A Sociedade Brasileira de Cardiologia elegeu a arte de Flávio Tavares como forma de reavivar no rosto de cada um dos seus protagonistas o...

A chamado do Brasil

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A Sociedade Brasileira de Cardiologia elegeu a arte de Flávio Tavares como forma de reavivar no rosto de cada um dos seus protagonistas o progresso dos estudos e conquistas da medicina brasileira em seus 100 anos de atuação e congraçamento.

O painel de 7m x 1.70, ocupando a largura da sala de D. Alba Tavares, já não é a tela em branco de um mês atrás. Os imortais da cardiologia brasileira já podem ver seu rosto, não como foram, como deixaram a bata guardada e conservada com a nossa gratidão e a nossa saudade, mas reaparecendo no instante do seu milagre, do milagre de cada um pela vida do outro, quase sempre do moribundo, a luz da felicidade no rosto de cada exitoso do painel.

Tem Paraíba no meio, entre Zerbini, Enrique Cabrera, Ignácio Chavez, Carlos Chagas, Oswaldo Cruz, Ana Nery, Miguel Couto, William Harvey, tantos, tantos.

Tem um Londres, ascendente dos Medeiros, doutor Genival Londres...

- E esta, de tanta luz, tanto amor e coragem realçados no ardor solidário do coração político de Flávio? Quem é ela?

- É Nise da Silveira, a psiquiatra que revolucionou o tratamento, presa por Filinto Müller, companheira de pavilhão de Graciliano Ramos! A heroína no livro “Memórias do Cárcere”, do escritor alagoano, entre os que compõem a galeria imortal confiada aos nossos pincéis.

Não é sem razão que o atelier escolhido por Flávio se esconda num fim de rua desabitada da barreira do Cabo Branco. A solidão é necessária.

O sol ali chega realmente primeiro, como descobriu, depois de Mauricio de Nassau, o perrepista de prosa copiosa Otávio Sitônio Pinto. Repare-se na iluminura de rostos desses renascidos ilustres. Rostos de “sol molhado, de água iluminada” que o verso de José Américo vem se arrimar no pincel de Flávio.

Mais de 50 anos de pincel, a contar do painel de louvor aos anjos e santos da saúde cravado num dos frontais da antiga Clínica São Camilo. Ali começava a cidade a se converter na pinacoteca aberta aos olhos do povo como vemos hoje. A arte circunscrita às salas de elite, excetuada a das igrejas numa cidade desprovida até hoje de galeria ou pinacoteca permanente, passou a ganhar as ruas e os salões de acesso popular pelo veio mais presente e profuso. É raro hoje o salão público sem o toque das artes plásticas, liderado por Flávio.

Por longe que fiquemos, seu nome nos levou aos olhos do Brasil, agora a chamado da Sociedade Brasileira de Cardiologia.


Gonzaga Rodrigues é escritor e membro da APL

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  1. Para mim, ao ser exposto o quadro de Flávio no Rio de Janeiro, ele alcança a estatura, a dimensão de Pedro Americo.

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  2. Salve Gonzaga Rodrigues... belissimo texto à contextualizar a arte que reverencia a classe dos ilustres "Cardiologistas" .
    Paulo Roberto Rocha

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  3. Semelhante ao que aconteceu a Pedro Américo, esse quadro celebrará a ultrapassagem, por Flávio, das fronteiras do Estado.

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  4. Texto delicioso e bastante informativo. Gostei demais de saber que a doutora Nise Silveira teria sido colega de pavilhão do seu conterrâneo Graciliano Ramos quando ambos foram presos ao tempo do regime integralista no Brasil. Parabéns meu caro Gonzaga. Abração!

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