Aos poucos, o dia vai se despedindo. O sol já se vê ao fundo como um leve risco, uma fresta de luz laranja se escondendo por trás do rio, cedendo lugar ao brilho que a lua reflete no mar.
A calma, a paz e a soberania da noite nos brindam, anunciando, pelas sombras que desmontam o crepúsculo em tons de laranja, cinza e azul, que sua dona surge.
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Sonhar, refletir, inspirar-se: chegou a hora de ver o resultado, de viver a síntese de todas as experiências que os olhos abriram para a alma ao longo do dia, presenteado mais uma vez.
Fechar as janelas, deixar a alma ter o deleite das emoções, repousar a cabeça sobre o conforto das penas dos anjos. Sentir a segurança, o acalento, o sono; a solução do simples dormir.
Lutar contra essa perfeição parece irracional, mas o fazemos. Deixamos o peso, as exigências, as cobranças de tudo e de todos nos acompanharem, mesmo sabendo que bastaria a lembrança da experiência contemplativa da vida e de toda a beleza que cerca o dia.
Pois, se não há o que ser feito, que venham juntos para a cama — que venham. Mas saibam: o repouso agora é mais que solução, é entrega.
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A importância de juntar os pensamentos, refletir sobre os passos, pedir aos anjos, chorar à Mãe, sabendo que tudo está sendo observado por Nosso Senhor, traz um conforto inefável. E, nesse conforto, encontramos a certeza: nossos pedidos realmente voam longe, carregados por seres de longas asas, que os cuidam com muito apreço e carinho. Eles os guardam em um cofre de ouro, zelando para que cada súplica seja entregue somente a quem se destina, numa jornada sagrada entre o terreno e o divino.
Então, por vezes, pedimos que o destino seja um desses seres alados, para que o meu fale com o seu, para que o meu sussurre ao Santo de minha devoção. Ou mesmo que ele encontre um anjo próximo a mim, sabendo que essa proximidade não se trata de uma distância física — pois isso é limitação da matéria, nossa e não deles.
Então, a resposta pode vir por alguém que me tem apreço, num papo celestial, uma conversa de anjos. Como é fascinante pensar assim!
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Sonho com suas dores, vejo seu peso, sofro junto com suas lágrimas. Mas você nem sequer imagina, em seu mais forte pensamento, que estamos ligados. Assim é a vida, contemplativa beleza de Deus.
Vejo o peso que colocas em ti mesmo; o cimento que carregas não é teu. Vejo teu anjo a te ajudar, mas é tão duro, é muito denso.
Sobre o tropeço do seu orgulho, levantas a cabeça e vês uma linda mão, num gesto de carinho, a te estender.
Um brilho, uma súbita força te ergue. Levantas-te, elevas teus ombros, pondo-te de pé, leve, flutuante. Essa linda Senhora te mostra seu Filho, e não há mais peso, não há mais tristeza, não há mais choro.
Agora, a explosão transborda de ti com leveza. As lágrimas são do amor que te invade, da luz que transpassa teu ser. Apenas uma frase é ouvida: “Eu estou contigo, entrega teu peso a mim.”
Acordei, ainda em lágrimas, pela emoção que sonhei, pela emoção que precisei viver, pela emoção que você me deixou saber. Muito obrigado.
Viva a simplicidade contemplativa da vida do dia a dia!








