No céu alvo das primeiras horas de Sol, o bom dia é para a Lua inteira no firmamento à oeste em fim de jornada, indo se deitar. O horizonte lembra outros que já encontrei, como o que me veio cumprimentar ao amanhecer de uma outra quarta-feira na mineira Tiradentes e seu calçamento de pedra sábado, suas montanhas e acolhimentos. É meio de semana e assim como os demais dias, incluindo os feriados, sábados e domingos, é útil.
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Porém, há mudanças. O homem que “briga” solitário dentro de um ônibus, numa discussão aparentemente com seus fantasmas que o admoesta rotineiramente será diferente no amanhã. Há ainda a mulher a julgar e condenar, pela janela do coletivo, os outros por andarem descalços nas ruas. A “juíza” dos bons modos no tribunal rodante é diferente da que fez o mesmo trajeto no dia anterior. E lembro que adolescente, eu seguia para as “peladas” de pés no chão.
Nas redes, o mundo se deita em fantasias e filmes de terror. Das postagens com soluções milagreiras para todos os males de espírito e da carne; dos pseudos corretos cidadãos que xingam por qualquer fato,
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Todos são passageiros transportando os seus mundinhos confinados.
A janela é o escape da clausura obscura da mente medieval. Também é o aparelho de oxigênio que mantém a todos vivos graças à ventilação que ameniza o sofrimento do verão dos trópicos nordestinos.
E a vida segue no barco pela correnteza. Avança pelo itinerário com paradas em pontos estratégicos. Uns sobem, outros descem, muitos continuam rumo a algum destino que imaginam conhecer.
O tempo me leva à parada. Levanto, puxo a sineta, o movimento cessa, a porta abre e mergulho em outro pedaço de correnteza. Em breve, é Carnaval! Tudo se normaliza.







