Sim, ela foi minha grande e dedicada professora. Professora de letras, sem doutorado, nem mestrado. Autodidata extraordinária, que me ensin...

Minha grande professora

mãe e professora dedicação maternal carlos romero

Sim, ela foi minha grande e dedicada professora. Professora de letras, sem doutorado, nem mestrado. Autodidata extraordinária, que me ensinou a gostar de livro, que me contava histórias maravilhosas, que me deixavam embevecido.

E como sabia interpretar os personagens da narrativa! Histórias de bichos e fadas, de rainhas, de gigantes. Muitas vezes, eu não agüentava de emoção e chorava. Chorava com pena de Branca de Neve, tão bonitinha e perseguida pela rainha má. Mas será que a rainha era má? Hoje eu diria que ela era involuida , mordida de inveja, sentimento negativo que está em quase todas pessoas...

Foi essa excelente autodidata que me despertou o gosto pela literatura. E ela dava o exemplo. Sempre a via com um livro na mão. E muitas vezes, lia-o em voz alta para mim.

Só não quis ler o romance “Menino de Engenho”, de José Lins do Rego, livro que na época provocou um escândalo. Muita gente tachou-o de pornográfico. E isto por que havia uma cena em que o menino se masturbava.

Minha professora... Já está na hora de revelar quem era ela. Não foi outra senão minha mãe, Dona Pia, na intimidade Piiinha. E como no dia 5 de maio é o seu aniversário, trouxe-a para este blog , que também se propõe a discorrer sobre a arte da literatura.

Pois bem, leitor, minha mãe vivia com um livro na mão. E quer saber de uma coisa? Ela escreveu uma porção de poemas num caderno. Como era uma excelente decifradora de palavras cruzadas e charadas, chegou a elaborar uma porção delas.

Saiu do mundo, contando mais de 100 anos. E deveu sua longevidade a três coisas: alimentação sóbria (ela adorava suco de cenoura), leitura constante e otimismo. Estava sempre com bom-humor.

Certa vez, leu para mim o romance de Camilo Castelo Branco “Amor de perdição”. Leitura que me levou ás lágrimas.

Minha mãe era assim. Uma autêntica intelectual. E quando moça tocou flauta, enquanto seu pai soprava o clarinete. Não é sem motivo que sou doido por música erudita.

Mas está na hora de pingar o ponto final, enquanto as lágrimas não me cheguem aos olhos. E aqui vai um apelo: Mães! Ensinem seus filhos a gostar de livros.
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