Uma lenda conta que, em meados do século XIX, um camponês se dirigia com sua carroça rumo a Constantinopla. Quando o sol estava alto, já quase chegando à cidade, ele avistou uma senhora idosa na beira da estrada pedindo carona.
— Por favor, senhor, me leve até Constantinopla… — disse-lhe ela.
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— Quem é a senhora?
A velha sorriu com estranheza e respondeu num tom calmo:
— Eu sou Dona Cólera. Quando chegar à cidade, matarei muitas pessoas.
O camponês estremeceu e ordenou que ela descesse imediatamente. Mas ela levantou uma das mãos e disse:
— Espere! Não se apavore. Proponho-lhe um trato: se você concordar em me levar, eu prometo não matar mais do que cinco pessoas em toda a cidade. E, para lhe provar que digo a verdade, entrego-lhe esta pequena faca, a única coisa que pode me deter. Se eu ultrapassar o que prometi, pode usá-la em mim.
O homem ponderou. Cinco parecia um número pequeno diante do que uma epidemia poderia causar. Ele pensou que assim praticaria um ato de bondade, evitando a morte de muitos.
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Quando finalmente a encontrou, sentada à sombra de uma árvore, ele gritou: — Você mentiu! Disse que só mataria cinco pessoas, mas morreram mais de cem!
Dona Cólera olhou para ele com uma expressão serena e disse:
— Eu cumpri a minha promessa: apenas cinco pessoas morreram por minha ação direta. Todas as outras morreram de medo.
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As dificuldades chegam para todos, mas o medo é que decide o tamanho do sofrimento. Quando Jesus nos convida a não andar ansiosos, não nos pede alienação nem irresponsabilidade, mas confiança ativa, aquela que trabalha, faz todo o possível, ora e segue adiante sem se deixar dominar pelo pavor do amanhã.
A cólera da lenda matou poucos corpos; o medo, porém, devastou almas e consciências. Assim também ocorre conosco: tantas vezes, a dificuldade é superável, mas o pensamento desordenado a transforma em tragédia íntima. Curar a ansiedade, portanto, é aprender a vigiar a mente, educar o pensamento e confiar em Deus, fazendo hoje o bem que nos cabe, sem antecipar dores que talvez nunca venham.
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Se cuidarmos do presente com fé e trabalho, o futuro encontrará o coração preparado. E, onde há confiança em Deus, o medo não encontra morada.
























