A definição é de Wilson Marinho: Wills Leal foi um homem em movimento. E mais certo Wilson não poderia estar. Com efeito, Wills, que agora ...

Um homem em movimento


A definição é de Wilson Marinho: Wills Leal foi um homem em movimento. E mais certo Wilson não poderia estar. Com efeito, Wills, que agora nos deixou, foi mesmo alguém em eterno movimento, no bom sentido de permanentemente inquieto, permanentemente criativo, permanentemente se deslocando, até sem sair do lugar, apenas com o pensamento em constante ebulição, sempre a serviço da cultura paraibana, em várias de suas expressões. O professor Damião, em bela crônica de “A União” chamou-o corretamente de “o imortal caminhante”, ressaltando, como Wilson, o homem que não podia parar, como de fato não parou até o finzinho da caminhada, quando o isolamento imposto pelo vírus reteve-o solitariamente entre os livros e filmes amados, os quais, por problemas na visão, já não acessava facilmente.

Wills vanguardista, moderno, pós-moderno, agora eterno (como Drummond)
Do ponto de vista médico, Wills morreu de parada cardiorrespiratória, dizem as notícias publicadas. Mas penso que todos concordarão com a tese de que ele deve ter morrido mesmo foi de angústia e de tédio, por não poder mais fazer o que gostava, por não poder mais se movimentar física e criativamente, por não poder mais agitar, como sempre agitou, a paisagem cultural da província, enfim, tudo o que lhe dava prazer e era, afinal, sua razão de viver. Freud distinguiu muito bem Eros (pulsão de vida) e Tânatos (pulsão de morte), as duas forças preponderantes da humana existência, uma sempre querendo subjugar a outra, em eterno duelo que um dia termina com a inevitável e derradeira vitória de Tânatos, como não poderia deixar de ser, finitos que somos. Pois bem. Como acontece com quase todos, no Wills dos últimos dias certamente Tânatos tomou o lugar de Eros, motivo de seu “tchau” repentino, do “The end” concluindo o filme de sua vida frutífera e buliçosa.

Wills Leal
Wills Leal
Retomando a feliz definição de Wilson Marinho, pode-se dizer que Wills morreu porque parou, ele que esteve sempre em ação, vivaz, corpo e mente sempre em marcha criadora, o oposto da apatia, da falta de tesão, do borocoxô. Wills que sempre tinha um projeto, uma ideia, uma proposição, verdadeira usina de iniciativas, que sozinho era uma autarquia ambulante, valendo por muitos, múltiplo que era - e sempre foi. Wills vanguardista, moderno, pós-moderno, agora eterno (como Drummond).

Morre-se de amor, morre-se de tristeza e morre-se de tédio, de não se fazer nada. Willis morreu certamente de inação forçada, verdadeiro castigo para os hiperativos.

Vai fazer imensa falta na aldeia pobrezinha por natureza e talvez por destino e praga. Fez diferença - para melhor - enquanto viveu. Não é pouca coisa, para quem dispôs tão só do talento, esse já célebre talento que, ainda segundo Wilson, adquire-se bebendo a água benfazeja de Alagoa Nova.

Obrigado, Willis, por tudo e mais alguma coisa. Vai agora agitar o Olimpo, para delícia dos deuses enfastiados.


Francisco Gil Messias é cronista e ex-procurador-geral da UFPB
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