Quantas vezes hoje você disse "tudo bem" apenas por hábito, quando, no fundo, sentia um vazio absoluto? Quantas vezes sorri...

O teatro absurdo da existência: por que 'O Estrangeiro' é o espelho mais incômodo e libertador da sua vida

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Quantas vezes hoje você disse "tudo bem" apenas por hábito, quando, no fundo, sentia um vazio absoluto? Quantas vezes sorriu para uma piada sem graça no trabalho, expressou um entusiasmo diplomático que não existia ou fingiu uma comoção apenas para se alinhar ao tom da sala? Sem perceber, gastamos uma energia descomunal performando a nossa própria existência. Vestimos o figurino da polidez, decoramos o script das expectativas alheias e subimos ao palco social todos os dias com o pavor silencioso de sermos descobertos como fraudes. Mas e se você, de uma hora para outra, simplesmente resolvesse parar de fazer parte desse teatro que a sociedade exige?

A Revolta do Quebra-Quilos, deflagrada em 1874, espalhou-se pelo Brejo e Agreste paraibano como reação popular à adoção do sistema mé...

O Quebra-Quilos e o município de Esperança

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A Revolta do Quebra-Quilos, deflagrada em 1874, espalhou-se pelo Brejo e Agreste paraibano como reação popular à adoção do sistema métrico francês — imposto pelo governo imperial e mal recebido pelos feirantes, acostumados a medidas tradicionais como palmos, braças, varas, cuias e arrobas.

Hoje, dia em que rabisco estas linhas, é sexta-feira (para mim, o melhor dia da semana, porque é véspera de sábado) e acordei num cipo...

Não vivo sem ela

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Hoje, dia em que rabisco estas linhas, é sexta-feira (para mim, o melhor dia da semana, porque é véspera de sábado) e acordei num cipoal de conjeturas, diria até que minha alma andou vagando pelos recantos sombrios da metafísica. Fiquei pensando em invenções que a humanidade não dá valor, nem liga para elas. Estão aí em nosso cotidiano e não são devidamente reconhecidas. Querem ver uma? Aliás, duas? Vejam: o garfo e a colher. São duas ferramentas complementares, pois não comemos um bife com colher e nem tomamos sopa com um garfo. E, diante do que vou apresentando, creio ser conveniente fazer um questionamento: o que seria de nós se esses dois utensílios não existissem? Que caos seria? É só imaginarmos Angelina Jolie, aquela criatura linda que só, comendo macarronada com as mãos. Penso no entorno daqueles lábios tentadores e imagino a região toda suja de molho de tomate, com uns restinhos de queijo ralado ali colados para depreciar mais ainda essa visão sombria. E vocês, já pensaram? Até desanimei!

A incapacidade crônica de dizer 'não' está intimamente ligada à compulsão por agradar. Essa dificuldade refere-se especificame...

A incapacidade de dizer não

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A incapacidade crônica de dizer 'não' está intimamente ligada à compulsão por agradar. Essa dificuldade refere-se especificamente à paralisia psíquica que acomete o sujeito no momento em que ele precisaria impor um limite claro ao outro. O medo de contrariar, de decepcionar ou de provocar a raiva alheia faz com que o indivíduo concorde com situações que o prejudicam, aceite tarefas abusivas e permaneça em posições de exploração afetiva, profissional e familiar.

O poeta não se anuncia. Revela-se. O poeta se impõe por si. Não pelo anúncio, mas pela obra. Pode ser múltiplo, exercer os mais ...

O poeta se impõe pela obra

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O poeta não se anuncia. Revela-se.

O poeta se impõe por si. Não pelo anúncio, mas pela obra.

Pode ser múltiplo, exercer os mais variados ofícios, habitar diferentes territórios da existência. Mas há nele uma singularidade que não se improvisa. Algo incomum entre os mortais: a capacidade de tocar o invisível e dar-lhe corpo pela palavra.

A posse do professor e escritor João Batista de Brito na Academia Paraibana de Letras é um momento para relembrar. Foi uma noite em qu...

Um cultor do silêncio

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A posse do professor e escritor João Batista de Brito na Academia Paraibana de Letras é um momento para relembrar. Foi uma noite em que a poesia, o cinema e a teoria literária ganharam uma maior dimensão para marcar a chegada dele à casa do pensamento paraibano. Leitor profícuo e tradutor do inglês para a língua portuguesa, João Batista reuniu, na sexta-feira, dia 25 de agosto, antigas e novas revelações da arte de escrever. Uma noite engalanada, enriquecida com os dois discursos, do empossando e do poeta Hildeberto Barbosa Filho, que falou em nome dos demais acadêmicos.

Foi aprovado esta semana, no Congresso, o fim da escala 6 x 1. Ou seja, a partir de dezembro, o trabalhador terá dois dias de descans...

Dois dias para o descanso

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Foi aprovado esta semana, no Congresso, o fim da escala 6 x 1. Ou seja, a partir de dezembro, o trabalhador terá dois dias de descanso, frente a cinco de trabalho, sendo que um caia no domingo. Não é pouca coisa. Um dia a mais para o lazer, para a convivência familiar, para ficar na rede, ir à praia, cuidar do jardim e/ou dos filhos. Tratando-se da classe trabalhadora, sabemos que esse lazer está difícil. A carestia e a luta pelo pão de cada dia não deixam brecha para consumir cultura, lazer ou simplesmente descansar. Mas, mesmo assim, é um ganho histórico para quem trabalha a semana toda.

“Estou com o presidente; é preciso legalizar o porte de armas. O mundo está muito violento, e a gente tem que se defender das ameaça...

Acerto na mosca

armamentismo violencia intolerancia ciume agressividade ironia
“Estou com o presidente; é preciso legalizar o porte de armas. O mundo está muito violento, e a gente tem que se defender das ameaças que sofre todo dia. Não que eu vá sair por aí dando tiros; só farei isso em caso de necessidade. E convenhamos que eles são muitos. Ontem, por exemplo, notei um sujeito olhando fixamente para as pernas de Odete, minha mulher. Ela tem, de fato, pernas bonitas e gosta de usar uns vestidos curtos para mostrá-las. Até já brigamos por causa disso, mas eu cedi depois de ela dizer que não era justo que eu, por um ímpeto machista, buscasse ‘suprimir’ uma parte do seu corpo.

Existe uma forma de desaparecer sem sair do lugar. Acontece quando continuamos caminhando pelas ruas, frequentando os mesmos cafés, c...

Forma bonita

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Existe uma forma de desaparecer sem sair do lugar. Acontece quando continuamos caminhando pelas ruas, frequentando os mesmos cafés, cumprimentando conhecidos e participando das conversas. Mas, de alguma maneira, deixamos de ser percebidos. Estamos presentes e não somos notados. Somos lembrados para algumas coisas, mas raramente desejados para outras.

É linha da vida que se abre cheia de tracinhos salteados, ora sem interrupções. A velocidade une os intervalos do asfalto, do concreto...

Reto visor

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É linha da vida que se abre cheia de tracinhos salteados, ora sem interrupções. A velocidade une os intervalos do asfalto, do concreto. As imperfeições somem; agora tudo é apenas uma sequência perfeita. À frente, novas curvas, quebra-molas, buracos, cidades e destinos. Pelo retrovisor, é só uma olhadela rápida no passado, uma conferida, talvez uma cautela necessária para avaliar a rota, os marcadores, os atos do roteiro.

O mais produtivo dos nossos autores aldeãos lançou recentemente mais duas produções: Sarafim, Reino Encantado e Nunca mais quero tud...

Hildeberto em dose dupla

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O mais produtivo dos nossos autores aldeãos lançou recentemente mais duas produções: Sarafim, Reino Encantado e Nunca mais quero tudo, ambos com o selo da Ideia Editora, sinônimo de qualidade. Os livros têm pouco mais de cem páginas cada um, como costumam ser as reuniões de poemas, mas diferenciam-se em alguns aspectos.

A Prefeitura de João Pessoa concluiu com sucesso, na última quinta-feira, a reforma do Largo da Penha.

Um degrau para o Futuro

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A Prefeitura de João Pessoa concluiu com sucesso, na última quinta-feira, a reforma do Largo da Penha.

Entre o final da década de 1990 e os primeiros anos do século XXI, eu costumava frequentar, em Campina Grande, o Encontro para a Nova...

Tem de fazer cara feia para ser santo?

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Entre o final da década de 1990 e os primeiros anos do século XXI, eu costumava frequentar, em Campina Grande, o Encontro para a Nova Consciência, uma iniciativa que demonstrava ser possível aproveitar o Carnaval para alguma coisa além de ressacas, confissões constrangidas e promessas de abandonar a bebida na quarta-feira de cinzas.

O artigo Tendências do pensamento brasileiro , do filósofo e professor Octavio Ianni (1926–2004), foi publicado em novembro de 2000, na...

Tendências do pensamento brasileiro

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O artigo Tendências do pensamento brasileiro, do filósofo e professor Octavio Ianni (1926–2004), foi publicado em novembro de 2000, na revista Tempo Social (v. 12, n. 2, p. 55–74), da Universidade de São Paulo (USP). O texto apresenta um panorama analítico da tradição intelectual dedicada à formação social, política e econômica do Brasil. A tese central de Ianni é que o Brasil se distingue por ser um país que “se pensa contínua e periodicamente”, sobretudo em conjunturas críticas ou em momentos de ruptura histórica. Para o autor, o conjunto de interpretações nacionais e estrangeiras constitui tanto um esforço sociológico de explicação das forças sociais quanto uma complexa narrativa ficcional e metanarrativa produtora de significados sobre a identidade nacional.

Gonzaga Rodrigues sendo condecorado com o título Honoris Causa da UFPB ▪️ Jornal A União"> Não sei se melhor seria envelhecer ...

O placet de Coriolano

coriolano admiracao reconhecimento humildade jornalismo gratidao
Não sei se melhor seria envelhecer por igual, física e mentalmente — o descenso em harmonia com o corpo e a mente —, ou ter o juízo a andar sem obediência ao fôlego e à disposição das pernas e dos pés.

... no Grande Teatro do Mundo... ficaria muito longo o título, se bem que "perfeito". Coloco aspas, porque seria muita ousad...

Espelho Partido: O Narcisismo e o Exílio da Alma...

narcisismo psicanalise individualismo consumismo aparencias vazio
... no Grande Teatro do Mundo... ficaria muito longo o título, se bem que "perfeito". Coloco aspas, porque seria muita ousadia chamar um título de "perfeito". Na Espanha, sempre entrevisto ou encontro um fantástico professor, que me traz à mente a seguinte brincadeira: ao me apresentar pela primeira vez, eu teria dito "Olá, sou Denise", e ele responderia "Sou Perfeito" (note-se a letra maiúscula). Ao que pensaríamos: "ninguém na Terra é perfeito", mas ele é! Se chama Perfecto! Que interessante nome!

Existem livros que não se limitam a contar uma história: eles reabrem uma porta que o tempo julgava definitivamente fechada. Sarafim,...

Sarafim, Reino Encantado: a infância como território da memória e da poesia

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Existem livros que não se limitam a contar uma história: eles reabrem uma porta que o tempo julgava definitivamente fechada. Sarafim, Reino Encantado, de Hildeberto Barbosa Filho, pertence a essa espécie rara de obra em que literatura, memória, paisagem e existência se encontram numa mesma corrente subterrânea. O Sarafim não é apenas um lugar geográfico da infância do autor.
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GD'Art
É, sobretudo, um território interior, uma espécie de pátria íntima onde permanecem vivos os seres, os animais, os afetos, as paisagens e as primeiras descobertas que constituíram o homem antes que o homem se tornasse escritor.

Da Série: Deixemos Homero Falar (Parte X) A deusa Palas Atenas chega a Ítaca, para anunciar o retorno próximo de Odisseus, conforme ...

Invisível, dentre todos os humanos

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Da Série: Deixemos Homero Falar (Parte X)
A deusa Palas Atenas chega a Ítaca, para anunciar o retorno próximo de Odisseus, conforme se decidiu no Concílio dos Deuses, presidido por Zeus, no Olimpo (Odisseia, Canto I, versos 19-104). Telêmaco a recebe, sem saber que, sob a forma de Mentes, rei dos Táfios (εἰδομένη ξείνῳ, Ταφίων ἡγήτορι Μέντῃ, verso 105), se encontra a deusa de olhos glaucos. Após a recepção do estrangeiro, de acordo com o que prescreve a Lei da Hospitalidade, Mentes/Atena se apresenta como antigo amigo de Odisseus, que se orgulha de uma hospedagem recíproca de longa data (ξεῖνοι δ’ ἀλλήλων πατρώιοι εὐχόμεθ’ εἶναι ἐχ ἀρχής, versos 187-188).

Sou, de verdade, de um outro tempo.

Da argila bruta, o professor esculpe almas

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Sou, de verdade, de um outro tempo.

Costumo ligar o televisor à procura de assuntos quase sempre ausentes da programação diária das emissoras nossas de cada dia, essas de...

Vinhas d’alho e dendê

alimentacao brasileira indigena
Costumo ligar o televisor à procura de assuntos quase sempre ausentes da programação diária das emissoras nossas de cada dia, essas de canal aberto. O progresso tecnológico propicia isso: a navegação pelas ondas da Internet tendo-se como veículo uma smart tv, a “televisão inteligente” equipada com sistema operacional de conectividade de rede, via wi-fi. Quando essa inteligência eletrônica suplanta a minha, o que não raramente acontece, socorrem-me os filhos, ou o neto.

O tempo não é apenas aquilo que o relógio mede. É também a maneira como a vida se revela: às vezes depressa, às vezes devagar, quase ...

A arte de saber ''quando''

tempo oportunidade auto ajuda
O tempo não é apenas aquilo que o relógio mede. É também a maneira como a vida se revela: às vezes depressa, às vezes devagar, quase sempre fora do ritmo que gostaríamos de impor a ela. Há momentos em que parece abrir caminhos diante de nós e outros em que nos mantém diante de uma porta fechada. Nesses intervalos, surge uma pergunta antiga:

AUTOSSABOTAGEM A marcha da insensatez Apresenta seus adeptos: São pessoas ressentidas, De autoestima dividida E estranhos intelectos...

Autossabotagem

poesia paraibana maria desterro costa
AUTOSSABOTAGEM
A marcha da insensatez Apresenta seus adeptos: São pessoas ressentidas, De autoestima dividida E estranhos intelectos; Aderem ao autoboicote Com prontidão nunca vista; Gays elegem homofóbicos, Negros escolhem racistas, Elas votam em misóginos,

Júnior Dalberto, o homem que continua falando pelos livros Há pessoas que passam pela nossa vida e deixam lembranças; outras deixam...

Quando a palavra vira saudade

junior dalberto natal saudade
Júnior Dalberto, o homem que continua falando pelos livros
Há pessoas que passam pela nossa vida e deixam lembranças; outras deixam livros. E existem aquelas raras, raras como Júnior Dalberto, que deixam os dois. Quando penso nele, torna-se impossível separar o escritor do amigo ou a literatura do homem, talvez porque,

Pode parecer estranho juntar num mesmo texto criaturas que nem parecidas são. Mas a culpa é de um ilustre cidadão de minha convivênc...

O gavião, o bem-te-vi, o beija-flor, o canário e o alevino

aves predacao natureza sobrevivencia humor ecologia
Pode parecer estranho juntar num mesmo texto criaturas que nem parecidas são. Mas a culpa é de um ilustre cidadão de minha convivência; digo, amigo desde priscas eras que, em seus encontros etílicos pelos bares de nossa Filipeia, andou reclamando que um atrevido Rupornis magnirostris andou devorando um Serinus canaria do plantel
aves predacao natureza sobrevivencia humor ecologia
GD'Art
deste meu indignado camarada. Em outras palavras, um gavião-carijó devorou seu canarinho cantador, deixando este meu amigo pê da vida. O pior é que ele ainda viu o assassino pegando o beco enquanto, muito satisfeito, batia as asas, lambendo os beiços — ou melhor, o bico — de tanta satisfação. No viveiro, só penas e um pouco de sangue, pois até as perninhas do pobrezinho o rapinante devorou.

Nunca pensei que a vida me reservasse tarefa tão difícil: a de saudar, em nome deste Instituto e por designação do presidente Jean Pa...

Um verdadeiro solucionador de problemas

sebastiao ferreira filho tecnologia pioneirismo empreendedorismo familia legado
Nunca pensei que a vida me reservasse tarefa tão difícil: a de saudar, em nome deste Instituto e por designação do presidente Jean Patrício, o sócio efetivo e querido amigo Sebastião Ferreira Filho.

Estamos vivendo num mundo altamente estressante, de cobranças infinitas e, portanto, inalcançáveis, diante de um contexto no qual a...

Demasiadas autocobranças

trabalho estresse cobranca
Estamos vivendo num mundo altamente estressante, de cobranças infinitas e, portanto, inalcançáveis, diante de um contexto no qual a perda de saúde mental parece inevitável. De acordo com o último relatório da Organização Mundial de Saúde, o Brasil é considerado o país mais ansioso do mundo. Como podemos nos manter saudáveis em meio a tantos desafios?

Padre por vocação, poeta por necessidade para melhor se comunicar com o Cosmos, Dom Helder Câmara escreveu poemas que exaltam o pensame...

O poeta Dom Helder

poesia espiritualidade religiosidade solidariedade humildade sacerdocio dom helder
Padre por vocação, poeta por necessidade para melhor se comunicar com o Cosmos, Dom Helder Câmara escreveu poemas que exaltam o pensamento cristão e, de modo todo especial, revelam as magnificências espirituais de Nossa Senhora, a quem chamou de rosa mística, digna de todos os louvores celestiais e humanos.

Terminamos o primeiro turno com um resultado acirrado entre os dois candidatos. Um resultado que surpreendeu por ter contrariado as ...

De eleições, sustos e esperanças

eleicoes democracia politica ditadura tecnologia esperanca
Terminamos o primeiro turno com um resultado acirrado entre os dois candidatos. Um resultado que surpreendeu por ter contrariado as pesquisas. Hoje, com a internet e todas as ferramentas digitais, os caminhos são outros.

O fato de o Prêmio Nobel ter se destinado a uma renomada poeta ressalta a preocupação da academia com a linguagem. Não que, na prosa, ...

O Nobel como um tributo à poesia

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O fato de o Prêmio Nobel ter se destinado a uma renomada poeta ressalta a preocupação da academia com a linguagem. Não que, na prosa, o trabalho com os signos esteja em plano secundário. Mas a poesia é por excelência o domínio em que o uso da língua ganha proeminência. A literatura renova nossa percepção do mundo ao renovar a linguagem com que o percebemos.

Há uma certa ingenuidade em acreditar que, em algum lugar da vida, existirá alguém que cuidará de nós melhor do que nós mesmos. Ap...

Própria vida

comportamento empoderamento
Há uma certa ingenuidade em acreditar que, em algum lugar da vida, existirá alguém que cuidará de nós melhor do que nós mesmos.

Aprendemos desde cedo a esperar. Esperamos pelos pais, amigos, pelo amor, filhos, por alguém que perceba quando estamos cansados, quando precisamos de um abraço, quando alguma

Os belos fractais inundaram as manchetes nas décadas de 80 e 90. De tão entusiasmada pelo tema, quando comprei uma pequena lancha,...

Um barco chamado Fractal

fractais autossimilaridade natureza espirais universo navegacao
Os belos fractais inundaram as manchetes nas décadas de 80 e 90. De tão entusiasmada pelo tema, quando comprei uma pequena lancha, registrei-a na Capitania dos Portos como Fractal. Imaginei-a do alto, vista do espaço, a pequena embarcação flutuando como um fragmento no meio da imensidão do mar. Não se pode enfrentar uma grande onda de frente, nem se pode posicionar de costas para ela, senão seremos
fractais autossimilaridade natureza espirais universo navegacao
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derrubados; o barco vai virar. O melhor é sair costurando na diagonal, movimentando-se como uma linha tangente, que vai circulando de forma espiralada, surfando sobre as ondas. Assim é a sabedoria dos moluscos e dos pescadores experientes nos mistérios marítimos e estelares.

Não éramos próximos – nem distantes. Da mesma geração e da mesma aldeia, então ainda pacata, não tinha como não nos cruzarmos em algu...

Vai fazer falta

homenagem saudade irreverencia generosidade espirituosidade amizade marcos pires
Não éramos próximos – nem distantes. Da mesma geração e da mesma aldeia, então ainda pacata, não tinha como não nos cruzarmos em alguma esquina, em algum evento. Eu, reconhecendo o sempre extrovertido filho de Dona Creusa e doutor Adrião; ele, geralmente passando ao largo do anônimo que sempre fui. Quando cabia, cumprimentávamo-nos de passagem – e só. Mas isso
homenagem saudade irreverencia generosidade espirituosidade amizade marcos pires
Marcos Pires
não o excluía do meu radar de pessoense razoavelmente atento aos personagens e acontecimentos da gentil província. Afinal, como ignorá-lo, se ele sempre aparecia sob os holofotes, de uma maneira ou de outra? Quem o desconhecesse, nativo não era, com certeza.

“Yo quisiera estar siempre como tú, viejo olivo, enhiesto bajo el cielo azul de Andalucía, como un dios que se siente eternamente ...

À mesa d’Al-Andalus: influências e legado cultural

gastronomia culinaria arabe cultura oriental
“Yo quisiera estar siempre como tú, viejo olivo,
enhiesto bajo el cielo azul de Andalucía,
como un dios que se siente eternamente vivo, 
heraldo de una tierra que anuncia la alegría.”
Antonio Casares, em seu poema Querencia del Olivo (Amor da Azeitona, 1998), no qual expressa o seu desejo de viver eternamente como uma oliveira debaixo do céu azul da Andaluzia.

Há encontros que começam antes de a gente saber que está diante de alguém. E há outros que só começam depois que a nossa ignorânci...

Por que o amor constrange?

amor generosidade gratidao humildade ensinamento reconhecimento hermogenes
Há encontros que começam antes de a gente saber que está diante de alguém. E há outros que só começam depois que a nossa ignorância termina. Foi assim que conheci, de verdade, o professor Hermógenes, embora eu já o conhecesse havia muitos anos, desde a adolescência, através dos seus livros. Naquela época, eu ainda não sabia que certas pessoas entram primeiro na nossa biblioteca para, muitos anos depois, entrarem também na nossa vida.

Nestes dias, não conto as vezes que desejo sair sozinho, pegar o ônibus na rodoviária e descer na Praça Clementino Procópio, de Camp...

Campina: não dá para esquecer

campina grande nostalgia literatura juventude cultura saudade
Nestes dias, não conto as vezes que desejo sair sozinho, pegar o ônibus na rodoviária e descer na Praça Clementino Procópio, de Campina, só para sentar comigo mesmo, à sombra das poucas árvores que restam a encarnar dois tempos opostos, ora dois extremos, ora unidos, como produtos um do outro. Já disse, numa crônica antiga, que Campina Grande tem muito a ver
campina grande nostalgia literatura juventude cultura saudade
com “o sítio que anda comigo”. Meu sítio ficava a cinco ou seis léguas, mas era como se Campina fosse estrangeira, de onde vinham as coisas sempre boas que ficavam longe, da manteiga da vaquinha de Minas no pasto às peças do motor, todos os motores, o relógio na parede, a máquina Singer e outras tantas inglesias aqui aportadas desde a colônia até serem substituídas pelo império americano.

Nos últimos dias, venho acompanhando boas discussões sobre o nosso idioma. Discussões de alto nível. Entre outras opiniões, alguns f...

Português contaminado

lingua portuguesa anglicismos estrangeirismos comunicacao identidade
Nos últimos dias, venho acompanhando boas discussões sobre o nosso idioma. Discussões de alto nível. Entre outras opiniões, alguns falaram do surgimento crescente de uma espécie de “novilíngua”, que já é perceptível entre nós.

O romance O Dia dos Cachorros , de Aldo Lopes de Araújo, inscreve-se na literatura paraibana que aproxima ficção e história sem se sub...

O Dia dos Cachorros e a Guerra de Princesa: entre a memória histórica e a ficção do poder

territorio princesa paraiba
O romance O Dia dos Cachorros, de Aldo Lopes de Araújo, inscreve-se na literatura paraibana que aproxima ficção e história sem se submeter inteiramente a ela. O Movimento de Princesa, ocorrido em 1930, fornece a matéria política e social do enredo, mas a obra não deve ser lida apenas como narrativa documental da chamada Revolta de Princesa. Sua força está em transformar o conflito histórico em experiência humana,

Ao meu lado direito, Anton Van Dyck, contratado pela corte, fazia esboços de uma infinidade de retratos dos presentes. Como todo amad...

Por falar em Arte…

arte pintura vandyck eckhout dinamarca brasil
Ao meu lado direito, Anton Van Dyck, contratado pela corte, fazia esboços de uma infinidade de retratos dos presentes. Como todo amador que vê um grande artista em atividade, fascinaram-me a velocidade e precisão com que surgia de seus traços uma galeria de homens e mulheres em damascos e veludos, pérolas e diamantes, heráldicas coruscando em púrpuras, goles, sinopla, sable, Van Dyck — sem um instante de hesitação — reproduzindo grinaldas, detalhes de ombros desnudos, luvas, olhos verdes ou azuis, negros ou castanhos, enquanto crescia o murmúrio contido, cada vez mais tomando todo o espaço debaixo da estrutura vertiginosa.

Da Série: Deixemos Homero falar – Parte IX O proêmio é a parte inicial de um poema épico. Como o próprio termo grego (προοίμιον) di...

O proêmio da Odisseia

odisseia homer odisseus proemio mitologia retorno
Da Série: Deixemos Homero falar – Parte IX
O proêmio é a parte inicial de um poema épico. Como o próprio termo grego (προοίμιον) diz, “é o caminho adiante”. Trata-se de uma parte constituída de invocação e proposição, nem sempre nessa ordem e nem sempre possíveis de ser separadas. Na invocação, o poeta chama as Musas, inspiração que se encontra dentro dele, conforme o estabelecido por Hesíodo na Teogonia, de modo
odisseia homer odisseus proemio mitologia retorno
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que as deusas possam ajudá-lo, com seu sopro divino renovado, a compor um grande canto em louvor aos heróis. Na proposição, sabe-se qual é o propósito do canto, a que herói o canto se destina e o que aquele herói deverá ter como objetivo de sua empreitada. Tudo isso de modo sucinto, visto que as ações ali propostas serão desenvolvidas minuciosamente na narração, a parte mais longa do poema. Assim, quem quiser saber como aconteceu e quais as consequências da ira de Aquiles (Ilíada), terá de percorrer quinze mil versos; sobre o retorno de Odisseus (Odisseia), mais treze mil versos; as lutas de Eneias (Eneida), outros dez mil versos; as viagens de Vasco da Gama (Os Lusíadas), quase nove mil versos.

Pondero sempre. Somos desnecessários… “PLUNCT! PLACT! ZUM: NÃO VAIS A LUGAR NENHUM.” Ao responder a um admirador do Instagram , com o ...

Não vais a lugar nenhum

algoritmos manipulacao digital polarizacao politica comportamento
Pondero sempre. Somos desnecessários… “PLUNCT! PLACT! ZUM: NÃO VAIS A LUGAR NENHUM.” Ao responder a um admirador do Instagram, com o pouco tempo de que disponho, mas necessário para afagar o desejo dele:

Da senzala ao hotel de luxo, a feijoada e suas primas do outro lado do Atlântico Numa panela cabe comida. Na feijoada cabem també...

O que mais cabe numa panela?

feijoada historia gastronomia escravidao tradicoes culinaria
Da senzala ao hotel de luxo, a feijoada e suas primas do outro lado do Atlântico
Numa panela cabe comida. Na feijoada cabem também migrações, escravidão, disputas de origem, lendas e cortes que passaram de baratos a caros. Cabe um país tentando explicar a si mesmo. Enquanto o feijão-preto cozinha devagar, séculos de história se misturam ao caldo.

Fiz as contas . Uns quinze cinemas fecharam as portas desde minha mudança para João Pessoa em 1961, ainda meninote, com uma falência fa...

A lanterna da memória

cinema nostalgia
Fiz as contas. Uns quinze cinemas fecharam as portas desde minha mudança para João Pessoa em 1961, ainda meninote, com uma falência familiar: a da Padaria que Seu Juca, meu pai, desativara um ano antes no Pilar da minha infância. Vi filmes em, ao menos, dez deles.

A filosofia de Johann Gottfried Herder (1744–1803) defende uma crítica significativa ao universalismo abstrato e à concepção de uma r...

Razão, cultura e identidade

herder cultura identidade pluralidade historia humanidade
A filosofia de Johann Gottfried Herder (1744–1803) defende uma crítica significativa ao universalismo abstrato e à concepção de uma razão desvinculada das condições históricas e culturais da existência humana. Nesse sentido, ele rompe com determinados pressupostos do Iluminismo racionalista ao questionar a ideia de uma razão universal, abstrata e descontextualizada, inspirada na tradição cartesiana, que
herder cultura identidade pluralidade historia humanidade
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pretende impor-se de fora para dentro e desconsidera as particularidades históricas, culturais e linguísticas dos indivíduos e das comunidades. Embora reconheça a eficácia da razão instrumental e do método mecanicista na investigação dos fenômenos naturais, Herder rejeita sua utilização como paradigma exclusivo para a compreensão do ser humano. Reduzir a experiência humana a leis matemáticas e relações causais de natureza mecânica significa restringir a existência ao domínio do calculável, obscurecendo dimensões fundamentais da experiência, como a paixão, a imaginação, a memória, a linguagem e os afetos. A crítica herderiana não implica uma rejeição da razão ou da ciência, mas uma contestação à pretensão de reduzir a complexidade do humano aos modelos explicativos próprios das ciências naturais.

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