EU SOU ASSIM Uso sapatos confortáveis, Tenho tinta no cabelo, Mente inquieta, Olhos mansos, adoráveis. Gosto da quietude...

Perder-se por aí

EU SOU ASSIM
Uso sapatos confortáveis, Tenho tinta no cabelo, Mente inquieta, Olhos mansos, adoráveis. Gosto da quietude, Da beleza da manhã de sol, Mas também gosto de chuva, De vento e de trovão. Tenho momentos de cérebro, Outros de só coração. Gosto do riso solto, De pessoas bem-humoradas, De caminhar pelo mato, Banho de rio E de noites enluaradas. Gosto de música, Clássicos, jazz, rock and roll, Ler deitada numa rede, Da preguiçosa tarde de domingo, De contemplar o mar, Ás vezes de não pensar em nada. Tive amores impossíveis, Tenho sonhos improváveis, Mas sou de rocha, sou crível, Se dou a mão, se abraço, Sou porto seguro até o fim. Meu silêncio é ruidoso, Cheio de pensamentos, Escrevo para não naufragar, Navego destemida Nesse mar de sentimentos. Sou bandeira hasteada ao vento, Não espero que me ames, Não sonho que me gostes, Sigo feliz meu caminho, Se me segues, dou-te a mão, Se me ignoras, há quem goste.
DISTÂNCIAS E SILÊNCIOS
Certas distâncias, Tornam-se abismos mortais. E os silêncios sepulcrais Que escondem tanto a dizer, Vão tomando espaço, Como se fosse um véu cinzento Que esconde a luz, Até que, de repente, torna-se normal O calar. E a dor vai cansando o coração, Que depois de tanto sangrar, Exânime desiste de pulsar E apenas fibrila na rotina morta. O brilho do olhar embaça, E vai apagando a lembrança, A saudade, o sonho. E por fim, Não resta nada, Nada para lembrar, Nada que desperte um riso na alma, Por uma boa lembrança, Nada que valha a pena chorar, E a gente percebe Que a distância, O silêncio serviu apenas, Para mostrar, Que o tempo curou O que não devia permanecer.
MULHER ACORRENTADA
Aonde vai essa mulher acorrentada? Seu passos são tardos E deixam rastros de dor. Aonde vai essa mulher acorrentada? Segue um caminho oscilante, As lágrimas a acompanham aonde for. Aonde vai essa mulher amordaçada? Muda em um silêncio de morte, Segue pálida , sem rumo, sem norte. Aonde vai essa mulher tão judiada? A dor não pode ser seu destino, O desamor não pode ser a sua sorte.
ESTRANGEIRA
Às vezes, eu me sinto assim: Inadequada, Forasteira, Sem lugar. É como se eu estivesse Do lado de fora da porta, Esperando que alguém a abra Para eu poder entrar. No entanto, a porta não se abre Largamente, Apenas entreabre E eu vejo a sombra, Mas o sol me caustica a pele. A porta se entreabre, E eu recolho as migalhas, Como fosse um cão vadio, Que mendiga as sobras do jantar. Às vezes eu fico assim... Estrangeira da minha própria alma. Desconhecida da minha essência, E faço voos em círculo, Esperando a porta abrir.
LAR
Viajar, Sonhar com um mundo distante, Perder-se por ai, Em uma aventura errante. Porém, ter para onde voltar. O lar. Porto seguro, Ninho que acolhe, Refazimento do cansaço Regaço O lar é refúgio, É abraço. Navego para tão longe, Enfrento as tormentas, Não fujo de uma refrega, Na poesia viajo, Sem saber onde a estrada vai chegar. Mas sorrio segura, Pois lá adiante me protege o lar. Ter um lar é ter paz, É saber que se pode lutar, Se pode ser revel, Seguir adiante, Mas saber que há sempre Abraços ternos a me esperar.
O ATO E O VERBO
Deparo-me com o verbo, Que sonha. Falta-me sentir o ato. Que constrói. Verbo é encanto, Da sereia é o canto, Ato é ação, Do sonho à construção. Quero teu verbo O brilho da imaginação, Mas dá-me também o ato, Segura-me a mão.

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