TEMPO As moiras tecem silenciosas a passagem do tempo logram o desejo de controle sobre os rumos da vida Nunca podemos quando...

Tempo, senhor do destino

poesia cristina siqueira tatui
TEMPO As moiras tecem silenciosas a passagem do tempo logram o desejo de controle sobre os rumos da vida Nunca podemos quando se trata do tempo Senhor do destino A vida se revela apenas quando olhada ao inverso como quem lê vestígios de uma passagem sagrada não como tristeza mas como consciência A melancolia é sinal: as fiandeiras passaram por ali À nós não foi dado escolher os fios Foi-nos concedido intuir e ir Dar tempo ao tempo é rito. Viver é travessia O tempo fala em risos Zomba do peso Só dança com os distraídos os leves os que não tentam segurá-lo Não atravesse o caminho do tempo Não tente apará-lo no peito Deixe ir Ser vaga e flutuante Navegante do espaço Aceitar o beijo do tempo como brisa no rosto vazio de Deus Hoje penso que a vida é um consertar de relógios
A FOME ESPIRITUAL Entre os anjos sinto apetite por serenidade. Água com mel — elixir da vida. Mas eu tenho o Amor E Amor é habitar a vida Lavo-me em água de rosas procuro-me no ramo fresco da hortelã Cura um coração ferido Palavras que não são minhas atravessam-me: intuição em estado de prece voz que fala calada Uso compasso e reza para alcançar o pivô infinito onde a vida se cose em fio de luz — Em qual dobra do agora irás encontrar-me, anjo de asas poderosas?
DÊ- ME UM BLUES… O céu chora por mim Más águas Vida pisada Toque um blues Por tudo que as palavras choram No oco do acorde sujo Dê- me o som Que o céu alcança Deixa rolar Os homens miúdos Do tempo pequeno O outro lado do escuro Dói A purpurina carvão Sob a pedra Esconde de si o escorpião Dê- me um blues Do melhor de ti Lábios frios Mortos na solidão Do que não foi Dedos quentes Amam cordas de metal Dor fria No oco do baixo rasgado Lembranças em retalhos Cobre O fantasma da ausência A pele morena de um corpo nu Dê- me um blues

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