Meu filho Henrique sempre disse que, se um dia o mundo se acabar, será ao som de Carmina Burana. Já ouvi dezenas de vezes a música de Carl...

O fim do mundo

Meu filho Henrique sempre disse que, se um dia o mundo se acabar, será ao som de Carmina Burana. Já ouvi dezenas de vezes a música de Carl Orff. Todas as vezes foi inevitável que eu olhasse em redor, com uma leve apreensão,

Assistindo à rápida deterioração das condições físicas de vida na Terra, indagamos: será que o Homem chegou ao seu ápice e a espécie humana se aproxima do fim no nosso planeta? Quantas gerações ainda duraremos?

Perguntamos isso baseados nos sinais que vêm surgindo aceleradamente: aumento da temperatura do planeta, com as suas principais conseqüências: aridez, seca, desertificação, redução da água potável, limitação da produção de alimentos.

Paralelo a isso tudo vem acompanhando de perto a multiplicação da população humana, com as suas principais consequências: a fome e a sede. Já se delineiam conflitos pela água.

Diante disso é inevitável imaginarmos então um futuro trágico para a humanidade. Isso mesmo: hipotético, porém possível.

Ankhesenamun

Há quase cinco décadas foi lançado o filme norte-americano Soylent Green, direção de Richard Fleischer. Impressionante ficção de 1972, mal-divulgado à época do lançamento, o filme mostra um mundo distópico, caótico, no ano de 2022. New York está totalmente paralisada num mega-engarrafamento. As pessoas moram dentro dos seus carros, no meio das ruas congestionadas.

O mundo está excessivamente quente e totalmente poluído, uma nuvem densa e suja cobre de sombra toda a superfície da Terra, prejudicando as plantações. Os mares estão de tal forma poluídos que já não fornecem mais alimentos.

Os alimentos são tão escassos que a população, que sobrevive bebendo água suja, alimenta-se apenas de um nutriente em forma de biscoitos verdes, os Soylent Greens, que são distribuídos pelas autoridades e disputados violentamente pela população.

Bryan Ward
A situação é tão grave, e insolúvel, que para diminuir a população das cidades a administração pública estimula a morte assistida: a eutanásia legalizada e praticada como ação de governo. Os voluntários são em geral pessoas totalmente desiludidas, solitárias. Ou portadoras de alguma doença incurável.

Ao se decidirem pela eutanásia elas se dirigem para os centros espalhados pelas cidades. Lá são recebidas por vestais, em ambiente refrigerado e límpido, ao som de música ambiente angelical.

Nesses centros essas pessoas terão a garantia de uma morte suave e muito agradável. E inesquecível, claro...

Deitadas em camas confortáveis, cheirosas e, pasmem: limpas! Instalada a medicação final elas passam a assistir aos melhores momentos de suas vidas, além de cenas bucólicas, repletas de animais extintos, como corças, coelhos, alces e ursos, que vão passando numa grande tela às suas vistas. E pouco a pouco se vão para os seus respectivos paraísos...

Mas o seu destino não para por aí. Nem o filme. Este se encerra revelando o destino bizarro da humanidade.

Niell Gorman

Num futuro hipotético, porém possível, esgotadas todas as tratativas, eis que é chegada a hora de o Homem ser extinto da face da Terra. Pois o Apocalipse será finalmente cumprido.

Ninguém pode dizer que não foi avisado, que foi pego de surpresa. Avisos não faltaram: incêndios, furacões, terremotos, maremotos, derretimento das calotas polares com elevação das águas dos mares, cobrindo ilhas, istmos, promontórios e grandes metrópoles litorâneas, como Rio de Janeiro, Nova Iorque e Xangai.

A fome espalhou-se pelo mundo, mas o homem não deu ouvidos: não satisfeito em ter o suficiente para viver bem, em sua sanha por lucros continuou a fazer tudo o que não podia nem devia. O homem tornou-se o pária da natureza. Era urgente que fosse impedido de destruir a natureza, com a extinção da raça humana. Maldades extremas não lhe faltavam,

Jakub Pabis
Então, convocados por Zeus, os deuses representantes da maioria das religiões se reuniram no Olimpo pela primeira vez. Lá foram recebidos pelos anfitriões, Zeus e a Sra. Afrodite. Compareceram quase todas as entidades divinas espalhadas pelas diversas civilizações da Terra: o Deus ocidental, cristão. Ra, com a sua Ísis. O eterno solteirão Alah e seu vizinho Jeová, também vieram. Odin compareceu com Thor, chegando numa biga alada sobre uma nuvem emitindo raios, assustando todo mundo no aeroporto de Atenas. O japonês Raijin também estava lá.

Num vôo da Alitália, procedente de Roma, chegaram Júpiter e Vênus, ela recebendo todo o carinho do marido por estar sem os braços. Direto de Cuzco, Mama-Pacha pousou no aeroporto. Ela mora em Macchu Picchu e chegou num vôo da Aeroperu.

Da Índia vieram Brahma com a doce (Hari!) Krishna. Estavam acompanhados pelos seus conselheiros Vishnu, conservador do Universo, e Shiva, destruidor do Universo. Após muitos séculos Buda desceu do Himalaia para não perder aquele momento.

O Brasil estava muito bem representado por Tupã e Jaci, que estavam acompanhados por Guaraci, seu filho mais velho. Para dar o bom exemplo, a delegação baiana composta por Oxum, Exu e a public relations, a muito simpática Pomba-Gira, foram os primeiros a chegar.

Wallhaven
As recomendações das medidas de higiene emanadas da OMS orientavam para que se reunissem virtualmente, sendo-lhes facultado um programa remoto. Porém a gravidade do momento exigia a presença de todos aqueles que pudessem comparecer.

Assim, decidiram encontrar-se de forma presencial, uma vez que a situação era maior e mais grave do que o risco de contrair a Covid 19, que décadas antes havia se tornado endêmica pelo mundo todo.

Presidido por Zeus, que abriu os trabalhos ao som de Also Sprach Zaratrusta, instalou-se o Divino Tribunal de Exceção (DTE). Para atuar como PGR Zeus designou Shiva para proferir a acusação contra o Homem. E escolheu Vishnu como AGU, para fazer a defesa.


Ao som do concerto Verão (presto), da obra As Quatro Estações, de Vivaldi, o PGR Shiva iniciou a sua exposição, elencando as duas principais acusações contra o Homem, que resumiam tudo:

Ofensa grave contra a Natureza, mais exatamente contra todo o meio-ambiente e contra os animais, resultando no mau-trato geral e extermínio de várias espécies

Ofensa grave caracterizada por maltrato contra a sua própria espécie

A uma ordem sua os telões passaram a exibir imagens de desmatamentos sem fim, pesticidas poluindo os campos, incêndios criminosos, caça predatória, poluição de rios com mercúrio e toda espécie de químicas e sujeiras. Ataques contra vizinhos, tanques de guerra e mísseis destruindo o patrimônio arquitetônico e matando civis inocentes e, mais grave que tudo, crianças indefesas,

Além de mares entupidos de micro plásticos envenenando os peixes e outros seres, além de focas, baleias, golfinhos e tartarugas mortas por terem se enganchado em redes.

Dustan Woodhouse
A intensa maldade contra as crianças e os animais foi a tônica da exposição. O uso frio de animais como cobaias nos laboratórios. Animais sempre tratados como seres inferiores e insignificantes, vítimas de todos os tipos de crueldade.

Desmatamento para a criação de pastos e para uso agrícola. Ou simplesmente para roubar madeira para fins comerciais. O despejo na atmosfera de toneladas de venenos defensivos agrícolas.

Despejo de bombas nucleares envenenando a atmosfera. Os desastres nucleares de Chernobyl, na Ucrânia, e da usina americana Three Mile Island só vieram para intoxicar ainda mais a nossa atmosfera, gerando milhões de casos de câncer por todo o mundo.

Continuou Shiva mostrando a prática da tortura de humanos contra humanos (só podia ser, pois animais não torturam nenhum outro ser vivo), as experiências realizadas durante o regime nazista, na Alemanha. E contra prisioneiros de guerra, realizadas por alemães e japoneses, durante a ocupação de outros países. Denunciou também a tortura como política de Estado, praticadas em todas as ditaduras, militares ou civis, em diversos países ao longo da história.

B. Fonseca
Apresentou cenas de maus-tratos contra os animais, burros curvados sob a carga de toneladas e depois abandonados e passando fome pelas ruas, quando não servem mais... De chorar!

Porém, ainda mais chocante, Shiva apresentou também longas reportagens sobre atitudes antinaturais, como pais matando filhos, maridos assassinando as esposas, estupro de crianças. Ou, ainda mais inimaginável: mães assassinando os próprios filhos!

Ao final da terrível exposição, alegando que todo o planeta está degradado e irrecuperável, Shiva pede a extinção da Terra, com homens, animais e tudo, pois para ele trata-se de um caso perdido, uma experiência fracassada. “Não têm mais sentido de viver”, disse.

“E nós, Deuses, como ficaremos?!?” indagaram em uníssono. “Ora, os Deuses buscarão outras civilizações para habitar as suas mentes,” falou Shiva. “Planetas com as mesmas condições de vida é o que não falta no universo,” disse, encerrando a sua exposição.

CC0
Passada a palavra à defesa, para fazer contraponto o AGU Vishnu escolheu, como fundo musical, Primavera (allegro danza), da mesma obra de Vivaldi. E fez uma longa exposição das boas interferências do Homem na Natureza.

Relatou a criação da Medicina Veterinária, com hospitais veterinários municipais e estaduais salvando milhões de pequenas vidas. A criação de Reservas Naturais em todos os continentes. As Leis de Proteção, ambiental e animal. Movimentos heróicos, como o Greenpeace e o Médicos Sem Fronteiras. Mostrou também a ciência, que é o conhecimento exclusivamente humano, salvando homens e animais e alongando a perspectiva de vida.

Introdução ao respeito à Natureza nas escolas primárias. Desenvolvimento de energias alternativas, para substituir a poluição da atmosfera. Defesa incondicional e amparo para todos os animais. Aprimoramento do tratamento das águas. Desenvolvimento de carros elétricos e tudo o que for veículo não-movido a combustível fóssil para substituir o uso do carbono.

Medidas protetivas para a flora, como vedar a substituição das plantas originais por plantas exóticas. Adoção de inseticidas e fertilizantes naturais.

A Política Nacional de Proteção Ambiental, de 1981, no Brasil. O saneamento básico, purificando as águas antes de devolvê-las à natureza.

Wallhaven
Partindo do princípio de que a civilização judaico-cristã foi quem definiu que a Natureza tem que existir a serviço do Homem, Vishnu defendeu as outras civilizações, como os povos indígenas de todo o mundo, que protegem com todo o respeito à Natureza como sendo uma co-irmã. Esse também é o entendimento da filosofia de muitas civilizações orientais.


Encerrada a exposição do AGU, Zeus passou para os debates. Olharam-se os deuses uns aos outros, mexendo-se incomodados nos seus tronos.

Alah foi logo dizendo: “Não tenho nada a ver com o Estado Islâmico”

“Nem eu tenho nada a ver com nenhum falso messias, como estão dizendo lá no Brasil,” disse Deus.

“Mas todos eles dizem que fazem tudo em nome de vocês”, disse Buda.

“Como todos os fanáticos, que invocam os nomes de cada um de vocês,” respondeu Alah, mal-humorado, como sempre.

Tupã descreveu o desastre que está acontecendo em suas matas, e a podridão de mercúrio e ácido sulfúrico envenenando a fauna nos seus rios e em suas margens. Tudo antecipado pela derrubada infinita de suas florestas, sob a desculpa do desenvolvimento.

Debret
Oxum relatou a perpetuação da escravidão, no Brasil. Disse que em 1888 “libertaram” os negros mas mantiveram a sua dependência quase que total do homem branco, mais exatamente dos senhores feudais. Que a igreja cristã, auto-proclamada misericordiosa, não só aceitava, como também tinha seus escravos. Ele também apresentou inúmeras reportagens sobre o massacre dos homens e mulheres pardos e pretos, vigente no Brasil.

Raijin lembrou o regime de tortura e terror imposto pelos japoneses, primeiro na China e depois nos territórios por eles ocupados. Mas afirmou que depois que perderam a guerra mudaram totalmente, e hoje praticamente não mais existe extremismo entre esses povo.

Exu relatou minuciosamente a ocupação de nações africanas por colonialistas ingleses, principalmente, mas também por belgas, alemães, portugueses e espanhóis no território africano. Foram regimes de puro terror, dizimando muitos povos principalmente por causa da cor da pele.

Jeová relembrou o terror que significa qualquer regime totalitário, seja nazista, fascista, comunista ou outro, qualquer que seja a tonalidade no espectro político. Alah lembrou-lhe, então, que os judeus tratam os palestinos em especial, e os árabes em geral, de forma semelhante à que sofreram no mundo, especialmente na Europa. Quase foram às tapas.

Tocando insistentemente a campainha, Zeus ia botando ordem no julgamento.


Encerradas as exposições, ouvidos todos os argumentos de ambos os lados, apreciadas as alegações finais e, finalmente, feitas as perguntas pertinentes por parte dos presentes, todos os jurados, iniciaram-se as discussões.

Uma corrente já claramente se delineava: o Homem não passa de um megapredador insaciável, que mais o mal do que o bem tem feito à natureza. O comentário geral é que deve ser extinto.

Liviwire
Mas outra corrente começava a ganhar força: ao som de Another Brick in the Wall executada por Pink Floyd, defendiam a pura e simples extinção de toda a Terra. Os que defendiam o nosso planeta o faziam ao som da linda música Terra , de Caetano Veloso.

E eis que chegou a hora de Zeus proferir o veredicto final.

Ele fez uma ampla explanação sobre os motivos daquela ocasião tão grave, os resumos das falas da acusação e defesa.

Eram 24 votantes, podendo Zeus, na qualidade de presidente do Conselho, agir como voto de Minerva (êpa!). Ao final de cada votação Zeus expôs os resultados:
Pela absolvição do Homem: 12 votos Pela condenação: 12 votos. Zeus então votou pela extinção da raça humana. Pela conservação da Terra: 12 votos Pela destruição da Terra: 12 votos

Zeus estava com o diabo no couro: votou pela destruição final do nosso planeta. Alegou que este poderia se tornar uma má influência para os demais planetas do sistema solar. Passou, então, a apreciar os recursos.

O primeiro era de Vishnu. Como ele era cinéfilo, contou a história de um filme que havia assistido no Cine Plaza em 1975, Soylent Green. E pediu que a humanidade tivesse a oportunidade de gozar do mesmo fim, ao som das melhores músicas e assistindo os melhores momentos da existência da civilização humana. O pedido foi aceito, e saiu Vishnu para providenciar telões pelo mundo afora, e som estereofônico.

Fanshare
Zeus decidiu a data e hora do Fim da Terra. E deu por encerrado o julgamento: “Seja o que Zeus quiser!”, disseram todos em uníssono.

Mas, desfeita a Assembléia, Zeus recebeu uma delegação das Sociedades Protetoras dos Animais do mundo todo, liderada por Ana Laura, Helinha e Jôze, pedindo “pelo amor de Zeus” que não destruísse a Terra pois isso significaria a morte justamente daquelas que eram as maiores vítimas do bicho homem.

Zeus a princípio recusou, pois a Assembléia havia decidido em votação legítima. E saiu com Baco para comemorar o sucesso do evento.

À noite, porém, na alcova, à media luz, Afrodite, com a voz rouca e sensual, com seu jeitinho afrodisíaco de ser, ciciou ao ouvido de Zeus: “Amor, o voto que decidiu foi o de minerva, isto é: o seu voto. Dá um jeitinho, salva os bichinhos, vai...”

Zeus doidão, excitado, sucumbiu aos apelos de Afrodite. E salvou a Terra! Mas manteve o fim da humanidade.


No dia marcado chegou a hora: todas as forças da natureza se manifestarão na mesma hora, para não sobreviver nenhuma pessoa. Apenas os animais terão a oportunidade de escapar.

Marcada data e hora, pàra tudo no mundo, todos os humanos largam tudo e passam a se dedicar a assistir o próprio fim. As famílias se postaram diante das telas de TV em casa, ou dos telões, nas ruas.

Todos os animais são soltos, para que tenham alguma chance de sobreviver à grande hecatombe que se avizinha. Zeus cumpriu a sua palavra.

O espetáculo, como era de se esperar, começa com a ouverture da 5ª Sinfonia, de Beethoven. Depois vem Joe Cocker cantar A Little Help From My Friends igual ao que cantou no Festival Woody Stock.

Ka-man
A programação continuou com uma música mais leve para todo o mundo recuperar o fôlego, a célebre valsa Danúbio Azul de Johan Strauss Jr.

Depois foram executadas O Dia Em Que A Terra Parou , por Raul Seixas; Nostradamus execução perfeita de Eduardo Dusek; e Juizo Final , (na voz de Nelson Cavaquinho).

A chegada da Grande Finale foi anunciada pela execução de Live and Let Die , executada por Guns n’roses.

E o momento atinge o seu clímax, a Apoteose do Apocalipse, com a extasiante O Fortuna - Carmina Burana

Fac si Tenebrae!

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  1. Muito bom.

    Tanto que considero o texto como parte do esforço que salvará a Humanidade. Porque apocalipse é coisa de seita com ânsia de aumentar o número de adeptos, através do medo. Roldão Mangueira faiô. Nostradamus faiô. Mateus 16:28 faiô.

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    1. Agradeço o comentário que considero voto categorizado.
      O texto reflete a minha desilusão com o bicho homem. A minha tristeza por saber que não vou assistir a natureza triunfar.

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  2. Feliz ou infelizmente, vivemos sempre em uma grande incógnita da realidade.
    Como bem lembra o nosso Solha, talvez em cima da hora apareça o "Imponderável de Almeida", que, como menciona o colunista Rogério Menezes (Coluna Vertebral - Imponderável de Almeida - As execráveis tragédias do cotidiano [jornal Correio - Salvador/Ba, hoje]) implacável e absolutista, primeiro e único, impera. O que poderá nos acontecer na próxima esquina? Ou no final do ano que vem? Ou no escurinho do cinema? Nelson Rodrigues – gênio! – criou o personagem Imponderável de Almeida, o dono de tudo – sabia todas as zebras que rolariam nos jogos de futebol e, inferi depois, também fora dos estádios.
    Vivemos (então) sob a égide dessa criatura abominável.

    E Zeus termina passando batido!!!

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    1. O Imponderável de Almeida foi um dos muitos personagens geniais criados por Nelson Rodrigues. Este, sim, tinha uma imaginação fértil!
      Agradeço as palavras, Arael

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  3. Agradeço a vocês: Marília, Gil, Sérgio, Arael, Solha, a todos o meu obrigado pelo estímulo que me oferecem!

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