Tinha vários colares de pérola. E este era velhinho; guardado a sete chaves. Com um fecho especial, há tanto tempo, havia sido um presente ...

Ela e seus pequenos tesouros...


Tinha vários colares de pérola. E este era velhinho; guardado a sete chaves. Com um fecho especial, há tanto tempo, havia sido um presente de papai.

As outras bijus, tantas, eram todas organizadas em caixinhas e latinhas de biscoitos ou chocolates; colecionadas aos pares, com igual zelo e carinho.

Mimos, muitos mimos, que os filhos e netos faziam sempre questão de aumentar, incentivando uma vaidade que era tão original e que realçava sua beleza simples e singela.

Quem a conhecia já sabia: ela não saía de casa sem um brinco (de pressão, pois nunca furou a orelha) e o colar combinando. Era a marca dela: batom, rouge, cintos e bijus. Uma pequena "produção" no visual.

Mesmo velhinha, permanecia fofa, plenamente dona de si e consciente do mundo. Arrumava-se... e ficava ainda mais linda!

Há 7 anos, exatamente no ano em que me mudei para esta casa nos Bancários, ela completava os 90 anos.

A festa, como era de praxe, foi organizada pelos filhos. Ela estava radiante! Em comum, ela e eu estávamos "enfeitadas"... e imensamente felizes!

Hoje, 26 de junho de 2020, é o primeiro dos aniversários sem ela... Sua morte me deixa profundamente triste e sinto como é enorme o vazio da saudade...



Mas, por aqui, a sua presença permanece brilhando! Está nas bijuterias que herdei, que usarei e que guardarei como grandes tesouros. Está no amor e nas nossas pequenas e grandes cumplicidades afetivas (adorava lhe emprestar os meus colares ou presentear, com mais e sempre mais outra bijuteria). Nossas memórias são inesquecíveis! Vão estar sempre junto de mim e pulsar, para todo o sempre, no meu coração.

Nosso amor é eterno, mamãe!


Thamara Duarte é mestre em direitos humanos, ambientalista, e jornalista
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