MULHER AMARGA-VIDA Esse olhar suspeito em meus peitos ― maravilhas americanas ― sob listras nacionalistas se confunde ...

Anotações sobre os super-heróis

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MULHER AMARGA-VIDA
Esse olhar suspeito em meus peitos ― maravilhas americanas ― sob listras nacionalistas se confunde enquanto, alucinada, rodopio e visto minha tiara não sou sexo, não sou foda sou a sádica do chicote por fora dourada e dentro uma TPM do cacete.
Bata-me, de hobby
A mão que bate é a mesma que acaricia. O que bate geme nos becos de Gothan E se de Drácula veio a capa e do morcego, a asa, dos bailes veio o fetiche ― a máscara Sou o alterego do esteta no jogo do dá e bota ou a dupla face do homem que nega mas se enrosca? Bata-me, mas de hobby pois se na vida se engole a farsa, o Coringa e o Charada, no íntimo da caverna se goza.
Tome ferro!
Homem de lata Capitalismo selvagem! Nas pilhas de sucata me reinvento e se brilha a lata é por ser ferreiro aquele que arremata os restos com engenho homem ― primata mecanizado sustentando o peso da armadura dourada “pobre Tony ― homem de lata ― cobaia da Marvel Comics O vírus Extremis é um câncer que se alastra e corrompe heróis e inocentes.”
Thormento
Além do arco-íris deve ter Um lugar tranquilo pois não aguento mais Sou ou não sou um deus filho da linhagem nórdica? Serei filho de Zeus, ou um lorde escandinavo? Não há fonte que jorre não há pote sob a ponte de arco-íris que me prove ser Odin meu pai. Um highlander, ou de Jupiter enteado? Raios e trovões me digam: sou um filho bastardo, um semi-deus? Místico martelo remove este tomento me absolve da culpa da imortalidade.
Uga-buga Hulk
Quem vê cara feia Não vê paixão Doce bipolar, vivo de extremos Repele, eu sei, minha roupa rasgada, essa quase fala ― Mr. Hyde verde de raiva É que o amargo persiste na boca ― vira memória ― e marca o primeiro momento. Radioativo, eu sei raios Gama dos infernos! Mas aconchego é unguento e me escorre o sangue lavando o ódio Esvaindo a força ― sóbrio ― desfaz-se o medo deste humanoide E me aquieto para o beijo.
Pou! Pá!
Poupai o milho do campo Marinheiro, marinheiro vou te fazer um convite abra o olho bem ligeiro antes que a Olivia grite Apeia do barco agora toma lá meu fumdirolo pois quem nasce em Pirapora não gosta de fura olho A mardita da magrinha se achegou espevitada vinha batendo as cambita cum medu de ser currada Um tal macaco barbado brucutu, da boca podre correndo, carça arriada mode deflorar a moça Pipoquei na bunda dele um cartucho de sal grosso dei-lhe logo uma peia que se foi num alvoroço Sei que gosta de espinafre mais, cá nois só tem taioba puxa o banquinho cumpadre queta o facho, não se afoba Agora, a moça donzela voz de taquara rachada cambito fino, já era cá já ficou paixonada queta lá, homi de Deus! para de soprar seu pito ninguém toca o que é meu nem me convence no grito Se ela grita, tu tá morto Que quela voz me azucrina Se arrede, caça seu povo Bem pra distante de Minas E não tenha a pachorra de ciscar no meu quintal rasga no trecho, se mova mas me poupe o milharal Chegue cá, minha cabrita despede a última vez do moço já de partida pras bandas do povo ingrêis
Robin, ui!
Tudo vale a pena Se a flecha não é pequena Pelo bosque afora nesta festa que é Sherwood enfio onde bem quero minha espada assassina e como sou muito culto ― já passei pela Itália de volta lá das Cruzadas pras bandas do Oriente ― aprendi que em latim a bainha que carrego tem o nome de vagina e é nisso que me apego Justiceiro, desterrado macho fornido de carne flecha no prumo, mirada deixo de sobra os frangalhos Só dá donzela rica ostentando ouro roubado ou concubina de um nobre das bandas de Yorkshire Passando por estas paragens em busca eu sei do que roubo e deixo saudade sumo depois do prazer Repasso do rico ao pobre o que pra sua fome importa de regalo sobra uns cobres e os prazeres na moita De arco, de alvo, entendo esguio, não me embaraço se poca, faço um remendo devolvo, a sobra – bagaço.
Kapitän
Who does not cry, do not chew gum Suas tica seu sonho de Terceiro Reich tombou aniquilado derrubei com um strike sua volta ao passado. saindo de uma geleira que o sonho americano é gato de sete vidas é como meu escudo io-io que vem e vai.
Capitão Mar-velho
Ei, Shazam, herói de revista em quadrinhos Ei, Shazam, Fique esperto que você vai dançar Seria justiça decidir como Salomão? Herdar de Hércules a suprema força? Arrancar de Atlas o peso do Universo? Zangar com os homens ao modo de Zeus? Alcançar vitórias imitando Aquiles? Manter uma fortuna sendo o Deus Mercúrio?
Justiça aos homens desesperadoS Vencer os tiranos ouvindo BacH Suportar essa incoerência humanA Extinguir com a guerra e ter a paZ Ensinar ao tolo o peso da idolatriA Distribuir a todos tudo que é boM
SHAZAMMMMMMMM .... Fuuuuiiiiiii
Tocha – cof cof...
O meu corpo arde por você Em chamas ― descontrolado ― uma tocha humana Fosse o fogo desconhecido poder admirado pelo macaco da Odisséia no espaço Fosse um monge indignado e a auto-imolação buscando o Nirvana Fosse o corpo emprestado do dublê roubando a cena Fosse o ódio irmanado na Inquisição e o corpo queimado de uma santa Fosse o magma derramado e um cientista fascinado nas encostas de um Vulcão Fosse a fogueira junina e um casal enamorado fazendo juras de amor Fosse o terror mitigado da aldeira calcinada a mando do Ditador Fosse o sol, sob neblina recostado e o menino admirado com a grandeza dos céus Fosse tudo: sol, vulcão, fogueira crispando, no ar, ardendo mas não Um Super-herói de brincadeira num gibi queimando a mão.
Ziper-man
Um dia Vivi a ilusão de que um zíper bastaria Ah! Que saudade que tenho da cabine telefônica onde eu trocava “na moita” meu uniforme de guerra me transformava ligeiro no maior herói da Terra singrava os ares sem medo de hélices, drones, bactérias. Como eram belos os dias na pacata Smallville onde cresci inocente sem PCs, correndo livre descobrindo pouco a pouco a identidade secreta que no inicio me pôs louco depois, levado da breca Os vilões daquele tempo no período de pós-guerra mesmo com um toque romântico dissimulavam ― as feras que tempos bons eram aqueles superboy ― ah ! supermoça Era do Ouro ― quadrinhos Filas enormes à espera Eu, Clark Kent engomado herói pop ocidental comecei minha carreira sendo repórter em jornal minha dupla identidade segundo Freud ― alter ego meio sem jeito, é verdade com aquele traje, não nego Quem disser que eu escorrego numa casca de banana devido ao meu uniforme que mais parece um pijama vestindo a sunga vermelha por cima, qual uma dama admito a controvérsia visto até o capuz da fama Mas hoje, tempos modernos arrumei um artifício mandei instalar um velcro não deu certo, é mais difícil faz um barulho danado todos veem, vira comício Voltei para velho zíper Agarrou, o estrupício Ah! Que saudade que tenho da cabine telefônica (...)
SUPER ORNITORRINCO
Acabou o sal ― desperdiçado ― entre os sós, e cada entranha buscava o sustento e a solidão nos escombros ― como um consolo na estranheza. eu, ornitorrinco, ridículo e ébrio, reduzido e semelhante ao consolo dos demais ébrios, ressentia da esperança e claudicava de medo. não tinha lar, não tinha sossego, expirava e o que me sustinha ― o desterro . uma marca guardada, uma flor e o desejo. Chegara o dia em que o temor me abraçara com as trevas e o pavor da extinção. Troquei olhares então com os perdidos no calabouço e percebi o sol que irrigava a terra e o verde que me brotava entre os dedos.

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