Se tem uma coisa que eu me pelo de medo, é da tal da eternidade... O povo tem uma mania de querer que as coisas durem para sempre.

Vida eterna... Para quê, mesmo?

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Se tem uma coisa que eu me pelo de medo, é da tal da eternidade...

O povo tem uma mania de querer que as coisas durem para sempre.

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O 'caba' vai comprar uma roupa, analisa o tecido e pensa: será que dura?

O vendedor anuncia: não desbota...

A sandália que todo mundo conhece não solta as tiras, nem deforma, como se você fosse precisar daquilo pro resto da vida.

Sim, meu bem, vida tem resto.

A sua conduta no mundo vai garantir o seu lugar na eternidade, dizem o padre, o pastor e o rabino.

Foram felizes para sempre, diz o conto, a fábula, a mentira.

O CD quando foi lançado, era o fim do LP. Não arranhava, não apagava, não morria... Ahamm... Agora a gente tá com saudade de ouvir música com os estalinhos do LP...

Estragar faz parte da vida, amiguinho!

Há uma perfeição perversa, maluca e sofrida, mas sábia na finitude.

Fala sério? Você quer viver pra sempre, pra quê?

O que você não fez até aqui, faça logo. Senão não vai ter mais graça.

O que você faz e gosta muito, vai perder a graça quando você fizer da terceira vez.

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Até sexo é assim. A primeira faz tchan! A segunda foi bom. A terceira foi só vaidade.

Eu te digo uma coisa: vai vivendo!

Para de se ocupar com essa tal de eternidade.

Você vai abusar da camisa que não desbota.

Aquele objeto lindo, que você comprou, vai ficar invisível na sala duas semanas depois.

O tal blazer clássico que a blogueira de moda indicou, como peça coringa do seu guarda roupa, vai ficar com a lapela muito larga ou muito estreita.

Cafona, fora de moda, antiquado, velho, mofado, desbotado...

Pra mim eternidade é isso.

Meu amigo, entre na roda da fortuna e deixe o tempo correr.

Siga o fluxo, deixe acontecer...

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Se você tiver sorte. Se não for por bala, zica, dengue, chicungunha, stress, barroada... vou nem falar em Covid19...

Deixe vir.

Deixe vir o que vem. E deixe ir.

O que foi, deixe ir.

Senão você paralisa. E isso dura uma eternidade.

'No meu tempo' é uma prisão. E a tal eternidade, que me mete medo é essa: uma prisão na nostalgia, no passado, numa sensação inútil de que não foi suficiente.

Eu tenho mais medo da eternidade que da morte.

A eternidade é déjà vu.

A morte é curiosidade.


Nelson Barros é psicólogo e cronista
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