Têm sido mansos nossos rios desde que ingressamos na história. O Jaguaribe, apesar de pequeno, é que costuma lavar as pontes desde que exi...

Os rios do bem

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Têm sido mansos nossos rios desde que ingressamos na história. O Jaguaribe, apesar de pequeno, é que costuma lavar as pontes desde que existem pontes, botando água a meio pneu mesmo em várzea larga como a que se abre entre o Altiplano e a floresta já meio rala de Jaguaribe.

Do Sanhauá, desde que vivo aqui, não há queixa de suas águas subirem além dos batentes da praça Álvaro Machado. Uma ou duas vezes, salvo engano, veio lamber a entrada da Alfândega. Mas o povo que mora à sua margem se opõe a qualquer projeto que o retire de lá. Então é rio que não afoga.

Geovani.s
Os portugueses, apesar de grandes navegadores, de homens do mar sem a empáfia dos ingleses (leia-se Joseph Conrad), tinham medo de água doce. E souberam o que faziam quando assentaram as bases da cidade, dizem que no alto da colina, mas lá embaixo, rente com o rio, aparece um castelo ou coisa parecida já encontrado pelo pincel do holandês.

O Paraíba, este sim, foi o “Deus nos acuda” das populações da grande várzea açucareira. O romance de Zé Lins afunda nele, numa cheia que foi se atenuando pelas barragens a meio do caminho e pelo dique ou o dedo do menino holandês em torno de Cruz do Espírito Santo. O dedo de Mailson da Nóbrega, lá por Brasília, e a ação do governo de Wilson Braga, por aqui. O fato é que nunca mais o Paraíba afogou Espírito Santo, desde 1985.

Por suas fontes fluviais - façamos justiça - João Pessoa não tem do que se queixar. Ao contrário, é uma das cidades mais providas de mananciais. Desde 1952, do meu testemunho, que se despeja um rio dentro do outro. De Marés até Mumbaba, quando Burity e depois Wilson asseguraram provisão até o ano 2.000. Houve uma seca, com racionamento, no governo de José Maranhão, que realizou o sonho de Acauã com seu Plano das águas, mas teve de cavar poço para garantir água à nova João Pessoa, hoje cidade que tem de ter água para 1 milhão de pessoas e para o banho de não menos que uns 300 mil automóveis.

CC0
A grande queixa é outra, muito bem disfarçada pela cidade que se deslocou para o mar, onde a única barreira a perigo é a do Cabo Branco. Mas vamos calçar as botas e entrar pelos chamados “aglomerados subnormais”. Há vinte anos, quando a cidade orçava pelos 600 mil habitantes, 115 mil viviam nessa condição, 70 por cento vindos da zona rural. Próxima do milhão, nas condições atuais, devem ter dobrado os que vivem abaixo da pobreza. E é um milagre que os nossos rios não embrabeçam, mesmo seguidos em suas águas por meio mundo de choças ribeirinhas escondidas pela mata. Aqui é a mata que esconde, em Petrópolis é o encantamento do refúgio imperial.

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  1. Infelizmente, caro Gonzaga, hoje são esses rios que estão "a perigo", pois sofrem com o abandono a que foram relegados pelo poder público, que assiste, contemplativo, decerto, o crescimento dos males que os fazem doentes - poluição, assoreamento e outros, talvez, em um futuro que não podemos antever, os condene ao desaparecimento.

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