VOO Sinto-me em pleno ar. Pequena gaivota a flutuar nos céus, Lenço branco a baloiçar no vento, A deslizar pelo firmamento.

Já vim de outros portos

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VOO
Sinto-me em pleno ar. Pequena gaivota a flutuar nos céus, Lenço branco a baloiçar no vento, A deslizar pelo firmamento. Gaivota que voa, Aos primeiros raios da manhã, Seguindo a trilha do Sol, Levada pelos ventos do mar A navegar. Já vim de outros portos, Outras paradas, Já caminhei descalça, Em estradas espinhosas e amargas, Até que me desenvolveram as asas. E resolvi voar. Voar sem ter porto ou parada, Apenas a admirar as nuvens do céu, A pousar em castelos de algodão, Deixando minha alma crescer na amplidão. As lágrimas ficaram na praia, Foram recolhidas pela areia, Viraram ondas, vagas distantes. Agora vagueio pelo céu, Onde há estrelas cintilantes, E sigo como eterno viajante. Voo pelos céus, livre, Sentindo a paz e o sussurrar das brisas, Viajarei assim, Seguindo mares de ondas crespas ou lisas, Sem ter planos de em alguma ilha pousar. VOYEUR
Ela costumava ir à janela todas as tardes, apenas para lhe espiar. Gostava de ver seu passo leve, sentir o seu cheiro , que era tão particular. Era um cheiro de mato, de erva orvalhada... Ela sonhava com o som da sua voz, quente e aconchegante. Havia ouvido poucas vezes, mas não mais esquecera. Por isso, todas as tardes, ela ia para a janela, apenas para espiar a sua amada figura. Sentir-se perto, mesmo que tão distante... Ele tinha um jeito só seu, incomparável. Ela se sentia tão pequena diante dele. Ele não a notava, passava por ela quase a esbarrar, mas não lhe pressentia a figura. Apenas uma vez lhe dirigira o olhar, e foi como se o mundo tremesse, ela jura que, nesse dia, o céu mudou de cor. Mas passou... Foi rápido como uma lufada de vento. Ele vive perdido em um mundo impenetrável, esconde-se atrás de muros, atrás de medos, atrás de lentes. Ela é poesia, simplesmente. Ele se agarra às dores do passado, ela sorri para as flores do futuro. Ele parece secular como um carvalho, ela é noviça como um miosótis. Ele e ela, mundos tão distantes... Ainda assim ela perdeu-se de amor. Amor impossível, bem sabe. Por isso ela vai à janela, apenas para lhe espiar. O tempo vai passar, a vida vai passar e quem sabe... Talvez, um dia ele a olhe e perceba que fora de seu mundo voyeur há vida... Talvez, ela se canse da paisagem e deixe a janela, ficando em seu lugar apenas a poesia. VOLÁTIL
Amor volátil Paixão de momento. Fascinante, Atraente, Porém efêmero Instantâneo, Fugaz Falena em volta da luz, Bruma do alvorecer A evanescer ao primeiro Raio de Sol. Pura miragem, Aurora boreal. Foste assim? Um simples sonho para mim? Passaste por mim como chuva de verão... Por que teimas ainda em me atentar o coração? Se és volátil como éter, Por que ainda me alucinas? VOZ DO TEMPO
Vou aprender a esperar na voz do tempo. Que me seja dada uma palavra de amor, Não vou querer que o sol venha Antes que a madrugada cumpra seu papel. Antes, testemunharei cada etapa, religiosamente. Vou aprender a ver a chuva Como uma multidão de gotículas, Cada uma é pérola de um espetáculo milagroso. E ter a paciência da colina que espera a primavera Para se cobrir de flores. Vou aprender a ser cada grão de areia, Que compõe o interminável deserto, E que abraça o céu azul Dele sentindo-se tão perto Tocando-se no horizonte, Sem nunca se encontrar, Em planos distantes. Vou esperar no tempo. O teu chamado, O teu convite, O meu movimento, O meu florescer, Uma história de amor.


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  1. PARABÉNS Vóila...sua inspiração é multiplicante ao extremo da potenciação...

    Paulo Roberto Rocha

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