma casa cheia de ancestralidade, vozes, passos, risos e barulhos — filho de João Gonçalves de Abrantes (comerciante) e Cremeilda Dantas de Abrantes (professora e poetisa) — e trago comigo a sorte rara de quem teve uma infância feliz. Vim ao mundo em Sousa-PB, no ano de 1965, mas foi em 1970 que a vida me levou, de mãos dadas com meus pais e irmãos, para João Pessoa, capital do Estado da Paraíba, cidade que me ensinaria tudo o que sei.

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Município de Sousa, interior da Paraíba ▪️ Facebook: @SousaCidadeSorrisoDaParaiba
Moramos (de aluguel) primeiro na Rua Almirante Barroso, no Centro. Uma casa colada a uma vila. Nos fundos, meu pai construiu um quarto para os filhos homens: camas e redes entrelaçadas, como se o sono também fosse coletivo. Ali aprendi que o espaço pode ser pequeno, mas o afeto sempre será largo.

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GD'Art
Depois, a Rua Pereira da Silva (casa alugada). Ali, a rua era um quintal universal! Andávamos descalços, donos do tempo, sem medo algum — porque os pais ainda confiavam que o mundo era bom. No jardim, havia um milagre cotidiano: um pé de castanhola, frondoso e antigo, que nos oferecia sombra, segredo e escuta. Foi ali que o menino que eu era confidenciou seus primeiros medos e silêncios, sem saber ainda quase nada da vida.

O terceiro endereço foi a Rua Marechal Deodoro da Fonseca, no bairro da Torre. Esse lugar me deu régua e compasso. E me deu, sobretudo, um amor que atravessa o
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Praça São Gonçalo, no bairro da Torre, em João Pessoa-PB ▪️ PMJP
corpo e a memória: a Praça São Gonçalo. Minha Praça! Território de amizades profundas, dos primeiros chutes no futebol de salão e no campo, das paqueras tímidas, dos namoros ousados, das conquistas que exaltam e das decepções que ensinam. Foi ali que comecei a perceber, verdadeiramente, o mundo. E foi na biblioteca de minha mãe, numa antiga máquina de datilografia, que os primeiros versos começaram a pedir passagem...

As escolas foram rios paralelos dessa travessia: Grupo Escolar Epitácio Pessoa, Escola Padre Dehon, Luiz Gonzaga de Albuquerque Burity, Dom Pedro II, 2001 Ceprumi. Em cada uma, plantei amizades que a borracha do tempo não conseguiu apagar... Mais tarde, já taludo, a Universidade Federal da Paraíba me acolheu — e foi ali que me formei em História, aprendendo que lembrar também é um ato revolucionário de resistência.

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Grupo Escolar Epitácio Pessoa ▪️ Facebook: @francisco.leonardo01
Hoje, quando volto a esses primeiros instantes entre a infância e a adolescência, sinto que eles não voltam — mas permanecem. Vivem em mim como uma claridade antiga, dessas que nunca se apagam por completo.

Porque o tempo passa, sim. Mas a memória, quando é afetiva e verdadeira, permanece.

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