Ancianidade Sinto na alma A ancianidade das montanhas, E nos ombros pesam A passagem do tempo.

Dois poemas

volia loureiro ancianidade portugal ambiente de leitura carlos romero


Ancianidade

Sinto na alma

A ancianidade das montanhas,

E nos ombros pesam

A passagem do tempo.


volia loureiro ancianidade portugal ambiente de leitura carlos romero
Os olhos se alongam

E contam as noites e dias,

Os invernos e primaveras,

Sinto na alma antiga

O perfume de outras eras.


Os ouvidos não estão surdos

À música da eternidade,

Todos os sons se encadeiam

Em interminável sinfonia,

São risos, sussurros,

Fados antigos de tristeza

Ou de alegria.


Diante do amor,

O coração bate disparado,

Apesar da alma tão antiga,

O sentimento é fonte que se renova,

E o Espírito segue pela vida apaixonado.



Fado de um navegante


Ah meu Portugal!

Tão distante de ti agora,

Vagueia a minha nau,

Perdida nos mares de calmaria!


volia loureiro ancianidade portugal ambiente de leitura carlos romero
Se antes navegava incontinenti,

Havia a certeza de ter um porto a voltar.

Hoje, apenas navego.

E teu porto está longe, longe...

Não tenho mares para retornar.


Ah meu Portugal!

Nem o céu sobre nós é mais o mesmo.

Tão distante de mim estão minhas estrelas,

Que à noite, as que vejo, estranhas me parecem,

São apenas frios luzeiros, que a minh’alma não aquecem.


Ah meu Portugal!

Já não escuto mais o teu fado,

E a poesia de mim se apartou,

Restou apenas, esse lamento cantado,

A contar o que já foi um grande amor.


Hoje navego, por navegar apenas,

Deixo-me levar, pelas ondas pequenas,

Em mares calmos ou de procelas,

Sem mapas, estrelas, sem vela e nem fados.

Navego assim, com enfado,

Sentindo-me expatriado,

Por ver-me livre das tuas cadenas.


Vólia Loureiro do Amaral é engenheira civil, poestisa e escritora

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