Um cordel não "em português", se assim posso dizer, mas português "da gema", vivido e vivenciado no coração da Am...

Cordel, sim, mas português

cordel porto alegre rs
Um cordel não "em português", se assim posso dizer, mas português "da gema", vivido e vivenciado no coração da Amazônia. Assim é o cordel que hoje vos apresento, para não perder o tom português. Peço que "ultrapassem" minha digressão até chegar à parte em que falo sobre o referido cordel. Adianto que tudo, na minha mente, tem a lógica da "introdução", desta vez sobre essa linda forma de literatura, o belíssimo cordel, e que, sim!, correu tanto o mundo que agora tem um português escrevendo um sobre

O conto “Conversa de bois” , de Guimarães Rosa ( Sagarana , 72ª. Ed, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 2017), no que diz respeito à const...

Conversa (erudita) de bois

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O conto “Conversa de bois”, de Guimarães Rosa (Sagarana, 72ª. Ed, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 2017), no que diz respeito à construção de sua fabulação, fundamenta-se em três narrativas, uma genérica e duas específicas. Genericamente, o conto é uma fábula, no sentido primeiro dessa palavra, como narrativa que dá voz aos animais. Para que fosse alcançada a realização dessa fábula, o autor, de modo sutil se apropria de uma passagem da Odisseia, de modo que possamos conhecer de onde

Numa madrugada do ano de 1982, partimos de Teresina para Porto Velho, quase quatro mil quilômetros de distância. Ivan, Josafá, Mingo e...

Uma viagem na viagem

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Numa madrugada do ano de 1982, partimos de Teresina para Porto Velho, quase quatro mil quilômetros de distância. Ivan, Josafá, Mingo e eu, a bordo de uma caminhonete comprada na véspera. Tão ansiosos que nem emplacamos a possante; achávamos que a nota fiscal da concessionária bastaria. Não bastou.

Tempo, tempo, tempo... Senhor digno e divino. Ensina-me a bater à porta sem medo, sem culpa. Ensina-me a descer sem arrastar ninguém ...

Em questão a queda

Tempo, tempo, tempo... Senhor digno e divino. Ensina-me a bater à porta sem medo, sem culpa. Ensina-me a descer sem arrastar ninguém junto. A morrer inteiro, mesmo quando o corpo já não mais cabe em si.
Existe uma pergunta que atravessa toda a existência humana e costuma aparecer apenas quando já estamos diante do abismo: se fomos livres para escolher quase tudo durante a vida, por que deixamos de ser livres justamente diante da morte?

Eu dançaria , de muito bom grado, no enlevo da melodia e na pulsação dos versos de Kledir Ramil, com a mulher que tenho comigo lá se va...

Ao balanço das paixões

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Eu dançaria, de muito bom grado, no enlevo da melodia e na pulsação dos versos de Kledir Ramil, com a mulher que tenho comigo lá se vai quase meio século. Refiro-me ao Kledir da famosa dupla com Kleiton, autores e intérpretes de sucessos que fizeram o Brasil cantar de Norte a Sul, sobretudo, na primeira metade dos anos de 1980. Sim, falo dos irmãos Ramil, os dois gaúchos que estouraram, nacionalmente, combinando o regionalismo sulista com as baladas da época. Os mais adentrados hão de lembrar de “Deu pra ti”, “Vira Virou” e “Paixão”.

Silvino Olavo – ou simplesmente Sol – foi o poeta que recepcionou Mário de Andrade na Paraíba, com outros intelectuais de renome, q...

O Turista Aprendiz e o Poeta dos Cysnes

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Silvino Olavo – ou simplesmente Sol – foi o poeta que recepcionou Mário de Andrade na Paraíba, com outros intelectuais de renome, quando o escritor de Macunaíma fazia a sua “viagem etnográfica”, patrocinada pelo Diário Nacional, jornal paulista que circulou de 1927 a 1932. Ele ajudou o folclorista fazendo contatos locais na Capital e em passeios pelas cidades da Parahyba e do Rio Grande do Norte.

O desenvolvimento tecnológico, a aceleração dos processos comunicacionais e a crescente valorização da competitividade têm contribu...

Canto coral e humanização

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O desenvolvimento tecnológico, a aceleração dos processos comunicacionais e a crescente valorização da competitividade têm contribuído para a formação de sociedades cada vez mais individualistas, marcadas pela fragmentação dos vínculos humanos e pela redução dos espaços de convivência. Nesse contexto, a educação artística, especialmente por meio do canto coral, emerge como uma importante prática de formação humana, capaz de promover a reeducação da sensibilidade, fortalecer os laços comunitários e contribuir para o desembrutecimento social. Também constitui uma experiência estética, ética e política que favorece a construção da empatia, da cooperação e do reconhecimento do outro.

A filosofia , desde suas origens, tem sido um espaço de reflexão profunda, onde as perguntas muitas vezes são mais importantes que as ...

O saber que humaniza

cristo biblia olhar interior reflexao
A filosofia, desde suas origens, tem sido um espaço de reflexão profunda, onde as perguntas muitas vezes são mais importantes que as respostas. O que é, afinal, o conhecimento se não uma busca interminável? E nesse caminho, encontramos pensadores que desafiaram o status quo, que questionaram a essência do ser e da moralidade. No entanto, é essencial lembrar que a verdadeira sabedoria não reside apenas na acumulação de conceitos,

Há anos venho lutando para que se faça mais pela memória de Augusto dos Anjos. Quando tomei posse na Academia Paraibana de Letras...

Depois da morte, ainda teremos filhos?

Há anos venho lutando para que se faça mais pela memória de Augusto dos Anjos. Quando tomei posse na Academia Paraibana de Letras, em 2020, levei uma muda do Tamarindo de Augusto, plantada por mim, com sementes de uma vagem que peguei embaixo de sua copa, no espaço que foi, outrora, o Engenho Pau d’Arco. Plantei a muda na APL. Ela floresceu, mas tivemos de mudá-la de lugar, por estar sufocada por uma buganvília e uma mangueira. Estamos esperando que ela dê sinal de vida.

Não sabia que Hildeberto Barbosa Filho, esse alquimista de mil instrumentos, também era médico.

Hildeberto e a alegria estética

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Não sabia que Hildeberto Barbosa Filho, esse alquimista de mil instrumentos, também era médico.

Cá entre nós, um pai que põe o nome da filha de Emengarda não tem Jesus no coração. Não pode ter. A infeliz vai arrastar esse padecime...

As lágrimas de Dona Emengarda

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Cá entre nós, um pai que põe o nome da filha de Emengarda não tem Jesus no coração. Não pode ter. A infeliz vai arrastar esse padecimento até o final de seus dias. Foi o caso que repasso para estas linhas.

Affonso Romano de Sant’Anna , poeta, professor, crítico literário e cronista, afirmava que o “cronista é crônico”, isto é, “doente do s...

Cronistas

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Affonso Romano de Sant’Anna, poeta, professor, crítico literário e cronista, afirmava que o “cronista é crônico”, isto é, “doente do seu tempo”, mas que não se deve limitar-se à marcação cronológica , sob o risco de produzir textos datados.
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Affonso Romano de Sant’Anna (1937–2025), poeta, cronista, ensaísta, crítico literário e professor mineiro, natural de Belo Horizonte. ▪ Fonte: YT Global

Há alguns meses, recebi o convite do jornalista André Cananéa para participar de um programa da Rádio Parahyba FM, E com vocês . Uma ...

As músicas da minha vida

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Há alguns meses, recebi o convite do jornalista André Cananéa para participar de um programa da Rádio Parahyba FM, E com vocês. Uma alegria! Ainda mais quando vi os nomes dos outros convidados: Ney Matogrosso, Everaldo Pontes, Marília Arnaud, meu amigo Nelson Barros, entre tantos. Tinha feito notas para escrever algo, mas o cotidiano engoliu minhas ideias, e o tempo foi passando até que li o texto de Nelson, “Música, sempre ela”, na edição de A União de 19/06. Senti-me representada, mas também desafiada a escrever uma crônica de uma trilha toda minha.

Certa vez, quando concelebrava uma missa com um padre, justamente no dia em que se tinha como texto para reflexão o Sermão da Montanh...

O padre e a borboleta

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Certa vez, quando concelebrava uma missa com um padre, justamente no dia em que se tinha como texto para reflexão o Sermão da Montanha, de repente uma borboleta amarela pousou no alto da cruz de madeira posta ao lado do altar e executou sua típica coreografia. Depois de algum tempo, saiu borboleteando pela nave da igreja, encontrou uma janela aberta e foi embora. Todos, calados, contemplaram a visitante. Terminada a leitura da passagem bíblica, o padre ficou silencioso. Não comentou a passagem das Bem-aventuranças. Apenas disse: “Reflitam sobre a cena que acabamos de presenciar”. Prosseguiu com o rito da celebração. O sermão dele resumiu-se à contemplação da borboleta.

O abuso ou o emprego pouco vernáculo do gerúndio, também conhecido por endorreia, é mal antigo em nossa língua. Rodrigues Lapa dá co...

Armadilhas do gerúndio

gerundio gramatica sintaxe redacao linguagem clareza
O abuso ou o emprego pouco vernáculo do gerúndio, também conhecido por endorreia, é mal antigo em nossa língua. Rodrigues Lapa dá como exemplo dessa prática o uso do gerúndio com o valor de atributo, em frases do tipo: “Recebeu uma caixa contendo (que continha) roupas”. Mas ele não se mostra satisfeito com a correção proposta pelos puristas; vê em “que continha” uma construção artificial, “estilisticamente inferior”, e pondera que “o uso do gerúndio é em certos casos preferível à oração relativa”.

Há um estranho paradoxo em nosso tempo, porque nunca estivemos tão conectados digitalmente, e ao mesmo tempo nunca tenha sido tão f...

Tempo de tela

tempo tela solidao espiritualidade convivencia equilibrio
Há um estranho paradoxo em nosso tempo, porque nunca estivemos tão conectados digitalmente, e ao mesmo tempo nunca tenha sido tão fácil sentir-se sozinho.

Acordamos, e antes mesmo de perguntar ao corpo se ele descansou, perguntamos ao telefone o que aconteceu no mundo. Há mensagens, notícias, vídeos, opiniões, fotografias de vidas

O que “Pão”, de Guilherme Arantes, revela sobre as nossas buscas essenciais Há canções que passam pelos ouvidos e há aquelas que s...

Entre a fome e o afeto

pao afeto sustento amadurecimento sensibilidade essencial
O que “Pão”, de Guilherme Arantes, revela sobre as nossas buscas essenciais
Há canções que passam pelos ouvidos e há aquelas que se instalam na gente como quem chega para ficar. “Pão”, de Guilherme Arantes, pertence à segunda categoria. É uma obra que não grita, não exige e não se impõe; aproxima-se com cuidado, quase como quem pede licença para tocar no que temos de mais íntimo. No fundo, trata-se de uma composição sobre o essencial: aquilo que sustenta mais do que o corpo e que, silenciosamente, nos mantém vivos por dentro.
pao afeto sustento amadurecimento sensibilidade essencial
GD'Art
Nesse cenário, o pão deixa de ser apenas alimento para se tornar símbolo, presença e cuidado — o mínimo que se transforma em máximo diante da escassez. Ao longo da vida, cada um de nós é desafiado a redefinir o significado desse alimento que tanto buscamos.

Por mim, quem estaria na Academia Brasileira de Letras seria Caetano e não Gilberto Gil, como representante da MPB. Não que Gil não ...

Caetano e a filosofia do “por que não?”

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Por mim, quem estaria na Academia Brasileira de Letras seria Caetano e não Gilberto Gil, como representante da MPB. Não que Gil não mereça, isso ninguém discute, tal a sua importância como compositor e renovador de nossa música popular, mas é que Caetano é mais escritor, mais intelectual, mais pensador, isso também não se discute, creio eu. Caetano é mais literário, em suma. Mas pouco importa esse negócio de ABL para ambos, pois os dois estão além dessa mundanidade, ícones que são da cultura brasileira, de meados do século passado até agora. A propósito, não consigo imaginar Caetano de fardão.

Marília Arnaud construiu um percurso literário marcado pela precisão da linguagem e pela capacidade de transformar sentimentos em ima...

Marília Arnaud e a melodia das palavras

marilia arnaud, literatura, musica, memoria, sonho, sensibilidade
Marília Arnaud construiu um percurso literário marcado pela precisão da linguagem e pela capacidade de transformar sentimentos em imagens, lembranças em matéria literária e silêncio em música.

— Devagar! Tiquinho, você ainda mata sua avó de susto! Dona Severa ainda não se acostumara com os dez anos de correria de Tiquinho. O ...

Tiquinho e os “VTs

tiquinho et prudencia evidencias discernimento erasto
— Devagar! Tiquinho, você ainda mata sua avó de susto!

Dona Severa ainda não se acostumara com os dez anos de correria de Tiquinho. O neto querido era seu maior tesouro, entregue a ela logo após o parto que tirou a vida de sua filha.

O pequeno entrou correndo na cozinha, esbaforido, como de costume, e foi logo perguntando:

Nos distanciamos um do outro e, assim, passou-se uma vida – a bem dizer, duas – com o velho exemplar da Antologia Nacional entre as...

Memória, pra que te quero!

memoria livro reencontro raulpompeia exilio saudade
Nos distanciamos um do outro e, assim, passou-se uma vida – a bem dizer, duas – com o velho exemplar da Antologia Nacional entre as relíquias da amiga.

PAZ A paz é o retorno do que se recorda, de que existe algo como um impulso, que te joga longe, além da revolta, e te diz que há...

A paz é o retorno do que se recorda

poesia capixaba espirito-santense jorge elias neto
PAZ A paz é o retorno do que se recorda, de que existe algo como um impulso, que te joga longe, além da revolta, e te diz que há vida, mesmo no absurdo. ENCONTRO Tenho encontrado algumas casas onde posso deitar na terra, sentir as raízes dos homens; o distrato com as causas perdidas. Os que partem, os que festejam, os passos aleatórios, o anonimato de algumas vozes são o feixe das vidas que apreendo — o nome das casas. É no reboco, no desmantelo das tintas, que estão as histórias, o emaranhado do tempo das mãos, o limite dos segredos das paredes. Tranco a porta quando encontro estas casas, busco em seu silêncio a traição das verdades transitórias e se algum nome se confunde com o meu.

A morte de um grande poeta nunca é apenas um acontecimento biográfico. Ela representa o silenciamento de uma consciência que aprend...

A morte do poeta Alexei Bueno deixa uma lacuna na cultura brasileira

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A morte de um grande poeta nunca é apenas um acontecimento biográfico. Ela representa o silenciamento de uma consciência que aprendeu a traduzir em linguagem aquilo que a maioria apenas sente. Quando desaparece um escritor da estatura de Alexei Bueno, não se extingue somente uma voz singular da poesia brasileira contemporânea; encerra-se uma biblioteca viva, uma inteligência estética moldada por décadas de leitura, reflexão e fidelidade ao mais elevado conceito de literatura.

Em carta a João Condé , aquele da coluna “Arquivos Implacáveis”, publicada, originalmente, no jornal A Manhã e, depois, na revista O ...

As muitas faces de um texto

guimaraesrosa sagarana literatura parodia alegoria criacao
Em carta a João Condé, aquele da coluna “Arquivos Implacáveis”, publicada, originalmente, no jornal A Manhã e, depois, na revista O Cruzeiro, Guimarães Rosa revela alguns segredos de seu primeiro livro, Sagarana, que veio a público no mesmo ano da famosa coluna (1946). Pincemos duas dessas “revelações” do autor de Grande sertão: veredas, sobre os contos “Traços biográficos de Lalino Salãthiel ou A volta do marido pródigo” e “Conversa de Bois”.

Já escrevi sobre o tema. Se eu estiver em qualquer ambiente com cinco, dez, quinze pessoas e chegar um bêbado ou um doidinho, com cert...

Meus doidinhos

bebados doidinhos humor cronica humanidade excentricidade
Já escrevi sobre o tema. Se eu estiver em qualquer ambiente com cinco, dez, quinze pessoas e chegar um bêbado ou um doidinho, com certeza eles irão colar em mim. Adoro.

Me sinto esquisito; muitos me acham esquisitíssimo, simplesmente porque reajo. Reajo feliz e perguntando; reajo quando algo não fecha,...

Esquisito de ofício

desmandos corrupcao injustica roubalheira
Me sinto esquisito; muitos me acham esquisitíssimo, simplesmente porque reajo. Reajo feliz e perguntando; reajo quando algo não fecha, não bate no meu juízo, nem a pau. Procuro lógica, busco um denominador comum para um sentimento que me atinge quando querem que eu seja de outro planeta.

Eis que me bate uma inveja imensa da Noruega. Isso é coisa muito condenável? “Ééé, siiim! É um dos sete pecados capitais”, responde...

Morro de inveja

noruega primeiro mundo civilizacao
Eis que me bate uma inveja imensa da Noruega. Isso é coisa muito condenável? “Ééé, siiim! É um dos sete pecados capitais”, responde aquela que me atura há quase 50 anos. Percebo, então, que me arrisco a ir para os quintos do inferno com tripa e tudo, a não ser que eu me ajeite antes de bater as botas. Mas, não adianta. Morro, mesmo, de inveja da Noruega.

Durante dois anos e meio, um grupo de oficiais do Exército, da Força Pública de São Paulo e alguns civis percorreu o país motivad...

Elísio Sobreira no combate à Coluna Prestes

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Durante dois anos e meio, um grupo de oficiais do Exército, da Força Pública de São Paulo e alguns civis percorreu o país motivado pelo sonho de transformar a nação. Esses dignos e honrados revolucionários engrossaram as fileiras da chamada "Coluna Prestes", numa das mais extraordinárias marchas armadas do país.

Nos dias contemporâneos, a filosofia ressurge como uma aliada essencial na busca por compreensão e sentido em meio a um mundo em consta...

A Filosofia e seu papel na construção do pensar crítico

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Nos dias contemporâneos, a filosofia ressurge como uma aliada essencial na busca por compreensão e sentido em meio a um mundo em constante transformação. Filósofos como Sérgio Mário Cortela, Leandro Karnal, Clóvis Barros Junior e Luiz Felipe Pondé têm contribuído de maneira significativa para o debate público, instigando a reflexão sobre questões que permeiam a existência humana.

Não pense o estimado leitor e a querida leitora que ocupo espaço deste abalizado blog para maledicências. Nada disso. Para mim, a vi...

Chumbo trocado

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Não pense o estimado leitor e a querida leitora que ocupo espaço deste abalizado blog para maledicências. Nada disso. Para mim, a vida de cada um é a vida de cada um; já ouvi isso sei lá onde. Ninguém tem que se meter, nem ficar de leva e traz com o que não é da sua conta. Mas tem coisa que não dá para ficar guardada no baú de nossos segredos. É o caso que vou contar aqui. Nem seria justo esconder de quem me prestigia com sua leitura uma pantomima dessa qualidade.

A identidade se refere à parte do nosso ser responsável pelo entendimento de quem somos, de modo a nos diferenciarmos e nos constituir...

Identidade

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A identidade se refere à parte do nosso ser responsável pelo entendimento de quem somos, de modo a nos diferenciarmos e nos constituirmos como sujeitos. Porém, isso ocorre quando passamos a analisar o outro de forma a validar ou invalidar aspectos alheios.

Sou do tempo da Copa de 70. Uma Copa inesquecível. Vi Pelé, Tostão, Jairzinho, depois Cafu, Raí, Carlos Alberto, Toninho Cerezo, Pa...

A Copa do Mundo

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Sou do tempo da Copa de 70. Uma Copa inesquecível. Vi Pelé, Tostão, Jairzinho, depois Cafu, Raí, Carlos Alberto, Toninho Cerezo, Paulo César, Rivellino e tantos, tantos outros. No início, via por farra; depois, com filhos pequenos. Madrugadas acordando para assistir à Copa na Coreia, ou do outro lado do mundo. Mas a de que mais gostei foi a da França, mesmo perdendo, por conta dos programas televisivos de making of, bastidores e reportagens sobre queijos e vinhos. Aí já não era mais futebol.

O pensador Tarcísio Burity escreveu uma frase lapidar em um catálogo editado em sua gestão como governador: “Não acredito em democ...

Imprensa livre

imprensa liberdade democracia censura jornalismo expressao
O pensador Tarcísio Burity escreveu uma frase lapidar em um catálogo editado em sua gestão como governador: “Não acredito em democracia sem imprensa livre”.

Um dos efeitos da Copa é fazer com que pessoas que nunca foram a um campo de futebol, e acham que “pe...

Cena da Copa

copa futebol humor zuleide torcida ingenuidade
Um dos efeitos da Copa é fazer com que pessoas que nunca foram a um campo de futebol, e acham que “pelada” é sinônimo de mulher nua, se tornem de repente fervorosas adeptas desse esporte. Sobre isso tenho uma história interessante, que me foi contada por um parente de um dos protagonistas. Troquei os nomes para evitar processo. Vamos lá.

O café fita o teto , desatando sua última fumaça, enquanto observo a pressa do mundo pela janela. Lá fora, os passos correm com a aud...

Valsa delicada

efemeridade tempo afeto finitude encontros humanidade
O café fita o teto, desatando sua última fumaça, enquanto observo a pressa do mundo pela janela. Lá fora, os passos correm com a audácia de quem se julga eterno. Há um sussurro urgente que abafamos todas as manhãs para conseguir abrir os olhos: a certeza de que somos efêmeros. Nascemos com o crepúsculo já desenhado nas pálpebras.

Se eu te disser que as respostas para a sua ansiedade de domingo à noite, para o algoritmo que dita o seu humor e para essa sensação es...

O espelho de quatro séculos: como um garoto de 18 anos previu o nosso cansaço digital

laboetie servidao liberdade algoritmo questionamento dignidade
Se eu te disser que as respostas para a sua ansiedade de domingo à noite, para o algoritmo que dita o seu humor e para essa sensação estranha de que estamos todos correndo numa esteira que não sai do lugar foram escritas em 1548... você acreditaria?

Há adegas que guardam safras. Outras guardam épocas. A que reapareceu em Tbilisi, na Geórgia, guarda algo mais incômodo: a sobreposiçã...

O luxo, a sombra e as garrafas de Stalin

stalin luxo vinhos raros adega
Há adegas que guardam safras. Outras guardam épocas. A que reapareceu em Tbilisi, na Geórgia, guarda algo mais incômodo: a sobreposição entre cultura, poder e memória. Ao abrir ao mundo a coleção de cerca de 40 mil garrafas associadas a Josef Stalin, o governo georgiano não revelou apenas um tesouro enológico. Revelou um arquivo líquido da história europeia.

A frase acima foi dita pelo ator brasileiro Wilson Grey (1923-1993). Os mais antigos certamente lembram-se dele: magro, bigode fino, f...

Nunca beijei a mocinha no final da fita

wilsongrey coadjuvante aceitacao destino filosofia mediania
A frase acima foi dita pelo ator brasileiro Wilson Grey (1923-1993). Os mais antigos certamente lembram-se dele: magro, bigode fino, fartos cabelos pretos de brilhantina, ar de malandro e vilão. Foi sempre coadjuvante, jamais galã, o que explica nunca ter beijado a mocinha no final da fita. Essa figura e essa frase encerram a tragédia de muitos, constituindo-se mesmo num destino ou, mais propriamente, numa sina.

Os sufis contam uma história que vale mais do que muitos tratados de psicologia.

Qual é a força mais destrutiva?

inveja luz ressentimento humildade gratidao amor
Os sufis contam uma história que vale mais do que muitos tratados de psicologia.

A vida força a passagem pelo interstício da parede arruinada. É uma castanhola, três folhas largas, espalmadas, rebentando verdes da c...

A castanhola encaliçada

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A vida força a passagem pelo interstício da parede arruinada. É uma castanhola, três folhas largas, espalmadas, rebentando verdes da caliça de 1890 ou 1900.

Lá naquela cozinha cheia de friagem da montanha mais alta do brejo, a antiga Vila Rica do Brejo de Areia, hoje simplesmente Areia, lá ...

O tempo das colheitas

Lá naquela cozinha cheia de friagem da montanha mais alta do brejo, a antiga Vila Rica do Brejo de Areia, hoje simplesmente Areia, lá naquela cozinha inundada de sacos de milho verde, lá naquela cozinha povoada de aromas do campo, ela se concentrava num moinho ajustado a uma mesa de madeira bruta, o qual engolia o milho verdinho e vomitava bagaços amarelos.

O romance Carolino, de Efigênio Moura, é uma das obras mais maduras da recente literatura sertaneja produzida na Paraíba. O livro não ...

Carolino, de Efigênio Moura

O romance Carolino, de Efigênio Moura, é uma das obras mais maduras da recente literatura sertaneja produzida na Paraíba. O livro não apenas revisita o universo do vaqueiro nordestino, mas o transforma em território mítico, onde memória, perda, religiosidade e assombração convivem com absoluta naturalidade. A narrativa se insere na tradição do realismo fantástico sertanejo, aproximando-se da oralidade popular e da dimensão simbólica do sertão como espaço espiritual e existencial.

Ao querido amigo Alexei Bueno (in memoriam) A notícia me pegou desprevenido. À mesa, às seis e meia, no início do café da manhã do...

Um deslocado, em embate com o mundo

Ao querido amigo Alexei Bueno
(in memoriam)
A notícia me pegou desprevenido. À mesa, às seis e meia, no início do café da manhã do sábado. O poeta Alexei Bueno morreu, em sua casa, no Rio de Janeiro. Não podia ser. Não era possível. Na segunda-feira, dia 22 de junho, encontrava-me em Solânea, quando recebi uma notificação da portaria de meu prédio, com a foto de uma correspondência, sem identificar o conteúdo ou o remetente. Ao retornar a João Pessoa, na quarta-feira, 24 de junho, vi que se tratava de um livro de Alexei Bueno. Jamais poderia desconfiar que seria o último que o poeta publicaria em vida, O poste: auto sacramental em dois atos, pela Editora Anadiômene, que desde 2024 publicava os seus livros (desconfio existir muita coisa a ser publicada no seu acervo...). Não deu tempo sequer de agradecer ao amigo querido. Como pensar que ele se iria, assim, tão de repente? Mal havia me recuperado da leitura impactante de seu último livro de poesia, A chave quebrada (2026). Ainda ecoavam na minha memória os versos de fluxo inestancável de O irrefreável (2025), poema em forma de um quase fracassado diálogo com um rio de sua memória, afinal “o fluir é para nós uma porta que se fecha”.

Os do meu tempo lembrarão de uma época em que saíamos tarde da noite para fazer serenatas em frente às casas das namoradas. O normal er...

A mais bela serenata

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Os do meu tempo lembrarão de uma época em que saíamos tarde da noite para fazer serenatas em frente às casas das namoradas. O normal era levar alguém que soubesse tocar violão, e quem podia mais ousava levar os gêmeos que tocavam violino ou até mesmo um piano na carroceria de uma caminhonete. Tudo isso eu presenciei, e aquele tempo não voltará por muitas razões. Uma delas seria fazer uma serenata para o amor que mora no oitavo andar de um prédio. Os vizinhos imediatamente chamariam os órgãos públicos para acabar com o “barulho”. Na verdade, o romantismo toca outros ritmos hoje em dia. Mas não é nada disso que eu queria contar; porém, a preguiça não me deixa apagar esse introito.

Eu fui ao lugar onde a terra sobe e o céu desce para se encontrar num abraço cujo silêncio é repartido pelos ventos em espiral de sop...

Das terras dos céus

serras sertao paisagens memoria pertencimento caminhos
Eu fui ao lugar onde a terra sobe e o céu desce para se encontrar num abraço cujo silêncio é repartido pelos ventos em espiral de sopros de vida. Onde é verde, cinza e frio... cheio de curvas e retas desiguais. Lá escutava o grito sem palavras dos seres de todos os tipos. Almas leves flutuantes e sobressaltadas distantes. Sussurros de canções de ninar chegavam suavemente pelas janelas.

Algumas memórias surgem como pequenas epifanias da infância. Entre elas está a descoberta de Zé Limeira, o chamado poeta do absurdo, f...

Nos meandros do cordel

cordel infancia epifania ze limeira
Algumas memórias surgem como pequenas epifanias da infância. Entre elas está a descoberta de Zé Limeira, o chamado poeta do absurdo, figura singular da poesia nordestina. Foi uma das experiências literárias mais fascinantes que encontrei desde cedo.

Que fim de Copa agoniado foi, para Antonio, aquele Brasil e Itália, lá se vão 56 anos. A bem da verdade, ele chegou a ver a Seleç...

Os gols que Antonio não viu

copa mundo 1970 brasil italia
Que fim de Copa agoniado foi, para Antonio, aquele Brasil e Itália, lá se vão 56 anos. A bem da verdade, ele chegou a ver a Seleção perfilada, no momento do Hino, com a escalação dos sonhos: Félix, Carlos Alberto Torres, Brito, Piazza, Everaldo, Clodoaldo, Gerson, Rivelino, Jairzinho, Pelé e Tostão.

A canção He ain’t heavy, he’s my brother (Ele não é um peso, ele é meu irmão), composta pelos norte-americanos Bob Russell (1914–1970)...

Dignidade compartilhada

dignidade solidariedade humanidade bob russel empatia respeito
A canção He ain’t heavy, he’s my brother (Ele não é um peso, ele é meu irmão), composta pelos norte-americanos Bob Russell (1914–1970) e Bobby Scott (1937–1990), foi imortalizada pela banda britânica The Hollies e constitui uma das mais expressivas representações da solidariedade no imaginário coletivo. Lançada em 1969, em uma realidade marcada por profundas tensões sociais, conflitos armados e transformações culturais, a obra transmite uma mensagem de elevado valor ético: o outro não é um fardo, mas uma responsabilidade compartilhada que dignifica a própria condição humana.

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