Na minha juventude, era comum a gente se apaixonar por algum artista famoso. Isso fazia parte da vida e era um acontecimento especial. Nossos ídolos eram como super-heróis: míticos e inatingíveis. Restava-nos sonhar com a possibilidade de conhecê-los pessoalmente, um dia.
Viajar em grupo é sempre bom, tendo em vista que há um cuidado coletivo, além da troca de informações. Não é fácil definir os itinerários, comprar as passagens, reservar os hotéis, contratar os passeios, os guias e os traslados, e nem tudo são flores. Há os perrengues, os equívocos, os incômodos, os disse-me-disses, a natureza humana individual e única dos participantes. O perfil de cada viajante contribui para a diversidade, assim como para a riqueza de opiniões, o que também impacta nas decisões, nos impasses e nas controvérsias.
Entre as metas para os primeiros meses de 2026, estabeleci arrumar uma gaveta por dia. Essa é uma atitude simbólica para me encorajar a mudar o rumo das coisas que não quero mais para minha vida. Preciso de leveza. Estou exausta de carregar tantas tralhas, físicas e emocionais. E isso não é fácil.
Cirineu chegou para nos curar de uma grande dor: o desaparecimento da gatinha Siri que, vendo o portão de fora aberto para que um carro entrasse na garagem, saiu em disparada e nunca mais voltou. Por vários dias a procuramos pelas ruas do bairro e adjacências, colamos cartazes em pet shops e contratamos anúncios em um carro de som. Meu filho
Cirineu, o gato que recentemente virou estrelinha ▪️ Acervo da autora
mais velho saía à procura dela quase toda madrugada, na esperança de encontrá-la. Recebemos alguns telefonemas com pistas e indicações de seu paradeiro, mas, quando íamos ao local, não era ela ou não estava mais por lá.
DAS ALEGRIAS
Não escrevo
sobre alegrias,
mesmo, dentre elas,
a mais pura.
Essa, eu deixo
para viver,
apreciando
cada sorver
de um néctar
que pouco dura,
Abigail Izquierdo Ferreira, mais conhecida como Bibi Ferreira, nasceu em 1922 e nos deixou em 2019, aos 96 anos. Dedicou toda a sua vida ao teatro, galgando, degrau por degrau, sucesso e reconhecimento de um público fiel a suas produções. Ela ressaltava sempre que não conseguia se imaginar fora daquele espaço, no qual estreou com pouco mais de vinte dias de nascida, substituindo uma boneca que havia desaparecido dos bastidores.
Longe de querer provocar qualquer polêmica, reflito hoje sobre quando deve um artista parar de fazer o que faz há anos e ir, aos poucos, adaptando-se a uma nova realidade. Não falo aqui sobre se manter, ou não, em processos criativos e produtivos. Isso sempre será possível de ser ressignificado, independentemente da idade que possamos ter.
Venho de uma família de ativistas culturais do interior da Paraíba, cujos irmãos e meu pai eram músicos e minha mãe locutora de uma difusora a ecoar sua voz pelos alto-falantes espalhados pelos cantos da cidade. A arte sempre esteve presente, tanto pelo exemplo familiar, como por uma vontade inata de estabelecer diálogos com os movimentos criativos como um bem a ser cultivado e expandido.
E se você estivesse sozinho, sentindo-se abandonado e triste? E se até seu violão chorasse e seu samba pedisse para a mulher amada vir ao seu encontro, já que, oficialmente, haveria lugar à sua mesa? Você esgotaria as possibilidades de se libertar da solidão e usaria todos os artifícios e argumentos para convencê-la?
Antes de começar este texto, li vários outros, cada um trazendo um olhar diverso para o tema Natal. E, claro, para quem escreve, o momento pede que nos posicionemos. No entanto, diante de tudo o que li, sem querer ser lugar-comum, fiquei na dúvida se deveria ou não dizer o que se passa dentro de mim, nesse período de confraternização e de encontros festivos.
Minha história com a escrita vem da infância. Desde criança, já mostrava aptidão para criar narrativas, quer na escola, nas atividades de produção textual, quer no dia a dia das brincadeiras com as amigas, fazendo roteiros para as aventuras que simulávamos estar vivendo.
Tem se intensificado a realização de eventos literários em que as pessoas se reúnem para dizer poemas, apresentar, debater e ler trechos de obras, acompanhadas de performances e/ou de execução musical, os famosos saraus.
Hoje é véspera de São Pedro, data simbólica para minha família, porque é aniversário do meu irmão mais velho, Hermes Filho, que se foi para outro plano, há cinco anos. É um dia que nos traz muitas recordações, não só dele, mas também de outras pessoas queridas que marcaram sua passagem aqui na Terra, a exemplo de um senhor, pai de muitos filhos, que morava vizinho à casa de minha avó materna, onde por um tempo morei, assim como todos os meus outros irmãos. Meus avós eram muito acolhedores e, em qualquer dificuldade, era para lá que corríamos.