Não estamos sós: a Terra, como nós, é setenta por cento água e parte dessa nossa parte está, sempre, irreal, a levitar,...

Quase que só vitrais...

poesia paraibana solha
 
 
 
Não estamos sós: a Terra, como nós, é setenta por cento água e parte dessa nossa parte está, sempre, irreal, a levitar, mais leve do que o ar, em nuvens, até que, com quinhentas toneladas, deságua. E, assim, fizemos canyons, a criação de selvas inteiras (... e de desertos, quando barrados por cordilheiras). E tanto estamos em ararinhas azuis e pauis, quanto em Johann Sebastian Bach


Todo despertar é um saltar ao mar, na marra, no Dia D, nas praias de Utah e Omaha, ou ao chão, entre balas do Complexo do Alemão ou do Afeganistão. Todo dia - potencialmente - é o do fim, sim: sob gigantesca avalanche ou de um mal súbito, causado por um lanche.


o Homem fez, sempre, o que pôde ou... quis. A faixa do visível é estreita, mas o que a excede, ele espreita com seus micros e telescópios ou os raios X. E, como a memória é provisória e restrita, ele criou a escrita, gerando a História.


E, mesmo no inverno em que já escrevo como quem faz serões, sem, mais, esperar que primaveras virem verões, (ou: sem retoque: na Trans ... siberiana, que vem de Moscou, já chegando em Vladivostok ), releio a epístola do apóstolo, onde ele diz que tudo vemos por espelho e em enigma, dando, como dogma, que só quando se deixa a vida e noutra se renasce, é que tudo se vê face a face, ao que a Teresa de Jesús - ansiosa por luz - diz que tan alta vida espero, que muero porque no muero. Mas, apesar de Paulo, Popper e Bachelard, quero sobre isso declarar, resolutamente insubmisso: a sina - clara como um paradigma - do ser humano é decifrar o enigma!



Saímos - todos - da caverna, útero da Terra, para nos abismar - mesmo na era moderna - com seus lírios, delírios ( como as … ireais … auroras boreais e austrais ), e nossas alucinações ideais, como a leve Sainte-Chapelle ( quase que só vitrais ), mas… sempre, o capítulo mais forte, é o da morte, que, “sem pudor, ( conforme encerro num de meus poemas ), pela necessidade de reposição de seres humanos que gera, cria o Amor.”

Trechos do livro "O irreal e a Suspensão da Credulidade", disponível no site da 👉🏽 Editora Arribaçã  

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