... queremos um mundo colorido, onde haja sempre espaço para o vermelho, o azul, o amarelo, o verde, o cinza...
Edison Borba, Apresentação dos 40 anos da publicação do livro Flicts
Há livros que nos cativam pela beleza do texto, outros pela ilustração; existem aqueles que se caracterizam pela ousadia do projeto gráfico; quando escritores e artistas plásticos conseguem reunir esses três elementos, o leitor se sente recompensado. Ler livros bons e bonitos ainda é um dos maiores prazeres para os amantes da literatura.
2.9.26
“Contra o silêncio e o ruído invento a Palavra, liberdade que se inventa e me inventa a cada dia.” Octavio Paz Deitei a toalha br...
“Contra o silêncio e o ruído invento a Palavra, liberdade que se inventa e me inventa a cada dia.”
Octavio Paz
Deitei a toalha branca. Levantei a bandeira. Corpo a corpo reclamei os horizontes tão vislumbrados, mas tão pouco alcançados. É o cúmulo do descompasso ir na contramão de si mesmo, um exercício para que tudo seja reparado. E aqui estou a ancorar numa identidade sem forma, com sensação de mea culpa por fraquejar no autoconhecimento.
1.9.26
"Quando eu era moleca, uma vez meu pai chegou em casa com a cara assustada. Naquele tempo não tínhamos a imediatez de hoje. Nem...
"Quando eu era moleca, uma vez meu pai chegou em casa com a cara assustada. Naquele tempo não tínhamos a imediatez de hoje. Nem a sincronicidade dos fatos. Menos ainda imagens. Não tínhamos fotos. Qual o susto do meu pai? Soube que a sobrinha Rose, uma ruivinha da pesada e cheia de sardas, tinha desaparecido de casa e, pequenina que era, todos enlouqueceram. Qual a surpresa? A linda pimentinha estava escondida no telhado. Sem violino, para, quem sabe, ver o mundo de cima. Outra perspectiva. Horizontes
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perdidos. Que, com certeza, mulher feita, viu de perto, mundos e mundos. Correr é preciso. E Rose também corre. E toma vinho. E viaja. E se formou com os unguentos. E continua com os cabelos vermelhos. Uma graça atávica no temperamento. É sarcástica. Engraçada. Leve. Irônica. Tem savoir faire. E uma legião de amigos. E eu, sua prima, a quem chama de Aninha! E eu gosto!
1.9.26
Havia descido do ônibus no bairro onde moro, com exemplar do jornal A União na mão. Aguardando para atravessar a rua, um carro para ...
Havia descido do ônibus no bairro onde moro, com exemplar do jornal A União na mão. Aguardando para atravessar a rua, um carro para ao meu lado. Tomo um susto. O motorista baixa o vidro da porta e, de supetão, pergunta onde eu tinha comprado o jornal. Logo respondi, indicando os locais onde são comercializados jornais e revistas.
1.9.26
Como estão teus relacionamentos com as pessoas que te são caras? Estás realmente valorizando o que recebes? Ou acreditas que quem se...
Como estão teus relacionamentos com as pessoas que te são caras? Estás realmente valorizando o que recebes? Ou acreditas que quem se dedica, se preocupa, se desdobra para estar presente não faz mais do que obrigação por ter tua amizade?
1.9.26
Em mais uma dessas reportagens sobre hábitos de vida, leio que a maioria dos brasileiros é de sedentários. São raros os que fazem exer...
Em mais uma dessas reportagens sobre hábitos de vida, leio que a maioria dos brasileiros é de sedentários. São raros os que fazem exercícios físicos e pouquíssimos aqueles que, pelo menos, gostam de andar a pé.
31.8.26
Há uma idade em que começamos a perceber que algumas discussões não valem o esforço. Não porque deixamos de ter opinião, mas porque ...
Há uma idade em que começamos a perceber que algumas discussões não valem o esforço. Não porque deixamos de ter opinião, mas porque descobrimos que a paz pode ser mais valiosa do que a vitória, e para ser feliz, nem sempre é preciso ter razão
Durante muito tempo, confundimos felicidade com razão, e queremos provar que estávamos certos. Explicar novamente, mostrar os fatos,
31.8.26
Existe uma potência avassaladora em releituras. Quando voltamos a uma obra que moldou o imaginário popular, o risco de encontrar um ...
A flor que rasgou a moral de conveniência: O escândalo eterno de Dona Beja e o espelho moderno
Existe uma potência avassaladora em releituras. Quando voltamos a uma obra que moldou o imaginário popular, o risco de encontrar um texto datado é gigantesco, mas A Vida em Flor de Dona Beja, romance histórico impecável do mineiro Agripa Vasconcelos, desafia a ação do tempo com a força de um soco no estômago. Reorganizar as páginas desta narrativa não é apenas resgatar a trajetória da mitológica Ana Jacinta de São José na Araxá do século XIX; é encarar
31.8.26
Ele foi um homem da paz. Um manso, no melhor sentido da palavra, que é o das bem-aventuranças cristãs. Um humilde de coração, apto, po...
Ele foi um homem da paz. Um manso, no melhor sentido da palavra, que é o das bem-aventuranças cristãs. Um humilde de coração, apto, portanto, a herdar o reino da terra. Assim foi desde sempre, e mais ainda quando, já maduro, abraçou de vez a fé católica ao ingressar na Ordem dos Carmelitas, da qual se tornou destacado membro.
30.8.26
A antiga tradição grega personificava a “Oportunidade”, Kairós, como um jovem veloz, com uma grande mecha de cabelos na testa e a par...
A antiga tradição grega personificava a “Oportunidade”, Kairós, como um jovem veloz, com uma grande mecha de cabelos na testa e a parte de trás da cabeça calva. A ideia era simples: quando a oportunidade vem, é preciso agarrá-la pelos cabelos, porque, depois que ela passa, não há como segurá-la pela parte careca da cabeça. Daí nasceu a expressão “agarrar a oportunidade pelos cabelos”, isto é, reconhecer o momento certo e aproveitá-lo antes que desapareça.
30.8.26
A poesia de Santino Gomes de Matos, tal como a essência de uma flor exala seu aroma, desse modo se corporifica no espaço, e a bris...
A poesia de Santino Gomes de Matos, tal como a essência de uma flor exala seu aroma, desse modo se corporifica no espaço, e a brisa alegremente vai anunciando sua presença. Sua poesia se revela lírica, posto que traduz, com nuances e profundidades, o sentimento humano, abrindo veredas para a consciência, que, cheia de mistério, almeja, por natureza, conhecer.
30.8.26
"Quando eu tinha seis anos, o meu pai, Tutmés I, levantou-me para me sentar a seu lado no seu trono de Amón. Ele disse: ‘Flor d...
"Quando eu tinha seis anos, o meu pai, Tutmés I, levantou-me para me sentar a seu lado no seu trono de Amón. Ele disse: ‘Flor do Egito, serás uma governante’.
Levou-me consigo na sua barca real pelo Nilo abaixo até Mênfis, até Sakkara, até Gizé, para ver o meu reino. Ele disse aos camponeses e nobres que se aglomeravam nos degraus à beira da água: ‘Esta é a minha filha, a deusa Hatshepsut, que será coroada com a coroa do Alto e do Baixo Egito quando se tornar mulher’.
30.8.26
Com muita honra e alegria, participarei do livro "Protagonismo Feminino – Trajetórias e Memórias de Jornalistas na Paraíba"...
Com muita honra e alegria, participarei do livro "Protagonismo Feminino – Trajetórias e Memórias de Jornalistas na Paraíba", atendendo ao honroso convite do colega-amigo, jornalista-historiador Josélio Carneiro, idealizador e organizador da obra.
O lançamento está previsto para o próximo mês de novembro, no Centro Cultural Ariano Suassuna (bairro de Jaguaribe).
Com apresentação da jornalista Ane Cristine Silva (Brasília), o livro terá o selo da Editora Letras e Versos. Integram a obra 36 profissionais paraibanas e de outros estados, aqui radicadas, oriundas de várias gerações e atuantes em diversos segmentos (jornal, rádio, televisão e assessorias de imprensa).
30.8.26
Rematando o café, abro o jornal, o mesmo jornal que chegava pelos Correios (3 exemplares diários) para a Biblioteca Dr. Zamenhof, de A...
Rematando o café, abro o jornal, o mesmo jornal que chegava pelos Correios (3 exemplares diários) para a Biblioteca Dr. Zamenhof, de Alagoa Nova, em 1948, ano em que, com a morte de meu pai, deixei o Pio XI de Campina Grande sem deixar o hábito solitário da leitura. O atraso dos Correios não chegava a mais de três dias, o que não impedia de se aguardar com interesse a sua chegada, mesmo que o rádio antecipasse o noticiário, além da vantagem das transmissões esportivas ao vivo. O papel principal do jornal impresso, como continua sendo hoje, era confirmar ou corrigir o que informava a instantaneidade do rádio. O rádio ouvíamos no picolé anexo à padaria do grande e gordo José Floro, até hoje um modelo de homem bom dos que não perderam seu lugar no grato recesso de minha memória.
29.8.26
Poucas frases da psicologia sobreviveram ao tempo com tanta força quanto a escrita por Erich Fromm (1900-1980) em A Arte de Amar , d...
Poucas frases da psicologia sobreviveram ao tempo com tanta força quanto a escrita por Erich Fromm (1900-1980) em A Arte de Amar, de 1956: "O amor imaturo diz: amo você porque preciso de você. O amor maduro diz: preciso de você porque amo você." A inversão de apenas duas palavras altera completamente o sentido da relação amorosa e revela uma das questões mais delicadas da vida afetiva. Deveras amamos alguém? Ou queremos, "precisamos" preencher um vazio? (Você estranhou a palavra "deveras"?
29.8.26
Uma reflexão filosófica e histórica sobre a espiritualidade, a memória e a permanência do homem Há encontros que não acontecem neces...
Uma reflexão filosófica e histórica sobre a espiritualidade, a memória e a permanência do homem
Há encontros que não acontecem necessariamente diante de uma mesa, numa sala, numa praça ou numa conversa entre duas pessoas. Há encontros que se realizam no território mais silencioso da existência: o encontro de uma consciência com outra através da palavra, do livro, da memória e das ideias. É nesse sentido que compreendo minha relação com o Dr. Carlos Romero e com o Espiritismo.
29.8.26
Da Série: Deixemos Homero falar – Parte VI Os poemas homéricos, como tantos outros em civilizações várias, nasceram da oralidade e...
Os poemas homéricos, como tantos outros em civilizações várias, nasceram da oralidade e nela permaneceram por dois séculos. Nasceram num mundo cujo momento histórico é designado como arcaico, não por ser velho ou por ser obsoleto, mas pelo fato de que era um mundo do princípio, da origem, significado do termo arqué (ἀρχή), em grego. A época arcaica, a que se refere a História, diz respeito ao início da escrita alfabética, que se criou, no mundo ocidental, com o empréstimo do alfabeto fenício pelos gregos, ao qual foram acrescentadas as vogais, de modo a permitir uma prolação mais suave e melódica, em oposição a uma prolação predominantemente ríspida e gutural.
28.8.26
Vivemos em um tempo que nos estimula a reagir rapidamente, mas nem sempre a pensar profundamente. Informações chegam a todo instant...
Discernimento e Consciência: Escolhas que revelam quem somos
Vivemos em um tempo que nos estimula a reagir rapidamente, mas nem sempre a pensar profundamente. Informações chegam a todo instante, opiniões se multiplicam e decisões precisam ser tomadas em meio à pressa. Nesse cenário, discernir tornou-se uma necessidade essencial. Para o Espiritismo,
28.8.26
E graças a Deus por isso. Nada a ver com ser homem; trato dos comportamentos que foram evoluindo ao longo do tempo. Antigamente, cu...
E graças a Deus por isso. Nada a ver com ser homem; trato dos comportamentos que foram evoluindo ao longo do tempo. Antigamente, cumprimentávamos os amigos com tapas nas costas. Uma brincadeira estúpida. Passamos a apertar as mãos, e é muito comum, hoje em dia, dois amigos darem um abraço. Quando a amizade é grande, chega-se mesmo a dar um beijo na face. Calma, ainda vai chegar na turma dos abraços; é só uma questão de tempo. Por acaso, isso tirou uma casquinha da “dignidade” masculina?
28.8.26
Fazer perguntas é uma coisa muito difícil. Quem pergunta corre o risco de se tornar inconveniente, um chato: ou porque não entend...
Quem pergunta corre o risco de se tornar inconveniente, um chato: ou porque não entendeu, ou porque entendeu demais e resolveu questionar o porquê.
Algumas perguntas são bem recebidas. Outras atravessam anos sem resposta. Há aquelas que parecem simples, mas escondem tantas variáveis que exigem tempo, pesquisa e disposição para olhar além do que está à vista.
28.8.26
Meu amigo de infância não esconde a irritação com o primeiro filho, aquele que lhe deu três netos. Pois não é que o primogênito o encar...
Meu amigo de infância não esconde a irritação com o primeiro filho, aquele que lhe deu três netos. Pois não é que o primogênito o encarregou de explicar ao de seis anos como os bebês se formam e aparecem no mundo? “Avô não foi feito para essas coisas”, resmungou meu velho amigo na conversa em que tratamos do assunto. Missão recebida, contou-me que, de início, pensou em recorrer às cegonhas, disso desistindo, porém, ao atinar que essa história não seria acreditada por netos digitais. Convencia, isto sim, os analógicos que ele e eu um dia fomos, pelo menos,
27.8.26
Entre o documento e a experiência estética, a fotografia de Antônio David constrói uma poética da atenção, memória e descoberta. J...
Entre o documento e a experiência estética, a fotografia de Antônio David constrói uma poética da atenção, memória e descoberta. João Lobo ▪ Lisboa, agosto de 2026
Há uma diferença fundamental entre olhar e ver. Olhar pode ser apenas a incidência do olho sobre alguma coisa. Ver implica disponibilidade, abertura ao que ainda não se revelou inteiramente. Entre ambos existe um intervalo, um espaço de suspensão no qual a imagem acontece. É nesse intervalo que situo a obra de Antônio David.
27.8.26
Tinha acabado de usar o toalete e, ao sair, percebi um rabo fino debruçado por trás da tampa da bacia sanitária. Aproximei-me e const...
Tinha acabado de usar o toalete e, ao sair, percebi um rabo fino debruçado por trás da tampa da bacia sanitária. Aproximei-me e constatei, assustado: era o rabo de uma cobra! Ufa! Por pouco não fui picado, pensei, e em que lugar!...
27.8.26
Em um tempo em que as ideias fluem como rios caudalosos e a diversidade de intelectuais se multiplica, somos convidados a refletir ...
Em um tempo em que as ideias fluem como rios caudalosos e a diversidade de intelectuais se multiplica, somos convidados a refletir sobre a condição do diálogo humano. A era digital, com suas inúmeras vozes, nos apresenta um panorama fascinante, repleto de oportunidades, mas também de desafios profundos. Este é um convite à contemplação sobre a natureza da comunicação e o significado do entendimento mútuo.
26.8.26
Lá bem para trás nos tempos, em minha transição do final de adolescente para adulto, namorei Miroslava. Precisavam ver que criatura. E...
Lá bem para trás nos tempos, em minha transição do final de adolescente para adulto, namorei Miroslava. Precisavam ver que criatura. Era polonesa e linda que só. Ruiva e com os olhos que pareciam duas esmeraldas. Tive que gastar muita conversa para que essa polaquinha me concedesse o privilégio de engatar um namoro como mandava o figurino daquela época, cheio de dificuldades para quem andava com os hormônios pululando, como era o meu
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caso e suponho que os de Lavinha também. Isso mesmo, gastei todo o repertório de blá-blá-blá de que eu dispunha em estoque, já que estava eu muito longe de ter um porte apolíneo. Magrelo, míope e com mais algumas imperfeições que dificultavam o sucesso em minhas intenções. Mas que a conversa deu certo, isso deu.
26.8.26
O doutor da cidade não conseguiu identificar os quatro homens montados a cavalo em frente da sua casa. Estava aparentemente intrigado...
O doutor da cidade não conseguiu identificar os quatro homens montados a cavalo em frente da sua casa. Estava aparentemente intrigado e perguntando a si mesmo quem poderiam ser aqueles visitantes. Suspeitou, pelo comportamento deles, não serem pessoas pacíficas e, ao indagar se queriam consultas, responderam que não queriam nem receitas nem consultas.
26.8.26
“Não preciso fazer terapia, não adianta, isso é coisa de gente fraca.” “Eu tenho amigos, se é só conversar com alguém.” “Problema tod...
“Não preciso fazer terapia, não adianta, isso é coisa de gente fraca.” “Eu tenho amigos, se é só conversar com alguém.” “Problema todo mundo tem; basta ter força de vontade.” “Minha terapia é a minha fé/igreja”. Essas e outras frases são comumente pronunciadas, quando alguém sugere iniciar uma psicoterapia. Elas reproduzem a ideia equivocada de que o sofrimento psíquico deve ser enfrentado apenas pela força individual, ou sem ajuda de um profissional qualificado. Isso ocorre porque a maioria das pessoas
25.8.26
Poetas quase sempre exaltam as árvores, porque estas carregam energia e beleza que inspiram a poesia e as artes. Um exemplo é o p...
Poetas quase sempre exaltam as árvores, porque estas carregam energia e beleza que inspiram a poesia e as artes.
Um exemplo é o poeta Augusto dos Anjos (1884-1914), que cantou as dores do tamarineiro existente no Engenho Pau-d’Arco, no município de Sapé (PB), onde nasceu, que resiste às intempéries e à sanha do homem.
25.8.26
Para Bebé e Claude, irmãs queridas e companheiras de viagem Doze anos de saudades de Copacabana, princesinha do mar. Amo a cidade...
Para Bebé e Claude, irmãs queridas e companheiras de viagem
Doze anos de saudades de Copacabana, princesinha do mar. Amo a cidade do Rio de Janeiro. Desde adolescente que por lá visito. Familiares, amigos, memórias de anos e anos da vida adulta. Passeios, encontros e reencontros. Umas férias inesquecíveis nos meus 15 anos. E da minha primeira subida ao Corcovado. Meus olhos nunca couberam naqueles braços. O mar gelado, a paisagem linda dos morros; as boutiques,
Mstislav Rostropovitch /// Ana Adelaide Peixoto (aos 15 anos)
em tempos em que o Rio ditava a moda; a lua de mel no apartamento, no Catete, do artista plástico Hermano José; o show de Mercedes Sosa, o dos Secos e Molhados. Paquetá, A Ópera do Malandro, Rostropovich e o seu violoncelo no Municipal; o Bar do Lamas; o Amarelinho e o frango à passarinha; as camisolas modernas do meu enxoval do Amor Perfeito; o samba do Rio Scenarium; o Morro da Viúva e o som do piano do amigo Gui Faulhaber; a Barra da Tijuca e a família Bruno; ou o do amigo Zé Palhano, na Visconde de Pirajá, e o contato com as relíquias de Drummond; o também da amiga Clélia Pereira, que me hospedou por algumas vezes e me levou ao aeroporto de moto, eu de mochila nas costas, rumo ao Peru, aventura na veia!; o restaurante Natural, enfim... um carrossel de vivências de que eu estava saudosa.
25.8.26
As frequentes referências de Augusto dos Anjos à ciência levam muitos leitores a classificá-lo como um “poeta científico”. Essa desig...
As frequentes referências de Augusto dos Anjos à ciência levam muitos leitores a classificá-lo como um “poeta científico”. Essa designação é, contudo, bastante inapropriada. A ciência busca a objetividade e procura descrever os fenômenos independentemente das emoções, crenças ou experiências do observador. O discurso científico tende a apagar a presença do sujeito para privilegiar a observação dos fatos e a formulação de leis gerais. Em Augusto essa possibilidade é desmentida pelo próprio título que ele deu ao seu único livro, surgido em 1912: “Eu”. Mesmo quando aborda temas universais, ele parte de uma consciência que sente e recria a realidade.
24.8.26
Há mortes que não acontecem de repente, que não passam por silêncio de velório, nem flores, nem despedidas. Algumas acontecem lentamen...
Há mortes que não acontecem de repente, que não passam por silêncio de velório, nem flores, nem despedidas. Algumas acontecem lentamente, quase sem que percebamos. Entre elas está a morte dos valores e das virtudes.
24.8.26
Existe uma melancolia peculiar em olhar para trás e fazer o inventário da própria vida. Ao longo da minha existência, se for colocar ...
A anatomia do absurdo: como 'O Ser e o Nada' decifra o inevitável peso da nossa liberdade
Existe uma melancolia peculiar em olhar para trás e fazer o inventário da própria vida. Ao longo da minha existência, se for colocar tudo no papel com a frieza dos números, o saldo parece insignificante: não consegui juntar dinheiro, fiz apenas um ou dois amigos de verdade e devo acumular uns cinco ou seis desafetos pelo caminho. Se vivi o amor? Prefiro crer que sim, porque ao menos nisso a minha alma precisa se agarrar para dar sentido aos anos que se acumularam.
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Mas, se as finanças e os afetos humanos deixaram lacunas, há um território onde sou desmedidamente abundante: os meus livros. Tenho livros aos montes. E, ainda assim, a sensação incômoda é a de que sempre são poucos.
24.8.26
Nem todas terminam com uma grande briga. Algumas simplesmente vão perdendo o assunto. Outras sobrevivem a pequenas decepções até que...
Nem todas terminam com uma grande briga. Algumas simplesmente vão perdendo o assunto. Outras sobrevivem a pequenas decepções até que uma delas se torna grande demais. Há amizades que acabam por falta de presença, outras por excesso de cobrança. Algumas morrem porque alguém mudou; outras, porque alguém descobriu
24.8.26
Se a literatura não pode salvar o mundo nem mudá-lo, pode, individualmente, salvar ou mudar vidas. Não falo aqui, claro, de livros d...
Se a literatura não pode salvar o mundo nem mudá-lo, pode, individualmente, salvar ou mudar vidas. Não falo aqui, claro, de livros de autoajuda, mas de literatura propriamente dita. E também reconheço que as obras de autoajuda podem até ser benéficas para alguns, não duvido. Mas refiro-me particularmente a um caso verídico de salvação pela literatura, a grande literatura, que terminou por dar origem a um livro por sua vez importante.
23.8.26
A língua tem dessas coisas. Uma palavra mal traduzida, uma pergunta feita na hora errada, e aquilo que deveria ser apenas uma conver...
A língua tem dessas coisas. Uma palavra mal traduzida, uma pergunta feita na hora errada, e aquilo que deveria ser apenas uma conversa amena e cordial pode acabar produzindo uma situação um tanto quanto constrangedora. Eu sempre tive simpatia pelas línguas estrangeiras e, naquela época, estudava alemão. Quando encontrava alguém que falava a língua, gostava de praticar um pouco, mais por curiosidade e prazer de conversar do que por qualquer pretensão de domínio.
23.8.26
Situada na Cidade Velha de Jerusalém, a Masjid al-Aqsa (Mesquita distante) integra o complexo fortificado de 14 hectares conhecid...
Entre cúpulas e minaretes: a atmosfera sagrada das Mesquitas (parte 3)
Situada na Cidade Velha de Jerusalém, a Masjid al-Aqsa (Mesquita distante) integra o complexo fortificado de 14 hectares conhecido como Monte do Templo ou Haram al-Sharif (Nobre Santuário), considerado o terceiro lugar mais sagrado do Islão. Segundo a tradição e a crença popular, é nos chamados "Arcos da Balança" (Qanatir, ou arcos de transferência), situados nas escadarias que conduzem à plataforma da Cúpula do Rochedo, que, no fim dos tempos, no "Dia do Julgamento", ficarão suspensas as balanças divinas destinadas a pesar as ações e os pecados das almas.
23.8.26
O “tarifaço” e as relações internacionais sob a ótica espírita Por um Olhar Reflexivo Nas últimas semanas, o noticiário nacional f...
O “tarifaço” e as relações internacionais sob a ótica espírita
Por um Olhar Reflexivo
Nas últimas semanas, o noticiário nacional foi dominado por gráficos, cotações do dólar e projeções de inflação. O motivo? A imposição de sanções e tarifas econômicas por parte das grandes potências — o chamado “tarifaço” — sobre a economia brasileira. Para analistas do mercado, trata-se de um jogo de xadrez político e financeiro. Mas, se afastarmos por um momento a lupa da macroeconomia e olharmos para esse cenário através da Doutrina Espírita, codificada por Allan Kardec, que diagnóstico encontramos sobre o estado moral da Humanidade?
23.8.26
Estou entre quatorze e quinze anos, venho descendo a rua, achando que valeu a pena ter deixado meu último tostão na sinuca da sorve...
Estou entre quatorze e quinze anos, venho descendo a rua, achando que valeu a pena ter deixado meu último tostão na sinuca da sorveteria Macaíba, da Maciel Pinheiro, de Campina Grande, e dou com o olhar, detido, no velho José Carlos da Silva — o pai —, encostado à porta ainda estreita da primeira fábrica do São Braz, na Simeão Leal.
22.8.26
Lendo o livro “Servir a quem vence” do querido Astier Basílio, me deparei com o poema ESQUECER: Esquecer é retirar as facas e colo...
Lendo o livro “Servir a quem vence” do querido Astier Basílio, me deparei com o poema ESQUECER:
Esquecer
é retirar as facas
e colocá-las no lugar
correto.
Eis um exercício diário: não usar facas e retirar as que foram encravadas em nossas costas. Não é fácil, principalmente quando vêm de “mãos amigas”. Mas, não há outro jeito. Para continuar é preciso estancar
22.8.26
Acendedor de Relâmpagos representa um dos momentos mais vigorosos da poesia contemporânea paraibana. Na obra, Políbio Alves recupera ...
Acendedor de Relâmpagos representa um dos momentos mais vigorosos da poesia contemporânea paraibana. Na obra, Políbio Alves recupera a tradição do poema longo e da épica moderna para transformar a experiência do homem do campo em matéria de alta elaboração estética. O protagonista, Antônio Lavrador, deixa de ser apenas um indivíduo para converter-se
em símbolo coletivo: nele convergem a história dos trabalhadores rurais, dos expulsos da terra, dos explorados e dos que insistem em permanecer de pé diante da violência histórica. O próprio autor caracteriza a obra como uma homenagem aos camponeses e uma narrativa épica voltada à consciência social.
22.8.26
Se a palavra se cala O Univeso desaba Vanildo de Brito , A Construção dos Mitos teve sua primeira edição em 1960. Desde então, af...
Os Cantos que formam aNostalgia Psíquica ou a Nostalgia da Memória (IX-XII) são a parte mais complexa da Odisseia. A complexidade começa com a mudança do foco narrativo de terceira para primeira pessoa. Até o Canto VIII, o narrador é de terceira pessoa, tecendo uma narrativa em que se apresentam alguns diálogos diretos, mas sempre sob o seu comando. Nos quatro Cantos seguintes, é um personagem, Odisseus, que narra a história, através de um recurso que a Teoria da Literatura chamará de autodiégese, a narrativa de si próprio.
21.8.26
Imagine caminhar por uma floresta aparentemente exuberante. Os rios transbordam, os animais circulam e os pássaros, anjos dos galhos,...
Imagine caminhar por uma floresta aparentemente exuberante. Os rios transbordam, os animais circulam e os pássaros, anjos dos galhos, são acariciados pelas folhas. Tudo parece vivo.
21.8.26
i Sim, porque, se você não conseguiu chegar à UTI, bom destino você não teve. Imagine que você foi internado às pressas (é sempre assi...
Sim, porque, se você não conseguiu chegar à UTI, bom destino você não teve. Imagine que você foi internado às pressas (é sempre assim) e, ao contrário dos roteiros turísticos e lugares exóticos que nós costumamos pesquisar na internet para quando um dia formos lá, não conheço ninguém que já tenha tido a curiosidade de fazer esse tipo de pesquisa. Para mim, foram momentos incríveis. Numa UTI individual do melhor hospital da região (N.S. das Neves), com um tratamento carinhoso dos médicos, técnicos e enfermeiros, não poderia ser diferente.