A minha infância foi toda ali na Rua da Palmeira, bem pertinho do Institudo Dom Adauto. Época em que as casas não possuíam grades nos terr...

Uma lembrança querida

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A minha infância foi toda ali na Rua da Palmeira, bem pertinho do Institudo Dom Adauto. Época em que as casas não possuíam grades nos terraços. Lembro-me de que no terraço lá de casa as cadeiras lá permaneciam durante a noite sem que ninguém as furtasse, apesar de ser uma casa simples. Recordo-me de várias outras vizinhas que também se comportavam da mesma forma, com relação aos seus mobiliários em terraço aberto, sem maiores preocupações.

Arl Otod
A riqueza era subir em um pé de manga, correr de pega, tomar banho de chuva quando era época de inverno, a alegria de escutar as estórias contadas pela vizinha, que reunia as crianças todas as noites para que ouvíssemos, encantados, os seus contos de fadas. Até hoje, me lembro de algumas delas.

Reporto-me a uma época que no meu coração só há espaço para singelezas, felicidades e muita energia de viver. Ia passar uns dias na casa da minha avó... um deleite. Com mimos e tudo o que ela podia me ofertar de melhor. O quintal possuía um verdadeiro pomar; pés de pitomba, bananeiras, jambo, abacate, jaca, e me recordo também da extensão do terreno, que se alongava até o outro lado da rua. Não possuíamos televisão, nem minha avó. 

Ela se alegrava muito na hora de escutar as novelas de rádio e me dizia: “ - Nina, (era assim que me chamava) tá na hora!!! Vamos escutar! A novela em questão era chamada “O direito de nascer” e ela ficava me explicando as passagens sem que eu entendesse nada, mas ficava feliz com a felicidade dela, porque realmente era muito criança para entender de novelas. Deveria estar com 7 ou 8 anos.

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Heather
O que me motivou a fazer esta homenagem a minha avó, foi um fato inusitado, de que nunca me esquecerei e que guardarei sempre com muito amor: Nesta época, era muito comum se comprar pães na padaria e os mesmos serem embrulhados em um pedaço de papel, amarrados em um cordão branco. Ela foi ao quintal comigo, escolheu um galho de uma das árvores e com uma faca amolada, moldou uma agulha de crochê feita com a madeira do galho. Daí fomos para a sala, e ela com aquela agulha de madeira e os cordões dos embrulhos dos pães de padaria, havia feito um pequeno novelo de linhas para me ensinar os primeiros pontos de crochê. Começou a me explicar primeiramente a trancinha, ponto básico do crochê, e aos poucos foi me ensinando outros pontos simples.

Esse texto, minha avó querida, Rosita Santos, eu te dedico de todo o meu coração. Onde você estiver, que os bons anjos estejam contigo. A ti, todo o meu amor. 


Verônica Maria Farias é graduada em ciências econômicas
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