Eu estava preparando umas mal traçadas linhas sobre Bernardo Guimarães, autor do romance A Escrava Isaura . Iria contar a vida boê...

Escapamos fedendo

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Eu estava preparando umas mal traçadas linhas sobre Bernardo Guimarães, autor do romance A Escrava Isaura. Iria contar a vida boêmia (e bota boemia nisso) do escritor quando lembrei que, por causa da novela que a Globo produziu com base no livro, quase levávamos uma tremenda surra, com amplas possibilidades de irmos parar no xilindró.

A aventura começou quando eu e mãe Leca participamos da Maratona de Praga, em 11 de maio de 2008. Eu corri fantasiado de Lula, e ela, de Marisa Letícia. No dia seguinte (12/5), o jornal Folha de S. Paulo publicou uma foto nossa.

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Budapeste (Hungria) ▪️ Foto: Gabriel Miklós
Já que estávamos famosos, mesmo anonimamente, graças às máscaras que usáramos na corrida (se é que vocês me entendem), decidimos comemorar em Budapeste (dois dias de estada), para onde viajamos acompanhados de dois casais paraibanos.

Como vocês estão carecas de saber, na verdade são duas cidades: Buda e Peste. Visitamos Buda primeiro, porque as moças estavam loucas para conhecer o castelo onde a imperatriz Sissi morara. No segundo dia, fomos a Peste. À noite, decidimos procurar alguma animação naquela tranquilidade, e aí a porca começou a torcer o rabo.

É que, antes de sairmos, tomamos no hotel uns bons goles de uma bebida chamada pálinka, cujo teor alcoólico pode ir até os 80 graus. O frio era a justificativa. Depois de muito andarmos, encontramos um cinema feericamente iluminado, com uma multidão à porta. Claro que a malvada da pálinka nos fez tentar entrar no que era a festa de lançamento de um filme do mais famoso comediante local. Só que era uma festa para convidados especiais.

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Lucélia Santos em A escrava Isaura (novela de Rede Globo, 1976) ▪️ Facebook: La Esclava Isaura (grupo público)
Foi então que um dos gênios do nosso grupo, sabedor de que a novela A Escrava Isaura fizera tanto sucesso na Hungria que os telespectadores de lá promoveram campanhas para arrecadar grana e comprar a alforria de Lucélia Santos, identificou-se como Rubens de Falco, o Leôncio da novela.

Lembrem-se de que estávamos em maio de 2008, e as informações via internet eram quase zero. Deu-se, então, que não somente fomos acolhidos como nos trataram com pompa e circunstância.

No dia seguinte, cedo, enquanto colocávamos as malas na van com destino ao aeroporto, consegui, no Business Center do hotel, um acesso ao computador que me levou ao pânico: Rubens/Leôncio havia falecido três meses antes.

Vocês já imaginaram se os enormes, parrudos e embriagados húngaros da festa da véspera tivessem sabido disso?

Iria ser cacete até umas horas.

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