Caminhar no rio E os pés flutuam no rio banham-se em luzes aquáticas mergulho na orquestra d'água

Caminhar no rio

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Caminhar no rio
E os pés flutuam no rio banham-se em luzes aquáticas mergulho na orquestra d'água Salgam a doce corrente inflexível e ao testemunho das pedras gritam olhares plenos em gotas São insustentáveis sorrisos transporte de infância de repente, desafiam Heráclito era o mesmo rio de outrora Beijo do vinho
Que o amargo do beijo do vinho transpasse o toque no meu lábio sugue o teu sabor alimento no gole mais atrevido do sonho Que o líquido vertido no sono seque a sede do deserto copo entorne o gole dos dias secos e desarme o que já foi choro Que os teus olhos sejam faro reflitam em meu corpo teu cheiro espalhem perfume pelo quarto nas paredes invisíveis do mundo Que o doce do beijo do vinho seja da tua boca meu desejo embriaguez do teu melhor sorriso palavras sábias do teu silêncio ... e que o vinho torne lúcido o querer mais louco Revelação
Em preto e branco também se percebe cores há luzes, reflexos, poesia, feito película de cinema antigo fotografia congelada após o papel mergulhar em líquidos banho que revela imagem ou queima o filme a depender do tempo e sua mágica rotação máquina que dispara a contagem após ser nascido objeto que finge capturar segundos, horas, anos podemos até distraí-lo, ou tentar improvável truque duradouro, pois seremos sugados implacavelmente mas deixemos isso para lá, nada de enlouquecer nesse navio sem prumo rumemos para um porto que nos pareça seguro e que revele que o marear é mais estável que um terremoto que terra firme pode fugir dos pés que transforme as certeza nas surpresas porém, ainda assim possamos ver os ponteiros parados no momento de um beijo, no enxergar um sorriso, no tocar um retrato. (In)fertilização
O olho pousou em oração na flor tocado pela suavidade do pólen viagem de ritual revivência até o porto da aragem fértil A mão viu a textura do odor percorreu escrituras de éteres esmiuçou compostos de vida navegou em efeito infantil E a boca falou silêncio de dor Nó solto no meio da laringe bloqueio feito pela calçada que a pedra impermeabilizou



Clóvis Roberto é jornalista e cronista
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  1. Parabéns...Clóvis Roberto !!!
    boas inspiradas poesias👏🏻👏🏻👏🏻
    Paulo Roberto Rocha

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  2. 😉 Obrigado pela gentileza da leitura e pelas palavras.

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