As alterações fisiológicas, ao longo dos anos, são consideradas normais na frequência cardíaca, no consumo máximo de oxigênio, no músculo esquelético, nos ossos, na flexibilidade e na composição corporal total. Com o passar do tempo, ocorre alguma perda de condicionamento físico com a idade, e a frequência cardíaca pode, assim, aumentar um pouco além da faixa do adulto. Em muitas pessoas mais velhas, essa tendência é exacerbada por um decréscimo no volume sistólico, o qual
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aparece associado ao estreitamento vascular coronariano e torna-se particularmente evidente nas frequências de trabalho aumentadas, quando o suprimento de oxigênio não atinge mais as demandas cardíacas. A razão principal para a diminuição da frequência máxima com o envelhecimento é o aumento da rigidez das paredes ventriculares e a lentidão do enchimento ventricular.
Alguns trabalhos e pesquisas, como, por exemplo, os demonstrados por Rebelatto e Morelli, deixaram evidente que, para avaliar as alterações do sistema cardiovascular do idoso, é preciso considerar a dificuldade em distinguir as alterações determinadas pelo processo de envelhecimento daquelas decorrentes da alta prevalência de morbidade cardíaca e não cardíaca nessa faixa etária. É importante considerar também o estilo de vida e os fatores de risco desse grupo, especialmente o sedentarismo.
No idoso, as arritmias são comuns devido à hipertensão e à doença coronariana. Existem também evidências de que a arritmia representa uma anormalidade do coração que diminui a eficiência do trabalho de bombear sangue para o organismo. As arritmias cardíacas são classificadas pelo seu mecanismo e por sua sede de origem. As arritmias supraventriculares e ventriculares são os dois mecanismos mais comuns entre os idosos. Entre as arritmias, as bradiarritmias são particularmente frequentes nessa população.
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Segundo o American College of Sports Medicine (1994), as alterações relacionadas à idade nas frequências cardíacas de repouso e máxima são importantes quando se prescrevem exercícios, quando se conduz um teste de esforço máximo e quando se tenta uma previsão do consumo máximo de oxigênio a partir de dados submáximos. Em uma criança, uma frequência cardíaca de 170 batimentos por minuto corresponde a cerca de 80% da força aeróbica máxima. Por volta dos 65 anos, entretanto, esse valor corresponde à frequência cardíaca máxima.
Prof. José Geraldo da Silva Morelli, mestre em Fisioterapia pela Universidade Federal de São Carlos (SP) ▪️ Fonte: Linkedin
Rebelatto e Morelli mostraram consistência em seus estudos. Se compararmos com outros pesquisadores, verificaremos que, no curso do envelhecimento, o ventrículo tende a se hipertrofiar, provavelmente devido ao aumento da pós-carga. A hipertrofia, a diminuição da complacência ventricular, o prolongamento do relaxamento ventricular e o aumento da pós-carga contribuem para a diminuição da fase de enchimento rápido do ventrículo no início da diástole.
De acordo com o *American College of Sports Medicine* (1994), a razão principal para a diminuição da frequência máxima com o envelhecimento é o aumento da “rigidez” das paredes ventriculares e a lentidão do enchimento ventricular.
De acordo com Heath (apud American College of Sports Medicine, 1994), ao envelhecimento associam-se alterações no sistema cardiovascular. A frequência cardíaca de repouso demonstra pouca ou nenhuma alteração com o aumento da idade; entretanto, a frequência cardíaca máxima durante o exercício apresenta declínio. Surgem alterações funcionais e estruturais que afetam o miocárdio, como a redução do débito cardíaco de repouso, associada à hipertrofia miocárdica.
Gregory W. Heath, pós-doutor em Fisiologia Aplicada, membro Sênior do American College of Sports Medicine ▪️ Fonte: Google Scholar
Segundo o autor supracitado, a elasticidade dos principais vasos sanguíneos declina com o envelhecimento; resultam, então, pressões sanguíneas mais elevadas em repouso e durante o esforço.
O aumento da pressão sanguínea em repouso e durante o exercício frequentemente atinge um nível máximo entre os 65 e 70 anos.
De acordo com grupo de pesquisadores, liderado por Barry Pickles (Pickles et al. (1998), os batimentos cardíacos são um dos sinais mais poderosos de que estamos vivos. Muita atenção tem sido dedicada aos diversos aspectos da função circulatória que se modificam com a idade. Essas alterações resultam em diminuição da capacidade de reserva funcional do aparelho cardiovascular, afetando, portanto, a tolerância aos esforços.
Como conclusão dessa temática tão relevante para os cardiologistas clínicos, podemos afirmar a importância de estarmos cada vez mais atentos à avaliação do sistema cardiovascular do paciente idoso, elegendo o trinômio — competência, experiência e argúcia clínica — como molas mestras na avaliação daqueles pacientes que atingem a senectude e/ou a senescência.